Ubirajara
José de Alencar
A NOIVA
Ao raiar da
luz no céu, Jandira abriu os lindos olhos negros.
Seu canto foi
o primeiro que saudou o nascer do dia e acordou em seu ninho a viuvinha.
A doce filha
de Majé saltou da rede que embalara os sonhos castos da virgem;
e despediu-se dela como a jaçanã que deixa a moita
para habitar o ninho do amor.
A virgem araguaia
acreditava ter dormido a última noite na cabana paterna,
que essa manhã ia trocar pela cabana do esposo.
O jovem caçador
que a amava, Jaguarê, fora aclamado guerreiro, e entre todos
os guerreiros, o chefe da nação.
Como guerreiro
ele pode tomar uma esposa; e como chefe pertence-lhe a virgem (29)
de sua escolha, entre as mais formosas da taba.
Ainda que a
virgem tenha um noivo, ou que o pai a destine a outro, se o chefe
a deseja, a vontade de Tupã é que lhe pertença.
Tupã
assim ordena para que os grandes chefes possam gerar de seu sangue
os mais belos e valentes guerreiros.
Jaguarê antes de ser aclamado chefe já a tinha escolhido,
e Jandira não aceitaria outro noivo senão o jovem
caçador a quem amava.
Ela o espera.
Logo que o sol alumie a terra, Ubirajara, o grande chefe, há
de vir buscá-la.
Então
a virgem se despedirá de Majé; e irá armar
na cabana de seu guerreiro e senhor a rede da esposa.
Ligeira e contente,
corre a banhar-se no rio antes que chegue Ubirajara, para quem purifica
seu corpo (30) e unge-se com o óleo fragrante do sassafrás.
Ela quer que
o destemido guerreiro ache seu amor saboroso como o vinho que espuma
na taça e ferve nas veias.
Tornando à
cabana, perfumou de beijoim a larga rede que tecera dos fios do
algodão entrelaçados com as penas do guará.
Essa rede tinha
duas vezes o tamanho de sua rede de virgem porque era a rede do
casamento em que devia receber o esposo.
Depois arrumou
no uru (31) a louça que havia fabricado para o serviço
do guerreiro, e que devia transportar à sua nova cabana.
Quando terminou
todos os preparativos, encostou-se à porta da cabana; seus
olhos impacientes chamavam Ubirajara.
Mas o guerreiro
não vinha, e o sol já tinha subido além da
crista da serra.
A luz do dia
derramava a alegria pelos campos; e a alegria que lhe afogara os
sonhos da noite fugia agora da alma de Jandira.
Então
a filha de Majé partiu em busca do noivo que a esquecera.
***
No mais escuro da mata, vaga o chefe dos araguaias.
Seus olhos
fogem à luz do dia e buscam a sombra, onde encontram a imagem
que traz na lembrança. A noite, quando o guerreiro dormia
em sua rede solitária, Araci, a linda virgem, lhe apareceu
em sonho e lhe falou:
- Jaguarê,
jovem caçador, tu dormes descansado enquanto os guerreiros
tocantins se preparam para roubar a virgem de teus amores. Ergue-te
e parte, se não queres chegar tarde.
Ele erguera-se
para segui-la; mas a virgem formosa desferiu a corrida veloz através
da campina e desapareceu na floresta.
Neste ponto
do sonho o guerreiro acordara.
Uma estrela
brilhante listrava o céu, como uma lágrima de fogo,
e Ubirajara pensou que era o rasto de Araci, a filha da luz.
A juriti arrulhou
docemente na mata e Ubirajara lembrou-se da voz maviosa da virgem
do sol.
O guerreiro
tornou à rede, esperando achar ali outra vez o sonho que
visitara sua alma; porém o sono fugira de seus olhos.
Quando raiou
a primeira alvorada, Ubirajara saiu da cabana e buscou no mais espesso
da mata a sombra propícia à saudade.
Seu passo o
guiava sem querer para as bandas do grande rio, onde devia ficar
a taba dos tocantins.
É assim
que os coqueiros (32), imóveis na praia, inclinam para o
nascente seu verde cocar.
Ubirajara ouviu
o rumor de um passo ligeiro através da mata; de longe conheceu
Jandira que o procurava.
A doce virgem
achara à porta da cabana o rasto do guerreiro e o seguira
através da floresta.
- Que mau sonho
aflige Ubirajara, o senhor da lança e o maior dos guerreiros,
chefe da grande nação araguaia, para que ele se afaste
de sua taba e esqueça a noiva que o espera?
- A tristeza
entrou no coração de Ubirajara, que não sabe
mais dizer-te palavras de alegria, linda virgem.
- A tristeza
é amarga; quando entra no coração do guerreiro
o enche de fel. Mas Jandira fará como sua irmã, a
abelha, ela fabricará em seus lábios, os favos mais
doces para seu guerreiro; suas palavras serão os fios de
mel que ela derramará na alma do esposo.
- Filha de
Majé, doce virgem, ainda não chegou o dia em que Ubirajara
escolha uma esposa; nem ele sabe ainda qual o seio que Tupã
destinou para gerar o primeiro filho do grande chefe dos araguaias.
***
O lábio de Jandira emudeceu; mas o peito soluçou.
A virgem conheceu
que o amor de Ubirajara retirava-se dela, e que de todo o perderia
se o não defendesse.
Então
escondeu a dor no fundo da alma e chamou o riso a seus lábios,
a alegria a seus olhos.
Ela sabia que
os guerreiros amam a flor da formosura, como a folhagem da árvore;
e que a tristeza murcha a graça da mais linda virgem.
- Chefe dos
araguaias, Ubirajara, não desprezas Jandira que outrora escolheste
para tua noiva. Se então ela era formosa a teus olhos, mais
formosa se fará para merecer teu amor. Tu gostavas de seus
cabelos (33) negros que arrastam no chão; ela os entrançará
com as plumas vermelhas do guará para que te pareçam
mais bonitos. Seus olhos negros que te falavam, ela os cercará
de uma listra amarela como os olhos da jaçanã. Sua
boca, que ainda não provaste, Jandira a encherá de
amor para que bebas nela o contentamento.
Jandira esperou
a palavra de Ubirajara; mas os lábios mudos do guer-reiro
não se abriram.
- Teu amor,
Ubirajara, ficará em meu seio como a flor no vale. Jandira
te dará muitos filhos e todos dignos de teu valor. Nestes
peitos que te pertencem, ela os nutrirá com seu sangue, não
menos guerreiro do que o teu; porque é o sangue de Majé,
o maior dos anciões, depois de Camacã. Seus braços,
que outrora querias para tua cintura (34), não servirão
unicamente para te abraçarem, mas também para te servirem.
Tua esposa te acompanhará por toda parte, na taba, como no
campo do combate; ela cuidará de tua cabana; aprontará
as mais saborosas iguarias para seu guer-reiro, e fabricará
para ele o vinho, que a alma da festa.
- Jandira é
a mais bela das virgens araguaias. Seu amor fará a ventura
de um guerreiro valente. Ubirajara não podia achar para si
uma esposa mais fiel; nem para seus filhos outra mãe tão
fecunda. Mas a noite desceu em sua alma. Só a estrela do
dia pode restituir-lhe a alegria que o abandonou. A filha de Majé
merece um guerreiro que tenha olhos para a sua formosura.
***
Pojucã sentou-se pensativo à porta da cabana.
O semblante,
sempre grave, como convém a um chefe, cobre-se de tristeza.
A noite que
foge da terra, vencida pelo sol, parece recolher-se na alma do chefe
tocantim.
Não
é sua ferida que o faz sofrer. O bálsamo suave da
embaíba sara rapidamente os golpes mais profundos; e os varões
tocantins aprendem desde o berço a desprezar a dor.
E em seu coração
de guerreiro que Pojucã sente as garras do Anhangá.
O revés
de ser vencido e cair prisioneiro, ele o suporta como o varão
forte que viu prostrados por Aresqui, no campo da batalha, os mais
terríveis guerreiros.
A grandeza
do vencedor o consola; resta-lhe ainda a glória de ter resistido
a um braço como o de Ubirajara, grande chefe dos araguaias.
Mas ele esperava
que depois de haver ornado com sua presença a festa do triunfo,
o vencedor fosse generoso, e lhe concedesse a honra do sacrifício.
É o
temor de que Ubirajara lhe recuse uma morte gloriosa e o retenha
cativo, que nesse momento acabrunha o chefe dos tocantins.
Ele, um guerreiro
livre, que pisara outrora como senhor aqueles campos, reduzido à
condição de escravo (35)?
Ele, um varão
chefe, que tinha na obediência de seu arco mais de mil guerreiros
valentes, obrigado a reconhecer um dono?
Ele, que afrontava
a cólera de Tupã, quando o deus irado rugia do céu,
curvar-se ao aceno de um homem, fosse, embora, o mais pujante dos
filhos da terra?
Pojucã
estremecia quando se lembrava que podia ser condenado a tão
grande humilhação.
Em seu terror
promovia o passo, com o ímpeto de fugir para sempre da taba
dos araguaias, onde o ameaçava aquela vergonha.
Mas uma força
invencível atava-lhe a vontade. Ele não se pertencia
desde o momento em que Ubirajara calcou-lhe a mão direita
no ombro.
Esse era o
sinal da conquista, que prendia o vencido ao vencedor; aquele que
violasse a lei da guerra, perderia para sempre o nobre título
de guerreiro.
O desprezo
do inimigo o acompanharia aos seus nativos; e a taba de seus irmãos
não se abriria para o fugitivo que houvesse desonrado o nome
de sua nação.
Por isso, na
cabana solitária, Pojucã está mais guardado
do que se o cercasse a multidão dos guerreiros araguaias.
Vela ele próprio
em si, porque vela em sua fama.
Pode Ubirajara
esquecê-lo que na volta o encontrará ali onde o deixou.
Nada o arrancará
da cabana; nem a necessidade de buscar o alimento para o corpo.
Bem-vinda será
a fome, se durar tanto que prostre seu corpo robusto, e o entregue
ao seio da terra, onde o guerreiro dorme o sono da glória.
Além,
rompe da selva Ubirajara, que se encaminha para a cabana com o passo
rápido.
Segue-o de
perto Jandira, como a gentil corça acompanha o caçador,
que roubou-lhe o companheiro.
Descobrindo o chefe dos araguaias, Pojucã encerrou a tristeza
dentro de sua alma; e chamou ao rosto a altivez dos grandes guerreiros.
O chefe tocantim
não queria que seu vencedor se regozijasse de ter-lhe abatido
o ânimo inflexível.
***
Quando Ubirajara aproximou-se da cabana, Pojucã tomou-lhe
o passo.
- Ubirajara,
senhor da lança, grande chefe da nação araguaia,
não confessaste tu, diante dos anciões das tabas e
de todos os teus guerreiros, que Pojucã era o varão
mais forte e o mais terrível no combate, que o sol tinha
visto até o momento de ser vencido por ti?
- Ubirajara
o disse. É a voz da nação araguaia.
- Desde que
tu cruzaste comigo a seta do desafio até este momento, Pojucã,
guerreiro varão, e chefe de uma taba na valente nação
dos tocantins, mostrou-se pela sua constância e valor digno
do sangue de seus avós?
- Pojucã
o disse, e a fama o repete.
- Então,
por que Ubirajara, o grande chefe dos araguaias, não concede
a Pojucã a morte gloriosa, que os tocantins jamais recusaram
a um guerreiro valente, e que somente se nega aos fracos? Já
não serviu Pojucã à tua glória na festa
do triunfo? Esperas dele que te obedeça como um escravo?
Se aviltas o varão a quem venceste, humilhas o teu valor
que ele exaltava.
O grande chefe
araguaia ouviu sem interromper o prisioneiro e respondeu com gravidade
- Ubirajara
não recusa ao bravo chefe tocantim, seu terrível inimigo,
o suplício (36), que não negaria a qualquer guerreiro
valente. Ele esperava que tua ferida se fechasse de todo, para que
o grande Pojucã possa, no dia do último combate, sustentar
a fama de seu nome, e a glória de um varão que só
foi vencido por Ubirajara.
O grande chefe
dos araguaias levou aos lábios a inúbia de Camacã;
a voz do mando reboou pelo vasto âmbito da taba.
Apareceram
vinte jovens guerreiros, a quem ele ordenou que chamasse a conselho
os anciões.
Depois tornou
ao chefe tocantim
- Os araguaias
receberam de seus avós o costume das nações
que Tupã criou. Eles destinam ao prisioneiro a mais bela
e a mais ilustre de todas as virgens da taba, para que ela conserve
o sangue generoso do herói inimigo e aumente a nobreza e
o valor de sua nação.
"É
esta também a lei, que os guerreiros tocantins observam em
suas tabas.
"A mais
bela e a mais nobre de todas as virgens araguaias, aquela que se
ergue como a palmeira no meio da campina coberta de flores, é
Jandira, a filha de Majé, que tem no seio os doces favos
da abelha."
Travando então
do pulso de Jandira, que ali ficara presa de sua vista, levou-a
ao prisioneiro.
- Recebe-a
como esposa do túmulo (37).
***
Jandira, que ouviu espavorida aquelas palavras, quis fugir; porém
a mão do chefe araguaia a reteve.
- Ubirajara
parte, mas ele voltará para assistir a teu suplício
e vibrarte o último golpe. Pojucã terá a glória
de morrer pela mão do mais valente guerreiro.
***
Ficaram Jandira e Pojucã em face um do outro.
- Virgem dos
araguaias, Tupã te reservou para esposa do mais terrível
dos inimigos de tua nação. O filho de seu sangue será
o mais valente dos guerreiros; tu sentirás orgulho por havê-lo
gerado em teu seio.
- Pojucã,
chefe tocantim, Jandira nunca será tua esposa.
- Não
é Ubirajara o chefe de tua nação, e não
te destinou ele para servir de noiva do túmulo ao guerreiro
que vai morrer no suplício?
- Ubirajara
é o grande chefe da nação araguaia; à
sua voz cala-se a palavra dos anciões; a seu gesto curva-se
a fronte dos guerreiros; à sua vontade obedecem as tabas.
Mas no amor de Jandira, ninguém manda, nem Tupã. Jandira
é noiva de Ubirajara, e se ele não quiser aceitá-la,
o guanumbi (38) a levará para os campos alegres onde repousam
as virgens que morreram.
- Pojucã
não carece do amor de Jandira. Nas tabas dos tocantins, a
mais bela das virgens se regozijaria de pertencer ao mais valente
dos chefes e de habitar sua rede. Nas tabas dos araguaias, onde
nascem guerreiros como Ubirajara, não faltarão virgens
formosas, que desejem a glória de ser mãe de um filho
de Pojucã.
- Jandira seria
a primeira, se não conhecesse Jaguarê, o mais belo
dos jovens caçadores, que é hoje Ubirajara, o senhor
da lança e chefe dos chefes. Pojucã merece uma esposa
que nunca tenha ouvido o canto de outro guerreiro, para dar-lhe
um filho digno dele.
- Os ritos
de tua nação não punem a noiva que rejeita
o prisioneiro?
- Jandira sabe
que sujeita-se à morte; mas a morte é menos cruel
do que o abandono.
- Então
foge, virgem dos araguaias; e esconde-te à cólera
dos anciões. Talvez mais tarde Ubirajara se arrependa e te
perdoe.
- Jandira parte.
Ela te deseja uma esposa terna e a morte gloriosa.
A filha de
Majé penetrou na floresta e afastou-se rapidamente da taba.
Quando já
estava muito longe, sentou à sombra de um manacá coberto
de flores e cantou
- Eu fui Jandira,
a linda abelha, que fabricava os favos de cera para enchê-los
de mel saboroso.
"Agora
arrancaram-me as minhas asas com que eu voava pela campina colhendo
o pó das flores e secou a docura de meu sorriso.
"O canto
que saía de meu seio era como o da patativa ao pôr-do-sol,
quando se recolhe em seu ninho de paina macia.
"Agora
eu queria ter no coracão uma serpente para morder aquela
que roubou-me o amor de meu guerreiro.
"Guardei
a minha formosura para orgulho do esposo, e inveja dos outros guerreiros.
"Agora
eu trocaria a flor do meu rosto por um aspecto terrível que
infundisse pavor.
"Meus
seios mais lindos que os botões do cardo, por um peito feroz,
e as mãos ligeiras que tecem os fios do algodão pelas
garras do jaguar.
"Eu fui
Jandira, o manacá viçoso que se vestia de flores azuis
e brancas.
"Agora
sou como a juçara (39) que perdeu a folha, e só tem
espinhos para ferir aqueles que se chegam."
***
Os anciões já estavam reunidos na oca do conselho,
quando Ubirajara entrou.
Falou Camacã
- Ubirajara,
senhor da lança, chefe dos chefes, os pais da grande nação
araguaia escutam a tua voz.
O grande chefe
três vezes bateu no chão com a ponta do arco e disse
- Pojucã, o chefe tocantim, pede a morte do combate; ele
a merece, porque é um grande guerreiro e um varão
ilustre. Ubirajara concedeu-lhe essa honra, como seu vencedor.
- Ubirajara
é um inimigo generoso, respondeu Camacã.
Todos os anciões
inclinaram gravemente a cabeça encanecida para exprimirem
sua aprovação às palavras de Camacã.
Prosseguiu
Ubirajara
- É
tempo de escolher para o prisioneiro uma esposa digna de acompanhar
em seus últimos dias ao herói inimigo, e de ser mãe
do marabá, o filho da guerra.
Todos os abarés
desejavam para si a glória de oferecer uma filha ao prisioneiro.
- Ubirajara
destinou-lhe Jandira, filha de Majé. Ela o merece por sua
formosura e pelo sangue do grande guerreiro que gira em suas veias.
- Ubirajara
é um grande chefe, disse Camacã.
Os anciões
aprovaram outra vez com a cabeça; Majé acrescentou
- O sangue
do velho Majé não desmentirá em Jandira a fama
da nação araguaia.
- Não!
disse Ubirajara, e todos os anciões repetiram-Não!
O grande chefe
tornou com a voz pausada
- Celebrai
a cerimônia da entrega da esposa ao prisioneiro. Ubirajara
parte; só estará de volta na próxima lua para
assistir ao suplicio de Pojucã. Se na ausência de Ubirajara
cair na taba a flecha, núncia da guerra, conduzi o trocano
ao sitio onde se abraçam os grandes rios e soltai a voz da
nação araguaia. Nesse dia Ubirajara será convosco.
Os prudentes
anciões, com a cabeça inclinada para melhor ouvir,
recebiam as palavras do grande chefe e as guardavam na memória.
Quando Ubirajara
calou-se, Camacã repetiu, ainda mais pausado, as recomendações
do filho
- É
esta a vontade de Ubirajara?
- Tu o disseste.
- Os anciões
guardaram a palavra do chefe dos chefes? perguntou ainda Camacã.
- Ela entrou
no espírito dos abarés, como a raiz no seio da terra;
observou Majé.
- Bem dito;
repetiram todos.
Ubirajara saiu
do carbeto (40); após ele os anciões se retiraram
lentamente.
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