Luta, um dos esportes mais antigos do mundo

Com exceção do atletismo, a luta é o esporte mais antigo que conhecemos e é praticado continuamente ao longo de todos os séculos

A luta é um esporte disputado desde a antiguidade
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A luta é um esporte disputado desde a antiguidade

Existem hoje diversas modalidades de lutas no mundo, mas nem sempre foi assim. Tudo começou há séculos e até milênios atrás e, antes de ser considerada como um esporte,  tinha o conceito básico de defesa e de ataque, no sentido de demonstrar superioridade em um confronto. Não existe confirmação de uma data certa, mas acredita-se que a modalidade foi praticada em praticamente todas as eras da humanidade, passando por babilônicos, egípcios, japoneses, chineses, gregos e romanos.  

Os mais antigos registros e imagens datam que no ano de 2000 a.C. as pessoas já faziam movimentos parecidos com o que vemos hoje e conhecemos como uma  luta . No período Micênico da Grécia Antiga, por exemplo, os atletas competiam nus e os músculos ficavam demarcados, o que representava o equilíbrio entre corpo e mente. Um dos fatores apontados como primordiais para o crescimento do esporte foi a expansão territorial dos romanos. Existem também algumas literaturas antigas de povos árabes e orientais onde registram-se desempenhos iguais ao esporte.

JOGOS DA ERA ANTIGA

Apesar de tantas histórias, não é possível determinar o lugar exato da origem do desporto. Entretanto, quem introduziu a modalidade no mundo esportivo foram os gregos, ainda nos Jogos da Grécia Antiga, no século 7 a.C.. Com o passar dos anos e das edições dos Jogos Olímpicos, a modalidade evoluiu e ganhou muitas particularidades. 

De acordo com os escritos e esculturas da época, os atletas também competiam nus com mistura de azeite de olive e terra no corpo.  O objetivo era tombar o adversário três vezes sem tempo determinado e esse tombo só era válido quando o oponente tocava as costas ,o ombro ou o tórax no chão.  A divisão era feita pela idade, sendo que apenas homens, jovens ou adultos.

O Império Romano dominou os gregos até o fim dos Jogos Olímpicos da Antiguidade, que foram extintos por ordem do Imperador Teodósio em 393 d.C., entretanto, com a extensão do Império Romano, dividido entre ocidente e oriente, a disseminação da luta estava mais do que garantida  e então a modalidade continuou na cultura romana por muitos séculos. Este foi um dos motivos pelo qual os franceses utilizaram o termo greco-romano a um dos estilos da luta olímpica, no início do século 19. 

LUTA OLÍMPICA

O esporte como conhecemos hoje começou já na primeira edição dos Jogos Modernos, em Atenas-1896, com o estilo greco-romano, criado pelos franceses. Nos Jogos de St. Louis-1904, o segundo estilo, conhecido como livre, também passou a fazer parte do programa olímpico. A modalidade mais antiga da luta olímpica é, até hoje, disputada apenas por homens. Na luta greco-romana, os lutadores só podem utilizar o tronco e os braços durante o duelo. Segurar o adversário da cintura para baixo ou usar as pernas para derrubar é proibido. Na outra modalidade, que começou a contar com atletas femininas em Atenas-2004, os braços e pernas podem ser utilizadas para o ataque e para a defesa.

JIU JITSU OU JUJUTSU

O jiu-jitsu ou jujutsu é uma arte-marcial japonesa que tem como principais técnicas golpes de alavancas, torções e pressões para derrubar e dominar um adversário. O nome foi composto para nomear, no Japão, habilidades de luta que não utilizavam armas. Foi com esse contexto que o termo reuniu grande variedade de estilos de combate. Literalmente, "ju", em japonês significa "suavidade" ou "brandura” e "jutsu", "arte" ou "técnica", por esse motivo, seu sinônimo literal é "arte suave".

Como acontece com quase todas as artes marciais, não se pode apontar com precisão sua origem. É aceito, no entanto, que algumas culturas que entraram em contato uma com a outra trocavam princípios e dentro de tais princípios estavam às disciplinas marciais. Estilos de luta parecidos foram verificados em alguns povos como os da Índia, China, Mongólia e países da região, nos séculos III e VIII, mas por conta do que representavam as artes em cada cultura, esses países entravam em confronto diversas vezes.

Mitsuyo Maeda foi aluno de Jigoro Kano e deu aulas para a família Gracie
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Mitsuyo Maeda foi aluno de Jigoro Kano e deu aulas para a família Gracie

Sabe-se também que um dos ambientes de desenvolvimento e aperfeiçoamento foram as escolas de samurais, no Japão Feudal. O principal motivo para a criação do jujutsu foi porque, no campo de batalha ou durante qualquer confronto, um samurai poderia ficar sem suas espadas ou lanças, precisando, então, de algum meio para se defender sem armas. Foi aí que as quedas e torçoes começaram a ganhar força, já que os golpes não eram eficientes nesse tipo de combate, dado que os lutadores usavam armaduras. Desta forma, então, nascia o jiu-jitsu do contraste ao kenjitsu e outras artes onde os combatentes utilizavam armas e espadas.

Entretanto, a palavra jujutsu não foi utilizada até o século XVI, época que surgiu o koryu Takenuchi-ryu, que reuniu os golpes dados com as mãos sem proteções, isto é, uma arte suaveque se diferenciava das disciplinas classificado como rígidos. Com isso, fora as habilidades com armas (katana ou a jitte), artes duras que buscavam provocar uma ferida cortante, contundente e perfurante, estudariam também as lutas sem armas, chamadas de artes suaves, o jiu-jitsu, que não tinha como principal foco machucar o oponente seriamente, mas vencer com o menor gasto de energia.

Alguns diversos fatores influenciaram no surgimento da arte. Durante a Idade Média e Idade Moderna, quando não havia guerras que necessitavam das assistências dos samurais, que costumeiramente eram vistos ou alguém falava do envolvimento deles em confusões e maus hábitos, como a embriaguez. Essas coisas tornaram-se mais comuns e aparentes por conta do Xogunato Tokugawa, no século XV, quando, após o estabelecimento de um governo central forte, durante um bom tempo não houve disputas maiores. Os comportamentos negativos dos samurais foram tolerados apenas nas épocas anteriores, mas com a chegada da Idade Contemporânea.

Ocorreu, então, a Restauração Meiji, quando o último shogun perdeu influência e poder político e, por isso, os samurais caíram na escala social. Por fim, entre a passagem do século XIX ao XX, aconteceu a modificação na arte marcial por um mestre de jujutsu que ficaria conhecido por criar, como está escrito abaixo, o judô, outra luta mundialmente conhecida e praticada.

Morihei Ueshiba, outro mestre de arte marcial japonês também criou mais uma modalidade, o Aikido. Ele reuniu seus conhecimentos de jiu-jitsu com o estilo Daito-ryu e fez uma forma de jujutsu bem mais tranquila com relação ao judô, dando ênfase no controle de energia, alguns conceitos sobre a maneira dessa energia fluir e projeções focadas no próprio oponente.

O jiu-jitsu, no início do século XX, foi afetado com grande influência do Karate, quando muitos grandes mestres do esporte começaram a praticar e estudar a fundo a arte "Okinawense". Assim, eles tornaram-se, com o passar do tempo, grandes mestres nas duas linhas, caso dos mestres Yasuhiro Konishi e Hironori Otsuka, criadores de dois estilos do Karate, o  Shindo jinen ryu e Wado-ryu, respectivamente.

SURGIMENTO NO BRASIL

Na mesma época em que o grande mestre Jigoro Kano, criador do judô, tentava promover a modalidade, um dos maiores instrutores do centro Kodokan, Mitsuyo Maeda, em 1913, conhecido também como Conde Koma, foi enviado ao Brasil para receber os imigrantes japoneses. Com uma escola em Belém, Koma teve entre seus alunos Carlos Gracie e Luiz França. Gastão Gracie, pai de Carlos, tinha grande afinidade com Maeda e, por isso, ele foi um dos alunos.

Carlos e Hélio Gracie, principais criadores do jiu-jitsu brasileiro
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Carlos e Hélio Gracie, principais criadores do jiu-jitsu brasileiro

Consequentemente, Carlos ensinou a seus outros irmãos, principalmente a Hélio Gracia (como dito mais abaixo). Apesar de Maeda ter ensinado somente o judô de Jigoro Kano a Carlos, ele repassou a Hélio, o menor e mais franzino dos irmãos Gracie, uma modalidade com um grande enfoque no ne waza, ou seja, técnicas no solo, com o intuito de compensar o biotipo, utilizando muito do dispositivo de alavanca, dando uma força a mais.

Posteriormente, Hélio Gracie afirmou que ele foi o criador do jiu-jitsu existente e que seu irmão Carlos lutava judô, mas é certo que o jujutsu tradicional é muito diferente do praticado e criado por Hélio e Carlos Gracie no Brasil (será explicado mais abaixo). A modalidade no país foi também divulgada por Luiz França, colega de turma de Carlos na escola em Belém de Koma. Ele treinou também com Soishiro Satake, em Manaus, concluiu sua formação com Geo Omori, em São Paulo e fixou-se no Rio de Janeiro. Na Cidade Maravilhosa ele ensinou a arte para morados carentes do subúrbio e também para militares. Talvez seu mais importante aluno foi Oswaldo Fadda, que viria a se tornar mestre. Fadda desenvolveu uma escola de jiu-jitsu independente da família Gracie na zona norte da cidade.

JIU-JITSU BRASILEIRO

Um dos principais responsáveis pelo crescimento da modalidade foi a família Gracie, principalmente Carlos, que com dezenove anos se transferiu para o Rio de Janeiro com a família e se tornou, além de lutador, professor de jujutsu. Depois disso, ele ainda viajou por muitas cidades brasileiras tanto dando aulas quanto triunfando sobre oponentes mais fortes fisicamente.

Foi em 1925 que, ao voltar para o Rio de Janeiro, Carlos abriu a primeira academia Gracie do esporte. Ele chamou seus irmãos, Osvaldo e Gastão, para ajudar na assessoria e assumiu a criação de George, que tinha catorze anos à época, e Hélio, que tinha doze anos. Ele passou seus conhecimentos aos irmãos, adequou e aperfeiçoou a técnica à condição física da família, que era franzina. Ele também transmitiu sua filosofia de vida e conceitos de alimentação natural e tornou-se o primeiro a criar uma dieta especial para atletas o que transformou o jiu-jitsu em sinônimo de saúde.

GRADUAÇÕES NO JIU-JITSU

No Brasil, adotam-se 13 divisões de faixas, de acordo com as experiências e habilidades, são elas: Branca, para iniciante de qualquer idade; Cinza, 4 a 6 anos; Amarela, 7 a 15 anos; Verde, 13 a 15 anos; Azul, 16 anos ou mais (até 4 grau); Roxa, 16 anos ou mais (até 4 grau); Marrom, 18 anos ou mais (até 4 grau); Preta, 19 anos ou mais (até o sexto grau); Vermelha e Preta, sétimo grau - Título de mestre; Vermelha e Branca, oitavo grau - Criada pela IBJJF em 2012; Vermelha, nono grau - Título de Grande mestre - Vários Mestres Brasileiros (somente alcançado por brasileiros); Vermelha décimo grau, este grau foi dado apenas aos criadores do jiu-jitsu brasileiro.

Os critérios de graus na faixa preta variam conforme as suas respectivas ligas, associações, federações e confederações, que são: 1º ao 3º - dois a três anos cada; 4º ao 6º - três a cinco anos cada; 7º ao 8º - cinco a dez anos cada - Mestre; 9º - Grau Alcançado Apenas por Brasileiros - Grande Mestre; 10º - dados apenas aos criadores do esporte no Brasil.

GOLPES, TÉCNICAS E REGRAS

Tradicionalmente, o jiu-jitsu brasileiro é lutado com quimono trançado e as técnicas tem como objetivo levar o oponente a uma posição chamada de finalização, significando que, se continuada, causaria fratura de um osso ou até a morte por estrangulamento/esganamento. A posição de finalização pode ser reconhecida através de três tapas seguidas com a mão (caso as duas mãos estejam presas, com o pé) no solo, também chamado de tatame, ou no próprio corpo do adversário. Além disso, qualquer manifestação verbal também pode indicar o desejo de parar a luta.

Ela pode ser reconhecida ainda através de gritos do derrotado, mas, desta vez, não intencionalmente. Outra forma é quando o técnico do derrotado pede a finalização. Por fim, uma avaliação e intervenção do árbitro, chamada de nocaute técnico, também é reconhecida como finalização. Se a luta terminar e nenhum dos lutadores conseguir o ato, o vencedor é quem conseguir mais pontos ou, caso aconteça um empate, mais vantagens. Se ainda assim seguir o empate, são feitas contagens por punições e, posteriormente, quem decide é a arbitragem.

A pontuação acontece da seguinte forma: dois pontos para a queda, dois pontos para raspagem, quando um adversário é derrubado já no solo, três pontos para passagem de guarda, que é quando o lutador é capaz de prender as pernas do oponente, chega à posição lateral e termina numa imobilização estabilizada em três segundos, quatro pontos para montada ou ataque pelas costas colocando os ganchos. As vantagens são contadas da seguinte maneira: passagens ou montadas não estabilizadas, assim como golpes que encaixam, mas que não resultam em finalização.

Já a punição ocorre em algumas situações, são elas: quando há pouca combatividade, também chamado de amarração, de quem estiver ganhando e aproveitando da situação para deixar o tempo passar sem regresso. Depois de três advertências o atleta é eliminado. Dentre os diversos golpes, os mais conhecidos são: de braço, isto é, arm-lock, chave americana, chave kimura - americana invertida -, chave de bíceps e omoplata; de mão, a mão de vaca; estrangulamentos, como o mata-leão, triângulo e ezequiel. 

Alguns golpes, no entanto, são proibidos, de acordo com a Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu, são eles: de 4 a 12 anos, chave de bíceps, triângulo puxando a cabeça, mata-leão, ezequiel, chave de panturrilha, gravata técnica de frente, kanibasami (tesoura), chave de calcanhar e omoplata de mão; de 13 a 15 anos, chave de bíceps, triângulo puxando a cabeça, chave de pé (todas as formas), cervical, mata-leão de frente, ezequiel, chave de panturrilha, kanibasami (tesoura) e chave de calcanhar; de 16 a 17 anos e adulto (faixa branca), cervical, chave de bíceps, mata-leão no pé, kanibasami (tesoura) e chave de calcanhar; de adulto a sênior 5 (faixas azul e roxa), mata-leão no pé, bate estaca, cervical, chave de bíceps, chave de panturrilha e kanibasami (tesoura); adulto a sênior 5 (faixas marrom e preta), cervical, kanibasami (tesoura) e chave de calcanhar.

INÍCIO DO JUDÔ

Uma das mais tradicionais e antigas modalidades do mundo é o judô, arte marcial praticada como esporte de combate fundada por Jigoro Kano, professor de educação física, em 1882, no Japão. Seu objetivo era criar uma técnica de defesa pessoal juntamente com o desenvolvimento do físico, espírito e mente, mas o começou foi complicado. 

Jigoro Kano, criador do judô
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Jigoro Kano, criador do judô

Kano era um adolescente que se sentia inferiorizado sempre que precisava utilizar de muita energia física para solucionar um problema e, por isso, resolveu modificar o tradicional jiu-jitsu (jujutsu), modalidade onde ele era um esforçado atleta, para unificar os diferentes sistemas e transformar em um veículo de educação física.

Ele pertencia a alta cultura geral e sempre procurava encontrar explicações científicas para os golpes, baseando-se em leis de dinâmica, ação e reação, escolheu e classificou as melhores técnicas dos vários sistemas de jujutsu, em conjunto com os imigrantes de seu país, com ênfase especialmente no ataque aos pontos vitais e também nas luta de solo do estilo Tenshin-Shinyo-Ryu, além dos golpes de projeção do estilo Kito-Ryu. Ele foi o responsável por inserir princípios básicos como os do equilíbrio, gravidade e do sistema de alavancas nas execuções dos movimentos coerentes.

Ele constituiu algumas coisas para tornar o conhecimento mais fácil e racional. Formalizou regras para um duelo esportivo baseado no espírito do ippon-shobu, que significa 'luta pelo ponto completo'.  A partir daí ele demonstrou que o jujutsu aprimorado, fora sua utilização para defesa pessoal,  seria capaz de oferecer aos jogadores muitas oportunidades para superar as próprias restrições do ser humano. 

Antes de Kano, o praticante do esporte tinha apenas como objetivo a vitória, o que pra ele era algo totalmente errado. Por isso ele tentou dar maior expressão à lenda de origem do estilo Yoshin-Ryu, que significa Escola do Coração de Salgueiro, baseando-se no princípio de "doar para ganhar", onde era utilizado a não resistência para comandar e vencer o oponente com o menor esforço possível. Mas para o japonês, uma atividade física deveria servir para a educação de quem praticasse, em primeiro lugar, entretanto, para quem já praticava o esporte, isso era inaceitável, porque para eles, o que importava era o  shin-ken-shobu, isto é, vencer ou morrer ou lutar até a morte.

Por conta do que ele pensava, Kano era constantemente desacatado e desafiado pelos educadores daquele tempo, porém jamais mediu esforços para introduzir o novo jujutsu, que era diferente, mais completo, mais eficaz e muito mais objetivo e racional. Nascia então o judô. Ele fez questão de elevar o termo jutsu, que significa arte ou prática para apenas "do", que quer dizer caminho ou via, para mostrar que não era apenas uma mudança nos nomes, mas que o novo sistema era baseado sobre uma base filosófica. 

A primeira escola de judô, que chamava Kodokan (Instituto do Caminho da Fraternidade), pois "ko" tem sentido de fraternidade ou irmandade, "do" significa caminho ou via e "kan", instituto, foi fundada em fevereiro de 1882, no templo de Eishoji de Kita Inaritcho, bairro de Shimoya em Tóquio, no Japão.

JUDÔ NO BRASIL

Com certeza, um dos principais motivos da chegada do judô no Brasil foi a imigração japonesa. Outro fator foi a grande influência que lutadores profissionais e representantes de escolas de jujutsu exerceram e, consequentemente, contribuíram para o progresso do esporte. No começo, em 1908, não havia nenhuma instituição regularizadora. Na década de 1920 e início da década de 1930, datas das chegadas dos imigrantes, foram organizadas as práticas da modalidade e kendô.

Os primeiros professores a chegarem em São Paulo foram Tatsuo Okoshi (1924), Katsutoshi Naito (1929), Tokuzo Terazaki (1929 em Belém e 1933 em São Paulo), Yassuishi Ono (1928), Sobei Tani (1931) e Ryuzo Ogawa (1934). Outros dois mestres, Takaji Saigo e Geo Omori, com vínculos na pioneira Kodokan, abriram academias na capital paulista na década de 1920, mas esta ação não obteve sucesso. Omori se tornou, na década de 1930, instrutor na Associação Cristã de Moços, no Rio de Janeiro e depois se mudou para Minas Gerais.

Já no Paraná, mais ao norte, com os professores Sadai Ishihara (1932) e Shunzo Shimada (1935), a modalidade deu início nas cidades de Assaí, Uraí e Londrina. No Rio de Janeiro, quem deu início à prática foi Masami Ogino (1934), ao lado de Takeo Yano (1931), Yoshimasa Nagashima (1935 em São Paulo e 1950 no Rio de Janeiro) e Geo Omori, oriundo de São Paulo (1930).

Outro legado deixado foi o da chegada dos primeiros professores que também eram lutadores. Destaque para Mitsuyo Maeda e Soishiro (Shinjiro) Satake, alunos do maior mestre Jigoro Kano. Eisei Mitsuyo Maeda, conhecido também por Conde Koma, desembarcou no Brasil em 14 de novembro de 1914 e foi na cidade de Porto Alegre. Satake, Laku, Okura e Shimisu chegaram junto com ele.

O judô é uma tradicional luta criada ainda no século 19
CBJ/Divulgação
O judô é uma tradicional luta criada ainda no século 19

Os lutadores se mudaram para Manaus no dia 18 de dezembro de 1915, porém passaram por outras cidades para demonstrar o esporte. Koma se firmou em Belém do Pará no ano de 1921, já Satake permaneceu em Manaus, cidade em que ele dava aulas no bairro de Cachoeirinha. Maeda fundou sua primeira academia de judô no Brasil no Clube do Remo, também no Pará. Alguns consideram, ainda assim, que a contribuição dos imigrantes japoneses foi mais importante do que a de Conde Koma e dos outros lutadores.

Durante muitos anos, no entanto, isto é, desde a chegada de Kasato Maru no Brasil (1908) até a Segunda Guerra Mundial, alguns nomes e práticas se confundiram. O mesmo tipo de luta era chamada de judô, jiu-do, jujutsu, jiu-jitsu e também jiu-jitsu Kano. A institucionalização do esporte, que começou com a organização da colônia japonesa, o controle da Confederação Brasileira de Pugilismo e, por fim, a criação da Confederação Brasileira de Judô, foram os passos para diferenciar as práticas de luta.

Outro importante fator na história do judô foi a chegada ao Brasil de um grupo de nipônicos em 1938. Dentre eles, o líder era o professor Ryuzo Ogawa e juntos fundaram a Academia Ogawa, com o objetivo de aperfeiçoar a cultura física, moral e espiritual por meio do esporte. Ogawa era um mestre do jujutsu tradicional e chamou de judô a arte marcial que ele lecionava quando este nome se tornou popular. Mesmo ensinando um estilo diferente do Kodokan judô, ele ainda foi um grande colaborador para o começo da modalidade no país.

Desde então, a cultura e os ensinamentos do mestre Jigoro Kano foram disseminadas e, enfim, no dia 18 de março de 1969, a Confederação Brasileira de Judô foi fundada, mas só em 1972, por decreto, ela foi reconhecida. A primeira academia do esporte na América foi a Terazaki (Clube Recreativo de Suzano Judô Terazaki). Era uma réplica do primeiro templo no Japão, o Kodonan. Ela começou a ser construída em 1937 por Tokuzo Terazaki, que buscava espalhar os ensinamentos do esporte. Foi concluída em 1952 e durante todo o processo de construção contou com o apoio de muitas pessoas ligadas à colonia e ao Japão.

JUDÔ OLÍMPICO

O judô entrou no programa dos Jogos Olímpicos na edição de 1964, em Tóquio, ficando ausente na edição seguinte, em 1968, na Cidade do México. Quatro anos depois, em Munique, a modalidade voltou a ser disputada e está presente até os dias de hoje, ininterruptamente, disputada por categorias de acordo com o peso - além das medalhas de ouro e prata, são distribuídas duas medalhas de bronze em cada categoria. Em Olimpíadas, o judô já contou com um mínimo de quatro e um máximo de oito categorias, sendo que atualmente são sete categorias em disputa - vale lembrar que a participação de mulheres na modalidade começou a partir da competição de Barcelona, em 1992.

GRADUAÇÕES NO JUDÔ

No judô, os atletas são classificados em duas graduações: kyu e dan. Para conseguir uma promoção, são necessários requisitos como: duração de tempo de treino, idade, caráter moral, execução das técnicas especificadas nos regulamentos e comportamento em competições. No kyu, da faixa braca até a marrom, quem concede é a associação ou academia. Já no caso de promoção das graduações de 1º dan até 5º dan, quem realiza é a banca examinadora da Liga ou Federação Estadual e as outras graduações é feita pela Confederação Nacional.

Os praticantes de esporte se classificam em dois grandes grupos, que são: kyu (iniciantes) e dan (peritos), subdivididos em seis e dez graduações, respectivamente, e identificados por faixas coloridas (Obi), usadas na cintura. Para os kyu a ordem de graduação é decrescente e as faixas têm cores branca (6°), amarela (4°), verde (3°),roxa ou azul (2°) e marrom (1°). A numeração dos dan cresce de acordo com o seu valor: 1° a 5°, faixa-preta; 6° a 8, vermelha e branca, rajada; 9° e 10°, faixa vermelha.

Existem oito graus de graduação kyu, os quais se distinguem pelas cores das faixas: primeiro - Ikyu, faixa marrom; segundo - Nikyu, faixa roxa; terceiro - Sankyu, faixa verde; quarto - Yonkyu ou Shikyu, faixa laranja ou abóbora; quinto - Gokyu, faixa amarela; sexto - Rokukyu, faixa azul; sétimo - Nanakyu ou ShichiKyo; oitavo - Mukyu - faixa branca.

Já as graduações dan avançam de modo crescente e vão do 1º dan (shoudan) ao 10º dan (juudan). Eles são diferenciados pelas seguintes cores das faixas: primeiro - Shoudan ou Ichidan, faixa preta; segundo - Nidan, faixa preta; terceiro - Sandan, faixa preta; quarto - Yondan ou Shidan, faixa preta; quinto - Godan, faixa preta; sexto - Rokudan, faixa vermelha e branca; sétimo - Nanadan ou Shichidan, faixa vermelha e branca; oitava - Hachidan, faixa vermelha e branca; nona - Kyuudan ou Kudan, faixa vermelha; décimo - Juudan, faixa vermelha.

PONTUAÇÃO

Para ganhar a luta, é necessário conseguir alguns golpes específicos, são eles: Yuko, o golpe vale o terço de um ponto e acontece quando o oponente cai de lado, além disso, ao imobilizar o oponente entre 10 e 14 segundos o lutador recebe um Yuko; Wazari é o segundo golpe do judô e vale meio ponto. Acontece quando o Ippon não é feito perfeitamente. Com uma imobilização de 15 a 19 segundos, o lutador ganha um Wazari, dois Wazari valem um Ippon e a luta termina.

O terceiro e mais importante golpe do judô é o Ippon, que vale um ponto completo e é considerado o nocaute da modalidade. Ele acontece quando um oponente cai com as costas no chão, depois de um movimento perfeito, quando é finalizado por estrangulamento ou chave de articulação. Imobilização por 25 segundos também vale um Ippon. Existem ainda as punições e são duas diferentes. Shido é a menor delas. O primeiro é tratado como um aviso, o segundo já vale um Yuko para o adversário, o terceiro um Wazari e o quarto, chamado de hansoku-make, é considerado um Ippon o duelo acaba.

Se ao término do confronto, os lutadores estiverem empatados por pontos, aquele que tiver menos Shidos vence. Se for para o golden score, por conta do empate nos minutos normais, o primeiro a receber um Shido perde ou aquele que pontuar primeiro, seja qualquer um dos golpes, vence. 

SAUDAÇÃO

O judô é regido por cortesia, respeito e gentileza e a saudação é um ato que expressa muito bem essas virtudes sociais. Existem duas formas de mostrar o respeito ao adversário no judô: tati-rei ou ritsu-rei (quando em pé) e za-rei (quando de joelhos) - conhecida por ser a saudação de cerimônia. Elas são feitas da seguinte forma: Tachi-rei ou ritsu-rei, ao entrar no dojô e ao sair, quando entrar no tatami para cumprimentar o proferros, ajudante ou adversário e quando inicía e termina um treino. A za-rei também é feita ao começar e terminar um treinamento, ao iniciar um treino no solo com o companheiro e ao terminá-lo e antes e depois do KATA - conjuntos de técnicas de níveis fundamentais a avançados que servem como estudo especial para transmitir as técnicas, o espírito e a finalidade do esporte.

TAEKWONDO

O taekwondo é uma arte marcial militar com origem coreana e tem como primeiro princípio o equilíbrio físico e mental. As primeiras artes marciais coreanas foram desenvolvidas com a aliança de estilos de luta criadas pelos três antigos reinos coreanos. A técnica mais conhecida era a Taekkyeon, um dos segmentos do Subak. Entretanto, mesmo com uma rica história de artes marciais, as coreanas acabaram desaparecendo na obscuridade durante o término da Dinastia Joseon. Os reis eruditos simbolizavam os ideais da sociedade e, com isso, as artes marciais ficaram mal vistas, mesmo com uma comunidade altamente centralizada.

O taekwondo é um esporte olímpico e tem origem coreana
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O taekwondo é um esporte olímpico e tem origem coreana

Joseon consolidou seu domínio absoluto sobre a Coreia durante seu reinado, além disso, ele estimulou o fortalecimento dos ideais e doutrinas confucionistas na sociedade coreana, trouxe e adaptou a cultura chinesa. Entretanto, sua linhagem foi muito enfraquecida entre o final do século XVI e começo do século XVII, quando os vizinhos Japão e Dinastia Qing transcenderam a península, o que levou a uma política progressivamente mais dura de isolamento. O Taekkyeon, entretanto, permaneceu até o final do século XIX.

Já na era moderna, a arte marcial coreana surgiu como forma de renascimento após os conflitos e o período em que os japoneses ocuparam a Coreia, entre 1910 e 1945, época que houve extermínio sistemático dos aspectos culturais. Nesta época, então, o Taekkyeon foi impulsionado e conseguiu se desenvolver de forma muito expressiva, passando a ser uma das condições para adentrar na vida militar.

Os primeiros a praticarem o taekwondo foram enviados ao Japão nesta época e foram obrigados a exercitar as artes marciais japonesas. A ocupação terminou em 1945 e só aí que as escolas de artes marciais, chamadas de kwans, começaram a ser abertas na Coreia. Por existirem diversos pontos de vista sobre o início do taekwondo, alguns investigadores acreditam que foi de grande forma baseado no caratê, isso por possuir algumas técnicas e posturas análogas às do caratê. 

Outros, porém, dizem que a luta foi baseada nas antigas artes marciais coreanas, o Taekkyeon e Subak, ou até mesmo na fusão entre as artes marciais coreanas e de outros países.

A palavra taekwondo é dividido em três partes: "tae", que significa partir ou esmagar com o pé, "kwon", isto é, partir ou esmagar com a mão e "do", que significa espírito/caminho em si, ou seja, "caminho dos pés e das mãos". Em um sentido geral, o esporte indica a técnica de combate sem armas para a defesa pessoal, que envolve a utilização das mãos, punhos, pontapés, voadoras, esquivas e corte  de golpes com as mãos, braços ou pés, com o intuito de rapidamente vencer o oponente.

SURGIMENTO NO BRASIL

O esporte surgiu no Brasil oficialmente em agosto de 1970, em São Paulo. Foi trazido pelo grão-mestre Sang Min Cho, que foi enviado pela Federação Internacional de Taekwondo (International Taekwondo Federation, tkd-itf, na sigla em inglês), juntamente com a fundação da Academia Liberdade de Taekwondo. Seguidamente, outros mestres também vieram, são eles: Sang In Kim, Kun Mo Bang, Kum Joon Kwon, Woo Jae Lee, Kwang Soo Shin, Hee Song Kim, Yeong Hwan Park, Soon Myong Choi, Ju Yol Oh, Te Bo Lee, Hong Soon Kyang, Sung Jang Hong, Yong Min Kim e outros.

Natália Falavigna é a principal atleta do taekwondo brasileiro
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Natália Falavigna é a principal atleta do taekwondo brasileiro

Uma das maiores e mais vencedoras atletas de artes marciais é Natália Falavigna. Ela é a brasileira com mais medalhas internacionais na modalidade em toda sua história e única no Brasil a ser campeã mundial nas categorias júnior, universitária e adulta.

ESPORTE OLÍMPICO

A arte marcial foi um dos últimos esportes integrados ao programa dos Jogos Olímpicos, fazendo sua estreia recentemente, em Sydney 2000, permanecendo até os dias de hoje. Um pouco antes, em Seul 1988 e Barcelona 1992, a modalidade esteve presente no evento como esporte de demonstração, sem distribuição de medalhas.

O taekwondo tem suas particularidades e uma roupa específica, com sensores especiais que auxiliam os árbitros. O lutador deve atingir o adversário com chutes e socos, sempre visandoo tronco e a cabeça - cada golpe pode valer entre um e quatro pontos, e quem marcar mais vence o duelo. Nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, homens e mulheres competem em quatro categorias de peso cada: mosca, leve, médio e pesado.

EQUIPAMENTO

Os praticantes de taekwondo devem utilizar equipamentos de proteção para diminuir o impacto dos golpes e evitar os diversos ferimentos que poderiam ser causados por eles. São utilizadas proteções na cabeça, no tórax, na região genital, pernas, braços e mãos. O uniforme usado é geralmente branco, mas difere de acordo com as regras da federação, e é dado o nome de Dobok.

No Taekwondo existem também os graus de aperfeiçoamento, que inicialmente é dividida em gubs e, posteriormente, em dans. Cada gub (geup) diz respeito a uma faixa colorida e estas são divididas em dez ou nove gubs em ordem decrescente, ou seja, quanto menor o gub, maior será o desenvolvimento técnico. As faixas coloridas têm as seguintes simbolizações e significados:

Branca, significa inocência, é para um estudante que não possui conhecimento anterior sobre o Taekwondo; Amarela, significa a Terra da qual uma planta brota e começa a germinar, enquanto o alicerce do Taekwondo está sendo construído; Verde, significa o crescimento da planta, enquanto as habilidades do Taekwondo estão se desenvolvendo; Vermelha, significa perigo, advertindo o estudante para exercitar o controle e alertando o adversário para ficar longe; Preta, ao contrário da branca, significa maturidade e habilidade no Taekwondo. Também indica a imunidade à obscuridade e ao medo.

Já os dans correspondem às graduações de faixa preta e eles são divididos em dez, mas em ordem crescente, isto é, o décimo dan é vitalício e somente uma pessoa pode possui-lo. Quanto maior o dan, maior será também o desenvolvimento dos conhecimentos e evolução da arte. O preto significa dignidade, dedicação, postura e liderança. A faixa que o lutador amarra na cintura chama-se "ti".

PONTOS

A luta oficial acontece em três rounds de dois minutos cada e um minuto de pausa entre eles. Se houver empate no término do terceiro round, é realizado um quarto de dois minutos. Para que se contabilizem os pontos, foi criado um sistema eletrônico de pontos, nele detectam-se os chutes e pressões locais que valem pontos, ou seja, no colete ou capacete. A contagem é feita da seguinte forma: 1 ponto por ataque válido ao colete com o pé ou o punho; 3 pontos por ataque válido rotativo ao colete com o pé; 3 pontos por ataque válido à cabeça com o pé; 4 pontos por ataque válido rotativo à cabeça com o pé; 1 ponto por cada dois Kyung-gos ou um Gam-jeom cometidas pelo adversário.

No caso dos pontos rotativos, precisa haver confirmação pelos árbitros de canto. Fora o sistema eletrônico, recentemente foi incluído também o sistema de replay instantâneo (Instant Video Replay), que pode ser solicitado pelo treinador do atleta para comprovar pontos ou outras coisas, mas se a mesa de arbitragem não confirmar o pedido do técnico, ele não pode pedir mais o replay.

Algumas são as condições para ser determinada a vitória. Por nocaute (ko); quando o árbitro para o combate (RSC); o resultado final (PTF); a margem de pontos (PTG), que pode acontecer no final do segundo round ou em qualquer momento do último round; morte súbita (SDP); superioridade (SUP); desistência (WDR), desqualificação (DSQ); decisão punitiva do árbitro central (PUN).

As categorias dos Jogos Olímpicos são as seguintes: para homens, abaixo dos 58 kg, abaixo dos 68 kg, abaixo dos 80 kg e acima dos 80 kg. para mulheres: abaixo dos 49 kg, abaixo dos 57 kg, abaixo dos 67 kg e acima dos 67 kg.

Ao redor do mundo, existem diversas modalidades esportivas que são consideradas como um estilo de  luta. Aqui, você conheceu um pouco  mais sobre três delas. 

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