Estado Islâmico: saiba tudo sobre a história do grupo terrorista

Grupo jihadista ganhou notoriedade internacional ao divulgar vídeo da decapitação do jornalista norte-americano James Foley

Formado em abril de 2013, o Estado Islâmico é um grupo terrorista sunita criado por dissidentes da Al-Qaeda do Iraque que atuam principalmente na Síria e também no próprio país, mas que nos últimos anos tem realizado ataques mortais na Europa.

Os terroristas do Estado Islâmico , ao contrário de outros grupos da região,  tentam implantar um emirado islâmico que abranja tanto a Síria quanto o Iraque; em 2015, o grupo terrorista dominou metade do território da Síria após ocupar a cidade de Palmira, onde enfrentou e massacrou uma tribo de rebeldes e não teve qualquer tipo de resistência contra a ação.

O grupo sunita controla vastas regiões de Raqqa e Deir Ezzor, territórios que o Observatório Sírio para os Direitos Humanos estima ser de 95 mil quilômetros quadrados, ou mais de metade da massa de terra síria. Com a apreensão dos campos de gás e petróleo de Arak e al-Hail perto de Palmira, eles também controlam grande parte do fornecimento de eletricidade de toda essa região.

Estado Islâmico ganhou notoriedade internacional ao divulgar vídeo de decapitação de jornalista norte-americano
Reprodução/Facebook
Estado Islâmico ganhou notoriedade internacional ao divulgar vídeo de decapitação de jornalista norte-americano

Saiba quem é o líder do grupo terrorista

O grupo terrorista é controlado por Abu Bakr al-Baghdadi. O comandante teria nascido em Samarra, norte de Bagdá, em 1971, e se juntado à rebelião que começou a surgir no Iraque logo depois da invasão liderada pelos EUA em 2003. As informações sobre o líder terrorista são de difícil acesso. 

Algumas informações apontam que ele já era um militante jihadista durante a era de Saddam Hussein. Outros sugerem que ele foi radicalizado durante os quatro anos em que foi mantido em Camp Bucca, uma academia dos EUA no sul do Iraque, onde muitos comandantes da Al-Qaeda foram presos.

Segundo analistas, Baghdadi é visto como um comandante de campo de batalha estrategista  e isso seria um dos pontos mais atraentes para jovens jihadistas em comparação à Al-Qaeda, que é liderada por Ayman al-Zawahiri, um teólogo islâmico.

Em outubro de 2011, os EUA oficialmente designaram Baghdadi e o colocaram com um dos "terrorista" mais procurados do mundo, com uma recompensa de US$ 10 milhões, cerca de R$ 30 milhões por informações que levem à sua captura ou morte.

Estados Unidos lidera coalizão contra o grupo terrorista

Cerca de 30 países formaram em 2014 uma coalizão para lutar contra o EI, sob a liderança dos Estados Unidos. A aliança segue basicamente as linhas apresentadas pelo presidente Barack Obama: ataques aéreos, apoio às forças locais, uso da inteligência e fornecimento de assistência humanitária.

Entre os países que fazem parte da coalizão estão: Estados Unidos, Austrália, Dinamarca, Bélgica, França, Alemanha, Turquia, Canadá e Reino Unido.

A violência do Estado Islâmico

O Estado Islâmico é adepto da doutrina de guerra total sem limites e restrições – não há, por exemplo, arbitragem ou transigência quando se trata de solucionar disputas mesmo com rivais sunitas.

E, ao contrário da organização que lhe deu origem, a al-Qaeda, o Estado Islâmico não recorre à teologia para justificar os crimes.

A violência tem suas raízes no que pode ser identificado como "duas vertentes", segundo a escala e a intensidade da brutalidade.

A primeira, liderada por discípulos de Sayyid Qutb – um islamita egípcio radical considerado o teórico supremo do jihadismo moderno -, tinha como alvo regimes árabes seculares pró-Ocidente ou o que chamavam de "inimigo próximo", e, no geral, demonstrava moderação no uso da violência política.

Após o assassinato do presidente egípcio Anwar Sadat, em 1980, essa insurgência islamita se dissolveu até o final dos anos 90 ao custo de 2 mil vidas. Muitos dos militantes haviam seguido para o Afeganistão nos anos 80 para combater um novo inimigo global – a União Soviética.

A jihad ("guerra santa") afegã contra os soviéticos deu origem à segunda vertente que, mais tarde, ganhou um alvo específico – o "inimigo distante": os Estados Unidos, e em menor grau, a Europa.

Essa segunda onda foi encabeçada por um multimilionário saudita que virou revolucionário, Osama Bin Laden.

Bin Laden fez um grande esforço para racionalizar o ataque da al-Qaeda aos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001, chamando-o de "jihad defensiva", ou retaliação contra a dominação americana das sociedades muçulmanas.

Consciente da importância de arrebanhar corações e mentes, Bin Laden enviou sua mensagem aos muçulmanos e até a americanos como uma espécie de auto-defesa, e não agressão.

Esse tipo de justificativa, no entanto, não tem relevância para o líder do EI, Abu Bakr al-Baghdadi, que não parece se importar com o que o mundo pensa da sanguinolência dos ataques do grupo.

Em contraste às duas primeiras vertentes, o EI professa ação violenta sem qualquer preceito teórico ou teológico e em nenhum momento demonstrou ter um repertório de ideias que sustente e nutra a sua base social. Trata-se de uma máquina de matar alimentada por sangue e armas.

Indo além da doutrina de Bin Laden de que "quando as pessoas veem um cavalo forte e um cavalo fraco, por natureza vão escolher o mais forte", a vitória por meio do terrorismo de al-Baghdadi indica a amigos e inimigos que este é um "cavalo vencedor".

"Saia do c aminho ou você será esmagado; junte-se a nós e faça história" parece ser o lema do EI.

Evidências cada vez mais fortes mostram que, nos últimos meses, centenas senão milhares de antigos e obstinados inimigos do EI, como a Frente al-Nusra e a Frente Islâmica, responderam ao chamado de al-Baghdadi.

História Sunitas e Xiitas

No Islã, a crise política se manifestou muitas vezes pela disputa religiosa. Ficou claro que, 30 anos após a morte de Maomé, a comunidade islâmica mergulhou em grande guerra civil que deu origem a três outros grupos. Uma causa desta disputa foi que os muçulmanos do Iraque e do Egito ressentiram-se do poder do terceiro califa e dos seus governadores; outra causa foi a de rivalidades comerciais entre facções da aristocracia mercantil.

Após a morte do califa, a guerra explodiu entre os diferentes grupos, todos eles na briga pelo poder. A guerra só teve fim com a instauração de uma nova dinastia de califas que governavam desde Damasco.

Um dos grupos que apareceu com esta disputa foi o dos sunitas. Eles dizem ser os seguidores da "práctica" do profeta Maomé. Os Sunitas também acreditam que a comunidade islâmica se manterá unida. Eles desejavam reconhecer a autoridade dos califas, que mantinham o governo pela lei e persuasão. Os sunitas tornaram-se o maior grupo islâmico.

Dois outros grupos menores também surgiram desta divisão: Os xiitas e os carijitas, também conhecidos por "dissidentes". Os xiitas acreditavam que a única liderança legítima é a que vem da linhagem do primo e genro de Maomé, Ali.

Os xiitas acreditavam que o resto da comunidade cometera um  grave erro ao eleger Abu Bakr e seus dois sucessores como líderes. Já os carijitas inicialmente apoiaram a posição dos xiitas de que Ali era o único sucessor legítimo de Maomé, e ficaram decepcionados quando Ali não declarou a guerra no momento em que Abu Bakr tomou a posição de califa, crendo que isto era uma traição ao seu legado por Deus.

Saiba quem são os Sunitas

Os sunitas baseiam a sua religião no Corão e na Suna, como está registrada nos livros de hadith. As coleções hadith de Sahih Bukhari e Sahih Muslim são consideradas pelos sunitas como as coleções mais importantes.

Os sunitas são conhecidos como o maior ramo do Islã, a maioria deles acredita que o nome seja derivado da palavra Suna (Sunna), que se refere aos preceitos estabelecidos no século VIII baseados nos ensinamentos de Maomé e dos quatro califas ortodoxos.

Porém, alguns afirmam que o termo deriva de uma palavra que significa "um caminho moderado", referindo-se à ideia de que o sunismo toma uma posição mais neutra do que aquelas que têm sido percebidas como mais extremadas, como é o caso dos xiitas.

Essa segunda ideia revelou uma simplificação das diferenças entre sunitas e xiitas no que se refere a posições políticas e religiosas dos dois grupos.Mas a ideia de que xiita é sinônimo de radical e sunita de moderado não é coerente com o posicionamento de alguns grupos fundamentalistas atualmente. Exemplos claros disso são: a Al-Qaeda, o Estado Islâmico e o Boko Haram, considerados fundamentalistas, não são sunitas em sua descrição exata, já que descumprem diversos pilares do islamismo, assim como o wahabismo, uma versão ortodoxa e extremista do islamismo, que é dominante na Arábia Saudita.

Saiba quem são os Xiitas

Os xiitas são o segundo maior ramo de crentes do Islã, eles representam 16% do total dos muçulmanos (o maior ramo é representado pelos muçulmanos sunitas, que são 84% dos muçulmanos).

Os xiitas têm apenas Ali, o genro e primo do profeta Maomé, como sucessor e consideram ilegítimos os três califas sunitas que assumiram a liderança da comunidade muçulmana após o assassinato de Maomé.

Depois da morte de Maomé, em 632, muitos acreditavam que ele havia escolhido como seu sucessor o seu genro e primo Ali. Logo após o falecimento, a escolha do novo califa foi organizada, mas, enquanto Ali e sua família aprontavam o enterro de Maomé, alguns companheiros do Profeta, elegeram o novo governante da comunidade islâmica. Sendo assim, Abu Bakr foi designado o novo califa.

Antes de morrer, Abu Bakr designou seu sucessor, Umar, que foi assassinado em 644, dez anos mais tarde. Após ele, Uthman, da dinastia omíada, ocupou o califado até 656, ano em que foi assassinado. Finalmente, Ali assumiu o poder.

Com a morte de Ali, este foi sucedido por seu filho Hassan, porém, o novo califa foi obrigado a renunciar em prol do corrupto Muáwiya, que subornara seus amigos, corrompera seu governo, tornando-se impossível sua governabilidade.[carece de fontes]

A divisão entre sunitas e xiitas nasce da questão sucessória dessa época.

Entenda as diferenças entre xiitas e sunitas

Fundado por Maomé (570-632) no século VII, o Islamismo foi dividido predominantemente entre xiitas e sunitas após a morte do líder religioso, quando foi iniciada uma disputa sobre quem ocuparia a posição de principal liderança da comunidade islâmica mundial. Mas apesar de esses grupos corresponderem a vertentes distintas da religião, eles ainda compartilham de crenças e práticas fundamentalistas, como a fé no Alcorão e a regência da Sharia, código de leis do islamismo.

Hoje, cerca de 90% dos muçulmanos, ou 900 milhões deles, são sunitas. Já os xiitas são compostos por uma média de 120 e 170 milhões, como explica a docente do programa de ciências da religião da Universidade Mackenzie Lidice Meyer Pinto Ribeiro. 

"Diferentemente dos evangélicos e católicos, por exemplo, os muçulmanos não enumeram os seguidores nas mesquitas. Então é difícil precisar seu número de seguidores", afirma.

Essa divisão sectária tem gerado inúmeros conflitos ao longo da história, principalmente em países como o Líbano, a Síria, o Iraque e o Paquistão. Mas embora pareça hoje que as seitas não coexistem, elas ainda compõem comunidades em várias partes do mundo. Em áreas urbanas do Iraque, por exemplo, uniões entre sunitas e xiitas eram, até bem recentemente, bastante comuns.

Veja mais diferenças e semelhanças entre sunitas e xiitas

Em termos de lei, ambas as seitas seguem a Sharia, mas com interpretações diferentes. De acordo com um relatório do Council of Foreign Relations, cada país tenta conciliar os costumes locais com o Islã, o que diferencia o peso que cada uma aplica à forma como a sharia é interpretada.

Quando o assunto é casamento ou divórcio, as leis de ambas as seitas são bem parecidas, mas diferem expressivamente sobre as leis criminais. No Irã, que é xiita, a pena capital mais aplicada é a forca. Já na Arábia Saudita, sunita, as sentenças variam. Por apostasia – abandono da fé – por exemplo, o condenado é decapitado com uma espada, enquanto, por adultério, a pena é a morte por apedrejamento.

Geralmente, os sunitas são mais abertos em termos religiosos e políticos do que os xiitas. "Igrejas xiitas no Brasil são feitas somente para descendentes de árabes. Um brasileiro não pode se converter e ser bem recebido numa mesquita xiita. Porque você não é visto como alguém que pertença ao grupo", explica Lidice Meyer Pinto Ribeiro.

O Estado Islâmico é sunita?

Os terroristas do Estado Islâmico, que se definem como grupo sunita, não seguem nenhuma vertente conhecida do Islã, mas uma corrente nova que aplica as leis da Sharia e do Alcorão conforme a visão do líder e fundador do EI, Abu Bakr al-baghdadi, como explica o chefe do Departamento de Relações Internacionais da PUC-SP, Reginaldo Nasser.

"Quando o Estado Islâmico realiza ataques no Oriente Médio, mata xiitas, sunitas e outros grupos religiosos. Eles não são sunitas, criaram para eles mesmos uma justificativa para o terror", avalia. 

Wahabismo, a raiz ideológica do Estado Islâmico

O wahabismo é uma forma rígida e conservadora do islamismo e é, nos dias atuais, a religião oficial da Arábia Saudita e que alguns afirmam ser o "pai ideológico" do Estado Islâmico.  

"O wahabismo sempre foi descrito popularmente como a mãe de todos os movimentos fundamentalistas", disse à BBC o professor Bernard Haykel, especialista em teologia e lei islâmica. Para o especialista, esta é uma corrente ideológica "muito antiga no Islã, extremamente literal na forma como aborda o texto da revelação e tende a condenar outros muçulmanos que não compartilham desta ideologia". "Mas, para encontrar a inspiração ideológica destes movimentos é preciso voltar ao salafismo jihadista".

O salafismo remonta ao século 19 e uma das figuras mais influentes foi um homem chamado Muhammad ibn Abd al Wahhab, um pregador nascido em um lugar remoto da Península Árabe em 1703. Al Wahhab era um fundamentalista que queria "purificar" o Islã, voltando aos princípios básicos da fé. E, gradualmente, suas ideias foram se espalhando.

Ele encontrou abrigo junto ao homem que governava uma pequena cidade vizinha, Muhammad ibn Saud, com quem fechou um acordo em 1744.

Com este acordo, foram firmadas as bases para a formação de toda a região: Ibn Saud se comprometeu a apoiar Al Wahhab política e militarmente e, em troca, Al Wahhab daria a Ibn Saud legitimidade religiosa.

Juntos, eles tomaram o controle de muitas cidades na região. Muhammad ibn Saud reinava e Muhammad ibn Abd al Wahhab pregava e colocava em prática o que acreditava ser a prática correta do Islã.

A aliança entre Al Wahhab e Ibn Saud continuou capturando territórios. No final do século 18 controlava quase toda a Península Árabe.

Desta forma foi estabelecida a união entre a Arábia Saudita e o wahabismo.

Despertar islâmico

Madawi al Rasheed afirma que é um erro acreditar que o wahabismo como a única influência do Estado Islâmico.

"Se beneficiou com a chegada da Irmandade Muçulmana, que foi exilada de lugares como o Egito, Síria e Iraque nas décadas de 1950 e 1960. A Arábia Saudita os recebeu. Muitos deles se transformaram em professores de religião".

"Esta fusão da religião do wahabismo com as capacidades de organização de outros movimentos islamistas levou à criação de uma nova tendência que foi chamada de 'o despertar islâmico'", afirmou.

Esta tendência mudou o tom de muitos clérigos em todo o mundo, segundo Aimen Dean, que foi membro da Al Qaeda no Afeganistão e depois de transformou em um espião para os serviços de inteligência britânicos.

"Isto aconteceu por causa da globalização. Porque muitos clérigos tinham problemas com o que viam como a expansão da cultura americana, com seus filmes de Hollywood e sua televisão por satélite", disse à BBC.

"E os clérigos responderam a isto com o método do medo. Propagando o 'temor a Deus' na mente dos jovens muçulmanos para evitar que os valores ocidentais entrassem em suas casas".

Dean afirma que este "temor a Deus" produziu uma geração de pessoas culpadas que acham que precisam se redimir e acabaram "vulneráveis a grupos como o EI ou a Al Qaeda" que ofereciam algo novo: absolvição total.

"Porque no Islã a recompensa que recebe em troca do martírio é a absolvição total".

Dean afirma que esta culpa comum a muitos muçulmanos não os transforma em extremistas, é apenas a primeira etapa de um longo caminho.

"É preciso perder todo o sentido de identidade, além da fé, e depois se identificar com os mártires do Corão que foram perseguidos."

"Aí é que se entra neste território sombrio que é a ideologia do EI, onde reza, onde jejua e onde não vacila nem um segundo para matar alguém. (...) Assim é como se forma uma jihadista preconceituoso e psicopata", disse.

Estado Islâmico confirma morte de um de seus principais carrascos

O grupo extremista Estado Islâmico confirmou nesta terça-feira (19) a morte do famoso carrasco da facção conhecido como Jihadi John. 

O britânico Jihadi John, batizado no islamismo como Mohammed Emwazi, já apareceu em diversos vídeos executando reféns americanos e ingleses. Ele foi morto em um ataque aéreo realizado pelos Estados Unidos e pela Grã-Bretanha na Síria no dia 12 de novembro do ano passado.

Segundo publicou o jornal britânico "Telegraph", o EI homenageou o carrasco do grupo em um texto divulgado na internet, considerando-o um integrante "bondoso, misericordioso e bondoso com os 'crentes' no jihadismo".

Sempre usando roupas pretas cobrindo seu rosto, exceto seus olhos, Jihadi John chamou a atenção do mundo ao se tornar uma das principais figuras do terrorismo estrelando o vídeo em que o jornalista americano James Foley é brutalmente executado.

Ele também foi filmado decapitando o repórter americano Steven Sotloff e os britânicos David Haines e Alan Henning. Em novembro de 2014, outro americano, Peter Kassig, foi vítima de Jihadi John.

Emwazi era um cidadão britânico nascido no Kuwait, que morava no oeste de Londres. Ele foi escolhido pelo grupo extremista para decapitar reféns em vídeos da organização. Diferente de outros britânicos, Emwazi não se incomodava em aparecer nos vídeos do Estado Islâmico, segundo um desertor do grupo. O terrorista se tornou um dos homens mais procurados das autoridades do Ocidente.

O ataque aéreo que culminou na morte do carrasco do Estado Islâmico ocorreu na cidade de Raqqa, redulto da facção no norte da Síria, e teve Jihadi John como principal alvo. Na semana do ataque, o coronel americano Steve Warren chegou a afirmar durante coletiva de imprensa que a possível morte do carrasco "provavelmente faria do mundo um lugar melhor".

Saiba o que é a sharia, o código de leis do islamismo

Sharia é o código de leis do islamismo. Em várias sociedades islâmicas atuais, ao contrário da maioria dos países ocidentais, não há uma separação clara entre a religião e o Estado ou entre a religião e a justiça. Todas as leis, ou a maioria delas, são religiosas e têm como base o Alcorão e as opiniões dos líderes religiosos. Existe, porém, uma imensa diferença na interpretação e implementação da lei islâmica nas sociedades muçulmanas.

Alguns países, como a Arábia Saudita e o Irã, seguem a sharia quase completamente ao pé da letra, com uma Constituição e uma polícia religiosa. É por isso que nesses países ainda valem as chamadas leis "olho por olho, dente por dente", e se corta a mão de quem rouba e se apedreja uma mulher que traiu seu marido, por exemplo. 

Países como Afeganistão, Sudão e Líbia também aplicam leis baseadas na sharia. Outros países muçulmanos, como a Indonésia, o Paquistão e Bangladesh, têm leis e Constituições separadas da religião, utilizando a sharia apenas para temas ligados ao direito familiar - ou seja, casamentos e heranças. A Turquia é um exemplo de país muçulmano com uma Constituição completamente secular, 100% independente do Alcorão ou das regras do islamismo.

Estado Islâmico confirma morte de seu porta-voz na Síria

O grupo extremista Estado Islâmico informou que seu porta-voz foi morto no norte da Síria. A agência de notícias do grupo informou que Abu Mohammed al-Adnani foi "martirizado" enquanto participava das operações das ações contra forças militares em Aleppo.

O Estado Islâmico divulgou via internet uma série de áudios nos quais al-Adnani pregava para que seguidores do grupo realizassem ataques.

O Estado Islâmico sofreu uma série de derrotas, dentre elas Aleppo. Tropas turcas e rebeldes sírios forçaram a saída do Estado Islâmico da cidade fronteiriça de Jarablus na semana passada.

O jeito conquistador do Estado Islâmico: Grupo promete chocolates e cappuccino 

Apontado como o novo carrasco britânico do Estado Islâmico, Siddhartha Dhar, de 32 anos, lançou um livro no qual incentiva pessoas a visitarem o califado – sistema de governo regido pelas leis do islamismo – com a promessa de regalias ocidentais e conforto próprio de cidades cosmopolitas, como Nova York e Londres.

Lançado no ano passado e facilmente encontrado em versão digital em páginas na internet, "A Brief Guide to the Islamic State" (um breve guia para o Estado Islâmico) é apresentado por Dhar – que adotou seu nome muçulmano, Abu Rumaysah al-Britani, para assiná-lo – como "uma narrativa alternativa a respeito da vida no califado em um momento em que o mundo se dedica a eliminar" o grupo terrorista sunita.  

"Este livro não contém qualquer informação sobre como fazer atos terroristas, nem dá instruções sobre como migrar para o Estado Islâmico. Ele é simplesmente minha visão detalhada sobre os eventos do primeiro ano de governo do EI", afirma Dhar no prefácio do trabalho. 

"Espero que este livro seja útil e se torne uma fonte primária de informações para futuros historiadores ao provar a superioridade do islã sobre todos os outros modos de vida e a subsequente verdade do Corão e dos ensinamentos do profeta Maomé. Também convido os não-muçulmanos a abraçarem o islamismo para se salvarem do fogo do inferno por testemunharem que ninguém tem o direito de ser digno de adoração, exceto Alá."

Chocolates e cappuccinos
Dividido em nove capítulos curtos, com um total de 46 páginas, o livro procura abordar as principais curiosidades que Dhar considera que simpatizantes do Estado Islâmico têm antes de decidir se juntar ao grupo no território dominado em uma área que abrange Síria e Iraque. 

Um deles aborda, por exemplo, a rede de transportes dentro do califado, especialmente nas cidades de Raqqah (Síria) e Fallujah (Iraque), classificada como "brilhante", com planos para ampla oferta de trens, aviões, navios, bondes, helicópteros, e "qualquer outra novidade inventada por algum empreendedor". 

Em outro, afirma que o clima típico do Mediterrâneo é garantia de uma boa estada no califado, e que as temperaturas extremas – tanto para o frio quanto para o calor – não serão problema aos visitantes, já que o grupo instala aparelhos de ar-condicionado nas casas de quem se juntar a ele.

"Se você pensava que Londres ou Nova York eram cosmopolitas, espere até conhecer o Estado Islâmico, porque ele grita diversidade. O país se tornou um imã de talentos, recrutando profissionais de habilidade, como acadêmicos, juízes, pregadores, soldados, médicos, engenheiros [...]", diz o texto. 

No capítulo "Comida no Califado", Dhar enumera a variedade de alimentos que ocidentais poderão encontrar nas ruas dentro território do grupo, que inclui sanduíches de Shawarma e Falafel, sorvetes e até chocolates de empresas ocidentais, como Kit Kat, Snickers e Kinder Ovo.

"Se você achava que a vida no califado seria regada a pão velho e água contaminada, apague isso da sua mente", afirma. "Lembre-se também que estamos apenas no começo. Enquanto mais muçulmanos viajarem ao califado vindos da Europa, Ásia, ilhas caribenhas e outros lugares, pode ter a certeza que teremos mais e mais opções de alimentos. Não consigo evitar o pensamento de que, no futuro, estaremos comendo curry e massas nas ruas de Raqqah e Mosul."

Fã de rock e do licor irlandês Baileys

Nascido em Londres, Dhar é descrito como um jovem típico da cidade grande por seus familiares, que gostava de sair com amigos, ouvir músicas de bandas de rock como Nirvana e Linkin Park, e beber ocasionamente algumas doses do licor irlandês Baileys.

Convertido ao islã após a morte do pai, quando adotou o nome que usa atualmente, ele foi preso no ano passado sob a acusação de encorajar pessoas a se juntarem a grupos terroristas. Apesar de ter tido seu passaporte apreendido, Dhar pagou a fiança e conseguiu juntar sua família e com ela se mudar para a Síria, onde atualmente vive. 

De acordo com os serviços de inteligência britânicos, Dhar assumiu o posto que antes era preenchido por Mohammed Emwazi, mais conhecido pela alcunha de "Jihadi John", homem natural do Kuwait responsável por uma série de execuções divulgadas pelo grupo no ano passado.

Também cidadão britânico, "Jihadi John" teria morrido em um bombardeio no norte da Síria promovido pela coalizão liderada pelos EUA, em novembro passado.

Terroristas publicam manual para atentados durante os Jogos Olímpicos do Rio

Militantes extremistas islâmicos usaram a rede social Telegram para divulgar uma compilação de 17 recomendações para a execução de atentados terroristas durante os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, que começam no dia 5 de agosto. Entre as técnicas publicadas pelos terroristas estão atentados a aeroportos e meios de transporte públicos, esfaqueamento, envenenamento, sequestro de reféns e veiculação de falsas ameaças.

Especialista norte-americana em contraterrorismo, Rita Katz explica que os terroristas elaboraram uma espécie de “cronograma de ação” para possíveis ataques e pediram que “lobos solitários” – pessoas que atuam sozinhas em grandes ataques, como o atirador à Boate Pulse em Orlando e o atirador que matou policiais durante protestos em Dallas – dirijam-se ao Brasil.

Na última segunda-feira (18), a agência de contraterrorismo SITE, onde trabalha Rita Katz, informou que um grupo no Brasil declarou lealdade ao Estado Islâmico. Também por meio do Telegram, os extremistas criaram um canal batizado "Ansar al-Khilafah Brazil" para recrutar membros. Esta é a primeira ligação explícita entre pessoas na América do Sul e o Estado Islâmico.

Estratégia

Em nota publicada na última segunda-feira (18), a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) garantiu que "todas as ameaças relacionadas aos Jogos do Rio 2016 estão sendo minuciosamente apuradas, em particular as relacionadas ao terrorismo". A Abin informou ainda que casos ligados a ações extremistas estão sob os cuidados de três eixos ligados à segurança dos Jogos – Inteligência, Defesa e Segurança Pública.

Cerca de 5 mil homens da Força Nacional de Segurança Pública e 22 mil oficiais das Forças Armadas Brasileiras devem atuar na segurança dos Jogos Olímpicos, além do contingente fixo do Rio de Janeiro.

Ao longo desta semana, militares do Exército intensificaram ações de patrulhamento na região do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro. Além disso, forças de segurança fazem simulações de atentados com bombas e tiroteio nas principais estações de metrô do Rio e de São Paulo.

Telegram

Não é a primeira vez que terroristas usam o aplicativo Telegram para recrutar pessoas no Brasil. Em junho, o canal oficial de comunicação do Estado Islâmico, a agência Nashir News, criou um grupo na rede social – chamado “Nashir português” – para se comunicar em português com simpatizantes brasileiros.

O grupo for criado em 29 de maio, depois que o Estado Islâmico registrou alta nas interações em português nas páginas do grupo terrorista nas redes sociais. As primeiras mensagens veiculadas no “Nashir português” incluem partes de um discurso do Abu Muhammad al-Adnani.

A vantagem do aplicativo sobre outros com funções similares é que, diferentemente do WhatsApp ou do Facebook, por exemplo, o Telegram é codificado e não utiliza criptografia, ou seja, é mais difícil de ser monitorado pelas autoridades. Apesar disso, a comunicação do grupo no aplicativo está sob monitoramento da Abin.

Grupo no Brasil declara apoio ao Estado Islâmico em rede social

Um grupo extremista no Brasil declarou lealdade ao Estado Islâmico e criou um canal chamado "Ansar al-Khilafah Brazil" na rede social Telegram, que se assemelha ao popular WhatsApp. A informação foi divulgada pela especialista norte-americana em monitoramento de atividades terroristas na web Rita Katz, do SITE, nesta segunda-feira (18).

De acordo com Katz, esta é a primeira vez que uma organização anuncia aliança com o Estado Islâmico na América do Sul e declara submissão ao líder do califado, Abu Bakr al-Baghdadi.

Dentro do canal no Telegram, o "Ansar al-Khilafah Brazil" comentou que, "se a polícia francesa não consegue deter ataques dentro do seu território, o treinamento dado à polícia brasileira não servirá em nada", referindo-se ao apoio que agências internacionais de inteligência têm oferecido ao governo brasileiro na prevenção de ataques terroristas durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Em um post no Twitter, Katz ressaltou que o grupo está aproveitando o momento para espalhar a ideologia extremista antes da competição esportiva. No fim de maio, o Estado Islâmico criou o primeiro canal em português da organização, também dentro do Telegram. A página, para propaganda do califado, é uma versão em português do já existente "Nashir Channel".

Procurada pela reportagem da Ansa, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) ainda não retornou ao contato sobre a suposta aliança de um grupo no Brasil ao Estado Islâmico.

O cientista político Heni Ozi Cukier, professor de Relações Internacionais da ESPM, disse que qualquer ameaça precisa ser verificada para se constatar se é falsa ou real. "Pode ser só uma oportunidade de aterrorizar antes dos Jogos", disse. O professor destacou que, caso seja verdadeira, o Brasil precisa aumentar sua vigilância.

Na semana passada, a Assembleia Nacional da França publicou o relatório de uma audição com o chefe da Direção de Inteligência Militar (DRM), general Christophe Gomart, no qual o especialista admitia ter informações de que o Estado Islâmico planejara um atentado contra a delegação francesa durante os Jogos. As Olimpíadas do Rio de Janeiro ocorrerão entre os dias 5 e 21 de agosto.

Devido ao massacre em Nice no último dia 14, quando Mohamed Bouhlel atropelou uma multidão e matou 84 pessoas, o governo brasileiro adotou medidas extras de segurança para os Jogos. Neste domingo (17) foi realizado o terceiro treinamento de forças conjuntas para simular a cerimônia de abertura, que ocorrerá no Maracanã.

A estimativa é de que 5 mil homens da Força Nacional de Segurança Pública e 21 mil oficiais das Forças Armadas, além do contingente fixo do Rio de Janeiro, façam a segurança durante os Jogos Olímpicos.

As fontes de renda do Estado Islâmico

Acredita-se que o grupo extremista autodenominado Estado Islâmico, seja, atualmente, a organização jihadista mais rica do mundo.

O grupo diz controlar uma área equivalente ao território do Reino Unido no Iraque e na Síria, a qual chama de "califado". Mas quem financia o grupo extremista?

1. Doações

Doadores privados e instituições de caridade islâmicas no Oriente Médio ─ principalmente na Arábia Saudita e no Catar ─ foram as primeiras fontes de renda do grupo extremista.

Os benfeitores sunitas doavam ao EI para tirar o presidente sírio, Bashar al-Assad, do poder. Assad é alauíta, uma outra corrente do islã.

2. Sequestros

Os sequestros renderam ao menos US$ 20 milhões (R$ 75 milhões) em recompensas pagas em 2014.

Um desertor afirma que o grupo tem um departamento inteiramente dedicado a realizar sequestros, conhecido como "Aparato de Inteligência". Jornalistas estrangeiros são os principais alvos.

3. Petróleo

O Tesouro dos EUA estima que, no ano passado, o EI tenha ganhado milhões de dólares por semana, ou US$ 100 milhões (R$ 377 milhões) no total, da venda de petróleo e derivados a intermediários. O combustível é vendido à Turquia e ao Irã, ou ao próprio governo sírio.

4. Roubo, pilhagem e extorsão

Os pagamentos de extorsão são feitos por aqueles que atravessam o território ou mantêm negócios ali, ou até mesmo moradores, em troca de serviços ou "proteção" do grupo extremista. O EI também se financia por meio de assaltos a bancos, pilhagem e venda de antiguidades, e roubos de colheitas ou gado.

5. Imposto sobre minorias religiosas

As minorias religiosas são forçadas a pagar um imposto especial, chamado de "jizya". Um comunicado divulgado pelo EI em mesquitas da cidade iraquiana de Mossul, no norte do país, no ano passado, convocava os cristãos a se converter ao islamismo, pagar a jizya ou enfrentar a morte.

6. Escravidão

O Estado Islâmico também obtém receita ao vender meninas e mulheres sequestradas como escravas sexuais. Quando o grupo extremista tomou a cidade de Sinjar, no norte do Iraque, a minoria religiosa yazidi disse que milhares de meninas e mulheres foram aprisionadas e muitas usadas como escravas sexuais.

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