Web: Ao menos
a oposição não se esconde
28/09/2000
- Uma das armas de influência favoritas do movimento
pró-Napster é sua auto-atribuída virtude anti-establishment,
o conceito de que os militantes do troca-troca de áudio digital
são bafejados pelo dom especial de enfrentar os poderosos de
sempre (como eu estava errado em pensar que o Napster fosse
um simples e inocente programa/serviço de intercâmbio de música!).
É mais ou menos assim: se o lucro é mau, que tipo de gente será
contra os anti-lucro?
É nessa base que praticamente todos os formadores
de opinião que pretendam ser julgados como "plugados",
"avançadinhos" e "mudernos" apóiam o Napster
quase sem restrições. No entanto, muita gente poderosa está
uma arara com o Napster. Se essa gente é assim tão poderosa,
é de se estranhar duas coisinhas:
1) Por que não usaram seu poder de Big Brother
para anular as vozes discordantes?
2) Por que é que, enquanto os pró-Napster
botam a boca no trombone, a oposição ao Napster se encolheu
a um gueto de meia dúzia de gatos pingados que só podem sussurrar
sua opinião sob brutal constrangimento?
Os militantes anti-Napster remanescentes podem
ser taxados de paus-mandados das grandes gravadoras, mas ao
menos têm uma vantagem moral sobre os militantes da boca livre:
não se escondem sob pseudônimos ridículos ou entidades amorfas
(o que é essa tal "comunidade Napster"?).
Exemplo maior: o site www.stopnapster.com, promovido pela banda Tabloids ("a
mais odiada do mundo"). Para quem sempre desconfiou do
discurso únido dos tecno-palpiteiros, é um refresco.
De todo o elenco de argumentos do stopnapster.com,
só faltou mesmo uma característica do Napster & Cia já citada
neste iG Som: os agentes de mídia só "democratizam"
a música para quem já comprou um computador razoavelmente equipado
(o que custa uma nota afro-brasileira), pode arcar com os custos
da conexão e tem espaço sobrando no disco rígido para armazenar
os (enormes) arquivos MP3 de alta qualidade. Enquanto isso,
o resto da galera chupa o dedo.