Da infância ao legado petista: conheça a trajetória do ex-presidente Lula

Pernambucano saiu da pobreza e ficou conhecido mundialmente como o primeiro líder populista a ser presidente do Brasil por oito anos; petista fez parte da criação da CUT e do próprio partido pelo qual foi eleito, o PT

Luiz Inácio Lula da Silva ficou conhecido mundialmente como o primeiro líder populista a assumir a presidência do Brasil
Heinrich Aikawa/Instituto Lula
Luiz Inácio Lula da Silva ficou conhecido mundialmente como o primeiro líder populista a assumir a presidência do Brasil

Infância

Luiz Inácio Lula da Silva ficou conhecido mundialmente como o primeiro líder populista a assumir a presidência do Brasil, em 2002, quando o país colecionava meio século de legado republicano. 

O ex-presidente nasceu no município de Garanhuns, interior de Pernambuco. É o sétimo dos oito filhos de Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Mello.  

Em Dezembro de 1952, a família de Lula migrou para o litoral paulista viajando 13 dias num caminhão "pau-de-arara". Lula, sua mãe, Euridice, e seus 17 irmãos foram morar em Vicente de Carvalho, bairro pobre de Guarujá. Por lá, Lula foi alfabetizado no Grupo Escolar Marcílio Dias e completou o ensino fundamental.

Lula ao lado de uma de suas irmãs em sua infância; em 1952, o ex-presidente e seus 17 irmãos se mudaram para Guarujá
Arquivo pessoal/Instituto Lula
Lula ao lado de uma de suas irmãs em sua infância; em 1952, o ex-presidente e seus 17 irmãos se mudaram para Guarujá

Na busca de mais oportunidades, a família decidiu tentar a vida na cidade grande. Em 1956, mudaram-se para São Paulo, onde foram morar em um apartamento de um cômodo, nos fundos de um bar, no bairro do Ipiranga, no centro da capital paulista. 

Aos 12 anos, o ex-presidente conseguiu seu primeiro emprego em uma tinturaria. Posteriormente, Lula trabalhou como engraxate e office boy. Com 14 anos, o presidente teve sua carteira assinada pela primeira vez quando começou a trabalhar como operário na Armazéns Gerais Colúmbia.

Carreira como metalúrgico

Pouco tempo depois, transferiu-se para a Fábrica de Parafusos Marte , onde conseguiu vaga de torneiro mecânico do Senai (Serviço Nacional da Indústria). Depois de estudar por três anos, Lula tornou-se metalúrgico. 

Enquanto o Brasil passava por um golpe militar, em 1964, Lula mudou de emprego e passou por várias outras fábricas, até ingressar na Indústria Villares, uma das principais metalúrgicas do País, localizada em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. 

A carreira do ex-presidente decolou ao ingressar na Indústria Villares, uma das melhores metalúrgicas do País
Ricardo Stuckert/ Instituto Lula
A carreira do ex-presidente decolou ao ingressar na Indústria Villares, uma das melhores metalúrgicas do País

A carreira do presidente como metalúrgico tomou novos rumos quando, em 1969, Lula foi eleito suplente do Sindicado dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Na eleição seguinte, em 1972, tornou-se primeiro secretário e, em 1975, foi eleito presidente do sindicato com 92% dos votos. Lula passou a representar 100 mil trabalhadores. 

O ex-presidente foi reconhecido por dar um novo rumo ao movimento sindical brasileiro. Reeleito presidente do sindicato em 1978, com 98% dos votos, comandou os trabalhadores sem a realização de greves operárias por dezes anos em razão do regime opressor da época. 

Em 1972, Lula é eleito primeiro secretário e fica reconhecido por dar um novo rumo ao movimento sindical brasileiro
Instituto lula/Reprodução
Em 1972, Lula é eleito primeiro secretário e fica reconhecido por dar um novo rumo ao movimento sindical brasileiro

Em março de 1979, ocorreram as primeiras paralisações quando 100 mil operários pararam o ABC paulista. 

No dia 13 de maio de 1979, Lula discursou para 60 mil metalúrgicos do ABC. A repressão ao movimento grevista e a inexistência de partidos que representassem os interesses de trabalhadores no Congresso Nacional fez Lula pensar pela primeira vez em criar um partido de trabalhadores. 

Criação do PT

Nos rumos finais da ditadura militar, o Brasil passou a viver um processo de abertura política. 

Em 1980, Lula marcou seu legado ao reunir intelectuais, marxistas e sindicatos e criar o PT (Partido dos Trabalhadores) em plena Ditadura Militar. "O PT surgiu como agente promotor de mudanças na vida de trabalhadores das cidades do campo, militantes de esquerda, intelectuais e artistas", assegura o site do partido. Desde então, o PT tenta alterar a estrutura do poder no Brasil com a promessa de instaurar uma plataforma social e democrática.

Em 1980, Lula marcou seu legado ao reunir intelectuais, marxistas e sindicatos e criar o PT em plena Ditadura Militar
Instituto lula/Reprodução
Em 1980, Lula marcou seu legado ao reunir intelectuais, marxistas e sindicatos e criar o PT em plena Ditadura Militar

No mesmo ano, uma nova greve dos metalúrgicos provocou a intervenção do governo federal no Sindicato de São Bernardo e a prisão de Lula e de outros dirigentes sindicais com base na Lei de Segurança Nacional. Lula ficou 31 dias na prisão. Na mesma época, sua mãe faleceu. 

O petista passou a liderar a organização do partido que, em 1982, era reconhecido em quase todo o território nacional. Naquele ano,entrou na disputa pelo governo paulista e ficou em quarto lugar.      

CUT

Seguindo a linha populista, em agosto de 1983, o ex-presidente fez parte do grupo fundador da CUT (Central Única dos Trabalhadores). A organização sindical nasceu com o intuito de defender os interesses imediatos e históricos da classe trabalhadora. 

Em 1984, Lula foi uma das principais lideranças da campanha "Diretas Já", reivindicando a escolha direta do Presidente da República. Em1986, Lula foi eleito o deputado federal mais votado do País para liderar a Assembleia Nacional Constituinte, com 650.134 votos. 

Seguindo a linha populista, em 1983, Lula compôs o grupo dos fundadores da Central Única dos Trabalhadores
Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Seguindo a linha populista, em 1983, Lula compôs o grupo dos fundadores da Central Única dos Trabalhadores

Antes de chegar à presidência, depois de vencer o candidato do PSDB José Serra, em 2002, Lula perdeu as eleições três vezes e não acreditava que seu partido chegaria ao poder. As alianças com diversos partidos e por todo o Brasil resultaria na eventual eleição do presidente. 

Trajetória a Brasília


Após 29 anos sem eleição direta para o cargo, o Brasil passaria por eleições diretas para a Presidência da República. Em 1989, o PT lança Lula para disputar a presidência da República. Por pequena diferença de votos, perdeu a disputa para Fernando Collor de Mello. Dois anos depois, Lula liderou a mobilização nacional contra corrupção, que desembocou no impeachment de Collor. 

A chance da vitória animou os petistas e Lula decidiu concorrer na campanha seguinte, em 1994, até o lançamento do Plano Real. Para isso, o partido trocou de discurso em relação ao plano econômico, assim como estudou minuciosamente sua escolha para a vice-presidência. Lula escolheu Aloizio Mercadante, que substituiu José Paulo Bisol, senador do PSB gaúcho. Em agosto daquele ano, Fernando Henrique Cardoso já ultrapassava Lula nas pesquisas e acabou vencendo no primeiro turno. 

Em 1989, o PT lança Lula para disputar a presidência da República; Por pequena diferença de votos, perdeu a disputa
Reprodução/TV Gobo
Em 1989, o PT lança Lula para disputar a presidência da República; Por pequena diferença de votos, perdeu a disputa

A partir de 1992, Lula foi eleito conselheiro do Instituto Cidadania, uma organização não governamental criada com o advento do Governo Paralelo. O instituto foi palco de estudos, pesquisas, debates, publicações e formulação de propostas públicas nacionais, assim como a promoção de políticas públicas e campanhas na tentativa de mobilizar a sociedade civil na luta de direitos para o povo. 

Na terceira tentativa de chegar à Presidência, Lula foi derrotado novamente por Fernando Henrique Cardoso. Analistas acreditam que FHC tenha capitalizado o receio de mudanças radicais políticas e sociais de boa parte do eleitorado. O ex-presidente não se desanimou. 

Em 2002, a convenção nacional do PT aprovou a formação de uma ampla aliança política: PT, PL PC do B, PCB e PMN. O partido também elaborou um programa de governo com o intuito de solucionar as principais dívidas e necessidades sociais. 

Essa abertura do leque de alianças atraiu o voto de empresários e evangélicos. Uma grande campanha publicitaria ajudaria a reforçar a imagem do candidato "paz e amor", que representa todas as camadas da população, principalmente os mais pobres e vulneráveis. 

Chegada à presidência

No dia 27 de outubro de 2002,aos 57 anos, Luiz Inácio Lula da Silva é eleito o presidente do Brasil com quase 53 milhões de votos, vencendo José Serra (PSDB) no segundo turno por uma diferença de 19 milhões. Seu vice-presidente na época era José Alencar, do PL de Minas Gerais. 

Depois da posse, Lula e sua equipe iniciaram uma série de transformações estruturais de grande impacto ao futuro do país. 

Por seus atos, o ex-presidente recebeu títulos de doutor "Honoris Causa" por renomadas universidades norte-americanas e europeias, apesar de seu baixo nível de instrução. 

Em seu primeiro discurso como presidente, Lula focou no combate à fome. Em 2004, o número de pessoas vivendo sob insegurança alimentar grave chegava a 39,5 milhões. O passado da família do presidente, sobrevivendo no Nordeste e no litoral paulista abastecidos apenas com água e farinha, influenciava a urgência de Lula no foco em projetos sociais. Algumas pessoas até dizem que Lula se sensibilizava ao identificar crianças famintas em seus comissos. 

Em 2002, Luiz Inácio Lula da Silva venceu José Serra e foi eleito o presidente do Brasil com quase 53 milhões de votos
Agência Brasil
Em 2002, Luiz Inácio Lula da Silva venceu José Serra e foi eleito o presidente do Brasil com quase 53 milhões de votos

O ex-presidente não era interessado em política até a eventual morte de sua primeira esposa, Lourdes da Silva, por hepatites, em 1969. 

Em meio à Ditadura Militar, entre 1978 e 1980, Lula comandou greves de grandes proporções, o que o daria o legado de maior nome da oposição no cenário político do país. No dia 19 de abril de 1980, Lula é preso por 31 dias. Quando libertado, o ex-presidente retoma a atividade política e cria as bases de um partido com o intuito de conquistar as esferas decisórias do País.

Legado populista

Lula assumiu a presidência com a promessa de reformas econômicas e sociais. Seu principal discurso se baseava em erradicar a pobreza e transformar o Brasil em uma nação próspera. Sua linha de pensamento se originava da crença do partido que ajudou a fundar.

Cientistas políticos dizem que as promessas sociais de Lula foram essenciais para o petista vencer as eleições contra o economista José Serra, candidato à época pelo PSDB.  

O lema ''o primeiro presidente do Brasil que saiu da extrema pobreza" do ex-presidente foi visto como uma esperança, principalmente para a classe operária do país. 

A comunidade internacional viu com bons olhos a eleição democrática de Lula. Na época, o historiador Eric Hobsbawn definiu o sucesso do partido como "um dos poucos eventos no século 21 que nos dá esperança para o resto deste século".

Aos poucos, o ex-presidente conseguiu elevar a imagem do Brasil no exterior e alcançar o período mais próspero para a economia nacional das últimas três décadas. Mas antes de chegar a Brasília, Lula já havia colecionado um grande histórico político. 

No Poder

Na época, a "Folha de São Paulo" enfatizou que Lula chegou ao poder com uma postura "mais conservadora, com inflexão ao centro e sem assustar a direita do País, com quem Lula até se aliou para atingir a vitória".

As primeiras grandes movimentações de Lula no poder se concretizaram com o investimento de bilhões de dólares em programas sociais. Nos anos posteriores, o petista ficou conhecido por promover significativas melhorias no histórico de desigualdades com o aumento do salário mínimo maior que o índice de inflação.

Os programas sociais mais conhecidos do governo de Lula são o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida, legados do governo do ex-presidente vigentes até hoje. De acordo com o PT, o Bolsa Família teria ajudado 44 milhões de pessoas, reafirmando seu compromisso com a população pobre.

Alguns analistas criticaram veemente o enfoque social do governo Lula. Apesar do país passar por anos de estabilidade econômica, políticos da oposição dizem que a época foi marcada pela competitividade desigual em relação a líderes internacionais. Apesar disso, Lula conseguiu manter a economia estável até o fim de seu segundo mandato, em 2010. Graças ao seu alto nível de aprovação, Lula conseguiu eleger sua sucessora, a presidente afastada Dilma Rousseff.

Instituto Lula

Depois de ser derrotado na campanha presidencial de 1989, Lula passa a atuar no Instituto Cidadania, que, em 2011, passaria a ser conhecido como "Instituto Lula". O crescimento do instituto se deu entre os anos 1990 e 1992 quando trabalhou junto ao governo de Fernando Collor de Mello nas propostas alternativas de políticas públicas, oferecendo suporte estrutural e jurídico para o Governo Paralelo. 

Aos poucos, o instituto passou a promover atividades de debate, estudos, pesquisas, informação e elaboração de políticas públicas. 

Em 1989, Lula passa a atuar no Instituto Cidadania que posteriormente seria conhecido como Instituto Lula
Youtube/Reprodução
Em 1989, Lula passa a atuar no Instituto Cidadania que posteriormente seria conhecido como Instituto Lula

Entre 1993 e 1996, o Instituto realizou as Caravanas da Cidadania, percorrendo 359 cidades de 26 estados com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre a realidade brasileira, ouvindo comunidades e articulando propostas para essas regiões. 

As experiência de Lula com as Caranavas deram origem aos livros "Viagem ao Coração do Brasil", de Fernando Gabeira, e "Diário de Viagem ao Brasil", de Maria Graham. 

Entre os anos de 1999 e 2002, o instituto passa a trabalhar com projetos temáticos na tentativa de formular políticas públicas mais abrangentes. Os projetos envolvem a interlocução com os diversos atores políticos e especialistas de cada área, em ambiente suprapartidário. Moradia, energia elétrica, segurança pública, reforma política, segurança alimentar e juventude estão entre os temas abordados. 

O instituto também contava com uma equipe de jornalistas e economistas além de um grupo de análises da conjuntura nacional. Uma equipe de comunicação também ajudava o instituto no relacionamento com a imprensa. 

Quando assumiu o poder, em 2002, Lula transferiu a responsabilidade de dirigir o instituto para o empresário José Alberto de Camargo, que tentou manter o legado de projetos sociais, seminários e debates em parceria com outras instituições. 

Em 2002, Lula transferiu a responsabilidade de dirigir o instituto para o empresário José Alberto de Camargo
Agência Brasil
Em 2002, Lula transferiu a responsabilidade de dirigir o instituto para o empresário José Alberto de Camargo

Com Lula na presidência, diversos projetos do instituto resultaram na criação de ministérios. O Projeto Moradia inspirou a criação do Ministério das Cidades, do Conselho Nacional das Cidades, de programas habitacionais e de saneamento básico. O projeto de Segurança Pública fundamentou o Sistema Único de Segurança Pública, articulado pelo Ministério da Saúde. 

Entre 2003 e 2005, o instituto passou a apoiar reuniões mensais com intelectuais para reflexão sobre os rumos do país. 

Em 2011, com o término do mandato de Lula, o Instituto da Cidadania passou a se chamar Instituto Lula. O Instituto Lula torna-se responsável por cuidar do acervo histórico e das experiências políticas do ex-presidente. 

O Instituto Lula torna-se responsável por cuidar do acervo histórico e das experiências políticas do ex-presidente
Ricardo Stuckert/Instituto Lula
O Instituto Lula torna-se responsável por cuidar do acervo histórico e das experiências políticas do ex-presidente

Legado Interrompido

No dia 29 de maio de 2016, a Receita Federal decidiu suspender a isenção tributária do Instituto Lula entre o período de 2011 a 2014 alegando a existência de "desvios de finalidade". Com isso, o instituto deverá pagar uma multa entre R$8 a R$12 milhões para a justiça. As informações foram publicadas pela "Folha de S. Paulo". 

De acordo com a Polícia Federal, a principal irregularidade encontrada foi o repasse de R$1,3 milhão para a empresa G4 Entretenimento, que pertence ao filho do ex-presidente, Fábio Luis. 

Para os peritos, o Instituto Lula teria simulado prestação de serviço para a G4 como forma de mascarar a transferência de recursos da entidade para o ex-presidente e parentes, configurando o desvio de funcionalidade. 

A empresa de palestras de Lula, LILS Palestras e Eventos, não foi investigada pela operação, mas levantam suspeitas. Ainda de acordo com a "Folha de S. Paulo", entre 2011 e 2015, o ex-presidente ministrou 70 palestras pagas por 41 empresas e instituições. No período, a LILS Palestras recebeu R$21 milhões no período, sendo R$9,9 milhões de empreiteiras investigadas. 

Para justificar o valor das palestras, Lula afirmou ser remunerado de acordo com a projeção internacional do evento. 

Mensalão

Apesar das diversas melhoras no cenário político e social do País durante o governo Lula, o Brasil passou pela "Era Mensalão", a descoberta de um grande esquema de pagamentos de propina a parlamentares para que se facilitasse a aprovação de projetos do governo.

O escândalo veio à tona com a publicação, no dia 6 de junho de 2005, de uma entrevista com o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), no qual ele revelava o que seria um esquema de pagamento de propina a parlamentares. 

Na entrevista, Jefferson acusou a participação de congressistas aliados a um esquema de propina, que ele então apelidaria de "mensalão". Segundo o deputado, os envolvidos recebiam uma 'mesada' de R$30 mil do então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, para favorecer o partido nas votações. O esquema, ainda segundo ele, teria sido realizado entre 2003 e 2004 até o início de 2005. Jefferson frisou que Lula estava ciente dos fatos. 

A justiça concluiu que o esquema foi organizado por um núcleo político chefiado pelo ministro da Casa Civil na época, José Dirceu, e outros integrantes da cúpula do PT. Parlamentares integrantes dos partidos PL (Partido Liberal), PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), PP (Partido Progressista) e PTB (Partido Trabalhista Brasileiro).

Segundo o deputado Roberto Jefferson, os envolvidos recebiam uma 'mesada' de R$30 mil do então tesoureiro do PT
Dida Sampaio/ Estadão Conteúdo - 1º.7.16
Segundo o deputado Roberto Jefferson, os envolvidos recebiam uma 'mesada' de R$30 mil do então tesoureiro do PT

No dia 14 de junho, o processo de denúncia foi encaminhado para o STF que, quatro meses depois, decidiu condenar 25 dos 38 réus do processo. Entre os denunciados, estavam os ministros chefe da Casa Civil, José Dirceu, que seria condenado em dezembro daquele ano. Dirceu, eleito por São Paulo, perdeu seus direitos políticos por oito anos. Em 15 de novembro de 2013, quando se esgotaram suas possibilidades de recurso, o ex-político foi preso e condenado à pena de 7 anos e 11 meses.

Em dezembro de 2005, a CPI dos Correios divulgou relatório esclarecendo o esquema de repasses de dinheiro dinheiro para políticos do PT. No dia 5 de abril de 2006, o texto oficial do relator Osmar Serraglio com as denúncias foi aprovado, por 17 votos a 4, o que representou uma grande derrota e uma eterna macha ao governo Lula.  

Desde então a justiça já instaurou diversos processos contra Lula, mas o presidente nega ter conhecimento do esquema. 


Era Dilma

No dia  1º de janeiro de 2011,  Lula passou a faixa da presidência para sua sucessora petista, Dilma Rousseff. O governo de Dilma sempre foi visto como a continuação do legado petista. 

A cerimônia de posse foi marcada em boa parte pelo tom protocolar e declarações com viés administrativo. Dilma, entretanto, perdeu o ar sério em alguns momentos e chegou a se emocionar ao falar sobre a conquista da Presidência e ao relembrar os tempos de militância contra a ditadura.

Ex-presidente Dilma Rousseff chegou ao posto mais alto da nação após integrar o primeiro escalão do governo Lula
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Ex-presidente Dilma Rousseff chegou ao posto mais alto da nação após integrar o primeiro escalão do governo Lula

Mineira de Belo Horizonte, Dilma chegou ao posto mais alto da nação após integrar o primeiro escalão do governo Lula, onde ocupou o Ministério de Minas e Energia e a estratégica Casa Civil da Presidência. Ela herdou de seu padrinho político um governo com índices de aprovação superiores a 80%.

Candidata do PT com o apoio dos partidos da base governista, Dilma foi eleita em 31 de outubro de 2010, com 55,7 milhões de votos. Ela derrotou no segundo turno o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB), que conquistou 43,7 milhões de votos. A presidência foi o primeiro cargo eletivo que Dilma disputou.

No primeiro discurso que fez após ser empossada, no plenário da Câmara dos Deputados, a petista pediu à oposição que deixe para trás a rivalidade da campanha eleitoral e prometeu não fazer um governo baseado em afinidades partidárias. "Não haverá no meu governo discriminação, privilégios ou compadrio. Sou, neste momento, presidenta de todos os brasileiros", afirmou Dilma, com a voz embargada.

Lava Jato

Em 2009, veio à tona o que ficaria conhecido como o maior escândalo de corrupção do país, a "Lava Jato".  Estima-se que os recursos desviados chegue a bilhões de reais na maior operação de lavagem de dinheiro do Brasil. Além de grandes empreiteiras, estavam envolvidos funcionários da Petrobras, Operadores Financeiros e Agentes Políticos. As investigações, em meio ao segundo mandato do governo da sucessora de Lula, prejudicou a imagem do PT. 

No esquema, deflagrado pela Polícia Federal, grandes empreiteiras organizadas em cartel pagavam propina para altos executivos da estatal e outros agentes públicos. Autoridades acreditam que o esquema ficou em vigência por pelo menos dez anos. 

A Lava Jato começou em 2009 com a investigação de crimes de lavagem de recursos relacionados ao deputado federal José Janene, em Londrina, no Paraná. Além do ex-deputado, os doleiros Alberto Yousseff e Carlos Habbib Chater também estavam envolvidos nos esquemas. 

As empreiteiras se organizaram em um "concorrência aparente". Segundo o Ministério Público Federal, elas formavam um "clube" para discutir os preços oferecidos à Petrobras, que eram calculados e inflados em benefício privado em prejuízo dos cofres da estatal. 

Para garantir que determinadas empresas fizessem parte do cartel e fossem convidadas para licitações, diversos agentes públicos participavam. Além de se omitirem em relação ao cartel, esses funcionários favoreciam as determinadas empresas e restringiam convidados. Segundo o MPF, eram realizadas negociações indiretas e contratações com supressão de etapas relevantes. 

Operadores financeiros intermediavam o pagamento de propinas de forma a disfarça-las de dinheiro limpo aos beneficiários
Aloisio Mauricio/Estadão Conteúdo - 07.07.16
Operadores financeiros intermediavam o pagamento de propinas de forma a disfarça-las de dinheiro limpo aos beneficiários

Operadores financeiros intermediavam o pagamento de propinas de forma a disfarça-las de dinheiro limpo aos beneficiários. O dinheiro ia das empreiteiras até o operador financeiro, em espécie, por movimentação no exterior e por meio de contratos simulados com empresas de fachada. 

Em 17 de março de 2014, foi deflagrada a primeira fase ostensiva da operação. Os alvos eram as organizações criminosas dos doleiros e Paulo Roberto Costa. Ao todo, foram cumpridos 81 mandados de busca e apreensão, 18 mandados de prisão temporária e 19 mandados de condução coercitiva, em 17 cidades e 6 estados e no Distrito Federal. 

Já no dia 20 de março de 2014, a PF deflagrou a segunda fase ostensiva da operação. Mais de 80 mil documentos foram apreendidos além de diversos equipamentos de informática e celulares. Para a análise desse material, somou-se ao aos monitoramentos de conversas. Para a análise de todo o material apreendido nas primeiras etapas e propor acusações, o procurador-geral da República designou um grupo de procuradores da República. 

No mês seguinte, 12 ações foram deflagradas e 74 pessoas denunciadas pela prática de crimes contra o sistema financeiro nacional. Paralelamente, os procuradores solicitaram o bloqueio dos patrimônios dos acusados, o que somou mais de R$50 milhões. 

Em março de 2015, a linha de investigação mudou quando Rodrigo Janot apresentou ao STF 28 petições para a abertura de inquéritos criminais. Ao todo, 55 pessoas foram denunciadas; entre elas, 49 são titulares de foro privilegiado. Os depoimentos em foro privilegiado ajudaram a polícia a desvendar a complexa rede de corrupção por trás da Lava Jato.

Entre as diretorias envolvidas nos crimes estão: de Abastecimento, ocupada por Paulo Roberto Costa entre 2004 e 2012, de indicação do PP, com posterior apoio do PMDB; de Serviços, ocupada por Renato Duque entre 2003 e 2012, de indicação do PT; e internacional, ocupada por Nestor Cerveró entre 2003 e 2008, de indicação do PMDB. 

Corrupção

Em março de 2016, o ex-presidente foi levado para depor em meio às investigações da Operação Lava Jato. Um tríplex no Guarujá e um sítio em Atibaia, que teriam sido reformados pelas empreiteiras OAS e Odebrecht, investigadas na Operação Lava Jato, seria usufruídos pelo ex-presidente e sua família.  


Denúncia 

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão e de condução coercitiva para aprofundar a investigação de possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro originários de desvios da Petrobras, praticados por meio de pagamentos dissimulados feitos por José Carlos Bumlai e pelas construtoras OAS e Odebrecht ao ex-presidente Lula e pessoas associadas.

A Procuradoria da República do Paraná informou em nota que há evidências de que Lula recebeu valores oriundos do esquema de corrupção da Petrobras por meio de destinação e reforma de um apartamento tríplex e de um sítio em Atibaia, da entrega de móveis de luxo nos dois imóveis e da armazenagem de bens por transportadora. Também são apurados pagamentos ao ex-presidente, feitos por empresas investigadas na Lava Jato, a título de supostas doações e palestras. Veja em detalhes por que Lula é alvo de investigação.


Réu pela Justiça Federal 

A Polícia Federal deflagrou no dia 4 de março de 2016, mandados de busca e de condução coercitiva para aprofundar a investigação de possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro originários de desvios da Petrobras, praticados por meio de pagamentos dissimulados feitos por José Carlos Bumlai e pelas construtoras OAS e Odebrecht ao ex-presidente Lula e pessoas associadas.

A Procuradoria da República do Paraná informou em nota ter evidências de que Lula recebeu valores oriundos do esquema de corrupção da Petrobras por meio de destinação e reforma de um apartamento tríplex e de um sítio em Atibaia, da entrega de móveis de luxo nos dois imóveis e da armazenagem de bens por transportadora. Também são apurados pagamentos ao ex-presidente, feitos por empresas investigadas na Lava Jato, a título de supostas doações e palestras. Veja em detalhes por que Lula foi alvo de investigação.

Publicidade

Desvio de dinheiro da PetrobrasDurante as 23 fases da operação Lava Jato, foram obtidas evidências de que o esquema de desvio de dinheiro da Petrobras beneficiava empresas, que enriqueciam às custas dos cofres da estatal, funcionários da empresa, que vendiam favores, lavadores de dinheiro, que se encarregavam da entrega da propina, além de políticos e partidos que proviam sustentação aos funcionários da Petrobras e em troca recebiam a maior parte da propina, usada para enriquecimento próprio e financiamento de campanhas. 

De acordo com o Ministério Público, o esquema era coordenado a partir das cúpulas e lideranças dos partidos que constituíam a base do governo federal, entre eles o Partido dos Trabalhadores. O ex-presidente Lula era líder partidário e era o responsável final pela decisão de quem seriam os diretores da Petrobras. Ele seria também um dos principais beneficiários do esquema.

De acordo com o MPF, o esquema era coordenado a partir de lideranças dos partidos que constituíam a base do governo
Andrevruas/ Wikimedia Commons
De acordo com o MPF, o esquema era coordenado a partir de lideranças dos partidos que constituíam a base do governo

Evidências mostram que os crimes enriqueceram o ex-presidente, financiaram campanhas eleitorais e o caixa de sua agremiação política.

Na época, surgiram referências ao nome do ex-presidente como pessoa, cuja atuação teria sido relevante para o sucesso do esquema tanto no que se refere à quitação do empréstimo obtido pelo Partido dos Trabalhadores junto ao Banco Schahin, por meio do direcionamento ilícito de contrato da Petrobras ao grupo Schahin, a pedido de José Carlos Bumlai, como para que um negócio entre OSX e Sete Brasil se efetivasse.

No último caso, há notícia de pagamento de propina que seria destinada, segundo Bumlai teria informado, para parente do ex-presidente.

São investigados pagamentos feitos por construtoras beneficiadas no esquema Petrobras em favor do Instituto Lula e da LILS Palestras, em razão de suspeitas levantadas pelos ingressos e saídas dos valores. A maior parte do dinheiro que ingressou nas duas empresas, ao longo de 2011 a 2014, proveio de empresas do esquema Petrobras: Camargo Correa, OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e UTC.

Ingressaram no Instituto Lula, 20,7 dentre 35 milhões. Na LILS, foram 10 dentre 21 milhões. Quanto às saídas de recursos, além de beneficiarem pessoas vinculadas ao Partido dos Trabalhadores, elas beneficiaram parentes próximos de Lula, por meio de pagamentos a empresas de que são sócios. 

Além disso, a presidência do Instituto foi ocupada, em dado momento, pelo ex-tesoureiro de sua campanha que é apontado por colaboradores como recebedor de propinas que somaram aproximadamente R$ 3 milhões, decorrentes de contratos com a Petrobras.

O caso do condomínio solares

De acordo com a Procuradoria da República do Paraná, investigações revelaram que o ex-presidente recebeu, em 2014, pelo menos R$ 1 milhão da OAS sem aparente justificativa econômica, por meio de reformas e móveis de luxo implantados no apartamento tipo triplex, número 164-A, do Condomínio Solaris, em Guarujá.

Embora o presidente tenha declarado não ser o proprietário do apartamento, por estar em nome da empreiteira, provas - sendo algumas delas depoimentos do zelador, do síndico, de dois engenheiros da OAS, além de dirigentes da empresa contratada para a reforma - apontam o envolvimento de seus familiares em visitas ao apartamento. 

Suspeita-se também que a reforma e os móveis de luxo comprados para o apartamento constituam propinas decorrentes do favorecimento ilícito da OAS no esquema da Petrobras.

No dia 26 de agosto de 2016, a Polícia Federal indiciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no inquérito que investiga a reforma do tríplex do Condomínio Solaris. A ex-primeira-dama Marisa Letícia e o ex-presidente do Instituto Lula Paulo Okamotto também foram indiciados.

Lula foi acusado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Dona Marisa, por corrupção e lavagem. A conclusão do delegado Márcio Adriano Anselmo é de que o casal "foi beneficiário de vantagens ilícitas, por parte da OAS, em valores que alcançaram R$ 2,4 milhões referentes às obras de reforma no apartamento 164-A do Edifício Solaris, bem como no custeio de armazenamento de bens do casal".

Sítio em Atibaia

Investigações apontam que o presidente adquiriu, em 2010, dois sítios em Atibaia, mediante interpostas pessoas, no valor de R$ 1.539.200,00. Há ainda indícios de que entre 2010 e 2014, Lula tenha recebido pelo menos R$ 770 mil sem justificativa econômica lícita de José Carlos Bumlai e das empresas Odebrecht e OAS, beneficiadas pelo esquema de corrupção da Petrobras.

Foi apurado que dois sítios, um colocado em nome de Jonas Suassuna e outro em nome de Fernando Bittar, foram adquiridos na mesma data, em 29/10/2010. Tanto Jonas como Fernando são sócios de Fábio Luís Lula da Silva como foram representados na compra por Roberto Teixeira, vinculado ao ex-presidente e responsável por minutar as escrituras e recolher as assinaturas. 

Além disso, uma mensagem eletrônica apontou o uso dos adquirentes nominais como interpostas pessoas. O presidente teria determinado, ainda, que parte de sua mudança, ao fim de seu exercício como presidente, fosse entregue na sede dos sítios, que teria sido frequentado pelo presidente nos últimos anos.

Armazenagem de itens retirados do Palácio do Planalto

Surgiram, ainda, fortes indícios de pagamentos dissimulados de aproximadamente R$ 1,3 milhão pela empresa OAS em favor do ex-presidente, de 01/01/2011 a 01/2016, para a armazenagem de itens retirados do Palácio do Planalto ao fim do mandato. Apesar de a negociação do armazenamento ter sido feita por Paulo Okamotto, que foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, presidente do Instituto Lula desde o fim de 2011 e sócio do ex-Presidente na LILS Palestras desde sua constituição em março de 2011, o contrato foi feito entre a OAS e a empresa armazenadora.

Nesse contrato, seu real objeto foi escondido, de acordo com a Procuradoria, falsificando-se o documento para dele constar que se tratava de "armazenagem de materiais de escritório e mobiliário corporativo de propriedade da construtora OAS Ltda." Paulo Okamotto assinou ainda em 12 de janeiro de 2016, procuração autorizando a retirada dos bens.

Impeachment e queda do PT

No dia 31 de setembro de 2016, o Senado Federal aprovou por ampla maioria o impeachment da presidente da República Dilma Rousseff. A votação em plenário, realizada no início da tarde desta quarta-feira (31), após uma semana de sessões do julgamento final, teve 61 votos a favor da saída da petista do Poder e apenas 20 contra.

Com a aprovação do impeachment da presidente Dilma, o vice-presidente Michel Temer assumiu o comando do País
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasi - 31.08.2016
Com a aprovação do impeachment da presidente Dilma, o vice-presidente Michel Temer assumiu o comando do País

Com o impeachment confirmado, a sucessora de Lula deixa por definitivo a Presidência da República e vê encerrado um período de 13 anos em que o Partido dos Trabalhadores ficou no Poder Executivo.

A petista, no entanto, conseguiu que seus aliados revertessem a perda de seus direitos políticos por oito anos, o que a tornaria inelegível a qualquer cargo público, por 42 votos contrários a 36 favoráveis. 

A decisão levou o vice da petista, Michel Temer, a assumir por definitivo o comando do Palácio do Planalto até o fim do mandato para o qual sua chapa foi eleita dois anos atrás, em 2018. 

Lula 2018

Em entrevista feita em Brasília para a revista francesa semanal L'Express divulgada no dia 29 de junho de 2016, Dilma Rousseff afirmou que Lula será candidato à Presidência em 2018. A informação é, inclusive, uma das chamadas da capa da publicação.

"É a razão principal do golpe de Estado: prevenir que o Lula se apresente à Presidência. Hoje em dia, apesar de todas as tentativas de destruir a sua imagem, Lula continua entre as pessoas mais amadas. Eu posso te dizer que ele vai se apresentar na próxima eleição", disse.

Todas as Notícias sobre Lula