Napster:
Justiça à vista?
Opinião: Nova rodada de argumentos não deve tranqüilizar
fãs do agente de mídia
21/08/2000
- Na última sexta-feira, mais um lance da queda-de-braço judicial
entre o Napster
e a indústria. Os advogados do maior serviço de troca de arquivos
musicais na Internet apresentaram um documento apontando os
"erros" da juíza Marilyn Hall Patel na tal liminar que determinava
o fechamento do Napster (a empresa conseguiu derrubar a liminar
aos 44 minutos do segundo tempo, mas seu destino ainda é incerto).
Como não poderia deixar de ser, a nova defesa foi muito trombeteada
na Rede. Mas continua o ponto de interrogação no horizonte do
Napster.
Em geral, a defesa do Napster continua batendo na tecla dos
"usos potenciais não-transgressores" do agente de mídia. Ou
seja: a troca de arquivos de som devidamente autorizados dentro
da comunidade Napster redimiria o serviço em em si, apesar de
toda a facilidade de intercâmbio de arquivos ilegais entre seus
usuários.
Aqui as pesquisas divergem (as mais otimistas dizem que
o uso legal do Napster não passa de 13% do tráfego de arquivos),
mas até os iniciantes no programa/serviço de Shawn Fanning &
Cia. sabem: uma busca rápida no acervo da comunidade é suficiente
para mostrar que a barganha de arquivos não-autorizados é, de
longe, a maior utilidade do Napster. É isso, ou todas aquelas
músicas do Vengaboys que há nos discos rígidos dos "napsteiros"
foram baixadas por engano e não foram deletadas a tempo... :-)
Ainda
que os artistas independentes e antenados com as novas tendências
possam se beneficiar do Napster liberando suas obras ao troca-troca
online, é bom pensar duas vezes. O usuário preferiria baixar
a canção pelo Napster ou pela página oficial do artista ou um
portal especializado em música independente? Qual jeito é mais
simples para o internauta comum, mais rápido, mais garantido
contra falhas na rede, menos sujeito a arquivos incompletos
ou mal-gravados, oferece uma experiência audiovisual mais rica
e fiel ao conjunto da obra do artista?
É certo que, com o avanço tecnológico, os meios tradicionais
de distribuição de música (envolvendo CDs, gravadoras e lojas
de discos) não existirão para sempre. Assim sendo, vai o recado
aos independentes: se a grande indústria fonográfica está no
fim da linha, deixem para lá o dinossauro agonizante e assumam
a vanguarda da tecnologia. Pelo menos neste caso o exemplo dos
regimes de distribuição de software nos serve bem. E é do que
falaremos no próximo iG Som.