Vorbis, a alternativa (II) Tecnologia: Afinal, o que está em jogo?
17/07/2000
-No iG Som anterior tratamos do Vorbis, a reação do movimento
do software livre ao MP3 de sempre. Em tese, a proposta é ótima.
Quanto às chances reais do padrão alternativo, só conseguimos
enxergar pontos de interrogação no horizonte.
Muito além de um regime de distribuição grátis de programas,
o movimento do software livre se propõe a uma forte causa ideológica/filosófica.
O software livre respeita totalmente os direitos naturais do
autor do programa (controlar modificações no programa e cobrar
royalties pela licença de uso) – tanto é que os programas livres
são cobertos por uma licença formal através da qual o autor
abre mão desses direitos. Será que agem com tanta firmeza de
princípios na defesa do direito do autor da música de cobrar
uns trocados por sua obra?
O padrão MP3 pode não ser livre de direito, mas o uso comum
o tornou livre de fato: nenhum Grande Irmão conseguirá controlar
todas as extrações de faixas de CDs em quartos de empregada
mundo afora. Na verdade, o que realmente anima tantos milhões
de MP3nautas é a possibilidade de trocar figurinhas musicais
acima e além dos tentáculos de leis (supostamente) elitistas
e reacionárias. Se a situação atual aflige muitos músicos, imagine
como eles acharão “útil” o Vorbis, um padrão incontrolado (e
incontrolável) de fato e de direito.
Independentemente da eficácia das trancas, a questão técnica
será prevalente. Ninguém pode apostar que o MP3 vá durar para
sempre. Mas o consumidor de música não se contentará com menos
que um padrão fabulosamente superior ao MP3.