MEMORIAL DE AIRES
Machado de Assis
7 de maio
O ministério
apresentou hoje à Câmara o projeto de abolição.
É a abolição pura e simples. Dizem que em poucos
dias será lei.
13 de maio
Enfim, lei.
Nunca fui, nem o cargo me consentia ser propagandista da abolição,
mas confesso que senti grande prazer quando soube da votação
final do Senado e da sanção da Regente. Estava na
Rua do Ouvidor, onde a agitação era grande e a alegria
geral.
Um conhecido
meu, homem de imprensa, achando-me ali, ofereceu-me lugar no seu
carro, que estava na Rua Nova, e ia enfileirar no cortejo organizado
para rodear o Paço da cidade, e fazer ovação
à Regente. Estive quase, quase a aceitar, tal era o meu atordoamento,
mas os meus hábitos quietos, os costumes diplomáticos,
a própria índole e a idade me retiveram melhor que
as rédeas do cocheiro aos cavalos do carro, e recusei. Recusei
com pena. Deixei-os ir, a ele e aos outros, que se juntaram e partiram
da Rua Primeiro de Março. Disseram-me depois que os manifestantes
erguiam-se nos carros, que iam abertos, e faziam grandes aclamações,
em frente ao Paço, onde estavam também todos os ministros.
Se eu lá fosse, provavelmente faria o mesmo e ainda agora
não me teria entendido...Não, não faria nada;
meteria a cara entre os joelhos.
Ainda bem que
acabamos com isto. Era tempo. Embora queimemos todas as leis, decretos
e avisos, não poderemos acabar com os atos particulares,
escrituras e inventários, nem apagar a instituição
da História, ou até da Poesia. A Poesia falará
dela, particularmente naqueles versos de Heine, em que o nosso nome
está perpétuo. Neles conta o capitão do navio
negreiro haver deixado trezentos negros no Rio de Janeiro, onde
"a casa Gonçalves Pereira" lhe pagou cem ducados
por peça. Não importa que o poeta corrompa o nome
do comprador e lhe chame Gonzales Perreiro; foi a rima ou a sua
má pronúncia que o levou a isso. Também não
temos ducados, mas aí foi o vendedor que trocou na sua língua
o dinheiro do comprador.
14 de maio,
meia-noite
Não há
alegria pública que valha uma boa alegria particular. Saí
agora do Flamengo, fazendo esta reflexão, e vim escrevê-la,
e mais o que lhe deu origem.
Era a primeira
reunião do Aguiar; havia alguma gente e bastante animação.
Rita não foi; fica-lhe longe e não dá para
isto, mandou-me dizer. A alegria dos donos da casa era viva, a tal
ponto que não a atribuí somente ao fato dos amigos
juntos, mas também ao grande acontecimento do dia. Assim
o disse por esta única palavra, que me pareceu expressiva,
dita a brasileiros:
- Felicito-os.
- Já
sabia? perguntaram ambos.
Não entendi,
não achei que responder. Que era que eu podia saber já,
para os felicitar, se não era o fato público? Chamei
o melhor dos meus sorrisos de acordo e complacência, ele veio,
espraiou-se, e esperei. Velho e velha disseram-me então rapidamente,
dividindo as frases, que a carta viera dar-lhes grande prazer. Não
sabendo que carta era nem de que pessoa, limitei-me a concordar:
- Naturalmente.
- Tristão
está em Lisboa, concluiu Aguiar, tendo voltado há
pouco da Itália; está bem, muito bem.
Compreendi.
Eis aí como, no meio do prazer geral, pode aparecer um particular,
e dominá-lo. Não me enfadei com isso; ao contrário,
achei-lhes razão, e gostei de os ver sinceros. Por fim, estimei
que a carta do filho postiço viesse após anos de silêncio
pagar-lhes a tristeza que cá deixou. Era devida a carta;
como a liberdade dos escravos, ainda que tardia, chegava bem. Novamente
os felicitei, com ar de quem sabia tudo.
16 de maio
Fidélia
voltou para casa, levando e deixando saudades. Os três estão
muito amigos, e os dous parecem pais de verdade; ela também
parece filha verdadeira. O desembargador, que me contou isto, referiu-me
algumas palavras da sobrinha acerca da gente Aguiar, principalmente
da velha, e acrescentou:
- Não
é dessas afeições chamadas fogo de palha; nela,
como neles, tudo tem sido lento e radicado. São capazes de
me roubarem a sobrinha, e ela de se deixar roubar por eles. Também
se não forem eles, será o pai. Creio que meu irmão
já vai amansando. A última vez que me escreveu, depois
de falar muito mal do imperador e da princesa, não lhe esqueceu
dizer que "agradecia as lembranças mandadas". Fidélia
não lhe mandara lembranças, estava ainda no Flamengo;
eu é que as inventei na minha carta para ver o efeito que
produziriam nele. Há de amansar; isto de filhos, conselheiro,
não imagina, é o diabo; eu, se perdesse o meu Carlos,
creio que me ia logo desta vida.
17 de maio
Vou ficar em
casa uns quatro ou cinco dias, não para descansar, porque
eu não faço nada, mas para não ver nem ouvir
ninguém, a não ser o meu criado José. Este
mesmo, se cumprir, mandá-lo-ei à Tijuca, a ver se
eu lá estou. Já acho mais quem me aborreça
do que quem me agrade, e creio que esta proporção
não é obra dos outros, e só minha exclusivamente.
Velhice esfalfa.
18 de maio
Rita escreveu-me
pedindo informações de um leiloeiro. Parece-me caçoada.
Que sei eu de leiloeiros nem de leilões? Quando eu morrer
podem vender em particular o pouco que deixo, com abatimento ou
sem ele, e a minha pele com o resto; não é nova, não
é bela, não é fina, mas sempre dará
para algum tambor ou pandeiro rústico. Não é
preciso chamar um leiloeiro.
Vou responder
isto mesmo à mana Rita, acrescentando algumas notícias
que trouxe da rua - a carta do Tristão, por exemplo, os agradecimentos
do barão à filha, e esta grande peta: que a viúva
resolveu casar comigo... Mas não; se lhe digo isto, ela não
me crê, ri, e vem cá logo. Justamente o que eu não
desejo. Preciso de me lavar da companhia dos outros, ainda mesmo
dela, apesar de gostar dela. Mando-lhe só dizer que o leiloeiro
morreu; provavelmente ainda vive, mas há de morrer algum
dia.
21 de maio
Ontem escrevi
à mana Rita anunciando-lhe a morte do homem, e hoje de manhã
abrindo os jornais, dei com a notícia de haver falecido ontem
o leiloeiro Fernandes. Chamava-se Fernandes. Sucumbiu a não
sei que moléstia grega ou latina. Parece que era bom chefe
de família, honrado e laborioso, e excelente cidadão;
a Vida Nova chama-lhe grande, mas talvez ele votasse com os liberais.
Mana Rita, já
pela minha carta, já pelas notícias de hoje, correu
a ter comigo. Senhoras não deviam escrever cartas; raras
dizem tudo e claro; muitas têm a linguagem escassa ou escura.
Rita pedira-me notícias do leiloeiro, por lhe dizerem que
ele morava no Catete, e adoecera gravemente há dias. Como
era meu vizinho, podia ser que eu soubesse dele: foi o motivo da
pergunta, mas esqueceu dizê-lo.
Hesitei entre
confessar a minha invenção ou deixá-la encoberta
pela coincidência, mas foi só um minuto, nem isso,
foi um instante. Rita é minha irmã, não me
ficaria querendo mal e acabaria rindo também. Ouviu a minha
verdade, sem zanga, mas também sem riso. A razão disto
é um pormenor, que não vale a pena dizer miudamente
e só o bastante para explicar a carta e a seriedade. Trata-se
de contas entre ela e o finado, objetos que ela mandou vender, e
não sabe se ele vendeu ou não, nem como havê-los
ou o dinheiro; bastará ir ao armazém. Há de
haver escrituração donde conste tudo; prometi acompanhá-la
amanhã. Ficou satisfeita, começou então a sorrir,
depois disse-me os objetos que eram, quadros velhos, romances lidos.
Jantou comigo.
Antes de irmos para a mesa, vimos passar o enterro do Fernandes.
Teve a pachorra de contar os carros; ai de mim, também eu
os contava em pequeno; ela é que parece não haver
perdido esse costume estatístico. O Fernandes levava trinta
e sete ou trinta e oito carros.
Deixo aqui esta
página com o fim único de me lembrar que o acaso também
é corregedor de mentiras. Um homem que começa mentindo
disfarçada ou descaradamente acaba muita vez exato e sincero.
22 de maio
Em caminho,
mana Rita contou-me o que já sabe da carta de Tristão
e da resposta que D. Carmo lhe mandou. Sabe mais que eu. D. Carmo
leu-lhe as duas cartas. Tristão pede mil desculpas do longo
silêncio de anos e lança-o à conta de tarefas
e distrações. Ultimamente, já formado em Medicina,
foi em viagem a várias terras, onde viu e estudou muito.
Não podendo escrever as viagens, contar-lhas-á um
dia, se cá vier. Pede notícias dela e do padrinho,
pede-lhes os retratos, e manda-lhes pelo correio umas gravuras;
assim também lembranças do pai e da mãe que
estão em Lisboa. A carta é longa, cheia de ternuras
e saudades. A resposta, disse-me mana Rita que é em tom verdadeiramente
maternal. Não sabe mostrar-se magoada; é toda perdão
e carinho. Só lhe faz uma queixa; é que, pedindo os
retratos dela e do marido, não lhe mandasse logo o seu, o
último dos seus, porque os antigos cá estão.
Diz muitas cousas longas, lembra os tempos de infância e de
estudo, e no fim insinua-lhe que venha contar-lhe as viagens. As
gravuras são da casa Goupil.
Rita esteve
com ela no dia 15, entre uma e duas horas da tarde, depois que a
viúva saiu de lá para a casa do tio desembargador.
Apesar da separação desta e suas saudades, sentia-se
alegre com a afeição que cresce entre ambas, e igualmente
alegre com a ressurreição do afilhado. Chama-lhe ressurreição
por imaginar que o moço inteiramente os esquecera. Via agora
que não, e parecia-lhe a mesma alma daqui saída. Falando
ou calando, tinha intervalos de melancolia, e, de uma vez, acha
mana Rita que lhe viu apontar uma lágrima, uma pequenina
lágrima de nada...
23 de maio
Les morts vont
vite. Tão depressa enterrei o leiloeiro como o esqueci. Assim
foi que, escrevendo o dia de ontem, deixei de dizer que no armazém
do Fernandes achamos todos os objetos de mana Rita notados e vendidos,
e o dinheiro à espera da dona. Pouco é; recebê-lo-á
oportunamente. Talvez não houvesse necessidade de escrever
isto; fica servindo à reputação do finado.
Outra cousa
que me ia esquecendo também, e mais principal, porque o ofício
dos leilões pode acabar algum dia, mas o de amar não
cansa nem morre. A culpa foi de mana Rita que, em vez de começar
por aí, só me deu a notícia no Largo de S.
Francisco, indo a entrar no bonde. Parece que Fidélia mordeu
uma pessoa; foram as próprias palavras dela.
- Mordeu? perguntei
sem entender logo.
- Sim, há
alguém que anda mordido por ela.
- Isso há
de haver muitos, retorqui.
Não teve
tempo de me dizer nada, trepara ao bonde e o bonde ia sair; apertou-me
a mão sorrindo, e disse adeus com os dedos.
24 de maio
ao meio-dia
Esta manhã
como eu pensasse na pessoa que terá sido mordida pela viúva,
veio a própria viúva ter comigo, consultar-me se devia
curá-la ou não. Achei-a na sala com o seu vestido
preto do costume e enfeites brancos, fi-la sentar no canapé,
sentei-me na cadeira ao lado e esperei que falasse.
- Conselheiro,
disse ela entre graciosa e séria, que acha que faça?
Que case ou fique viúva?
- Nem uma cousa
nem outra.
- Não
zombe, conselheiro.
- Não
zombo, minha senhora. Viúva não lhe convém,
assim tão verde; casada, sim, mas com quem, a não
ser comigo?
- Tinha justamente
pensado no senhor.
Peguei-lhe nas
mãos, e enfiamos os olhos um no outro, os meus a tal ponto
que lhe rasgaram a testa, a nuca, o dorso do canapé, a parede
e foram pousar no rosto do meu criado, única pessoa existente
no quarto, onde eu estava na cama. Na rua apregoava a voz de quase
todas as manhãs: "Vai... vassouras! vai espanadores!"
Compreendi que
era sonho e achei-lhe graça. Os pregões foram andando,
enquanto o meu José pedia desculpa de haver entrado, mas
eram nove horas passadas, perto de dez. Fui às minhas abluções,
ao meu café, aos meus jornais. Alguns destes celebram o aniversário
da batalha de Tuiuti. Isto me lembra que, em plena diplomacia, quando
lá chegou a notícia daquela vitória nossa,
tive de dar esclarecimentos a alguns jornalistas estrangeiros sequiosos
de verdade. Vinte anos mais, não estarei aqui para repetir
esta lembrança; outros vinte, e não haverá
sobrevivente dos jornalistas nem dos diplomatas, ou raro, muito
raro; ainda vinte, e ninguém. E a Terra continuará
a girar em volta do Sol com a mesma fidelidade às leis que
os regem, e a batalha de Tuiuti, como a das Termópilas, como
a de Iena, bradará do fundo do abismo aquela palavra da prece
de Renan: "Ó abismo! tu és o deus único!''
Aí fica
um desconcerto acabando em desconsolo - tudo para anotar pouco mais
que nada. Posso dizer com D. Francisco Manuel: "Eu de meu natural
sou miúdo e prolixo; o estar só e a melancolia, que
de si é cuidadosa..." Aí deixo uma página
feita de duas, ambas contrárias e filhas da mesma alma de
sexagenário desenganado e guloso. Ao cabo, nem tão
guloso nem tão desenganado. Conversações do
papel e para o papel.
26 de maio
Aqui ficam os
sinais do sujeito mordido pela viúva Noronha. Vinte e oito
anos, solteiro, advogado do Banco do Sul, donde lhe vieram as relações
com o gerente Aguiar; boa feição, boas maneiras, acaso
tímido. É filho de um antigo lavrador do Norte, que
reside agora no Recife. Dizem que tem muito talento e grande futuro.
Chama-se Osório.
Esteve no Flamengo,
na noite de 14, primeira reunião do Aguiar. Não vi
nada que fizesse suspeitar a inclinação que se lhe
atribui, mas parece que já então lhe queria, e a paixão
é crescente. Continua a vê-la em casa do desembargador,
onde a conheceu. Quem sabe se não sai dali um noivo, e mana
Rita perde a aposta que fez comigo? Fidélia pode muito bem
casar sem esquecer o primeiro marido, nem desmentir a afeição
que lhe teve.
29 de maio
Ontem, na reunião
do Aguiar, pude verificar que o jovem advogado está mordido
pela viúva. Não têm outra explicação
os olhos que lhe deita; são daqueles que nunca mais acabam.
Realmente, é tímido, mas de uma timidez que se confunde
com respeito e adoração. Se houvesse dança,
ele apenas lhe pediria uma quadrilha; duvido que a convidasse a
valsar. Conversaram alguns minutos largos, e por duas vezes, e ainda
assim foi ela que principalmente falou. Osório gastou o mais
do tempo em mirá-la, e fazia bem, porque o gesto da dama
era cheio de graça, sem perder a tristeza do estado.
Também
eu lhe falei o meu pouco, à janela. Ambos éramos de
acordo que não há baía no mundo que vença
a do nosso Rio de Janeiro.
- Não
vi muitas, disse ela, mas nenhuma achei que se aproxime desta.
Sobre isto dissemos
cousas interessantes -, ela, ao menos -, mas estou que também
eu. Quis perguntar-lhe se nos mares que percorreu viu algum peixe
semelhante àquele que anda agora em volta dela, mas não
há intimidade para tanto, e a cortesia opunha-se. Conversamos
da cidade e suas diversões. Não vai a teatro, qualquer
que seja, nada sabe de dramas nem de óperas; não insisti
no assunto. Apenas me servi da segunda parte, a parte lírica,
para lhe falar dos seus talentos de pianista, que ouvira gabar muito.
- São
impressões de amigos, respondeu sorrindo.
Depois confessou-me
que há muito não toca, e provavelmente esquecerá
o que sabe. Talvez não fosse sincera nesta conjetura, mas
tudo se há de perdoar ao ofício da modéstia,
e ela parece modesta. Guiei a conversação de modo
que mais ouvisse que falasse, e Fidélia não se recusou
a essa distribuição de papéis. Disse pouco
de si e muito da gente Aguiar. Neste ponto falou com algum calor;
não me deu cousas novas, mas o que sentia dos dous foi expresso
com alma. Contou-me até que entre D. Carmo e a mãe
dela achava semelhanças que lhe faziam lembrar alguma vez
a finada - ou seria simplesmente a afeição que aquela
lhe tem. Enfim, separamo-nos quase amigos.
Não
repeti à gente Aguiar o que a seu respeito ouvi à
viúva Noronha; falei a D. Carmo nos talentos musicais da
moça, e ela me confirmou que a viúva está disposta
a não tocar mais. Se não fosse isso, pedia-lhe que
nos desse alguma cousa. Ao que eu respondi:
- A própria
arte a convidará um dia a tocar em casa, a sós consigo...
- Pode ser;
em todo caso, não a convidarei a tocar aqui; o aplauso podia
avivar-lhe a saudade - ou, se a distraísse dela, viria diminuir-lhe
o gosto de sofrer pelo marido. Não lhe parece que ela é
um anjo?
Achei que sim;
acharia mais, se me fosse perguntado. D. Carmo crê na reconciliação
dela com o pai, e nem por isso receia perdê-la. Fidélia
saberá ser duas vezes filha, é o resumo do que lhe
ouvi, sem entrar em pormenores nem na espécie de afeição
que lhe tem. Do que ela me disse acerca do "gosto de sofrer
pelo marido", concluo que a senhora do Aguiar é daquelas
pessoas para quem a dor é cousa divina.
Fim de maio
Acaba hoje o
mês. Maio é também cantado na nossa poesia como
o mês das flores - e aliás todo o ano se pode dizer
delas. A mim custou-me bastante aceitar aquelas passagens de estação
que achei em terras alheias.
A viúva
Noronha, ao contrário, pelo que me disse na última
noite do Flamengo, achou deliciosa essa impressão lá
fora, apesar de nascida aqui e criada na roça. Há
pessoas que parecem nascer errado, em clima diverso ou contrário
ao de que precisam; se lhes acontece sair de um para outro é
como se fossem restituídas ao próprio. Não
serão comuns tais organismos, mas eu não escrevi que
Fidélia seja comum.
A descrição
que ela me fez da impressão que teve lá fora com a
entrada da primavera foi animada e interessante, não menos
que a do inverno com os seus gelos. A mim mesmo perguntei se ela
não estaria destinada a passar dos gelos às flores
pela ação daquele bacharel Osório... Ponho
aqui a reticência que deixei então no meu espírito.
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