O Subterrâneo
do Morro do Castelo
Lima Barreto
Correio da Manhã - quinta-feira, 4 de maio de 1905
OS SUBTERRÂNEOS
DO RIO DE JANEIRO E AS RIQUEZAS DOS JESUÍTAS
A multidão
apinhava-se curiosa, diante do morro do Castelo, em cujo imenso
bojo se entesouram riquezas fabulosas, abandonadas pelos jesuítas
na precipitação da retirada.
Olhos ávidos de descobrir na sombra pesada da galeria o rebrilho
de uma peça de ouro, ouvidos atentos ao mínimo ruído
vindo de dentro, toda aquela gente, nos lazeres do feriado de ontem,
se acotovelava ao longo da cerca de arame, que a previdência
oficial construiu, para maior segurança do subterrâneo
opulento.
Íamos sequiosos de novas do Castelo e das suas lendárias
coisas; mas, a dilatada área defesa ao público, não
havia o movimento habitual dos dias de labor.
Pequerruchos despreocupados revolviam a terra e à porta soturna
da galeria dois negros cérberos vigiavam, modorrentos, o
tesouro secular.
Aproximamo-nos. Havia uma franca comunicatividade entre os curiosos,
trocavam-se comentários estranhos sobre a direção
dos subterrâneos, as salas amplas, em mármore rosado,
nas quais se enfileiram, pejadas de ouro e pedrarias, as arcas dos
discípulos de Loiola.
Mas, em meio a multidão, salienta-se um senhor alto, de bigodes
grisalhos e grandes olhos penetrantes, cuja voz pausada e forte
atrai a atenção de toda gente. O círculo de
curiosos se aperta a pouco e pouco e os ouvidos recebem deleitados
as palavras do oráculo.
De coisas extraordinárias sabe este homem; tem talvez cinqüenta
anos de idade, dois terços deles gastos no esmerilhamento
das verdades ocultas nas entrelinhas de pergaminhos seculares.
Ele sabe de todo um Rio subterrâneo, um Rio inédito
e fantástico, em que se cruzam extensas ruas abobadadas,
caminhos de um Eldorado como não no sonhara Pangloss.
Acercamo-nos também, na ânsia de escutar a palavra
sábia; ele já enveredara por um detalhe trágico
da história conventual do Castelo: a história de uma
condessa italiana, da família dos Médicis, raptada,
em noite escura, de um palácio florentino e conduzida num
bergantim para o claustro dos jesuítas, onde, em babilônicas
orgias, seu alvo corpo palpitante de mocidade e seiva corria de
mão em mão, como a taça de Hebe; depósito
sagrado de um capitoso vinho antigo.
Os circunstantes ouviam boquiabertos a interessante narrativa; um
senhor, nédio e rosado, aparteava de quando em vez, pilhérico.
Ousamos uma pergunta:
-Há documentos a respeito?
-Preciosíssimos, meu amigo; eu tive sob os olhos todo o roteiro
das galerias; conheço-as como a palma das minhas mãos.
A reconstrução daquela época trágica
seria uma obra de fazer arrepiar os cabelos!...
-E quanto às duas galerias recentemente descobertas?
Ele disse:
-Não valem nada, meu amigo; o caminho está errado;
por aí não darão no vinte.
-Mas, neste caso, que utilidade tem estas?
-Estas e muitas mais foram feitas, umas para os suplícios
e outras com o único fim de atordoar, desnortear os investigadores.
O verdadeiro depósito dos tesouros, onde se encontram arcas
de ferro abarrotadas de ouro e pedras finas, acha-se a 430 metros
do sopé do morro; aí o ar é quase irrespirável
em vista das exalações sulfúricas; é
mesmo de crer que o morro não seja mais que o tampo de um
vulcão. De tudo isto há documentos irrefutáveis
e não só referentes ao Castelo como aos demais subterrâneos,
quais os da ilha do Raimundo, próxima à do Governador,
e da Fazenda de Santa Cruz e tantos outros que minam a velha cidade
de Mem de Sá.
-E o cavalheiro me pode dar alguns apontamentos a respeito?
-Com prazer; o meu maior desejo é elucidar todos os pontos
desta interessante história para que o governo não
esteja a perder tempo e dinheiro com buscas fatalmente improfícuas
-Neste caso...
-Apareça em minha residência; mostrar-lhe-ei os documentos.
-É favor; lá irei hoje mesmo.
-Às oito horas, está dito.
E com um forte aperto de mão, depedimo-nos, de coração
palpitando de curiosidade, prelibando o cheiro dos documentos arcaicos
e a imaginar toda a complicada tragédia de suplícios
inquisitoriais, de pesados lajões, sepultando ouro em barra,
e de condessas louras, a desmaiar de amor nas celas do claustro
imenso.
Da longa história que ouvimos, fartamente documentada e narrada
em linguagem simples e fluente, por um homem de espírito
cultivado e arguto conhecedor do assunto, daremos amanhã
circunstanciada notícia aos leitores, justamente ávidos
de desvendar os mistérios do venerável morro.
***
O Dr. Rocha
Leão escreve-nos, à propósito do palpitante
assunto:
"Sr. redator,
Digna-se V.S. dar-me pequeno espaço para uma reclamação.
Fui hoje surpreendido com a publicação que fez O Paiz
de documentos que foram entregues ao Ex.mo Sr. Presidente da República.
Não tenho a honra de conhecer, nem ao menos de vista, o Ex.mo
Sr. Almirante Nepomuceno.
Já há tempos declarei que os documentos que eu possuía
sobre o Castelo entreguei-os ao meu finado amigo o engenheiro Jorge
Mirandola e não Miranda, quando ele foi há anos à
Inglaterra.
Falecendo esse engenheiro em Lisboa, procurei aqui em Icaraí
(Niterói) a sua viúva para lhe pedir a entrega dos
meus pergaminhos.
Nessa visita fui acompanhado pelo meu amigo Sr. Camanho.
Disse-me a senhora que nenhum papel ou documento se arrecadou em
Lisboa.
Agora vejo uma oferta desses pergaminhos que me pertencem, pois
estão com o meu nome.
Declaro que são dois pergaminhos antigos, não tinham
cor vermelha nenhuma, nem declaração por minha letra
donde foram achados; um deles estava dobrado como uma carta e o
sobre-scripto é uma cruz longitudinal com cifras que significam
o endereço ao Geral da Companhia em Roma.
Além disto, ainda confiei ao finado Mirandola um grosso volume
em francês encontrado por mim, com o título Portrait
des sciences, com gravuras de colunas e anotado em cifras pelos
padres.
Responderei ao artigo do ilustrado Sr. Dr. Vieira Fazenda.
O abaixo assinado teve ao seu dispor os mais importantes documentos
do seu finado amigo, o Dr. Alexandre José de Mello Moraes.
Ainda mais descendentes de famílias que governaram o Brasil
como os Barretos de Menezes, Telles e outros, em seus papéis
colhi notícia de tudo.
Bobadella era compadre e amigo do Dr. Francisco Telles de Barreto
de Menezes e lhe dizia sempre que um dia apareceriam as riquezas
dos padres que eram avultadas e estavam ocultas em vários
lugares.
Aguardo a resposta do Ex.mo Sr. Almirante Nepomuceno, relativa aos
meus pergaminhos.
Dr. Rocha Leão."
Correio da Manhã - sexta-feira, 5 de maio de 1905
OS SUBTERRÂNEOS
DO RIO DE JANEIRO
Os Tesouros dos Jesuítas
Chovia torrencialmente
quando apeamos do bonde que nos conduzia à residência
daquele senhor alto de bigodes grisalhos e olhar penetrante que
ontem apresentamos aos leitores como um grande sabedor das extraordinárias
coisas do Morro do Castelo.
Uma ladeira íngreme, lá para os lados de Gamboa, lamacenta
e negra a nos recordar o passado Porto Artur com toda a bravura
dos vencidos e todo o ridículo dos vencedores.
Céu caliginoso ao alto, de nuvens pardas, pesadas de chuva...
A luz dúbia e intermitente das lamparinas elétricas
da Central, que dificilmente nos aponta o caminho da residência
do "nosso homem".
Neste cenário trágico nos encaminhamos pelas tortuosas
vilas da Gamboa, à cata das preciosas informações
que nos prometera de véspera o senhor alto, de olhos penetrantes.
Há alguma dificuldade em encontrar a casa; a escuridão
tenebrosa da noite e da iluminação nos não
consente distinguir os números dos portais.
Indagamos da vizinhança:
-O Sr. Coelho? Sabe nos dizer onde mora o Sr. Coelho?
-Ali adiante, moço, informa-nos opulenta mulata que goza
a noite, refestelada à janela.
Caminhamos; em meio à ladeira íngreme, um velho abanando
o cachimbo. Informa-nos:
-O Sr. Coelho mora no 27, passando aquela casa grande, a outra.
O Sr. Coelho, concluímos, é conhecido de toda gente;
toda gente nos dá notícias precisas do Sr. Coelho,
inda bem...
Encontramos, por fim, o 27, entramos. Casa modesta de empregado
público, sem altas ambições; efígies
de santos pendem das paredes; há no ambiente o perfume misterioso
da gruta de um derviche ou do laboratório de um alquimista.
À luz macilenta de um lâmpada de querosene os nossos
olhos divisam retratos em fotogravura de Allan Kardec e Pombal,
que "hurlent de se trouver ensemble".
-Tem aqui o Pombal! hein Sr. Coelho?
-O Pombal? Meu grande amigo, meu grande amigo!...
Amável, o dono da casa lamenta o ofício de jornalista.
-Com esta chuva...
-Que quer? É preciso informar o público; o público
é exigente, quer novidades a todo transe e agora a novidade
que se impõe é o Castelo, são os seus subterrâneos
e o senhor é o homem fadado a nos tornar capazes de satisfazer
a curiosidade carioca.
O Sr. Coelho desfaz-se em modéstia: não é tanto
assim, ele sabe alguma coisa, mas o seu maior prazer é abrir
os olhos ao público contra as falsidades dos embusteiros.
E levanta-se para nos trazer seus documentos.
São largas folhas de papel amarelado, cheirando a velho,
preciosos pergaminhos em que se mal descobrem caracteres indecifráveis,
figuras cabalísticas, coisas intraduzíveis aos nossos
olhos profanos.
-Aqui temos nós toda a verdade sobre os tão falados
tesouros, diz-nos, num gesto enérgico. Mas antes de enveredar
neste caos, uma rápida explicação! As galerias
agora encontradas, como já disse, nada significam; são
esgotos, são esconderijos e nada mais. O atual edifício
do convento compunha-se antigamente de três andares; dois
deles estão atualmente soterrados. A porta que conduzia ao
Morro, corresponde ao antigo 2o andar do edifício, e estava
por conseguinte muito abaixo do primitivo convento.
Todas as galerias que atravessam a montanha com diversos sentidos
não foram construídas, como se tem imaginado, no tempo
de Pombal, nas vésperas da expulsão da Companhia de
Jesus; elas datam da instalação da Companhia no Brasil.
Os jesuítas argutos e previdentes, imaginaram o que, de futuro,
lhes poderia suceder; e daí o se aprestarem com tempo, construindo
na mesma época em que fizeram as galerias de esgotos e as
que serviam para o transporte de mercadorias, os subterrâneos
de defesa e os grande depósitos dos seus avultados bens.
Os jesuítas eram senhores e donos de quase todo o Rio de
Janeiro; possuíam milhares de escravos, propriedades agrícolas,
engenhos de açúcar e casas comerciais. Quando a 10
de maio de 1710 aportou a esta cidade a expedição
de João Francisco Duclerc cuja misteriosa morte vai ser em
breve conhecida por documentos que possuo, os jesuítas perceberam
com fina clarividência que os franceses não deixariam
impune o assassinato do seu compatriota. Prevendo assim a expedição
vingadora de Duguay Trouin, os padres da Companhia cuidaram de pôr
em lugar seguro os tesouros da Ordem, receosos de um provável
saque dos franceses. Aproveitaram para este fim os subterrâneos,
já construídos, do Castelo e lá encerraram
todos os tesouros lavrando-se por esta ocasião uma ata em
latim cuja tradução é a seguinte:
AD PERPETUAM
MEMORIAM
"Aos 23
dias do mês de novembro de 1710, reinando El Rei D. João
V, sendo capitão-general desta capitania Francisco de Castro
Moraes e superior deste Colégio o Padre Martins Gonçalves,
por ordem do nosso Rev.mo Geral foram postos à boa guarda,
nos subterrâneos que se fabricaram sob este Colégio,
no monte do Castelo, as preciosidades e tesouros da ordem nesta
província, para ficarem a coberto de uma nova invasão
que possa haver. Consiste este tesouro de:-Uma imagem de Santo Inácio
de Loiola, de ouro maciço pesando 180 marcos; uma imagem
de S. Sebastião e outra de S. José, ambas de ouro
maciço pesando cada uma 240 marcos, uma imagem da Santa Virgem,
de ouro maciço pesando 290 marcos; a coroa da Santa Virgem,
de ouro maciço e pedrarias, pesando, só o ouro, 120
marcos; 1400 barras de ouro de quatro marcos cada uma; dois mil
marcos de ouro em pó; dez milhões de cruzados, em
moeda velha e três milhões de cruzados em moeda nova,
tudo em ouro; onze milhões de cruzados em diamantes e outras
pedras preciosas, além de um diamante de 11 oitavas, 9 quilates
e 8 grãos, que não está avaliado. Além
destes tesouros foi também guardada uma banqueta do altar-mor
da Igreja, seis castiçais grandes e um crucifixo, tudo em
ouro, pesando 664 marcos. O que tudo foi arrecadado em presença
dos nossos padres, lavrando-se duas atas do mesmo teor, das quais
uma fica neste colégio e outra segue para Roma a ser entregue
ao nosso Rev.mo Geral, dando-se uma cópia autêntica
a cada um dos nossos padres. Feita nesta cidade de S. Sebastião
do Rio de Janeiro, aos 24 dias do mês de novembro do ano de
Nosso Senhor Jesus Cristo de 1710 (Assinados) Martins Gonçalves,
superior. -Padre Manuel Soares, visitador. -Frei Juan de Diaz, prior."
Correio da Manhã - sábado, 6 de maio de 1905
OS SUBTERRÂNEOS
DO RIO DE JANEIRO
Os Tesouros dos Jesuítas
Diante do documento,
em que se vêem arrolados os bens da companhia, sem dissimular
o espanto, indagamos do nosso informante:
-E tais riquezas existirão ainda nos subterrâneos do
morro?
-Certamente e eu explico: Quando chegou às mãos do
Conde de Bobadella, Gomes Freire de Andrade, o decreto de 4 de novembro
de 1759, em que D. José I por influência de seu grande
ministro expulsara os jesuítas de Portugal e seus domínios,
já de há muito que se achavam em lugar seguro os bens
da ordem; em obediência à carta régia de 4 de
novembro, Bobadella fez cercar o Colégio, aprisionando os
padres e cuidou sem detença do confisco dos seus múltiplos
haveres; pois bem, tudo quanto se apurou em dinheiro importou apenas
na ridícula quantia de 4.173$220!
É crível que a riquíssima Comunidade, proprietária
de vastos terrenos, engenhos, casas de comércio, escravos,
etc., nada mais possuísse em moedas que aquela insignificante
quantia?
E as valiosas baixelas de prata, e os objetos de culto, tais como
cálices, turíbulos, lâmpadas, castiçais
e as alfaias de seda e damasco bordadas a ouro?
Que fim levou tudo isto?
Gomes Freire Conseguiu apenas seqüestrar os bens imóveis
e os escravos, e esta parte de sua fortuna montava a alguns milhares
de contos de réis; quanto ao resto, ele próprio declara,
em carta dirigida ao rei em data de 8 de dezembro de 1759:
"É
certo que, sabendo os padres que em mais ou menos tempo havia de
chegar a tormenta, puseram o seu tesouro em salvamento, pelo que
se lhes não encontrou mais dinheiro (eles dizem ser quase
todo alheio) que 4.173$220 de que se vão sustentando como
se me decretou."
-Mas, passada
a "tormenta", não teriam eles arranjado meios de
retirar os tesouros ocultos, conduzindo-os para Roma, sede capital
da Ordem?
-Esta objeção tem sido formulada centenas de vezes
e centenas de vezes destruída como uma bolha de sabão.
O morro do Castelo ficou sempre, depois da saída dos jesuítas,
sob a guarda vigilante das autoridades civis portuguesas e depois
brasileiras; além disso, não era fácil empresa
penetrar nos subterrâneos e de lá retirar arcas e cofres
pejados de ouro e pedrarias sem provocar suspeitas, ocultamente,
sem o menor arruído.
-Realmente...
-Os tesouros lá estão ainda, nas vastas salas subterrâneas,
até que mãos hábeis, trabalhando com prudência
e método, os vão arrancar do secular depósito.
Parece que o momento é chegado; é necessário,
entretanto, não perder tempo com escavações
inúteis; é preciso atacar o morro com segurança,
de acordo com os documentos existentes e que dizem respeito à
topografia dos subterrâneos.
Estes, os que conduzem ao lugar do tesouro, são em número
de quatro, construídos na direção dos pontos
cardeais.
Vão ter a um vasto salão de forma quadrada e abobadado,
que por sua vez tem comunicação com o Colégio
por meio de escadas em espiral abertas no interior das paredes.
Esta sala fica inscrita a um largo fosso onde vão ter, antes
de a elas chegar, as quatro galerias.
Duas grossas paredes dividem em quatro compartimentos a referida
sala.
Em um deles acham-se os cofres de moedas de ouro e prata, os cofres
de ouro em pó e, as imagens de S. Inácio, S. Sebastião,
S. José e da Virgem, todas de ouro maciço e grande
quantidade de objetos do culto católico.
Em outra divisão se encontram as arcas com diamantes e pedras
preciosas e numerosas barras de ouro.
As duas restantes contêm os instrumentos de suplício,
a riquíssima biblioteca dos padres, as alfaias e uma mobília
completa de mármore, assim como todos os papéis referentes
à Ordem no Brasil e que se acham guardados em grandes armários
de ferro.
-É extraordinário.
-É verdade, meu amigo, e quem for vivo há de ver;
contanto que abandonem o caminho errado e tratem de penetrar no
subterrâneo do alto para baixo, o que não será
difícil visto a existências das escadas em espiral
que conduzem ao grande salão que lhes descrevi. E ninguém
está em melhores condições de descobrir o que
está lá dentro que o próprio Marquês
de Pombal, que pretendia confiscar todas as riquezas da Companhia.
-Quem? O Marquês de Pombal? exclamamos sem compreender.
-Sim, senhor; o Marquês de Pombal ou o Dr. Frontin, que são
uma e a mesma pessoa.
-Está a fazer perfídia, hein?
E rimos a bom rir.
-Não graceje, meu amigo, protestou, severo, o Sr. Coelho;
o que lhe digo não é nenhuma pilhéria; o Dr.
Frontin é o Marquês de Pombal; ou melhor, aquele encarna
atualmente a alma do ministro de D. José!
Íamos desmaiar; o Sr. Coelho bate-nos amigavelmente ao ombro
e promete-nos dar os motivos por que com tanta segurança
afirma que o reconstrutor de Lisboa anda entre nós, metido
na pele do construtor da Avenida Central.
E prestamos ouvido atento entre pasmados e incrédulos.
Amanhã contaremos aos leitores esta bizarra e maravilhosa
história.
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