Til
José de Alencar
Capítulo XXII
A
traição
Rolos de chamas
envoltas em denso bulcão de fumo subiam aos ares.
A casa das Palmas
e suas dependências, vistas de longe, pareciam submersas em
um turbilhão de fogo, que surgia das entranhas da terra e
convolvia-se pelo negrume do espaço.
Açoitada
pelo vento, a labareda estorcendo-se e rabiando, rugia de sanha;
ou sufocada um instante pelas abóbadas de fumaça e
pelas camadas de palhiço, troava como um canhão, arrojando-se
às nuvens.
De instante
a instante ouvia-se uma descarga de fuzilaria, correndo ao longo
daquela faixa incendiada que figurava a ala de um exército
em renhida batalha. Eram os gomos das canas, que estalavam ao intenso
calor do fogo.
Com os sibilos
da labareda enroscada no ar, confundiam-se os silvos das cascavéis
e jararacas, que surpreendidas pelo incêndio, arremessavam-se
furiosas contra o fogo e rompiam estortegando pelo campo abrasado.
As aves noturnas
deslumbradas com o súbito clarão, fugiam soltando
guinchos de terror, enquanto as feras, insufladas pelo instinto
da desolação, uivavam no fundo da floresta e trotavam
ligeiras para arrebatarem a presa ao incêndio e se abeberarem
de sangue.
Medonho espetáculo!
O incêndio
crescia com tal velocidade, que parecia uma catarata de fogo, a
inundar o espaço, ameaçando comunicar-se à
floresta, e submergir a terra em um pélago de chamas.
Do seio daquele
surdo rumor produzido pelo ressolho da labareda, se desprendeu e
reboou ao longe um grito soturno; mugir da turba espavorida antes
as tremendas convulsões da natureza.
- Fogo!... fogo!...
fogo!...
Correndo à
janela e abrindo-a outra vez, Luís Galvão recuou espantado
com a viva claridade, que o incêndio projetava sobre o terreiro
e que lhe ferira os olhos.
Foi rápido,
porém, o deslumbramento. Debruçando-se no peitoril
e descobrindo o foco do incêndio que vomitava labaredas como
a cratera de um vulcão, o fazendeiro compenetrou-se imediatamente
da realidade.
- O que é?
perguntou D. Ermelinda, que parara aterrada no meio do aposento.
- Fogo no canavial.
Atirada esta
resposta à mulher, Luís Galvão saltou no terreiro
e deitou a correr para as plantações, lançando
aos brados aquelas mesmas palavras, como aviso aos feitores e gente
da fazenda.
À exceção
de alguns escravos fechados na senzala, a quem o clarão despertara,
estavam os mais ferrados no sono profundo, que sucedera mui naturalmente
ao cansaço dos folguedos de São João e às
libações copiosas.
Assim, já
Luís Galvão passara a tronqueira da roça que
o administrador, ainda tonto de sono, babatava à busca das
chaves da senzala para soltar a gente; e os feitores, acordados
de sobressalto, se olhavam estupefatos, sem consciência do
que estava passando.
O fazendeiro
lançou-se na direção do incêndio, pensando
que toda a gente da fazenda não tardaria a segui-lo, e ansioso
por avaliar da intensidade do fogo como de sua marcha. Lembrara-se
que o tanque ficava sobranceiro ao canavial, a arrombando-o podia
arrojar sobre o foco do incêndio uma formidável manga
d'água que o extinguisse.
Enganara-se,
porém, Galvão. Apenas lhe iam no encalço, mas
agachados e esgueirando-se por entre a folhagem os dois vultos de
Faustino e Monjolo, impaciente de assistirem à catástrofe,
e verem consumado o crime de que dependia a satisfação
de seus desejos.
Ainda desta
vez Monjolo tinha amiúde ímpetos de atirar-se ao pajem,
e cravar-lhe o quicé no coração; sobretudo
quando lembrava-se que Barroso prometera àquele a liberdade
e posse de Rosa.
Mas continha-se;
e não por escrúpulo, mas por um requinte de crueldade.
Só, na
alcova onde a tinha deixado o marido, D. Ermelinda transida de susto
com o anúncio do incêndio, arrastou-se afinal para
a escada do mirante; ao tempo em que já a filha despertada
pelo rumor a procurava, e Afonso arrancado ao sono ganhava terreiro
para acudir ao que fosse preciso.
- Onde está
meu pai? perguntou ele.
- Lá,
no canavial, Afonso! Corre, meu filho!...
Estimulando
o mancebo com esta prece ansiada, acompanhava a senhora com olhar
ardente o vulto do marido, que chegava ao canto do carreador e destacava-se
na zona abrasada que o incêndio projetava em torno.
Tinha-se já
arremessado avante o mancebo, quando estacou de súbito, ouvindo
um grito de angústia que partia do mirante. Voltou-se e não
viu mais D. Ermelinda.
- Minha mãe!
O que é?
- Acuda, mano!
clamava Linda com voz dilacerante.
Um reflexo da
labareda mostrou rapidamente ao moço, no muro do mirante,
a figura transtornada da irmã, que apontava para o canavial,
arcando contra o parapeito como se quisesse precipitar-se. Mas antes
que o vislumbre da chama passasse, abateu-se aquela sombra.
Chorava a filha
sobre o corpo inanimado da mãe.
Desmaiara D.
Ermelinda ao ver, no canavial, surgir da sobra um homem, que, brandindo
um cacete sobre a cabeça de Luís Galvão, o
prostrou ao chão como um corpo morto.
Era o Gonçalo
Suçuarana.
Capítulo
XXIII
Vampiro
Quando Gonçalo
se curvava para soerguer o corpo do fazendeiro e arremessa-lo no
meio das chamas, um vulto emergiu da sombra.
Jão Fera
estava em face dele.
Recuou o Suçuarana
de um salto, e sacou da cinta a pistola que desfechou sobre o inimigo
à queima-roupa. Não acertando o primeiro e segundo
tiro, puxou da catana; e começou a esgrimi-la cortando o
ar.
O capanga avançava
lento, mudo, sombrio, sem arma em punho, nem sequer um gesto de
ameaça; e, todavia, era ele Gonçalo, apesar de armado,
quem recuava diante daquele vulto impassível.
Afinal, o pulso
do Suçuarana, fatigado de cutilar o vento, afrouxou. Não
teve ele tempo de pressentir o perigo; colhido pelas espáduas
girou no ar e foi abater-se no canavial abrasado onde o arrojara
o braço pujante de Jão Fera, que antes de arremessar
o corpo, o havia estrangulado.
Nesse momento
conseguira erguer-se Luís Galvão. Recobrando gradualmente
os sentidos, observara o fazendeiro o fim da luta, e compreendera
que devia a existência a Jão Fera.
Este fitava
a labareda que envolvera o corpo do Suçuarana. Espessa e
carregada de grosso fumo, a chama se arrastava como a jibóia
que lambe a presa para traga-la; mas outra vez ligeira e farfalhante
desprendeu-se no ar como a língua da serpente; e fendendo-se
mostrou no meio do brasido o corpo já calcinado do fanfarrão.
Um sorriso de
feroz volúpia franziu os lábios do capanga, que ficou
um instante absorto naquele intenso prazer. Recobrado afinal, voltou-se
com a idéia de correr além, e deu com Luís
Galvão, que estendia-lhe a mão:
- Você
me salvou, Jão! Obrigado!
- Salvei; mas
não sabe por que? respondeu o capanga com a fala soturna,
cravando um duro olhar no semblante do fazendeiro.
Este ia responder;
Jão atalhou-o.
- Livrei-o de
morrer, porque sou eu quem o há de matar, quando chegar sua
hora!
Lançando-lhe
estas palavras com desprezo, voltou as costas o capanga para afastar-se
dali.
- Tanto mal
quer-me você, Jão?
O Bugre estacou
sofreado por uma força íntima a que ele tentava resistir;
depois de curta hesitação, arrojou-se em frente do
fazendeiro para dizer-lhe com a voz dilacerada pela cólera:
- Mais de cem
vezes já eu teria cravado em teu coração esta
faca, se não fosse aquela que está no céu,
e a filha que deixou na terra. Vê que raiva sinto eu quando
me lembro que tu ainda vives!
Rangiam os dentes
do capanga; e, todo ele convulso de furor, ameaçava o fazendeiro
com a sanha de um tigre.
Ainda desta
vez, porém, conseguiu dominar-se. Arrebatando-se ao ímpeto
que já o arrojava sobre Luís Galvão, deitou
a correr por um carreador que invadira o incêndio; e desapareceu
por baixo das abóbadas formadas pelas chamas.
Com antecedência
fora Jão Fera sabedor da trama urdida pelo Barroso. Desde
que o Chico Tinguá o advertira do perigo, o Bugre, sempre
alerta, redobrara de vigilância e não perdeu mais de
vista a seus inimigos.
Assim havia
surpreendido o segredo da maquinação de Barroso; e
naquela manhã assistira, oculto no mato, à última
combinação entre os cúmplices.
Já tinha
o capanga na cinta o dinheiro preciso para desempenhar sua palavra,
e esperava o momento de ajustar contas com o Barroso. O plano horrível
excitou a ferocidade dessa alma, desde algum tempo sopitada pela
influência de Berta.
Que esplêndida
vingança não lhe preparava o inimigo com o terrível
incêndio, que ia servir-lhe, a ele Bugre, de fogueira de São
João para divertir-se também naquela noite de tanto
folguedo?
A desolação
e a ruína o deleitavam; ao calor das chamas, ouvindo resfolgar
a labareda e agonizar os infelizes por ele arremessados ao fogo,
ele sentia a inebriação da morte, e sua alma esvoaçava
como a do vampiro, sobre os destroços do incêndio.
Desde o começo,
acompanhava ele a realização da trama; vira o Gonçalo
postar os companheiros, atear o fogo no canavial, e emboscar-se
à espera do fazendeiro. A princípio nem lhe passara
pela mente livrar Luís Galvão da morte que o ameaçava;
mas a idéia de que Berta, ignorando a verdade, podia atribuir
a ele esse assassinato, o estremeceu e impôs-lhe a dura necessidade
de salvar o homem a quem mais odiava.
Escapara de
chegar tarde, porque se demorara um instante em agarrar Monjolo.
O africano, vendo Faustino atado de chofre como um feixe de sapé
e pinchado ao fogo, escafedeu-se; mas, a pequena distância,
caiu arpoado pela faca do Bugre.
Empurrando esse
trambolho ao fogo, correra então o Bugre ao lugar em que
havia deixado o Gonçalo de espreita, e onde acabava de passar
a última cena.
Agora lá
ia à busca do Barroso, que devia estar do outro lado do canavial,
pronto a aparecer no momento preciso, e ao sinal convencionado,
para representar a farsa, que havia de rematar o drama sanguinolento.
Quando Jão
passou pela orla do canavial e que a chama bateu-lhe em cheio no
semblante, Barroso o reconheceu e fugiu espavorido. Mas o capanga
ia-lhe no encalço, e infalivelmente o alcançaria.
Esbaforido,
prostrado de cansaço e de terror, o miserável se deixara
cair em um fojo coberto de juncos e moitas; e, resignado, esperou
a morte, que ele sentia aproximar-se no passo rápido do Bugre.
Nesse momento
chegava Miguel, que a meio caminho de casa e surpreendido com o
clarão do incêndio, voltara a correr na direção
das Palmas.
Por um impulso
generoso parou para defender o perseguido; e Jão Fera esbarrou
de rosto com ele.
Três vezes
o Bugre arremeteu e três vezes o brioso mancebo tomou-lhe
o passo, resolvido a sacrificar-se antes do que deixar consumar-se
o crime.
- Deixe-me passar,
moço! bramiu o capanga rangendo os dentes.
- O que eu sinto,
monstro, é não ter uma arma para castigar-te.
Rugiu o Bugre,
e saltou sobre o mancebo, que o esperou calmo e resignado a tudo,
mas sem recuar o passo.
Salvou-o um
grito de Berta. A menina tinha acompanhado de perto a Miguel, deixando
atrás nhá Tudinha, que não a pudera seguir.
Ouvindo a voz
da menina, o capanga como se o espancasse a cólera celeste,
disparou pelo campo fora e desapareceu.
Capítulo
XXIV
Na
tapera
Uma brisa cortante
esgarçava a cerração, cujos retalhos flutuavam
pelo tope das árvores.
Três dias
tinham decorrido depois da festa de São João.
Berta seguia
pela vereda que ia dar à tapera. Caminhava a passo lento
e frouxo com a cabeça descaída, revolvendo na mente
reminiscências que lhe pungiam o coração.
A pequena distância
atravessou Miguel por diante dela:
- Sabe, Inhá?
Jão Fera foi preso!
- Aonde? perguntou
a menina surpresa.
- Perto de Campinas.
- E agora?
- Com certeza
o enforcam!
Esta resposta
o mancebo a deu já afastado e de caminho para o lado das
Palmas.
Berta suspirou,
pensando que Miguel ia ver Linda; mas logo seu pensamento desprendeu-se
dessa idéia, para refletir sobre a desgraça do capanga.
Apesar do horror
que lhe inspirava ele desde a véspera de São João,
já pelo atrevimento de atacar Miguel, já pelas crueldades
que praticara naquela noite, ela sentiu profunda compaixão
pelo infeliz que ia morrer execrado e maldito por todos; e sua alma
confrangeu-se de dor.
Tão absorta
nessa pena chegou às ruínas que não reparou
na singular atitude da negra em pé, no meio do terreiro,
com o pescoço curvo, os olhos esbugalhados, à espreita
de um objeto que, por ventura, lobrigava entre a folhagem.
Passara Berta
e dirigia-se à porta da casa, quando a negra estendeu os
braços hirtos para diante como se quisesse arremessar de
si uma visão medonha, e caiu à estrebuchar em contorções
dolorosas, arrancando guinchos aflitivos do peito ofegante.
Na orla do mato,
à esquerda da tapera, assomara de repente a figura do Ribeiro,
que aos olhos de Zana surgira como um espectro e a fulminara de
terror.
Aos gritos da
preta, Berta, arrancada ao seu recolho, correu assustada, sem atinar
com a causa de semelhante acesso. Vendo-a, Zana que não se
apercebera de sua chegada, atirou-se à ela, e cerrando-a
ao peito com os braços mirrados, precipitou-se para casa
em um ímpeto de desespero.
Assim arrebatada
de chofre, não descobriu a menina o vulto do Ribeiro, nem
ouviu o riso de escárneo que rincharam os lábios do
assassino por ver o terror da negra e seu afã em levar a
menina do terreiro e esconde-la na casa.
Tinha ele segura
a presa, e por isso não açodava-se, querendo gozar
por mais tempo a delícia dessa vingança, que julgava
já extinta, e renascia de novo, como o broto de uma raiz
morta.
Açulado
por um ódio implacável, lembrara-se dias antes de
rever as ruínas da casa onde imolara a vítima de seu
rancor, e cevar-se nas recordações de sua covarde
atrocidade.
Nessa ocasião,
viu Berta, pela primeira vez, e logo entrou-o a suspeita de ser
ela a filha de Besita, livre da morte pela súbita ameaça
de um homem que ele não conhecera, mas supunha capanga de
Luís Galvão.
Desde aí
começou de tirar indagações e obteve a certeza
que desejava. Seria pois esse o remate da vingança que há
vinte anos principiara em Besita e devia acabar na filha, depois
de haver exterminado o pai.
Furioso com
o malogro do incêndio, porém aterrado com a sanha de
Jão Fera, a quem só escapara pela corajosa intervenção
de Miguel, o miserável tratou de fugir.
Ao passar por
Campinas, soube que o Bugre fora preso na véspera por gente
do Aguiar, e então animou-se a voltar a Santa Bárbara.
Seu primeiro
pensamento foi Berta. Lembrando-se que ia matar a pobre menina,
sentia um prazer bárbaro. Parecia-lhe que Besita revivia
na pessoa da filha, e que assim podia ele assassina-la outra vez,
saciando o seu imenso rancor.
Ele, que a princípio
nem se apercebera da semelhança de Berta com a mãe,
tão apagada estava em sua memória a imagem da mulher
a quem amara alguns dias para odiá-la tantos anos com um
rancor de além-túmulo, agora que o ódio lhe
avivara a reminiscência, via surgir a sombra viva de Besita.
Zana, deixando
Berta no meio do aposento, voltou ao terreiro para espreitar o inimigo.
Tremia o corpo da preta com movimentos tetânicos, e os dentes
lhe chocalhavam; mas em sua pupila esvairada lampejava um fulgor
sinistro. Era horrível de ver-se aquela múmia viva,
com os beiços repuxados, e as unhas a crisparem-se como as
garras de um abutre.
O Ribeiro recuou
e escondeu-se no mato, esperando que passasse aquele ímpeto
de furor.
- Zana! Zana!
Que tem você? dizia entretanto Berta, da porta da casa.
Serenou a agitação
da preta com o afastamento do Ribeiro; e Berta, sentando-se na soleira,
com as costas voltadas para o mato, submergiu-se outra vez nas cismas,
em que se enleava agora sua alma, dantes tão isenta e descuidosa.
Seu espírito
girava em torno de uma idéia que sobretudo a preocupava.
Era a oposição que D. Ermelinda fazia ao amor da filha
por Miguel. Já no fim da festa na noite de São João
notara ela, Berta, o constrangimento de Linda, a quem a mãe
não deixara mais arredar-se de junto de si.
No dia seguinte,
ainda mais sensível tornou-se o rigor. Linda não se
animou a falar com Miguel, nem a brincar pelo pomar. Todo o dia
esteve na sala com a mãe ou umas velhas parentas; e Berta
percebeu que os meigos olhos azuis da amiga tinham o rescaldo que
deixam as lágrimas.
Recordando todas
estas circunstâncias, às vezes tinha Berta seus assomos
de júbilo, pensando que ela podia Miguel amar livremente,
sem desgosto nem obstáculo. Mas logo reprimia aquele impulso
do egoísmo; e perscrutava em sua imaginação
um meio para remover o obstáculo que ameaçava a felicidade
de Linda.
Depois acudia-lhe
de novo à lembrança a notícia que lhe dera
Miguel da prisão do Bugre; e sua alma esquecia as próprias
tribulações para afligir-se da mísera sorte
daquele perverso, que tamanha dedicação tinha por
ela.
Entretanto o
Ribeiro, oculto no mato, observava os movimentos da menina e sorrateiramente
aproximava-se por detrás, contando surpreende-la. Mas Zana
alerta lhe percebera a intenção e também de
esguelha avançava para defender Berta e esganar o assassino
se não lhe mentissem os pulsos descarnados.
A cada passo
que dava o Ribeiro de um lado, arrastava-se a mísera louca;
e Berta, que era o alvo da convergência desses dois impulsos,
continuava inteiramente alheia ao que se passava.
De repente,
Zana ficou estática e imóvel; depois começou
de tartamudear sons roucos e afinal soltou uma gargalhada estridente
que ressoou pela mata, violentamente agitada neste momento.
Berta, sobressaltada,
ergueu a cabeça.
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