Surfe: saiba tudo sobre o esporte e estilo de vida

Aprovado pelo Comitê Olímpico Internacional, o surfe é um dos mais novos esportes incluído nos Jogos de Tóquio 2020, no Japão

Kelly Slater, um dos maiores nomes do surfe
WSL/ Kelly Cestari
Kelly Slater, um dos maiores nomes do surfe

Esporte radical individual, o surfe é praticado no mar. O objetivo é se manter o maior tempo possível em pé em cima de uma prancha, deslizando sobre as ondas através de manobras.

Confira as notícias sobre surfe no iG Esporte

Os equipamentos essenciais para a prática do surfe são: prancha, leash e parafina. A prancha, obviamente, é indispensável. Geralmente feitas de poliuretano, variam de tamanho de acordo com objetivo da prática. O leash é a cordinha que prende o calcanhar do surfista à prancha e a parafina é o material usado para evitar deslizes e quedas, garantindo a adesão das solas do pé do surfista na prancha.

HISTÓRIA

O contato do ser humano com as ondas é antigo, no entanto, a origem do surfe é incerta. Alguns historiadores relatam que o esporte surgiu nas Ilhas Polinésias, no Oceano Pacífico. Assim, tendo a origem normalmente atribuída aos polinésios, as pranchas eram feitas de troncos de árvores e era considerado um esporte para os reis.

Em 1778, o capitão inglês James Cook chega ao Havaí e relata competições sobre as ondas pelos locais e refere a prática como 'exótico passatempo'. A prática do surfe nas ilhas havaianas acontecia muito antes da chegada da expedição europeia, tendo sido possivelmente introduzida por um rei polinésio.

Irmãos Kahanamoku, Waikiki
Divulgação
Irmãos Kahanamoku, Waikiki

Anos depois de Cook, missionários religiosos da Grã Bretanha oprimiram o surfe e as tradições nativas, banindo e quase extinguindo a prática do esporte. No século XX o surfe volta a ressugir aos poucos, com estrangeiros interessados em aprender a surfar. Duke Kahanamoku, Alexandre Hume Ford, George Freeth e Jack London foram alguns dos protagonistas deste renascimento. Em 1908 foi criado a fundação The Hawaiian Outrigger Surf and Canoe Club e em 1911, o The Hui Nalu Surf Club, dando assim, uma competitividade entre os dois clubes, incentivando o crescimento do surfe. O Havaí é considerado até hoje o berço da cultura do esporte.

Em 1920, os primeiros campeonatos de surfe começaram a surgir na Califórnia, Estados Unidos. A primeira prancha de fibra foi feita em 1949 pelo americano Bob Simmons e pesava cerca de 25 quilos com uma largura de 24 polegadas. Não era fácil de manobrar, mas com certeza era melhor que as pranchas de madeira que eram até então utilizadas na época.

DUKE KAHANAMOKU (24 de agosto de 1890 - 22 de janeiro de 1968)

Estátua de Duke Kahanamoku em Waikiki, Havaí
Divulgação/ Hawaii.gov
Estátua de Duke Kahanamoku em Waikiki, Havaí

Nascido Duke Paoa Kahinu Mokoe Hulikohola Kahanamoku na Ilha de Oahu, o havaiano é considerado o pai do surfe moderno, tendo difundido o esporte no início do século XX. Duke começou a surfar em pranchas de madeira que mediam quase 5 metros e chegavam a pesar até 52 quilos.

Durante a infância na praia de Waikiki, Duke Kahanamoku desenvolveu habilidades aquáticas. Com destaque também na carreira de nadador, conquistou cinco medalhas olímpicas pela equipe dos Estados Unidos. Em 1912 na Suécia, bateu o recorde mundial nos 100m livres, garantindo a medalha de ouro. Em equipe, recebeu a medalha de prata no revezamento 4x200m livres.

Após a Primeira Guerra Mundial durante os Jogos Olímpicos da Antuérpia de 1920,  conquistou mais duas medalha de ouro, novamente nos 100m livres e outra em equipe,  no revezamento dos 4x200m livres. Quatro anos mais tarde, em 1924, foi batido pelo húngaro Johnny Weissmuller e recebeu a medalha de prata em Paris. Na ocasião, dividiu o pódio com seu irmão Samuel Kahanamoku, que ficou em terceiro lugar.

Em 1925, Duke Kahanmoku passou a investir na carreira de ator e estreou no cinema no papel de Noah Noa, no filme Adventure (A Destemida Diana). Este foi apenas um dos 18 filmes nos quais Duke participou.

Durante suas inúmeras viagens pelo mundo, o havaiano disseminava a cultura do surfe e promovia o esporte que até então só era praticado no Havaí e ilhas do Pacífico. Duke foi apontado pela revista Surfer como o surfista do século passado. Apelidado de Big Kahuna, difundiu a essência do esporte e suas origens.

Em 1934 se dedicou a xerife da cidade e do condado de Honolulu, capital havaiana. Foi reeleito 12 vezes ao cargo. Em 1960, o Havaí foi considerado Estado e sua posição de xerife foi abolida, sendo nomeado Embaixador do Aloha.

Em 1990, estátua em homenagem ao seu centenário foi construída em Waikiki, praia na qual o surfista passou a infância. A estátua é um dos mais visitados pontos turísticos da ilha de Oahu, no Havaí.

Morreu aos 77 anos em 1968. No entanto, deixou seu legado e marcou a história do surfe e do Havaí. Foi cremado e suas cinzas jogadas no mar de Waikiki, onde nasceu.

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NO BRASIL

Osmar Gonçalves, em Santos
Divulgação
Osmar Gonçalves, em Santos

O surf brasileiro teve início na cidade de Santos com Osmar Gonçalves. Em 1938, o jovem construiu com amigos a primeira prancha de surfe que se tem registro no Brasil. A ideia surgiu quando, um ano antes, um exemplar da revista americana Popular Mechanics, apresentava a planta de como construir o instrumento. Este é o primeiro marco registrado da história do surfe no país.

No entanto, o surf no Brasil só se popularizou a partir da década de 50, no Rio de Janeiro. A praia do Arpoador é o berço do esporte no território carioca, se tornando o núcleo central do surfe na nos anos 60.

Em 1962, um carpinteiro carioca começou a fabricar pranchas de madeira para vender, difundindo o surfe, que até então era restrito a pequenos grupos. Em 1965, com a criação da Associação de Surf do Estado do Rio de Janeiro, foram organizadas as primeiras competições. No mesmo ano, a primeira fábrica de pranchas do Brasil é inaugurada, a São Conrado Surfboard, introduzindo as primeiras pranchas de fibra de vidro.

A maior entidade brasileira de esportes da época, a Confederação Brasileira de Desportos, só reconheceu o surfe como esporte no ano de 1988. Atualmente o órgão máximo dos esportes é o Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

A partir da década de 80, com a certificação do esporte, surge uma nova geração de Fábio Gouveia e Teco Padaratz, nomes que levaram o surfe brasileiro para âmbito internacional e abriram as portas para a participação dos brasileiros no Circuito Mundial.

Atualmente, a Conferação Brasileira de Surf é a principal entidade do esporte no país, sendo filiada ao COI. Além disso, a Associação Brasileira dos Sufistas Profissionais (Abrasp), é responsável por organizar o Circuito SuperSurfe, campeonato brasileiro.

WAIMEA 5000

Waimea 5000, Arpoador
Divulgação/ Fedoca Lima
Waimea 5000, Arpoador

O primeiro campeonato internacional de surfe realizado no Brasil. Fazia parte do circuito mundial, organizado na época pela International Professional Surfing (IPS), hoje, atual WSL. As seis edições do campeonato aconteceram entre 1976 a 1982 e tiveram as esquerdas do Arpoador como palco. Com exceção dos anos de 1977 e 1981, que foram disputados no Quebra Mar e Prainha, respectivamente.

A primeira edição do campeonato aconteceu graças ao carioca Nelson Machado, dono da surfe shop Waimea, que ficava na Rua Montenegro, atual Rua Vinicius de Morais, em Ipanema. O nome do evento também vinha da quantia da premiação, 5 mil dólares. Com mais de 80 competidores, contou com nomes do cenário do surfe internacional como Reno Abellira, Shaun Tomson e Dane Kealoha. Dentre os brasileiros, destaque para Daniel Friedmann, Cauli Rodrigues e Pepê Lopes, campeão do evento.

HANG LOOSE PRO CONTEST 1986

Hang Loose Pro Contest 1986, Joaquina
Reprodução/ Hang Loose
Hang Loose Pro Contest 1986, Joaquina

O campeonato na praia da Joaquina marcou o retorno do circuito mundial de surfe ao Brasil, depois de quatro anos do úlitmo Waimea 5000. Pela primeira vez em Santa Catarina, o evento contou com a presença de quatro campeões mundiais: Mark Richards, Tom Carrol, Shaun Tomson e Wayne Bartholomew. O campeonato foi vencido pelo australiano até então desconhecido, Dave Macaulay. O melhor brasileiro da competição foi Sergio Noronha, que perdeu nas quartas de final.
Foi a partir do evento épico nas praias catarinenses que as bases do surfe se fortaleceram no país para o esporte ser o que é hoje. Na época, o Brasil não tinha nenhum nome no circuito mundial. Dois anos depois, os dois surfistas da marca Hang Loose, Flávio 'Teco' Padaratz e Fábio 'Fia' Gouveia, levaram o país para âmbito internacional no esporte. Em 1988, Fábio Gouveia foi campeão mundial amador em Porto Rico e no ano seguinte os dois competidores passaram a disputar o circuito da elite mundial. 

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WORLD SURF LEAGUE (WSL)

A liga é responsável em organizar as competições profissionais de surfe. Anteriormente denominada ASP (Association of Surfing Professionals), foi fundada em 1976 mas em 2015 teve seu nome mudado para World Surf League, Liga Mundial do Surfe, em tradução livre para o português.

Atualmente o circuito masculino conta com 34 surfistas, mas a cada um dos eventos do tour, dois de fora são convidados ou selecionados para participar. No final do tour, os 22 primeiros do ranking garantem a vaga para o próximo ano, e outros dois são convidados a se manterem na elite mundial através do wild card, dado aqueles que se machucaram. Assim, os 10 melhores da divisão de acesso (WQS) entram para completar a elite mundial.

Já no circuito feminino, 17 surfistas participam dos eventos, sempre com mais uma convidada que inicia cada evento com um total de 18 atletas. As 10 melhores colocadas permanecem no tour, com apenas uma surfista através do wild card. Assim, as 6 classificadas da divisão de acesso ingressam na elite mundial.

Para definir o ranking da elite mundial, cada etapa distribui uma pontuação de acordo com a colocação dos surfistas. A pontuação de cada etapa:

1º lugar (campeão) - 10.000 pontos

2º lugar (vice-campeão) - 8.000 pontos

3º lugar (eliminado nas seminifinais) - 6.500 pontos

5º lugar (eliminado nas quartas de final) - 5.200 pontos

9º lugar (eliminado na 5ª fase) - 4.000 pontos

13º lugar (eliminado na 3ª fase) - 1.750 pontos

25º lugar (eliminado na 3ª fase) - 500 pontos

O atleta que não compete a etapa por estar lesionado recebe 500 pontos.

Com transmissão ao vivo de cada um dos eventos, o tour masculino passa pela Austrália, Brasil, Fiji, África do Sul, Polinésia Francesa, Estados Unidos, França, Portugal e a última etapa acontece no Havaí.

Cada bateria tem duração de 30 minutos e cada um dos surfistas na água podem pegar um número máximo de 15 ondas por bateria. Assim, são somadas as duas maiores notas, que dão a pontuação final. Os critérios de pontuação são: comprometimento e grau de dificuldade; inovação e progressão de manobras; combinação de manobras expressivas;  variação de manobras; velocidade força e fluidez.

A escala de notas da WSL vai de: 0.0 - 1.9: Fraca; 2.0 - 3.9: Regular; 4.0 - 5.9: Média; 6.0 - 7.9: Boa; 8.0 - 10.0: Excelente.

CAMPEÕES MUNDIAIS

John John Florence, campeão mundial 2016
WSL/ Poullenot/ Aquashot
John John Florence, campeão mundial 2016

2016 John John Florence (HAV) 
2015 Adriano de Souza (BRA)
2014 Gabriel Medina (BRA)
2013 Mick Fanning (AUS)
2012 Joel Parkinson (AUS)
2011 Kelly Slater (EUA)
2010 Kelly Slater (EUA)
2009 Mick Fanning (AUS)
2008 Kelly Slater (EUA)
2007 Mick Fanning (AUS)
2006 Kelly Slater (EUA)
2005 Kelly Slater (EUA)
2004 Andy Irons (HAV)
2003 Andy Irons (HAV)
2002 Andy Irons (HAV)
2001 C.J. Hobgood (EUA)
2000 Sunny Garcia (HAV)
1999 Mark Occhilupo (AUS)
1998 Kelly Slater (EUA)
1997 Kelly Slater (EUA)
1996 Kelly Slater (EUA)
1995 Kelly Slater (EUA)
1994 Kelly Slater (EUA)
1993 Darek Ho (HAV)
1992 Kelly Slater (EUA)
1991 Damien Hardman (AUS)
1990 Tom Curren (EUA)
1989 Martin Potter (ING)
1988 Barton Lynch (AUS)

CALENDÁRIO WSL 2017:

Quiksilver Pro Gold Coast (Austrália) - 14 a 25 de março

Drug Aware Margaret River Pro (Austrália) - 29 de março a 9 de abril

Rip Curl Pro Bells Beach (Austrália) - 12 a 24 de abril  

Rio Pro (Brasil) - 9 a 20 de maio

Fiji Pro (Ilhas Fiji) - 4 a 16 de junho

Corona Open J-Bay (África do Sul) - 12 a 23 de julho

Billabong Pro Teahupo’o (Taiti) - 11 a 22 de agosto

Hurley Pro at Trestles (Estados Unidos) - 6 a 17 de setembro

Quiksilver Pro France (França) - 3 a 14 de outubro

Meo Rip Curl Pro Portugal (Portugal) - 17 a 28 de outubro

Billabong Pipe Masters (Havaí, EUA) - 8 a 20 de dezembro

KELLY SLATER (Cocoa Beach, Flórida, EUA, 11 de Fevereiro de 1972)

Kelly Slater, 11 vezes campeão mundial
WSL/ Kelly Cestari
Kelly Slater, 11 vezes campeão mundial

Considerado o melhor surfista de todos os tempos, o americano foi 11 vezes coroado campeão do mundo pela ASP World Tour. Dentre os campeonatos mundiais, cinco títulos consecutivos, de 1994 a 1998. Slater foi o surfista mais jovem a vencer um mundial, aos 20 anos (1992) e também o mais velho, em 2011 aos 39 anos.

Kelly Slater venceu 55 etapas no mundial de surfe. Sete vezes campeão do evento Pipeline Masters, no Havaí, foi o primeiro surfista profissional a receber 1 milhão de dólares em prêmios. Além disso, Slater já contribuiu para mais de 30 filmes e documentários.

Slater já namorou Pamela Anderson, Gisele Bundchen e Cameron Diaz e atualmente namora a californiana Kalani Miller. Já foi modelo da Versace e em 1991 foi considerado pela revista People como uma das 50 pessoas mais belas do mundo.

Em maio de 1996, com a chamada "Half Fish Total Dish", foi capa da revista mensal Interview, de Andy Warhol. O campeão também tem uma filha, Taylor Slater, que nasceu em junho do mesmo ano, fruto de uma antiga relação amorosa.

Junto com os surfistas Rob Machado e Peter King, montou a banda "The Surfers". Os três surfistas profissionais gravaram músicas e realizaram algumas turnês.

Em 2003 voltou às competições de surfe, para honrar a morte de seu pai, que falaceu um ano antes por câncer. Na final do Campeonato Mundial daquele ano, que aconteceu em Pipeline, na ilha havaiana de Oahu, Kelly enfrentou seu maior adversário, Andy Irons. O local Andy venceu a bateria que lhe deu seu terceiro título mundial.

Em 2005, após o jejum de seis anos, Kelly Slater foi mais uma vez campeão, conquistando seu sétimo título no circuito mundial. Em 2010 foi homenageado pela Câmara dos Representantes norte-americana por suas notáveis realizações e contribuições no esporte.

Em 2015, criou a Kelly Slater Wave Company, com ondas artificiais perfeitas que correm mais de 30 segundos, a piscina de ondas está localizada a 110 milhas da costa em Lemoore, na Califórnia. Em 2016, a WSL entrou em parceria com o surfista para adquirir a onda artifical mais poderosa do mundo, que agora faz parte da WSL Holdings.

ANDY IRONS (Oahu, 24 de julho de 1978 - Dallas, 2 de novembro de 2010)

Andy Irons, três vezes campeão mundial
Jason Reposar
Andy Irons, três vezes campeão mundial

Dono de três títulos mundiais (2002, 2003, 2004) e quatro títulos consecutivos da Tríplice Coroa Havaiana, 2002 a 2006, Andy Irons fez história no surfe mundial.

Junto com seu irmão mais novo, o também surfista Bruce Irons, realizava o Irons Brothers Pinetrees Classic, campeonato de surfe criado pela família voltado ao incentivo do surfe à jovens havaianos da ilha de Kauai. O campeonato é aberto a qualquer um que queira participar, o único requisito é a doação de uma lata de comida que vai para um local de alimentos da ilha. Em troca, ganha-se uma camiseta da competição.

Andy foi encontrado morto em um quarto de hotel em Dallas, Estados Unidos. Aos 32 anos, ele foi vítima de parada cardíaca devido a overdose. Andy tinha desistido de competir a etapa mundial de Porto Rico e voltava para o Havaí. O estado do Texas fazia parte da escala do seu vôo de volta para casa.

Quatro dias depois do falecimento de Andy, seu rival no esporte, Kelly Slater se consagrou campeão mundial pela décima vez. Das nove vezes que se enfrentaram, Andy venceu  seis e é considerado o único surfista a fazer frente com Slater. Nos últimos anos de vida do havaiano, os dois surfistas deixaram as diferenças e competições de lado e se tornaram bons amigos.

Andy deixou sua esposa Lyndie Dupuis grávida de oito meses. O bebê, Andy Axel Irons nasceu na ilha de Kauai, em 8 de dezembro de 2010, dia de abertura do Pipe Masters em memória a Andy Irons. Andy é o único surfista a ter ganhado cada uma das etapas do calendário da liga mundial de surfe.

As cinzas de Andy foram espalhadas por Hanalei Bay, no Havaí, pela esposa, irmão, familiares e amigos. Após sua morte, o governador do Havaí declarou como 13 de feveiro o "Dia de Andy Irons".

DICIONÁRIO E GÍRIAS

ALOHA Saudação havaiana

BACK DOOR Quando a onda quebra da direita para a esquerda, vista da areia

BACK SIDE Quando o surfista pega a onda posicionado de costas para ela

BACK WASH Onda que vem na direção contrária, da areia

BEACH BREAK Praia com fundo de areia

BIG RIDER Sufista de ondas grandes

BIQUILHA Prancha com duas quilhas

BOMBA Onda grande

CANAL Zona de água profunda e mais tranquila, que permite ao surfista chegar ao line up

CROWD Cheio, quando o mar está lotado de surfistas

DECK Parte de cima da prancha, onde o surfista pisa

DIREITA Onda que quebra da direita para a esquerda (visão do areia)

DROP Quando o surfista desce a onda, da crista até a base

ESQUERDA Onda que quebra da esquerda para a direita (visão da areia)

FLAT Mar liso, sem ondas

FREE SURFER Surfista que não compete regularmente e pratica por prazer

FRONT SIDE Quando o surfista pega a onda de frente pra ela

GOOFY Surfista que pisa com o pé direito na frente

GROOM Surfista jovem

HAOLE Surfista que não é do local onde está surfando

HANG FIVE Quando o surfista anda pela prancha longboard até o bico e coloca cinco dedos do pé para fora da prancha

INSIDE Arrebentação, onde as ondas quebram

JOELHINHO Movimento para furar a onda. O surfista segura a prancha e aponta o bico para baixo, afundando junto com ela, forçando os joelhos ou o pé.

JUNÇÃO Quando as espumas de uma onda direita e uma onda esquerda se encontram

LEASH Cordinha utilizada para prender a prancha ao pé do surfista

LINE UP Lugar que se espera para pegar a onda

LIP Crista da onda, parte superior

LONG JOHN Roupa de borracha

MARAL Vento que sopra do mar em direção a areia

MARIA PARAFINA Mulher que gosta de surfistas

MAROLA Onda pequena

MAROLEIRO Surfista de ondas pequenas

MONOQUILHA Prancha de uma quilha só

OUTSIDE Lugar fora da arrebentação

PÉ Medida das ondas (1 pé = 30,48 cm)

POINT BREAK Praia com fundo de pedras

PREGO Surfista ruim

QUILHA Peça em forma de barbatana que fica embaixo da prancha, dando estabilidade ao movimento

QUIVER Conjunto de pranchas, "coleção"

RABEAR Quando um surfista entra na frente de outro que já está na onda

RABETA Parte de trás da prancha

RACK Suporte do carro, moto ou bicicleta para carregar a prancha

RASPADOR Acessório para raspar o excesso da parafina que fica na prancha

REGULAR Surfista que pisa com o pé esquerdo na frente

SECRET POINT Lugar secreto

SÉRIE Sequência de ondas

SHAPE Formato da prancha

SHAPER Profissional que fabrica as pranchas de surfe

STAND UP PADDLE Surf praticado em pé, com uma prancha e remos específicos

SWELL Ondulação

THRUSTER Prancha com três quilhas, criada pelo surfista australiano Simon Anderson

TOWN IN Quando o surfista de ondas grandes é rebocado até a onda de jet-ski

WAX Parafina

WCT Word Championship Tour, 1ª divisão do Circuito Mundial de Surfe, elite mundial

WILDCARD Surfista que disputa como convidado

WSL World Surf League, liga mundial de surfe

WQS World Qualifying Series 2ª divisão do Circuito Mundial de Surfe, divisão de acesso à elite mundial

TIPOS DE PRANCHA

De pranchinha a longboard, há pranchas para todos os gostos e estilos
Divulgação
De pranchinha a longboard, há pranchas para todos os gostos e estilos

LONGBOARD Modelo clássico, ela é longa e costuma ter 9"0 a 9"6 pés. 

FUNBOARD Com cerca de 7" a 8" pés, é menor que a longboard e mais facil de manobrar. Ideal para quem quer começar a surfar.

SHORTBOARD Também conhecida como pranchinha, é ideal para manobras de performance. Elas variam de 5'6" até 6'10". São recomendadas para surfistas de níveis intermediário e avançado

GUN Escolha certa para pegar ondas grandes. Criado no Havaí, o nome do modelo vem da expressão "caçadores de ondas grandes". Costuma ter mais de 8 pés e muita flutuação.

SUP WAVE Com três modalidades, o Stand Up Paddle costuma ter mais volume, facilitando utilizar equipamentos adicionais. Para os mais experientes, a média de tamanho fica em torno dos 7 pés, enquanto para os iniciantes se recomenda uma maior, com cerca de 10 pés. Um ponto importante é a largura, quando mais larga, mais estabilidade.

FISH Mais grossas e mais largas, com bico e rabetas largas. Recomendada para pegar ondas pequenas. São pranchas old school e que dão um estilo retrô ao surfe.

ALAIA Pranchas feitas de madeira e sem quilhas. Os bicos são arredondados e a rabeta é normalmente quadrada, reta. Remetem aos primórdios do surfe.

PRINCIPAIS MANOBRAS

TUBO 
É quando o surfista fica debaixo da parede formada pela água. Requer uma velocidade certeira pois se a prancha acelerar demais, o tubo pode ficar pra trás. Se não acelerar, o surfista pode ser engolido pela onda.

AÉREO 
Vôo sobre a onda. Para tirar a prancha da água, o surfista costuma puxá-la com uma ou duas das mãos. É a manobra essencial da Expression Session, sessão exclusiva dos campeonatos.

CUT BACK
Manobra clássica, dominava o surfe nas antigas, quando as pranchas eram muito pesadas para aéreos e rasgadas. É quando o atleta volta em direção contrária da onda e depois regressa a direção normal. Ou seja, o surfista faz um retorno em direção à parte gorda da onda.

FLOATER 
É a flutuação pela espuma da onda. Quando a onda está fechando, o floater faz com que o surfista consiga atingir a parte aberta da onda. A manobra é muito parecida com os skatistas nos corrimãos.

360º 
Manobra comum em vários esportes radicais, no surfe requer bastante técnica. Para completar um 360º, o surfista faz uma volta completa em seu próprio eixo e continua na

BATIDA
O surfista bate com a parte debaixo da prancha na crista da onda.

RASGADA
O surfista joga a rabeta até o topo da face da onda e faz um giro para trás, forçando, para que espirre o máximo de água possível.mesma direção da onda.

BRAZILIAN STORM 

A expressão Brazilian Storm (tempestade brasileira, em português) foi um termo criado pela mídia esportiva norte-americana para se referir à nova geração de brasileiros que vêm ganhando destaque mundial no surfe. O apelido criado pelos gringos evidencia os jovens surfistas que vem dominando o surfe competitivo internacional, de forma que sejam comparado à uma tempestade dentro d'água. 
Confira quais são os surfistas brasileiros no circuito mundial de surfe:

Adriano de Souza (13/02/1987)

Alejo Muniz (22/02/1990)

Alex Ribeiro (19/10/1889)

Caio Ibelli (11/10/1993)

Filipe Toledo (16/04/1995)

Gabriel Medina (22/12/1993)

Italo Ferreira (05/06/1994)

Jadson Andre (13/03/1990)

Miguel Pupo (19/11/1991)

Wiggoly Dantas (16/12/1989)

GABRIEL MEDINA (São Paulo, Brasil, 22 de dezembro de 1993)

Gabriel Medina, campeão mundial em 2014
Divulgação
Gabriel Medina, campeão mundial em 2014

Gabriel Medina Pinto Ferreira foi o primeiro surfista profissional brasileiro a ser campeão mundial em 2014. Medina é também o brasileiro mais jovem a ingressar na elite mundial do surfe, o World Championship Tour, com apenas 17 anos.

Local da praia de Maresias, foi nas ondas da praia paulista que Medina aprendeu a surfar aos nove anos. Aos onze, venceu seu primeiro campeonato a nível nacional e desde então se destacou em competições pelo mundo afora.

Em 2011, ingressou para a elite mundial do surfe da WSL. Um ano depois, Medina realizou um back flip (mortal de costas) durante um treino, sendo o segundo surfista a realizar a manobra. O jovem surfista repetiu a manobra durante o Rio Pro 2016, o dia 14 de maio, sendo o primeiro a realizá-la durante uma competição.

No ano de 2014, aos 20 anos, tornou-se campeão mundial antecipadamente, durante a última etapa do circuito, o Pipe Masters, no Havaí. Em 2015, Medina conquistou o Vans Triple Crown, a Tríplice Coroa Havaiana, se tornando também, o primeiro brasileiro com o título.

TRIPLE CROWN

Há mais de três décadas, o Vans Triple Crown coroa o surfista profissional com melhor desempenho dentro de três eventos na ilhava havaiana de Oahu: Hawaiian Pro, em Haleiwa; World Cup of Surfing, em Sunset e o Pipe Masters, em Pipeline. Todos os eventos acontecem no final do ano, a partir de novembro, finalizando em meados de dezembro, na última etapa CT da temporada, o Pipe Masters.

A 'tríplice coroa' é considerada a segunda premiação mais importante, logo atrás do campeão mundial do tour pela WSL. Vencer a Triple Crown significa dominar três ondas difíceis e desafiadoras na ilha berço do surfe.

Gabriel Medina, o primeiro brasileiro a receber a Tríplice Coroa
Divulgação
Gabriel Medina, o primeiro brasileiro a receber a Tríplice Coroa

2015 Gabriel Medina (Brasil) 
2014 Julian Wilson (Austrália)
2013 John John Florence (Havaí)
2012 Sebastien Zietz (Havaí)
2011 John John Florence (Havaí)
2010 Joel Parkinson (Austrália)
2009 Joel Parkinson (Austrália)
2008 Joel Parkinson (Austrália)
2007 Bede Durbidge (Austrália)
2006 Andy Irons (Havaí)
2005 Andy Irons (Havaí)
2004 Sunny Garcia (Havaí)
2003 Andy Irons (Havaí)
2002 Andy Irons (Havaí)
2001 Myles Padaca (Havaí)
2000 Sunny Garcia (Havaí)
1999 Sunny Garcia (Havaí)
1998 Kelly Slater (EUA)
1997 Michael Rommelse (Austrália)
1996 Kaipo Jaquias (Havaí)
1995 Kelly Slater (EUA)
1994 Sunny Garcia (Havaí)
1993 Sunny Garcia (Havaí)
1992 Sunny Garcia (Havaí)
1991 Tom Carroll (Austrália)
1990 Derek Ho (Havaí)
1989 Gary Elkerton (Austrália)
1988 Derek Ho (Havaí)
1987 Gary Elkerton (Austrália)
1986 Derek Ho (Havaí)
1985 Michael Ho (Havaí)
1984 Derek Ho (Havaí)
1983 Michael Ho (Havaí)

MELHORES PICOS DO MUNDO PARA O SURFE

TRESTLES , Califórnia, Estados Unidos 
Não é uma praia, nem uma cidade, mas sim uma coleção de surfe em San Clemente. Trestles é formada por cinco breaks, Cottons, Uppers, Lowers, Middles e Church. Extensa faixa de areia, pode servir para todos os tipos e níveis de surfistas.

CLOUDBREAK , Tavarua, Ilhas Fiji 
Esquerda tubular com duas sessões, a onda quebra sobre um recife de coral. E quanto maior o swell, mais tubular a onda fica. Água quente durante o ano todo, divide a atenção com a onda vizinha de Restaurant.

ULUWATU , Bali, Indonésia 
Um dos melhores destinos de surfe da Indonéia, as ondas podem chegar a seis metros de altura. Localizada na ponta mais ocidental da península de Bukit, em Bali, Uluwatu conta com cinco seções diferentes.

CACIMBA DO PADRE , Fernando de Noronha, Brasil 
Considerado o Havaí brasileiro, a melhor época para o surfe acontece no verão, de dezembro a abril. Tubos cristalinos, funciona melhor com ventos off-shore e as ondas podem chegar até 5 metros.

BURLEIGH HEADS , Gold Coast, Austrália 
A mistura do fundo do mar em pedra e areia, numa praia urbana atrai dezenas de surfistas todos os dias em busca de direitas perfeitas. Se quiser pegar uma boa onda longe do crowd, chegue bem cedo para aproveitar.

HOSSEGOR , Aquitânia, França
Há dois picos principais na praia de Hossegor: La Nord e La Graviére. Com grande variação de maré, entender como funcionam os bancos e tábuas de marés pode salvar o surfe. Os meses entre outubro e maio são os mais recomendados para encontrar um dos beach break tubular mais conhecidos do planeta.

SUNSET BEACH , Oahu, Havaí 
Uma das ondas mais cobiçadas do mundo, atrai surfistas do mundo inteiro durante o inverno. Recomendada aos mais experientes, possui grande volume de água, pode ter forte correnteza e suas ondas podem atingir até 8 metros.

SUPERTUBOS , Peniche, Portugal 
Conhecida como 'Pipeline europeia', possui beach break aberto e suas ondas quebram em todas as direções. Há surfe em quase todos os dias do ano, independentemente do vento e swell. Fazendo jus ao nome, tubos rápidos que quebram no raso banco de areia atraem surfistas experientes de todo o mundo.

PUNTA TEMASCAL , Salina Cruz, México 
Água quente e sol escaldante, a onda mais famosa da região de Salina Cruz, quebra com perfeição por muitos metros. Com pouco crowd, é um dos mais de dez picos de direta que atraem surfistas de abril a outubro.

PUNTA ROCA , La Libertad, El Salvador 
Onda mais famosa do país, possui forte localismo e a melhor época para o surfe é de março a outubro. Fundo de pedra e point break clássico, possui uma direita tubular que pode imendar na onda de La Paz.

KILLERS POINT , Taghazout, Marrocos
Forte point break de direita, recomendada para surfistas experientes. É a onda mais consistente da região e recebe swells de todas as direções. Em dias clássicos, as ondas podem chegar a 400m de extensão.

PAVONES , Puntarenas, Costa Rica 
Point break, a esquerda mais rápida do país e a segunda mais extensa do mundo. Rápida e manobrável, se inicia numa boca de rio e nos dias clássicos pode chegar até a Playa de Los Botes. Sua bancada é dividida em três seções e a mistura de areia com pedra pode dificultar a entrada no mar.

CHICAMA , Puerto Malabrigo, Peru 
A esquerda mais longa do mundo precisa de um swell consistente para funcionar. Quanto maiores as ondas, mais chances de serem perfeitas. Nos dias clássicos é conhecida por ser uma máquina de ondas tubulares rápidas. As melhores épocas são entre março e outubro.

RECORDES MUNDIAIS

Maior número de pessoas surfando na mesma prancha 
No dia 20 de junho de 2015, em Huntington Beach, na Califórnia (EUA), 66 pessoas surfaram na mesma prancha de surfe. Com evento organizado pela Visit Huntington Beach e Epic Big Board Ride, a prancha media 42 pés de comprimento, cerca de 12,8 metros.

Maior onda já surfada 
No dia 1 de novembro de 2011, o havaiano Garrett McNamara entrou para o livro dos recordes ao ser registrado na maior onda já surfada. Aos 44 anos, McNamara foi puxado por um jet-ski e pegou uma onda de 23,77 metros (78 pés) na praia do Norte, em Nazaré, Portugal.

Mais tempo surfando uma onda 
Gary Saavedra surfou uma onda em águas abertas por 3 horas 55 minutos e 02 segundos no Panamá. O surfista local, treze vezes campeão nacional, foi a primeira pessoa autorizada pela Autoridade do Canal do Panamá a surfar no local. No dia 19 de março de 2011, Saavedra seguiu um barco de wakeboard que formou a onda ao longo de 76 quilômetros no sentido Pacífico-Atlântico.

IN MEMORY OF EDDIE AIKAU

Eddie Aikau, no Havaí
Divulgação
Eddie Aikau, no Havaí

Campeonato de ondas grandes realizado em Waimea Bay, costa norte da ilha de Oahu, Havaí. O campeonato é uma homenagem a Eddie Aikay, surfista de ondas gigantes e o primeiro salva-vidas de Waimea, tendo salvado mais de 500 pessoas.

Criado em 1984, para que o torneio aconteça, é necessário que as ondas estejam a pelo menos 20 pés, cerca de seis metros. A janela de competição ocorre todos os invernos havaianos entre 1 de dezembro ao último dia de fevereiro. No entanto, com este requisito, o campeonato só aconteceu nove vezes, sendo a última em 25 de fevereiro de 2016. 

Os nove campeões do In Memory of Eddie Aikau:

2015/2016 - John John Florence (Havaí) 
2009/2010 - Greg Long (EUA) 
2004/2005 - Bruce Irons (Havaí) 
2001/2002 - Kelly Slater (EUA) 
2000/2001 - Ross Clarke-Jones (Austrália) 
1998/1999 - Noah Johnson (Havaí) 
1989/1990 - Keone Downing (Havaí) 
1986/1987 - Clyde Aikau (Havaí) 
1985/1986 - Denton Miyamura (Havaí)

O slogan do campeonato é 'Eddie would go', com tradução livre para o português de 'Eddie iria'. A frase é utilizada em situações nas quais as pessoas se recusam a fazer algo por medo. Eddie faleceu numa expedição havaiana em direção ao Taiti. A canoa virou em alto-mar, Eddie tentou salvar seus colegas e nunca mais foi visto. O irmão de Eddie, Clyde Aikau venceu a segunda edição do campeonato de surfe em 1986.

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