Negócios: Megadepósito de som digital abre a carteira,
mas ainda sai no lucro
23/08/2000
- Entre o sindicato da indústria fonográfica e a militância
da liberdade para os bits, o MP3.com
se equilibra como pode. O maior portal de arquivos de música
da Internet está mais antenado com as novas tecnologias que
os gigantes tradicionais do disco, mas não entrou no mercado
para ter prejuízo (diferentemente do que ocorre no Napster,
pelo menos o MP3.com tem um modelo comercial plausível); tornou-se
o queridinho da turma "abaixo o capital opressor" por enfrentar
as feras da RIAA
nos tribunais (o problema era o My.MP3.com,
um sistema de distribuição legalmente contestável), mas entrou
na Bolsa de Valores fazendo barulho -- e muitos, muitos, muitos
dólares.
Depois
de todas as outras grandes gravadoras estabelecerem acordos
com o MP3.com, chegou a vez de se fazer as pazes com a Sony.
Ficou estabelecido que a gravadora receberá do site de música
uma taxa por faixa de seu catálogo que venha a ser disponibilizada
pelo My.MP3.com, sem prejuízo do pagamento de uns 20 milhões
de dólares como indenização pelas violações de copyright anteriores.
Devemos chorar pelo MP3.com? Pois os investidores gostaram tanto
do acordo que o valor das ações da companhia subiu mais de 30
por cento em apenas um dia. Assim, numa só tacada, o MP3.com
engorda seu acervo de música digital sem ferir as leis, encontra
uma coexistência pacífica com as gravadoras tradicionais e eleva
seu valor de mercado à estratosfera. Troca justa é isso aí.