e-Conomia: Mais
respostas às dúvidas mais comuns sobre o acordo Napster-Bertelsmann
01/11/2000
- Depois da assinatura da aliança entre gregos e troianos
(o agente de mídia mais famoso do mundo e o gigante da mídia
Bertelsmann), ficamos tão em dúvida quanto qualquer usuário
do Napster. No iG Som anterior você conferiu a primeira parte das
respostas às grandes questões em torno do acordo; diante da
chuva de dúvidas, seguem mais respostas e comentários.
Não era verdade que a Bertelsmann
não queria conversa com a Napster? Por que a reviravolta?
-- Só perguntando a eles. :-) O fato é que as declarações do
tipo "nada fora dos tribunais" foram um belo despiste.
Até porque, se todo mundo soubesse que as partes brigavam nos
tribunais sob os holofotes mas negociavam nos bastidores, pegaria
muitíssimo mal.
Agora eu terei garantia de qualidade
das músicas (pelo menos as da BMG, que pertence à Bertelsmann)
que baixar do Napster? -- Por enquanto, nada muda:
as músicas da BMG continuam trancadíssimas sob as leis de copyright
e qualquer cópia pelo Napster continua sendo pirataria. No futuro,
ninguém sabe como fica: será que a própria BMG, através de hiper-mega-servidores,
soltará ela própria as músicas para a comunidade do agente de
mídia, ou o troca-troca permanecerá sendo feito entre usuários
particulares? Esta é uma das questões que precisam ser definidas
com a futura reforma do Napster sob o patrocínio da Bertelsmann.
De qualquer forma, se tivermos que pagar e, ainda assim, continuarmos
nos arriscando a baixar músicas incompletas ou mal gravadas,
não haverá avanço nenhum. Muito antes pelo contrário.
O
sonho do Napster acabou? -- Depende do sonho. Para
os artistas e editores musicais, a aliança empresarial é uma
esperança relativa: em sua maioria, eles sempre esperaram que
os agentes de mídia (e o Napster em especial) desenvolvessem
formas eficazes de dar a César o que é de César. No entanto,
um Napster baseado em a$$inatura$ perderá grande parte de seu
apelo -- ou seja, passará a valer menos. A empresa Napster,
hoje assolada por processos, ganhará um novo sopro de vida,
desde que os outros impérios da mídia sigam o exemplo da Bertelsmann.
Os militantes tecno-anarquistas, que sonhavam com um Napster
independente e transgressor da ordem estabelecida, terão muito
a lamentar no primeiro momento. Mas quando os descentralizados
e incontroláveis Gnutella e Freenet se tornarem "pós-Napsters"
cada vez mais populares (especialmente quando forem superadas
suas próprias dificuldades técnicas), tirando a popularidade
do Napster, não faltarão risinhos de revanche: "Não disse
que o progresso da liberdade dos bits é incontrolável?"