Eles querem é poder... baixar musiquinhas no Napster (II)
Info-Sociedade: Afinal,
o troca-troca de MP3 realmente democratiza?
(12/09/2000)
Passar o dia baixando arquivos pelo Napster
se tornou um esporte (nada olímpico) mundial da Rede. Pelo menos
para quem pode.
Quem conseguiu plugar seu micro a uma rede
de alta velocidade tem ótimos motivos para não querer outra
vida. As músicas mais fáceis de obter realmente atravessam a
Internet em poucos minutinhos. Já que conexão a cabo na residência
ainda não é para muita gente, o uso do Napster explodiu nos
escritórios e faculdades (isto apesar de todas as restrições
corporativas ao uso dos agentes de mídia). Só que, enquanto
os internautas turbinados fazem a festa, o mundo encantado do
anarquismo musical continua longe dos usuários domésticos. Em
média, ainda não passa de uma versão de demonstração muito limitada.
Os internautas comuns, limitados por conexões
lentas e telefones ruins, não conseguem baixar tantos arquivos
quanto gostariam. Cada minuto de conexão é faturado na conta
telefônica -- e haja tempo para fazer o download daquela música
enorme. Não há tempo/dinheiro para grandes vôos em busca de
sons alternativos: o "napsteiro" de casa preferirá
ir direto às músicas que já sabe que são boas. Esses usuários
tampouco poderão contribuir significativamente com o acervo
coletivo de músicas. É uma lógica que os veteranos de BBS conhecem
bem: em tempos pré-Internet os usuários a 2400 bps (!) eram
discriminados pela elite que viajava pelas linhas telefônicas
a "assombrosos" 14.400 bps...
Enquanto
isso, a multidão que não tem computador e nunca ouviu falar
em modem só assiste (sem entender muito) a batalha judicial
em torno do Napster. Para eles, só há dois jeitos de levar suas
músicas favoritas para casa: pagar uma fábula pelo CD legítimo
ou alimentar a máfia dos CDs piratas. Os agentes de mídia dificilmente
fazem a música chegar melhor a quem não pode pagar muito. Mas
certamente abençoam mais a quem tem mais recursos para escapar
do pagamento.