Web: Sistema
de distribuição pós-Napster muda de nome para continuar o mesmo
29/09/2000
- Parece que, em tempos de Web, qualquer acontecimento
de anteontem já se perdeu num remotíssimo passado. Isso é mais
verdade ainda nos planos de (mega)negócios da Nova Economia:
alguém se lembra dos tempos pré-queda das bolsas em que qualquer
moleque apresentava um projeto "pontocom" mirabolante,
conseguia uma grana alta com os investidores e surfava na onda
da expectativa de "um dia" começar a dar lucro?
É por isso que o Applesoup (o novo megaprojeto
de agente de mídia do ex-Napster Bill Bales, já citado no iG
Som) não consegue disfarçar o cheiro de requentado -- que fica
ainda mais evidente com a mudança de nome. Atendendo a uma ordem
da Apple (a dos computadores), o novo rascunho de empreendimento
passou a se chamar Flycode. Mas o recheio continua o mesmo:
quando entrar em operação, o programa/serviço oferecerá um canal
de troca de música e vídeos entre usuários, mas com garantia
de proteção de direitos autorais.
É claro que, com as ameaças jurídicas ao funcionamento
do Napster, convém oferecer algum tipo de garantia aos queixosos/poderosos
da RIAA e MPAA (os sindicatos das gravadoras e dos estúdios
de cinema). Mas por que o startup da Flycode ainda
lembra tanto os delírios do tempo do dinheiro fácil? Porque
o serviço, quando ficar pronto, talvez
se torne um sucesso se o Napster for
derrubado pela Justiça - se é que, com os espertinhos
à solta pela Rede, os direitos autorais via Flycode serão protegidos
mesmo.
Em todo caso, enquanto o Napster permanece
em situação delicada nos tribunais, os outros agentes de mídia
que têm pessoas jurídicas a zelar (Gnutella não incluído) põem
as barbas de molho. O Scour Exchange, outro programa/serviço
que virou alvo da polícia de direitos autorais, já planeja cortar
profundamente sua folha de pagamento, pois percebeu a tempo
que, de uns tempos para cá, os investidores ficaram mais cautelosos
com empresas que não explicam direito como farão o milagre da
multiplicação do dinheiro.