e-Conomia: Mais
estudos de caso nos tribunais e nas mesas de negociação
16/10/2000
- Caso II: Napster passa a cobrar assinaturas;
parte da renda vai para os detentores do copyright das músicas
-- Milhares e milhares de usuários juram que pagariam
com satisfação uma taxa mensal para ter acesso ao Napster.
Será que a realidade será assim tão risonha aos músicos e à
própria empresa Napster?
De minha parte, eu pagaria com prazer a assinatura
(razoável) que o Napster estabelecer, mas apenas se forem cumpridas
as seguintes condições:
a) O acervo do Napster pago deverá ser tão
rico quanto o de hoje. É pouco provável, pois milhões de usuários
abandonarão o Napster velho de guerra quando começar a cobrança
e engordarão os gratuitos e incontroláveis Freenet e Gnutella.
Coisas da lei de mercado. E não será apenas uma redução quantitativa
do acervo. Os primeiros a abandonar o barco do Napster serão
justamente os grandes militantes da boca livre -- ou seja, os
usuários com os discos rígidos mais recheados de músicas. Afinal,
por que um amante da música que passou noites em claro para
engordar seu acervo acharia interessante engordar o catálogo
do Napster e ainda ter que pagar por isso?
b)
A qualidade dos arquivos fosse garantida. É claro que, no modelo
atual dos agentes de mídia, já é muito desagradável receber
um arquivo incompleto, mal gravado ou incorretamente nomeado.
Imagine enfrentar esses problemas num serviço pago. No entanto,
mantida a estrutura convencional dos agentes de mídia, não há
possibilidade de garantir a qualidade dos arquivos que neles
circulam.
E já que falamos em cobrança: como será a
relação da empresa Napster, sediada nos Estados Unidos e regida
pelas leis americanas, com uma imensidão de usuários não-americanos
que não estão nem um pouco a fim de curar sua alergia ao uso
do cartão de crédito?