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by Radix

Software: iG Som dá seu palpite sobre o Folhateen de ontem

24/10/2000 - Quando o sonho de toda a garotada é conseguir umas musiquinhas grátis (e, quem sabe?, até uns filminhos) através da Internet, é claro que a imprensa vai atrás. Assim foi no artigo de Alexandre Versignassi intitulado "Napster de filmes está no fim" no caderno Folhateen da Folha de S. Paulo desta segunda-feira.

No caso, "Napster de filmes" é o conjunto de agentes de mídia, como o Scour Exchange e o iMesh, que não se limitam ao troca-troca de arquivos de música -- seu principal diferencial é a possibilidade de troca de imagens em movimento (filminhos!). "Fim" são os maus bocados que várias das empresas responsáveis por esses agentes de mídia estão passando, seja por problemas com a Justiça dos EUA, seja por falta de grana mesmo.

Até aí, tudo bem, mas vale passar um pente fino nos termos e argumentos do artigo. Vamos por partes:

1) A Scour, que oferece o principal agente pós-Napster, não "está indo para a cova" só porque pediu a proteção da Lei de Falências. A empresa pediu concordata para que não possa ser esfaqueada pelos credores se acontecer o pior nos tribunais. Segundo sua interpretação peculiar das leis americanas, a Scour acredita piamente que não tem feito nada de errado; por isso, está sendo processada pela indústria cinematográfica. Se o juiz decidir que a Scour não tem razão e, ainda por cima, conceder tudo ($$$$$) que os grandões de Hollywood pedem, as multas multibilionárias quebrarão a empresa facilmente.

De resto, as atividades da Scour (principalmente o agente de mídia) seguem normalmente e continua em vigor o plano de reestruturação empresarial que já estava em curso -- incluindo as polêmicas demissões. O problema é que a Scour só pediu concordata. Ainda não se sabe se a concordata será aceita.

2) O autor da nota confirma a maior parte das críticas deste iG Som aos filmes na Internet: não são para o bico do usuário comum não-turbinado e a resolução dá muito mole -- melhor ficar com o VHS mesmo. Só que, quando discute a dificuldade de converter os filmes para arquivos computadorizados e disponibilizá-los na Rede, o artigo atenta para o detalhe de que não é fácil achar filmes no Gnutella (que não tem dono) e chega à conclusão de que "quem faz o serviço sujo são as próprias empresas dos programas para troca de filmes".

Já que é para levantar teorias conspiratórias, por que não acuasr os próprios estúdios cinematográficos de imitar Madonna/Radiohead/etc. e se autopiratear através dos serviços de troca na Internet? Se você, caro leitor, acha que isto não faz sentido, é bom lembrar: não há nada que nos convença tanto do valor de um DVD de 40 reais quanto os lixos de vinte reais que os camelôs vendem.



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