CASA VELHA
Machado de Assis
CAPÍTULO
V
Falei a dona Antônia
no dia seguinte. Estava disposto a pedir-lhe uma conversação
particular; mas foi ela mesma que veio ter comigo, dizendo que durante
a minha moléstia tinha acabado umas alfaias, e queria ouvir a minha
opinião; estavam na sacristia. Enquanto atravessávamos a
sala e um dos corredores que ficavam ao lado do pátio central,
ia-lhe eu falando, sem que ela me prestasse grande atenção.
Subimos os três degraus que davam para uma vasta sala calçada
de pedra, e abobadada. Ao fundo havia uma grande porta, que levava ao
terreiro e à chácara; à direita ficava a da sacristia,
à esquerda outra, destinada a um ou mais aposentos, não
sei bem.
Naquela sala achamos
Lalau e o sineiro, este sentado, ela de pé.
O sineiro era um preto
velho e doudo. Não fazia mais que tocar o sino da capela, para
a missa, aos domingos. O resto do tempo vivia calado ou resmungando. Ninguém
lhe falava, embora fosse manso. Lalau era a única, entre todos,
parentes, agregados ou fâmulos, que ia conversar com ele, interrogá-lo,
escutá-lo, pedir-lhe histórias. E ele contava-lhe histórias
-muito compridas, sem sentido algumas, outras quase sem nexo, raminiscências
vagas e embrulhadas, ou sugestões do delírio.
Era curioso vê-los.
Lalau perdia a inquietação; ficava séria e tranqüila,
durante dez, quinze, vinte minutos, a escutá-lo. O Gira (nunca
lhe conheci outro nome) alegrava-se ao vê-la. Com a razão,
perdera a convivência dos mais. Vivia entregue aos pensamentos solitários,
mergulhado na inconsciência e na solidão. A moça representava
aos olhos dele alguma cousa mais do que uma simples criatura, era a sociedade
humana, e uma sombra de sombra da consciência antiga. Ela, que o
sentia, dava-lhe essa curta emersão do abismo, e uma ou duas vezes
por semana ia conversar com ele.
D. Antônia parou.
Não contava com a moca ali, ao pé da porta da sacristia,
e queria falar-me em particular, como se vai ver. Compreendi-o logo pelo
desagrado do gesto, como já suspeitara alguma cousa ao vê-la
preocupada. No momento em que chegávamos' Lalau perguntava ao Gira:
- E depois, e depois?
- Depois, o rei pegou
gavião, e gavião cantou.
- Gavião canta?
- Gavião? Uê,
gente! Gavião cantou: Calunga, mussanga, monandenguê. . .
Calunga, mussanga, monandenguê... Calunga...
E o preto dava ao
corpo umas sacudidelas para acompanhar a toada africana. Olhei para Lalau.
Ela, que ria de tudo, não se ria daquilo, parecia ter no rosto
uma expressão de grande piedade. Voltei-me para D. Antônia;
esta, depois de hesitar um pouco, deliberou entrar na sacristia, cuja
porta estava aberta. Lalau tinha-nos visto, sorriu para nós e continuou
o falar com o Gira. D. Antônia e eu entramos.
Sobre a cômoda
da sacristia estavam as tais alfaias. D. Antônia disse ao preto
sacristão, que fosse ajudar a descarregar o carro que chegara da
roga, e lá a esperasse.
Ficamos sós;
mostrou-me duas alvas e duas sobrepelizes; depois, sem transição,
disse-me que precisava de mim para um grande obséquio. Soube na
véspera que o filho andava com idéias de ser deputado; pedia-me
duas cousas, a primeira é que o dissuadisse.
-Mas por quê?
disse-lhe eu. A política foi a carreira do pai, é a carreira
principal no Brasil. . .
-Vá que seja;
mas, Reverendíssimo, ele não tem jeito para a política.
- Quem lhe disse que
não? Pode ser que tenha. No trabalho é que se conhece o
trabalhador; em todo caso,-deixe-me falar com franqueza-acho bom da sua
parte que procure empregar a atividade em alguma cousa exterior.
D. Antônia sentou-se,
e apontou-me para outra cadeira. Ficamos ambos ao pé de uma larga
janela, que dava para o terreiro. Sentada, declarou que concordava comigo
na necessidade que apontara, mas ia então ao segundo obséquio,
que não era novo; é que o levasse para a Europa. Depois
da Europa, com mais alguns anos e experiência das cousas, pode ser
que viesse a ser útil ao seu país...
Interrompi-a nesse
ponto. Ela esperou; eu, depois de fitá-la por alguns instantes,
disse-lhe que a viagem, com efeito, podia ser útil, mas que os
costumes do moço eram tão caseiros que dificilmente se ajustariam
às peregrinações; salvo se adotássemos um
meio-termo: enviá-lo casado.
- Não se arranja
uma noiva com um simples baú de viagem, disse ela.
- Está arranjada.
D. Antônia estremeceu.
- Está aqui
perto; é a sua boa amiga e pupila.
- Quem? Lalau? Está
caçoando. Lalau e meu filho? Vossa Reverendíssima está
brincando comigo. Não vê que não é possível?
Casá-los assim como um remédio? Falemos de outra cousa.
- Não, minha
senhora, falemos disto mesmo.
D. Antônia,
que dirigira os olhos para outro lado, quando preferiu as últimas
palavras, levantou a cabeça de súbito, ao ouvir o que lhe
disse. Creio que, depois da morte do marido, era a primeira pessoa que
lhe fazia frente. Olhou-me espantada. Estava tão acostumada a governar
ali, naquele mundo insulado, sem contraste nem advertência, que
não podia crer em seus ouvidos. O Padre Mascarenhas dissera-lhe
uma vez, ao almoço, que ela era a imperatriz da Casa Velha, e D.
Antônia sorriu lisonjeada, com a idéia de ser imperatriz
em algum ponto da terra. Não batia com o cetro em ninguém,
mas estimava saber que lho reconheciam.
Pela minha parte,
curvei-me respeitoso, mas insisti que falássemos daquele mesmo
assunto, para resolvê-lo de uma vez.
-Resolver o quê?
perguntou ela alçando desdenhosamente o lábio superior.
-Não percamos
tempo em dizer cousas sabidas de nós ambos, continuei. Eles gostam
um do outro. Esta é a verdade pura. Resta saber se poderão
casar, e é aqui que não acho nem presumo nenhuma razão
que se oponha. Não falo de seu filho, que é um moço
digno a todos os respeitos. Falemos dela. Diga-me o que é que lhe
acha?
Não quis responder;
eu continuei o que dizia, lembrei a educação que ela lhe
dera, o amor que lhe tinha, e principalmente falei das virtudes da moça,
da delicadeza dos seus sentimentos, e da distinção natural,
que supria o nascimento. Perguntei-lhe se, em verdade, acreditava que
o Vitorino, filho do segeiro... D. Antônia estremeceu.
-Vejo que está
informado de tudo, disse ela depois de um breve instante de silêncio.
Conspiram contra mim. Bem; que quer de mim Vossa Reverendíssima?
Que meu filho case com Lalau? Não pode ser.
- E por que não
pode ser?
-Realmente, não
sei que idéias entraram por aqui depois de 31. São ainda
lembranças do Padre Feijó. Parece mesmo achaque de padres.
Quer ouvir por que razão não podem casar? porque não
podem. Não lhe nego nada a respeito dela; é muito boa menina,
dei-lhe a educação que pude, não sei se mais do que
convinha, mas, enfim, está criada e pronta para fazer a felicidade
de algum homem. Que mais há de ser? Nós não vivamos
no mundo da lua, Reverendíssimo. Meu filho é meu filho,
e, além desta razão, que é forte, precisa de alguma
aliança de família. Isto não é novela de príncipes
que acabam casando com roceiras, ou de princesas encantadas. Faça-me
o favor de dizer com que cara daria eu semelhante notícia aos nossos
parentes de Minas e de S. Paulo?
-Pode ser que a senhora
tenha razão; é achaque de padre, é achaque até
de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nasceu nas palhas.. .
-Sim, senhor; mas
nesse caso que mal há em casar com o Vitorino? Filho de segeiro
não é gente? Diga-me! Para que ela case com meu filho, Nosso
Senhor nasceu nas palhas; mas para que case com o Vitorino, já
não é a mesma cousa... Diga-me!
-Mas, Senhora D: Antônia.
. .
-Qual! disse ela levantando-se,
e indo até à porta que dava para a capela, e depois à
outra de entrada da sacristia; espiou se nos ouviram, e voltou.
Voltando, deu alguns passos sem dizer nada, indo e vindo, desde a porta
até à parede do fundo, onde pendia uma imagem de Nossa Senhora,
com uma coroa de ouro na cabeça, e estrelas de ouro no manto. D.
Antônia fitou durante alguns momentos a imagem como para defender-se
a si mesma. A Virgem coroada, rainha e triunfante, era para ela a legítima
deidade católica, não a Virgem foragida e caída nas
palhas de um estábulo. Estava como até então não
a tinha visto. Geralmente, era plácida, e alguma vez impassível;
agora, porem, mostrava-se ríspida e inquieta, como se a natureza
rompesse as malhas do costume. A pupila abrasava-se de uma flama nova;
os movimentos eram súbitos e não sei se desconcertados entre
si. Eu, da minha cadeira, ia-a acompanhando com os olhos, a princípio
arrependido de ter falado, mas vencendo logo depois esse sentimento de
desanimo, e disposto a ir ao fim. Ao cabo de poucos minutos, D. Antônia
parou diante de mim.- Quis levantar-me; ela pôs-me a mão
no ombro, para que ficasse, e abanou a cabeça com um ar de censura
amiga.
- Para que me falou
nisso? pergunta logo depois com doçura. Conheço que fala
por ser amigo de um e de outro, e da nossa casa. . .
-Pode crer, pode crer.
-Creio, sim. Então
eu não vejo as cousas? Tenho notado que é amigo nosso. Ela
principalmente, parece tê-lo enfeitiçado. . . Não
precisa ficar vermelho; as moças também enfeitiçam
os padres quando querem que eles as casem com os escolhidos do coração
delas. Que ela merece, é verdade; mas daí a casar é
muito. Venha cá, prosseguiu ela sentando-se, vamos fazer um acordo.
Eu cedo alguma cousa, o senhor cede também, e acharemos um modo
de combinar tudo. Confesso-lhe um pecado. A escolha do Vitorino era filha
de um mau sentimento; era um modo, não só de os separar,
mas até de a castigar um pouco. Perdoe-me, Reverendíssimo;
cedi ao meu orgulho ofendido. Mas deixemos o Vitorino; convenho que não
é digno dela. E bom rapaz, mas não está no mesmo
grau de educação que dei a Lalau. Vamos a outro; podemos
arranjar-lhe empregado do foro, ou mesmo pessoa de negócio... Em
todo caso, não seja contra mim; ajude-me antes a arranjar esta
dificuldade que surgiu aqui em casa . . .
- Desde quando?
-Sei lá! desde
meses. Desconfiei que se namoravam, e tenho feito o que posso, mas vejo
que não posso muito.
- Entretanto, continua
a recebê-la.
- Sim, para vigiá-la.
Antes a quero aqui que fora daqui.
- Não é
então porque a estima?
- E também
porque a estimo. Infelizmente, porque a estimo. Quem lhe disse que não
gosto dela, e muito? Mas meu filho é outra cousa; entrar na família
é que não.
D. Antônia,
tirou o lenço do bolso, para esfregar as mãos, tornou a
guardá-lo, e reclinou-se na cadeira, enquanto eu lhe fui respondendo.
Conquanto fosse muito mais baixa que eu, dera um jeito tão superior
na cabeça que parecia olhar de cima.
Fui respondendo o
que podia e cabia, com boas palavras, mostrando em primeiro lugar a inconveniência
de os deixar namorados e separados: era fazê-los pecar ou padecer.
Disse-lhe que o filho era tenaz, que a moça provavelmente não
teimaria em desposá-lo, sabendo que era desagradável à
sua benfeitora, mas também podia dar-se que o desdém a irritasse,
e que a certeza de dominar o coração de Félix lhe
sugerisse a idéia de o roubar à mãe. Acrescia a educação,
ponto em que insisti, a educação e a vida que levava, e
que lhe tornariam doloroso passar às mãos de criatura inferior.
Finalmente,-e aqui sorri para lhe pedir perdão, - finalmente, era
mulher, e a vaidade, insuportável nos homens, era na mulher um
pecado tanto pior quanto lhe ficava bem; Lalau não seria uma exceção
do sexo. Herdar com o marido o prestígio de que gozava a Casa Velha
acabaria por lhe dar força e fazê-la lutar. Aqui parei; D.
Antônia não me respondeu nada, olhava para o chão.
Como estávamos
de costas para a janela, e ficássemos calados algum tempo, fomos
acordados do silêncio pela voz de Lalau que vinha do lado do terreiro.
Voltamos a cabeça; vimos a moça repreendendo a dous moleques,
crias da casa, que puxavam pela casaca ao sineiro, uma velha casaca que
o Félix lhe dera alguns dias antes. O sineiro, resmungando sempre,
atravessou o terreiro, tomou à direita para o lado da frente da
capela, e desapareceu: Lalau pegou na gola da camisa de uma das crias
e na orelha da outra, e impediu que elas fossem atrás do pobre-diabo.
Olhei para D. Antônia,
a fim de ver que impressão lhe dera o ato da moça. Mal começava
a fitá-la, reparei que franzia a testa, não sei até
se empalidecia; tornando a olhar para fora, tive explicação
do abalo. Vi o filho de D. Antônia ao pé da moça;
acabava de chegar ao grupo. Lalau explicava-lhe naturalmente a ocorrência;
Félix escutava calado, sorrindo, gostando de vê-la assim
compassiva, e afinal, quando ela acabou, inclinou-se para dizer alguma
cousa aos moleques. Vimo-o depois pegar em um destes, e aproximá-lo
de si, enquanto a moça ficou com o segundo; e, posto esse pretexto
entre eles, começaram a falar baixinho.
D. Antônia recuou
depressa, para que não a vissem. Creio que era a primeira vez que
eles lhe apresentavam semelhante quadro. Recuou levantando-se, e foi para
o lado da cômoda; eu continuei a observá-los. Não
se podia ouvir-lhes nada, mas era claro que falavam de si mesmos. As vezes
a boca interrompia os salmos, que ia dizendo, para deixar a antífona
aos olhos; logo depois recitava o cântico. Era a eterna aleluia
dos namorados.
Violentei-me, não
tirei a vista do grupo; precisava matar em mim mesmo, pela contemplação
objetiva da desesperança, qualquer má sugestão da
carne. Olhei para os dous, adivinhei o que estariam dizendo, e, pior ainda,
o que estariam calando, e que se lhes podia ler no rosto e nas maneiras.
Lalau era agora mulher apenas, sem nenhuma das cousas de criança
que a caracterizavam na vida de todas as horas. Com as mãos no
ombro do moleque, ora fitava os olhos na carapinha deste, ouvindo somente
as palavras de Félix; ora erguia-os para o moço, a fim de
o mirar calada ou falando. Ele é que olhava sempre para ela atento
e fixo.
Entretanto, D. Antônia
aproximara-se outra vez da janela, por trás de mim, e de mais longe,
confiada na obscuridade da sacristia. Voltei-me e disse-lhe que a nossa
espionagem era de direito divino, que o próprio céu nos
aparelhara aquela indiscrição. D. Antônia, em geral
avessa às subtilezas do pensamento, menos que nunca podia agora
penetrá-las; pode ser até que nem me ouvisse. Continuou
a olhar para os dous, ansiosa de os perceber, aterrada de os adivinhar.
- Uma cousa há
de conceder, disse-lhe eu, há de conceder que eles parecem ter
nascido um para o outro. Olhe como se falam. Veja os modos dela, a dignidade,
e ao mesmo tempo a doçura; ele parece até que quer fazer
esquecer que é o herdeiro da casa. Não sei até se
lhe diga uma cousa; digo se me consentir. . .
D. Antônia voltou
os olhos a mim com um ar interrogativo e complacente.
- Digo-lhe que, se
alguém trocasse os papéis, e a desse como sua filha, e a
ele como o advogado da casa, ninguém poria nenhuma objeção.
D. Antônia afastou-se
da janela, sem dizer nada; depois tornou a ela, curiosa, interrogando
a fisionomia dos dous. No fim de alguns minutos, não tendo esquecido
as minhas últimas palavras, redargüiu com ironia e tristeza:
- Advogado? Creio
que é muito; diga logo cocheiro.
Fiz um gesto de pesar.
E pedi-lhe que me desculpasse o estilo pinturesco da conversação;
não queria dizer senão que a dignidade da moça fá-la-ia
supor dona da casa, ao passo que as maneiras respeitosas dele, que tão
bem lhe iam, poderiam fazê-lo crer outra cousa; mas outra cousa
educada, notasse bem. D. Antônia ouvia-me distraída e inquieta,
olhando para fora e para dentro; e quando afinal os dous separaram-se,
indo ele para o lado da frente da capela, que comunicava com o caminho
público, e ela para a parte oposta, a fim de entrar em casa, D.
Antônia sentou-se na cadeira em que estivera antes, e respirou à
larga. Abanou a cabeça duas ou três vezes, e disse-me sem
olhar para mim:
- Não tenho
de que me queixar; a culpa é toda minha.
De repente, voltou
a cabeça para 0 meu lado e fitou-me. Tinha as feições
um tanto alteradas, como que iluminadas, e esperei que me dissesse alguma
cousa, mas não disse. Olhou, olhou, recompôs a fisionomia
e levantou-se.
- Vamos.
Não obedeci
logo; imaginei que ela acabava de achar algum estratagema para cumprir
a sua vontade, e confessei-lho sem rebuço, porque a situação
não comportava já dissimular. D. Antônia respondeu
que não, não achara nem buscará nada, e convidou-me
a sair. Insisti no receio, acrescentando que, se cogitava dar um golpe,
melhor seria avisar-me, para que os dissuadisse, e não fossem eles
apanhados de supetão. D. Antônia ouviu sem interromper, e
não replicou logo, mas daí a alguns segundos, com palavras
não claras e seguidas, senão ínvias e dúbias.
Contava comigo ao lado dela, desde que soubesse a verdade. . . mas que
a apoiasse já. . . depois.. . então. . .
- A verdade? repeti
eu. Que verdade?
-Vamos embora.
-Diga-me tudo, a ocasião
é única, estamos perto de Deus. . .
D. Antônia estremeceu
ouvindo esta palavra, e deuse pressa em sair da sacristia; levantei-me
e saí também. Achei-a a dous passos da porta, disse-me que
ia ver os aposentos fronteiros, porque contava com hóspedes da
roga, e foi andando; eu desci os degraus de pedra, atravessei o pátio
da cisterna, e recolhi-me à biblioteca. Recolhi-me alvoroçado.
Que verdade seria aquela, anunciada a fugir, tal verdade que me faria
trocar de papel, desde que eu a conhecesse? Cumpria arrancar-lha, e a
melhor ocasião ia perdida.
|