Net-sociedade: Escolas
dos EUA passam a tesoura no Napster
31/08/2000
- Como de costume, a esta época do ano os gringos
deixam o verão para trás e se preparam para mais um período
letivo. Desta vez com uma surpresinha desagradável para os fãs
do troca-troca de música.
De acordo com uma pesquisa do Gartner Group,
dois quintos das instituições de ensino americanas cortaram
o acesso ao servidor do Napster, assim dificultando a atividade
online "educativa" mais popular entre os estudantes
com conexões de alta velocidade.
O problema é que nem o link mais hiper-mega-rápido
consegue dar conta de tanta gente baixando músicas ao mesmo
tempo -- sem falar que as horas e horas de dedicação dos alunos
ao Napster prejudicam o desempenho escolar.
Até aí, nenhuma novidade: da mesma forma,
já faz tempo que numerosas escolas e empresas costumam bloquear
o acesso ao IRC (tradicional sistema internacional de redes
de bate-papo). Mas é claro que nenhuma escola ou faculdade de
respeito ousaria associar seu nome a uma atividade juridicamente
contestada como a dos agentes de mídia.
Net-Sociedade: Mais
opiniões sobre a pesquisa-bomba do Parc
Então o estudo "Free riding on Gnutella" aponta uma fraqueza básica deste
agente de mídia:
como há poucos fornecedores e muitas "sanguessugas",
a própria afluência de acessos ao material interessante atenta
contra a segurança do fornecedor. Em outras palavras: quanto
mais exclusivo e "quente" for o arquivo em sua máquina,
mais gente correrá atrás dele, mais o seu IP estará exposto
(os hackers farão a festa) e mais gente saberá que você tem
material pirata nas mãos (digo, discos rígidos).
Se isto é verdade no Gnutella,
também há de ser no Napster e nos outros agentes de mídia --
a diferença é que a Justiça não pode derrubar o descentralizado
Gnutella. Mas a própria sede de notoriedade dos colecionadores
de material "quente" (o que é mais verdade ainda no
mundo das fotos digitalizadas, que são outra atração da comunidade
Gnutella), combinada à falta de interesse/capacidade da maioria
dos usuários em fornecer arquivos, põe em xeque a teoria da
liberdade total de troca-troca como sendo o "futuro da
Internet" ou algo do gênero.