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A Relíquia
Eça de Queirós
Oh Deus magnífico de Judá! O facundo hebreu reclamava
por cada figo um tostão da moeda real da minha pátria!
Bradei-lhe: -"Irra, ladrão!" Depois, guloso e tentado,
ofereci-lhe uma dracma por todos os figos que coubessem no
forro largo de um turbante. O homem levou as mãos ao seio
da túnica, para a despedaçar na imensidade da sua
humilhação. E ia invocar Jeová, Elias, todos os profetas
seus patronos quando o sapiente Topsius, enojado,
interveio secamente, mostrando-lhe uma miúda rodela de
ferro que tinha por cunho um lírio aberto:
- Na verdade Jeová é grande! E tu és ruidoso e vazio
como o odre cheio de vento! Pois pelos figos do cesto
inteiro te dou eu este meah. E se não queres, conheço o
caminho dos hortos tão bem como o do templo, e sei onde as
águas doces de Enrogel banham os melhores pomares... Vai-
te!
O homem logo, trepando ansiosamente até ao parapeito
de mármore, atulhou de figos a ponta do albornoz que eu
lhe estendera, carrancudo e digno. Depois, descobrindo os
dentes brancos, murmurou risonhamente que nós éramos mais
benéficos que o orvalho do Carmelo!
Saborosa e rara me parecia aquela merenda de figos de
Betfagé no palácio de Herodes. Mas apenas nos acomodáramos
com a fruta no regaço, reparei embaixo num velhito magro,
que cravava em nós humildemente uns olhos enevoados,
queixosos, cheios de cansaço. Compadecido ia arremessar-
lhe figos e uma moeda de prata dos Ptolomeus - quando ele,
mergulhando a mão trêmula nos farrapos que mal lhe velavam
o peito cabeludo, estendeu-me, com um sorriso macerado,
uma pedra que reluzia. Era uma placa oval de alabastro,
tendo gravada uma imagem do templo. E enquanto Topsius
doutamente a examinava, o velho foi tirando do seio outras
pedras de mármore, de ônix, de jaspe, com representações
do tabernáculo no deserto, os nomes das tribos entalhados,
e figuras confusas em relevo, simulando as batalhas dos
macabeus... Depois ficou com os braços cruzados; e no seu
nobre rosto, escavado pelos cuidados, luzia uma ansiedade,
como se de nós somente esperasse misericórdia e descanso.
Topsius deduziu que ele era um desses guebros,
adoradores do fogo e hábeis nas artes, que vão descalços
até ao Egito, com fachos acesos, salpicar sobre a esfinge
o sangue de um galo negro. Mas o velho negou, horrorizado
- e tristemente murmurou a sua história. Era um pedreiro
de Naim, que trabalhara no templo e nas construções que
Antipas Herodes erguia em Bezeta. O açoute dos intendentes
rasgara-lhe a carne; depois a doença levara-lhe a força,
como a geada seca a macieira. E agora, sem trabalho, com
os filhos de sua filha a alimentar, procurava pedras raras
nos montes - e gravava nelas nomes santos, sítios santos,
para as vender no templo aos fiéis. Em véspera de Páscoa,
porém, viera um Rabi de Galiléia cheio de cólera que
lhe
arrancava o seu pão!...
- Aquele! - balbuciou sufocado, sacudindo a mão para
o lado de Jesus.
Eu protestei. Como lhe poderia ter vindo a injustiça
e a dor desse Rabi, de coração divino, que era o melhor
amigo dos pobres?
- Então vendias no templo? - perguntou o terso
historiador dos Herodes.
- Sim - suspirou o velho, - era lá, pelas festas, que
eu ganhava o pão do longo ano! Nesses dias subia ao
templo, ofertava a minha prece ao Senhor, e junto à porta
de Susa, diante do pórtico do rei, estendia a minha
esteira e dispunha as minhas pedras que brilhavam ao
sol... Decerto, eu não tinha direito de pôr ali tenda; mas
como poderia eu pagar ao templo o aluguer de um côvado de
lajedo, para vender o trabalho das minhas mãos! Todos os
que apregoam à sombra, debaixo do pórtico, sobre
tabuleiros de cedro, são mercadores ricos que podem
satisfazer a licença; alguns pagam um ciclo de ouro. Eu
não podia, com crianças em casa sem pão... Por isso
ficava
a um canto, fora do pórtico, no pior sítio. Ali estava bem
encolhido, bem calado; nem mesmo me queixava quando homens
duros me empurravam, ou me davam com os bastões na cabeça.
E ao pé de mim havia outros, pobres como eu: Eboim, de
Jopé, que oferecia um óleo para fazer crescer os cabelos,
e Oséias, de Ramá, que vendia flautas de barro... Os
soldados da Torre Antônia que fazem a ronda, passavam por
nós e desviavam os olhos. Até Menahem, que estava quase
sempre de guarda pela Páscoa, nos dizia: - "está bem,
ficai, contanto que não apregoeis alto". Porque todos
sabiam que éramos pobres, não podíamos pagar o côvado
de
laje, e tínhamos nas nossas moradas crianças com fome...
Na Páscoa e nos tabernáculos, vêm da terra distante
peregrinos a Jerusalém; e todos me compravam uma imagem do
templo para mostrar na sua aldeia, ou uma das pedras da
lua que afugentam o demônio... As vezes, ao fim do dia,
tinha feito três dracmas; enchia o saião de lentilha e
descia ao meu casebre, alegre, cantando os louvores do
Senhor!...
Eu, de enternecido, esquecera a merenda. E o velho
desafogava o seu longo queixume:
- Mas eis que há dias esse Rabi de Galiléia aparece
no templo, cheio de palavras de cólera, ergue o bastão e
arremessa-se sobre nós, bradando que aquela "era a casa de
seu pai, e que nós a poluíamos!..." E dispersou todas
as
minhas pedras, que nunca mais vi, que eram o meu pão!
Quebrou nas lajes os vasos de óleo de Eboim, de Jopé, que
nem gritava, espantado. Acudiram os guardas do templo.
Menahem acudiu também; até, indignado, disse ao Rabi: -
"És bem duro com os pobres. Que autoridade tens tu?" E
o
Rabi falou "de seu pai", e reclamou contra nós a lei
severa do templo. Menahem baixou a cabeça... E nós tivemos
de fugir, apupados pelos mercadores ricos, que bem
encruzados nos seus tapetes de Babilônia, e com o seu
lajedo bem pago, batiam palmas ao Rabi... Ah! contra esses
o Rabi nada podia dizer; eram ricos, tinham pago!... E
agora aqui ando! Minha filha, viúva e doente, não pode
trabalhar, embrulhada a um canto nos seus trapos; e os
filhos de minha filha, pequeninos, têm fome, olham para
mim, vêem-me tão triste e nem choram. E que fiz eu? Sempre
fui humilde, cumpro o sabá, vou à sinagoga de Naim que é
a
minha, e as raras migalhas, que sobravam do meu pão,
juntava-as para aqueles que nem migalhas têm na terra...
Que mal fazia eu vendendo? Em que ofendia o Senhor?
Sempre, antes de estender a esteira, beijava as lajes do
templo; cada pedra era purificada pelas águas lustrais...
Em verdade Jeová é grande, e sabe... Mas eu fui expulso
pelo Rabi, somente porque sou pobre!
Calou-se - e as suas mãos magras, tatuadas de linhas
mágicas, tremiam, limpando as longas lágrimas que o
alagavam.
Bati no peito, desesperado. E a minha angústia toda
era por Jesus ignorar esta desgraça, que, na violência do
seu espiritualismo, suas mãos misericordiosas tinham
involuntariamente criado, como a chuva benéfica por vezes,
fazendo nascer a sementeira, quebra e mata uma flor
isolada. Então para que não houvesse nada imperfeito na
sua vida, nem dela ficasse uma queixa na terra - paguei a
divida de Jesus (assim seu pai perdoe a minha!), atirando
para o saião do velho moedas consideráveis, dracmas,
crisos gregos de Filipe, áureos romanos de Augusto, até
uma grossa peça da Cirenaica, que eu estimava por ter uma
cabeça de Zeus Amon, que parecia a minha imagem. Topsius
juntou a este tesouro um lepta de cobre - que tem em
Judéia o valor de um grão de milho...
O velho pedreiro de Naim empalidecia, sufocado.
Depois, com o dinheiro numa dobra do saião, bem apertado
contra o peito, murmurou tímida e religiosamente, erguendo
os olhos ainda molhados para as alturas:
- Pai, que estás nos céus, lembra-te da face deste
homem, que me deu o pão de longos dias!...
E soluçando, sumiu-se entre a turba - que, agora, de
todo o átrio rumorosamente afluía, se apinhava em torno
aos mastros altos do velário. O escriba aparecera, mais
vermelho e limpando os beiços. Ao lado do Rabi e dos
guardas do templo, Sareias viera perfilar-se encostado ao
seu báculo. Depois, entre um brilho de armas, surgiram as
varas brancas dos lictores; e novamente Pôncio, pálido e
pesado, na sua vasta toga, subiu os degraus de bronze,
retomou o assento curul.
Um silêncio caiu, tão atento, que se ouviam as
buzinas tocando ao longe na Torre Mariana. Sareias
desenrolou o seu escuro pergaminho, estendeu-o sobre a
mesa de pedra entre os tabulários; e eu vi as mãos gordas
e morosas do escriba traçarem uma rubrica, estamparem um
selo sob as linhas vermelhas que condenavam à morte Jesus
de Galiléia, meu Senhor... Depois Pôncio Pilatos, com uma
dignidade indolente, erguendo apenas de leve o braço nu,
confirmou em nome de César a "sentença do Sanedrim, que
julga em Jerusalém..."
Imediatamente Sareias atirou sobre o turbante uma
ponta do manto, ficou orando, com as mãos abertas para o
céu. E os fariseus triunfavam; junto a nós, dous muito
velhos beijavam-se em silêncio nas barbas brancas; outros
sacudiam no ar os bastões, ou lançavam sarcasticamente a
aclamação forense dos romanos: "Bene et belle! Non potest
melius!"
Mas de súbito o intérprete apareceu em cima de um
escabelo, alteando sobre o peito o seu papagaio flamante.
A turba emudecera, surpreendida. E o fenício, depois de
ter consultado com o escriba, sorriu, gritou em caldaico
alargando os braços cercados de manilhas de coral:
Escutai! Nesta vossa festa de Páscoa, o Pretor de
Jerusalém costuma, desde que Valério Grato assim o
determinou, e com assenso de César, perdoar a um
criminoso... O Pretor propõe-vos o perdão deste... Escutai
ainda! Vós tendes também o direito de escolher, vós
mesmos, entre os condenados... O Pretor tem em seu poder,
nos ergástulos de Herodes, outro sentenciado à morte...
Hesitou, e debruçado do escabelo, interrogava de novo
o escriba, que remexia numa atarantação os papiros e os
tabulários. Sareias, sacudindo a ponta do manto que
escondia a sua oração, ficara assombrado para o Pretor,
com as mãos abertas no ar. Mas já o intérprete bradava,
erguendo mais a face risonha:
- Um dos condenados é Rabi Jeschoua, que aí tendes, e
que se disse filho de Davi... É esse que propõe o Pretor.
O outro, endurecido no mal, foi preso por ter morto um
legionário traiçoeiramente, numa rixa, ao pé do Xisto.
O
seu nome é Barrabás... Escolhei!
Um grito brusco e roufenho partiu dentre os fariseus:
- Barrabás!
Aqui e além, pelo átrio, confusamente ressoou o nome
de Barrabás. E um escravo do templo, de saião amarelo,
pulando até aos degraus do sólio, rompeu a berrar, em face
de Pôncio, com palmadas furiosas nas coxas:
- Barrabás! Ouve bem! Barrabás! O povo só quer
Barrabás!
A haste de um legionário fê-lo rolar nas lajes. Mas
já toda a multidão, mais leve e fácil de inflamar do
que a
palha na meda, clamava por Barrabás; uns com furor,
batendo as sandálias e os cajados ferrados como para aluir
o Pretório; outros de longe, encruzados ao sol, indolentes
e erguendo um dedo. Os vendilhões do templo, rancorosos,
sacudindo as balanças de ferro e repicando sinetas,
berravam, por entre maldições ao Rabi: "Barrabás
é o
melhor! E até as prostitutas de Tiberíade, pintadas de
vermelhão como ídolos, feriam o ar de gritos silvantes:
- Barrabás! Barrabás!
Raros ali conheciam Barrabás; muitos, decerto, não
odiavam o Rabi - mas todos engrossavam o tumulto
prontamente, sentindo, nessa reclamação do preso que
atacara legionários, um ultraje ao Pretor romano, togado e
augusto no seu tribunal. Pôncio, no entanto, indiferente,
traçava letras numa vasta lauda de pergaminho pousada
sobre os joelhos. E em torno os clamores disciplinados
retumbavam em cadência, como malhos numa eira:
- Barrabás! Barrabás! Barrabás!
Então Jesus, vagarosamente, voltou-se para aquele
mundo duro e revoltoso que o condenava; e nos seus
refulgentes olhos umedecidos, no fugitivo tremor dos seus
lábios, só transpareceu nesse instante uma mágoa
misericordiosa pela opaca inconsciência dos homens, que
assim empurravam para a morte o melhor amigo dos homens...
Com os pulsos presos, limpou uma gota de suor; depois
ficou diante do Pretor, tão imperturbado e quedo, como se
já não pertencesse a terra.
O escriba, batendo com uma régua de ferro na pedra da
mesa, três vezes bradara o nome de César. O tumulto
ardente esmorecia. Pôncio ergueu-se; e grave, sem trair
impaciência ou cólera, lançou, sacudindo a mão,
o mandado
final:
- Ide e crucificai-o!
Desceu o estrado; a turba batia ferozmente as palmas.
Oito soldados da coorte siríaca apareceram,
apetrechados em marcha, com os escudos revestidos de lona,
as ferramentas entrouxadas, e o largo cantil da posca.
Sareias, vogal do Sanedrim, tocando no ombro de Jesus,
entregou-o ao decurião; um soldado desapertou-lhe as
cordas, outro tirou-lhe o albornoz de lá; e eu vi o doce
Rabi de Galiléia dar o seu primeiro passo para a morte.
Apressados, enrolando o cigarro, deixamos logo o
palácio de Herodes, por uma passagem que o douto Topsius
conhecia, lôbrega e úmida, com fendas gradeadas de onde
vinha um canto triste de escravos encarcerados... Saímos a
um terreiro, abrigado pelo muro de um jardim todo plantado
de ciprestes. Dous dromedários deitados no pó ruminavam,
junto de um montão de ervas cortadas. E o alto historiador
tomava já o caminho do templo, quando, sob as ruínas de um
arco que a hera cobria, vimos povo apinhado em torno de um
essênio, cujas mangas de alvo linho batiam o ar como as
asas de um pássaro irritado.
Era Gade, rouco de indignação, clamando contra um
homem esgrouviado, de barba rala e ruiva, com grossas
argolas de ouro nas orelhas, que tremia e balbuciava:
- Não fui eu, não fui eu...
- Foste tu! - bradava o essênio, estampando a
sandália na terra. - Conheço-te bem. Tua mãe é
cardadeira
em Cafarnaum, e maldita seja pelo leite que te deu!...
O homem recuava, baixando a cabeça, como um animal
encurralado à força:
- Não fui eu! Eu sou Refraim, falho de Eliézer, de
Ramá! Sempre todos me conheceram são e forte como a
palmeira nova!
- Torto e inútil eras tu como um sarmento velho de
vide, cão e filho de um cão! - gritou Gade. - Vi-te bem...
Foi em Cafarnaum, na viela onde está a fonte, ao pé da
sinagoga, que tu apareceste a Jesus, Rabi de Nazaré!
Beijavas-lhe as sandálias, dizias: "Rabi, cura-me! Rabi,
vê esta mão que não pode trabalhar!" E mostravas-lhe
a
mão, essa, a direita, seca, mirrada e negra, como o ramo
que definhou sobre o tronco! Era no sabá; estavam os três
chefes da sinagoga, e Elzéar, e Simeão. E todos olhavam
Jesus para ver se ele ousaria curar no dia do Senhor... Tu
choravas, de rojo no chão. E por acaso o Rabi repeliu-te?
Mandou-te procurar a raiz do baraz? Ah cão, filho de um
cão! O Rabi, indiferente às acusações da sinagoga,
e só
escutando a sua misericórdia, disse-te: "estende a mão!"
Tocou-a, e ela reverdeceu logo como a planta regada pelo
orvalho do céu! Estava sã, forte, firme; e tu movias ora
um dedo, ora outro, espantado e tremendo.
Um murmúrio de enlevo correu entre a multidão
maravilhada pelo doce milagre. E o essênio exclamava, com
os braços trêmulos no ar:
- Assim foi a caridade do Rabi! E estendeu-te ele a
ponta do manto, como fazem os rabis de Jerusalém, para que
lhe deitasses dentro um ciclo de prata? Não. Disse aos
seus amigos que te dessem da provisão de lentilha... E tu
largaste a correr pelo caminho refeito e ágil, gritando
para o lado da tua casa: "Oh mãe, oh mãe estou curado!..."
E foste tu, porco e filho de porco, que há pouco no
Pretório pedias a cruz para o Rabi e gritavas por
Barrabás! Não negues, boca imunda; eu ouvi-te; estava por
trás de ti e via incharem-te as cordoveias do pescoço, com
o furor da tua ingratidão!
Alguns, escandalizados, gritavam: "Maldito! Maldito!"
Um velho, com justiceira gravidade, apanhara duas grossas
pedras. E o homem de Cafarnaum, encolhido, esmagado, ainda
rosnou surdamente:
- Não fui eu, não fui eu... Eu sou de Ramá!
Gade, furioso, agarrou-o pelas barbas:
- Nesse braço, quando o arregaçaste diante do Rabi,
todos te viram duas cicatrizes curvas, como de dous golpes
de foice!... E tu vais mostrá-las agora, cão e filho de um
cão!
Despedaçou-lhe a manga da túnica nova; arrastou-o em
redor, apertado nas suas mãos de bronze, como um bode
teimoso; mostrou bem as duas cicatrizes, lívidas no pêlo
ruivo; e assim o arremessou desprezivelmente para entre o
povo - que, levantando o pó do caminho, perseguiu o homem
de Cafarnaum com apupos e com pedradas...
Acercamo-nos de Gade sorrindo, louvando a sua
fidelidade a Jesus. Ele, acalmado, estendera as mãos a um
vendedor de água, que lhas purificava com um largo jorro
do seu odre felpudo; depois, limpando-as à toalha de linho
que lhe pendia do cinto:
- Escutai! José de Ramata reclamou o corpo do Rabi; o
Pretor concedeu-lhe... Esperai-me à nona hora romana no
pátio de Gamaliel... Onde ides?
Topsius confessou que íamos ao templo, por motivos
intelectuais de arte, de arqueologia...
- Vão é aquele que admira pedras! - rosnou o altivo
idealista.
E afastou-se puxando o capuz sobre a face, por entre
as bênçãos do povo que crê e ama os essênios.
Para poupar, até ao templo, a rude caminhada pelo
Tiropeu e pela ponte do Xisto, tomamos duas liteiras - das
que um liberto de Pôncio ultimamente alugava, junto ao
Pretório, "a moda de Roma".
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