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A Relíquia
Eça de Queirós
 



O sol banhava-a, suntuosamente! Uma severa altiva
muralha, guarnecida de torres novas, com portas onde as
cantarias se entremeavam de lavores de ouro, erguia-se
sobre a ribanceira escarpada do Cédron, já seco pelos
calores de Nizam, e ia correndo, cingindo Sião, para o
lado de Hínon e até aos cerros de Garebe. E, dentro, em
face aos cedros que nos assombreavam, o templo, sobre os
seus alicerces eternos, parecia dominar toda a Judéia,
soberbo em esplendor, murado de granitos polidos, armado
de bastiões de mármore, como a refulgente cidadela de um
deus!...
Debruçado sobre as crinas, o sapiente Topsius
apontava-me o adro primordial, chamado o Pátio dos
Gentílicos, vasto bastante para receber todas as multidões
de Israel, todas as da terra pagã; o chão liso rebrilhava
como a água límpida de uma piscina; e as colunas de
mármore de Paros que o ladeavam, formando os pórticos de
Salomão, profundos e cheios de frescura, eram mais bastas
que os troncos nos cerrados palmares de Jericó. Em meio
desta área, cheia de ar e de luz, elevava-se, em
escadarias lustrosas como se fossem de alabastro, com
portas chapeadas de prata, arcarias, torreões de onde
voavam pombas, um nobre terraço só acessível aos fiéis da
lei, ao povo eleito de Deus, o orgulhoso Adro de Israel.
Daí erguia-se ainda, com outras claras escadarias, outro
branco terraço, o Átrio dos Sacerdotes; no brilho difuso
que o enchia, negrejava um enorme altar de pedras brutas,
enristando a cada ângulo um sombrio como de bronze; aos
lados dous longos fumos direitos, subiam devagar,
mergulhavam no azul com a serenidade de uma prece perenal.
E, ao fundo, mais alto, ofuscante, com os seus recamos de
ouro sobre a alvura dos mármores, níveo e fulvo, como
feito de ouro puro e neve pura, refulgia maravilhosamente,
lançando o seu clarão aos montes em redor, o Híeron, o
santuário dos santuários, a morada de Jeová; sobre a porta
pendia o véu místico, tecido em Babilônia, cor do fogo e
cor dos mares; pelas paredes trepava a folhagem de uma
vinha de esmeralda, com cachos de outras pedrarias; da
cúpula irradiavam longas lanças de ouro, que o aureolavam
de raios como um sol; e assim, resplandecente, triunfante,
augusto, precioso, ele elevava-se para aquele céu de festa
pascal, ofertando-se todo, como o dom mais belo, o dom
mais raro da terra!
Mas ao lado do templo, mais alto que ele, dominando-o
com a severidade de um amo orgulhoso, Topsius mostrou-me a
Torre Antônia, negra, maciça, impenetrável, cidadela de
forças romanas... Na plataforma, entre as ameias, movia-se
gente armada; sobre um bastião, uma figura forte, envolta
num manto vermelho de centurião, estendia o braço; e
toques lentos de buzina pareciam falar, dar ordens, para
outras torres que ao longe se azulavam no ar límpido,
algemando a Cidade Santa. César pareceu-me mais forte que
Jeová!
E mostrou-me ainda, para além da Antônia, o velho
burgo de Davi. Era um tropel de casas cerradas, caiadas de
fresco sobre o azul, descendo como um rebanho de cabras
brancas para um vale ainda em sombra, onde uma praça
monumental se abria entre arcarias; depois trepava,
fendido em ruas tortuosas, a espalhar-se sobre a colina
fronteira de Acra, rica, com palácios, e cisternas
redondas que luziam à luz semelhantes a broquéis de aço.
Mais longe ainda, para além de velhos muros derrocadas,
era o bairro novo de Bezeta, em construção; o circo de
Herodes arredondava aí as suas arcarias; e os jardins de
Antipas estiravam-se por um último outeiro, até junto ao
túmulo de Helena, assoalhados, frescos, regados pelas
águas doces de Enrogel.
- Ah Topsius, que cidade! - murmurei maravilhado.
- Rabi Eliézer diz que não viu jamais cidade bela,
quem não viu Jerusalém!
Mas ao nosso lado passava gente alegre, correndo para
os lados da verde estrada que sobe de Betânia; e um velho
que puxava à pressa a arreata do seu burro, carregado de
molhos de palmas, gritou-nos que se avistara e vinha
chegando a caravana da Galiléia! Então, curiosos, trotamos
até um cômoro, junto a uma sebe de cactos, onde já se
apinhavam mulheres com os filhos ao colo, sacudindo véus
claros, soltando palavras de bênção e de boa acolhida; e
logo vimos, numa poeirada lenta que o sol dourava, a densa
fila dos peregrinos que são os derradeiros a chegar a
Jerusalém, vindos de longe, da alta Galiléia, desde
Gescala e dos montes. Um rumor de cânticos enchia a
estrada festiva; em torno a um estandarte verde agitavam-
se palmas e ramos floridos de amendoeira; e os grandes
fardos, carregando o dorso dos camelos, balanceavam em
cadência por entre os turbantes brancos cerrados e
movendo-se em marcha.
Seis cavaleiros da guarda babilônica de Antipas
Herodes, tetrarca de Galiléia, escoltavam a caravana desde
Tiberíade; traziam mitras de felpo, as longas barbas
separadas em tranças, as pernas ligadas em tiras de couro
amarelo; e caracolavam à frente, fazendo estalar numa das
mãos açoites de corda, com a outra atirando ao ar e
aparando alfanjes que faiscavam. Logo atrás era uma
colegiada de levitas, em coro, a passos largos, apoiados a
bordões enfeitados de flores, com os rolos da lei
apertados sobre o peito, salmodiando rijo os louvores de
Sião. E em tomo moços robustos, com as faces infladas e
rubras, sopravam para o céu furiosamente em trompas
recurvas de bronze.
Mas, dentre a gente apertada à beira da estrada,
rompeu uma aclamação. Era um velho, sem turbante, de
cabelos soltos, recuando e dançando freneticamente; das
mãos cabeludas que ele agitava no ar saía um repique de
castanholas; ora arremessava uma perna, ora outra; e toda
a sua face barbuda de rei Davi ardia com um fulgor
inspirado. Atrás dele, raparigas, pulando compassadamente
sobre a ponta ligeira das sandálias, feriam com dolência
harpas leves; outras, rodando sobre si, batiam do alto os
tamborins - e as suas manilhas de prata brilhavam no pó
que os seus pés levantavam, sob a roda das túnicas
enfunadas... Então, arrebatada, a turba entoou o velho
canto das jornadas rituais e os salmos de peregrinação.
Meus passos vão todos para ti, ó Jerusalém! Tu és
perfeita! Quem te ama conhece a abundância!
E eu bradava também, transportado:
- Tu és o palácio do Senhor, ó Jerusalém, e o repouso
do meu coração!
Lenta e rumorosa a caravana passava. As mulheres dos
levitas, em burros, veladas e rebuçadas, semelhavam
grandes sacos moles; as mais pobres, a pé, traziam nas
pontas dobradas do manto frutas e o grão da aveia. Os
previdentes, já com a sua oferenda ao Senhor, arrastavam
preso do cinto um cordeiro branco; os mais fortes
seguravam às costas, presos pelos braços, os doentes,
cujos olhos dilatados, nas faces maceradas, procuravam
ansiosamente as muralhas da Cidade Santa, onde todo o mal
se cura.
Entre os peregrinos e a alegre multidão que os
acolhia, as bênçãos cruzavam-se, ruidosas e ardentes;
alguns perguntavam pelos vizinhos, pelas searas ou pelos
avós que tinham ficado na aldeia à sombra da sua vinha; e
ouvindo que lhe fora roubada a pedra do seu moinho, um
velho, ao meu lado, com as barbas de um Abraão,
arremessou-se a terra a arrepelar-se e a esfarrapar a
túnica. Mas já, fechando a marcha, passavam as mulas com
guizos carregadas de lenha e de odres de azeite; e atrás
uma turba de fanáticos que nos arredores, em Betfagé e em
Refraim, se tinham juntado à caravana, apareceu, atirando
para os lados cabaças de vinho já vazias, brandindo facas,
pedindo a morte dos samaritanos e ameaçando a gente
pagã...
Então seguindo Topsius, trotei de novo através do
monte, para junto dos cedros cobertos do vôo alvo das
pombas; e nesse instante também os peregrinos, emergindo
da estrada, avistavam enfim Jerusalém, que resplandecia lá
embaixo formosa, toda branca na luz... Então foi um santo,
tumultuoso, inflamado delírio! Prostrada, a turba batia as
faces na terra dura; um clamor de orações subia ao céu
puro, por entre o estridor das tubas; as mulheres erguiam
os filhos nos braços, ofertando-os arrebatadamente ao
Senhor! Alguns permaneciam imóveis, como assombrados, ante
os esplendores de Sião; e quentes lágrimas de fé, de amor
piedoso, rolavam sobre barbas incultas e feras. Os velhos
mostravam com o dedo os terraços do templo, as ruas
antigas, os sacros lugares da história de Israel: "ali é a
porta de Efraim, acolá era a torre das Fornalhas; aquelas
pedras brancas, além, são do túmulo de Raquel..." E os que
escutavam em redor, apinhados, batiam as mãos, gritavam
"Bendita sejas, Sião!" Outros, estonteados, com o cinto
desapertado, corriam tropeçando nas cordas das tendas, nos
gigos de fruta, a trocar a moeda romana, a comprar o anho
da oferta. Por vezes, dentre as árvores, um canto subia,
claro, fino, cândido, e que ficava tremendo no ar; a terra
um momento parecia escutar, como o céu; serenamente, Sião
rebrilhava; do templo os dous fumos lentos ascendiam, com
uma continuidade de prece eterna... Depois o canto morria;
de novo as bênçãos rompiam, clamorosas; a alma inteira de
Judá abismava-se no resplendor do santuário; e braços
magros erguiam-se freneticamente para estreitar Jeová.
De repente Topsius colheu-me as rédeas da égua; e
quase ao meu lado um homem, com uma túnica cor de açafrão,
surgindo esgazeado detrás de uma oliveira e brandindo uma
espada, saltou para cima de uma pedra e gritou
desesperadamente:
- Homens de Galiléia, acudi, e vós, homens de
Neftali!
Peregrinos correram, erguendo os bastões; e as
mulheres saiam das tendas, pálidas, apertando os filhos ao
colo. O homem fazia tremer a espada no ar; todo ele tremia
também; e outra vez bradou, desoladamente:
- Homens de Galiléia, Rabi Jeschoua foi preso! Rabi
Jeschoua foi levado a casa de Hanão, homens de Neftali!
- D. Raposo - disse Topsius então, com os olhos
faiscantes - o Homem foi preso, e compareceu já diante do
Sanedrim!... Depressa, depressa, amigo, a Jerusalém, à
casa de Gamaliel!
E à hora em que no templo se fazia a oferta do
perfume, quando o sol já ia alto sobre o Hébron, Topsius e
eu penetramos, pela porta do Pescado, a passo, numa rua da
antiga Jerusalém. Era íngreme, tortuosa, poeirenta, com
casas baixas e pobres de tijolo; sobre as portas, fechadas
por uma correia, sobre as janelas esguias como fendas
gradeadas, havia verduras e palmas entretecidas, fazendo
ornatos de páscoa. Nos terraços, rodeados de balaustradas,
mulheres diligentes sacudiam os tapetes, joeiravam o
trigo; outras, chalrando, penduravam lâmpadas de barro em
festões para as iluminações rituais.
Ao nosso lado ia marchando fatigado um harpista
egípcio, com uma pluma escarlate presa na peruca frisada,
um pano branco envolvendo-lhe a cinta fina, os braços
pesados de braceletes, e a harpa às costas, recurva como
uma foice e lavrada em flores de lótus. Topsius perguntou-
lhe se ele vinha de Alexandria. E ainda se cantavam, nas
tabernas do Eunotos, as cantigas da batalha de Ácio? O
homem, logo mostrando num riso triste os dentes longos,
pousou a harpa, ia ferir os bordões... Picamos as éguas; e
assustamos duas mulheres cobertas de véus amarelos, com
casais de pombas enroladas na ponta do manto, que se
apressavam decerto para o templo, airosas, ligeiras,
fazendo retinir os guizos das suas sandálias.
Aqui e além um lume caseiro ardia no meio da rua, com
trempes, caçarolas, de onde saía um cheiro acre de alho;
crianças de ventre enorme que rolavam nuas pela poeira,
roendo vorazmente cascas de abóbora crua, ficavam pasmadas
para nós, com grandes olhos ramelosos onde fervilhavam
moscas. Diante de uma forja, um bando hirsuto de pastores
de Moabe esperavam, enquanto dentro, martelando num nimbo
de chispas, os ferreiros lhes batiam ferros novos para as
lanças. Um negro, com um pente em forma de sol toucando-
lhe a carapinha, apregoava, num grito lúgubre, bolos de
centeio de feitios obscenos.
Calados, atravessamos uma praça, clara e lajeada, que
andava em obras. Ao fundo uma casa de banhos, moderna, uma
terma romana, estendia com ar de luxo e de ociosidade a
longa arcada do seu pórtico de granito; no pátio interior,
por entre os plátanos que o refrescavam, cujos ramos
suspendiam velários de linho alvo, corriam escravos nus,
reluzentes de suor, levando vasos de essências e braçadas
de flores; das aberturas gradeadas, ao rés das lajes, saía
um bafo mole de estufa que cheirava a rosa. E sob uma das
colunas vestibulares, onde uma lápide de ônix indicava a
entrada das mulheres, estava de pé, imóvel, ofertando-se
aos votos como um ídolo, uma criatura maravilhosa; sobre a
sua face redonda, de uma brancura de lua cheia, com lábios
grossos, rubros de sangue, erguia-se a mitra amarela das
prostitutas da Babilônia; dos ombros fortes, por cima da
túmida rijeza dos seios direitos, caía, em pregas duras de
brocado, uma dalmática negra radiantemente recamada de
ramagens cor de ouro. Na mão tinha uma flor de cacto; e as
suas pálpebras pesadas, as pestanas densas, abriam-se e
fechavam-se em ritmo, ao mover onduloso de um leque que
uma escrava preta, agachada a seus pés balançava cantando.
Quando os seus olhos se cerravam, tudo em redor parecia
escurecer; e quando se levantava a negra cortina das suas
pestanas, vinha dessa larga pupila um clarão, uma
influência, como a do sol do meio-dia no deserto, que
abrasa e vagamente entristece. E assim se ofertava,
magnífica, com os seus grandes membros de mármore, a sua
mitra fulva, lembrando os ritos de Astarté e de Adônis,
lasciva e pontifical...
Toquei no braço de Topsius, murmurei, pálido:
- Caramba! Vou aos banhos!
Seco, empertigado na sua capa branca, ele volveu
asperamente:
- Espera-nos Gamaliel, filho de e Simeão. E a
sabedoria dos rabis lá disse que a mulher é o caminho da
iniquidade!
E bruscamente penetrou numa lobrega viela, toda
abobadada; as patas das éguas, ferindo as lajes, acirraram
contra nós uivos de cães, maldições de mendigos,
amontoados juntos no escuro. Depois saltamos por uma
brecha da antiga muralha de Ezequiá, passamos uma velha
cisterna seca onde os lagartos dormiam; e trotando pela
poeira solta de uma longa rua, entre muros caiados que
reluziam e portas besuntadas de alcatrão, paramos no alto
diante de uma entrada mais nobre, em arco, com uma grande
baixa de arame que a defendia dos escorpiões. Era a casa
de Gamaliel.
No meio de um vasto pátio ladrilhado, escaldando ao
sol, um limoeiro toldava a água clara de um tanque. Em
volta, sobre pilastras de mármore verde, corria uma
varanda, silenciosa e fresca, de onde pendia, aqui e além,
um tapete da Assíria com flores bordadas. Um puro azul
brilhava no alto; - e ao canto, sob um alpendre, um negro,
atrelado por cordas como uma alimária a uma barra de pau,
calçado de ferraduras, vincado de cicatrizes, ia fazendo
gemer e girar, lentamente, a grande mó de pedra do moinho
doméstico.
No escuro de uma porta apareceu um homem obeso, sem
barba, quase tão amarelo como a túnica lassa que o
envolvia todo; tinha na mão uma vara de marfim e mal podia
erguer as pálpebras moles.
- Teu amo? - gritou-lhe Topsius, desmontando.
Entra - disse o homem numa voz fugidia e fina como
silvo de cobra.
Por uma escadaria rica de granito negro chegamos a um
patamar, onde pousavam dous candelabros, espigados como os
arbustos de que reproduziam, em bronze, o tronco sem
folhas; e entre eles estava de pé, diante de nós,
Gamaliel, filho de Simeão. Era muito alto, muito magro; e
a barba solta, lustrosa, perfumada, enchia-lhe o peito,
onde brilhava um sinete de coral pendurado de uma fita
escarlate. O seu turbante branco, entremeado de fios de
pérolas, descobria uma tira de pergaminho colada sobre a
testa e cheia de textos sagrados; sob aquela alvura, os
seus olhos encovados tinham um fulgor frio e duro. Uma
longa túnica azul cobria-o até às sandálias, orlada de
compridas franjas que arrastavam; e cozidas às mangas,
enroladas nos pulsos, tinha ainda outras tiras de
pergaminho, onde negrejavam outras escrituras rituais.
Topsius saudou-o à moda do Egito, deixando cair
lentamente a mão até à joalheira da sua calça de lustrina.
Gamaliel alargou os braços e murmurou, como salmodiando:
- Entrai, sede bem-vindos, comei e regozijai-vos...
E atrás de Gamaliel, pisando um chão sonoro de
mosaico, penetramos numa sala onde se achavam três homens.
Um, que se afastou da janela para nos acolher, era
magnificamente belo, com longos cabelos castanhos,
pendendo em anéis doces em torno de um pescoço forte,
macio e branco como um mármore corintio; na faixa negra
que lhe apertava a túnica brilhava, com pedrarias, o punho
de ouro de uma espada curta. O outro, calvo, gordo, com
uma face balofa sem sobrancelhas, e tão lívida que parecia
coberta de farinha, ficara encruzado, embrulhado no seu
manto cor de vinho, sobre um divã feito de correias, tendo
uma almofada de púrpura debaixo de cada braço; e o seu
gesto de acolhida foi mais distraído e desdenhoso, do que
a esmola que se atira ao estrangeiro. Mas Topsius quase se
prostrara, a beijar os seus sapatos redondos de couro
amarelo, atados por fios de ouro, porque aquele era o
venerando Osânias, da família pontifical de Beotos, ainda
do sangue real de Aristóbolo! O outro homem não o
saudamos, nem ele também nos viu; estava agachado a um
canto, com a face sumida no capuz de uma túnica de linho
mais alvo que a neve fresca, como mergulhado numa oração;
e só de vez em quando se movia, para limpar as mãos
lentamente a uma toalha da fina brancura da túnica, que
lhe pendia de uma corda, apertada à cintura, grossa e
cheia de nós, como as que cingem os monges.

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