e-Conomia: Estudos
de caso nos tribunais e nas mesas de negociação
05/10/2000
- Caso I: Megaprovedor compra Napster de olho
na audiência -- De volta aos tribunais, a empresa Napster
apresentou um inusitado atestado de legitimidade: grandes nomes
do universo pontocom (rigorosamente não identificados) estão
negociando a aquisição do mais famoso programa/serviço agente
de mídia. E se isso ocorrer mesmo?
A compra da Napster despertará a ira dos esquisitões
militantes da tecno-utopia (causa devidamente rebaixada à defesa
da boca livre musical), mas trará algum alívio aos detentores
dos direitos autorais. Mas ninguém sabe por quanto tempo. A
idéia é fazer com que o novo proprietário megacorporativo ache
um jeito de ter lucro com a gigantesca audiência do Napster
e compen$$$ar os artistas e gravadoras pelo troca-troca de arquivos
MP3, assim satisfazendo a todos a um só tempo. Resta saber se
algum jeito de faturar com os "napsteiros" dará certo.
A cobrança de assinaturas dos usuários do
Napster já nasce morta. Mesmo considerando que a maioria dos
internautas acha justo recompensar os artistas pelo download
de músicas, a comunidade Napster é basicamente reunida em torno
de um espírito "tudo grátis" que dificulta qualquer
plano de negócios neste sentido. E não se esqueça: o Napster
não é o único agente de mídia do mercado. Para a maior parte
da comunidade Napster, virar a casaca em favor de um programa/serviço
concorrente não dará o menor trabalho. Quando os futuros donos
do Napster acordarem, já será tarde.
Outra
possibilidade é a vinculação do serviço de busca e download
de músicas ao uso de um provedor pago. Enfim, a mesma proposta
da cobrança de assinaturas por meios indiretos -- talvez para
se tornar mais palatável aos incautos. Pode funcionar de forma
limitada nos EUA (o único país que importa no filme-de-tribunal
do Napster), onde os provedores grátis não emplacaram. O resto
do mundo fugirá de "burocratices" corporativas e procurará
um Gnutella ou um Scour Exchange.
De qualquer forma, o usuário do Napster continuará
não sendo beneficiado por garantias de qualquer espécie. Se
o usuário pagar (direta ou indiretamente) pelo acesso ao sistema,
a quem reclamar em caso de arquivos identificados incorretamente,
incompletos ou mal gravados?
Isto tudo parte do princípio de que esses
rumores sobre a venda do Napster são fundamentados. Ou é isso,
ou o Napster (escaldado por mais um fracasso do argumento do
"Caso Betamax" no tribunal) adotou uma manobra diversionista.
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Suuuu... cesso! -- Quem diria:
segundo a Microsoft, o (enorme, pesado e relativamente ineficaz)
Windows Media Player 7 atingiu 10 milhões de downloads em um
mês e meio -- uma velocidade de expansão que supera até a do
Internet Explorer. O que nenhuma auditoria ainda conseguiu contar
é o número de usuários que desistiram do Windows Media Player
depois de um breve teste.
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Podre! -- Para variar, que
tal dar um "reload" nos usos edificantes do MP3? A
turma da República Clapeyron dificilmente poderia divulgar seu
trabalho sem a ajuda do Geocities e da tecnologia de hipercompressão
de arquivos de áudio. Estão lá as numerosas MP3s de versões
engraçadas, paródias musicais e efeitos sonoros esquisitinhos
(para dizer o mínimo). Descontando todas as diferenças, pelo
menos num único (e interneteiro) aspecto, os meninos estão na
boa companhia de Lobão, Offspring, Limp Bizkit e outras cabeças
coroadas.