A Relíquia
Eça de Queirós
Prodigalizei, no Diário de Notícias, anúncios
tentadores -
"Preciosidades da Terra Santa, em conto, na tabacaria
Rego, se diz..." Muitas manhãs, com um casacão
eclesiástico e um cachenê de seda disfarçando
a minha
barba, assaltei à porta das igrejas velhas beatas;
oferecia pedaços da túnica da Virgem Maria, cordéis
das
sandálias de São Pedro; e rosnava com ânsia, roçando-me
pelos manteletes e pelas toucas: "Baratinhos, minha
senhora, baratinhos... Excelentes para catarros!..."
Já devia uma carregada conta na Pomba de Ouro; descia
as escadas sorrateiramente, para não encontrar o patrão;
chamava com sabujice ao galego - "meu André, meu
catitinha..."
E punha toda a minha esperança num renovamento da fé!
A menor notícia de festa de igreja me regozijava como um
acréscimo de devoção no povo. Odiava ferozmente
os
republicanos e os filósofos que abalam o catolicismo - e
portanto diminuem o valor das relíquias que ele instituiu.
Escrevi artigos para a Nação, em que bradava: "Se
vos não
apegais aos ossos dos mártires, como quereis que prospere
este país?" No café do Montanha dava murros sobre
mesas:
"E necessário religião, caramba! Sem religião
nem o
bifezinho sabe!" Em casa da Benta Bexigosa ameaçava as
raparigas, se elas não usassem os seus bentinhos e os seus
escapulários, de não voltar ali, de ir à casa
da D.
Adelaide!... A minha inquietação pelo "pão
de cada dia"
foi mesmo tão áspera, que de novo solicitei a intervenção
do Lino - homem de vastas relações eclesiásticas,
parente
de capelães de convento. Outra vez lhe mostrei o meu leito
juncado de relíquias. Outra vez lhe disse, esfregando as
mãos: "Vamos a mais negócio, amiguinho! Aqui tenho
sortimento fresco, chegadinho de Sião!"
Mas, do digno homem da Câmara Patriarcal, só recolhi
recriminações acerbas...
- Essa léria não pega, senhor! - gritou ele, com as
veias a estalar de cólera na fronte esbraseada. - Foi
Vossa Senhoria que estragou o comércio!... Está o mercado
abarrotado, já não há maneira de vender nem um
cueirinho
do Menino Jesus, uma relíquia que se vendia tão bem!
O seu
negócio com as ferraduras é perfeitamente indecente...
Perfeitamente indecente! É o que me dizia noutro dia um
capelão, primo meu: "São ferraduras de mais ara
um país
tão pequeno!..." Quatorze ferraduras, senhor! É
abusar!
Sabe Vossa Senhoria quantos pregos, dos que pregaram
Cristo na cruz, Vossa Senhoria tem impingido, todos com
documentos? Setenta e cinco, senhor!... Não lhe digo mais
nada... Setenta e cinco!
E saiu, atirando a porta com furor, deixando-me
aniquilado.
Venturosamente, nessa noite, encontrei o Rinchão em
casa da Benta Bexigosa, e recebi dele uma considerável
encomenda de relíquias. O Rinchão ia desposar uma menina
Nogueira, filha da Senhora Nogueira, rica beata de Beja e
rica proprietária de porcos; e ele "queria dar um presente
catita à carola da velha, tudo cousinhas da cartilha e do
Santo Sepulcro". Arranjei-lhe um lindo cofre de relíquias
(aí coloquei o meu septuagésimo sexto prego), ornado
das
minhas graciosas flores secas de Galiléia. Com a generosa
pecúnia que me deu o Rinchão, paguei à Pomba
de Ouro; e
tomei prudentemente um quarto na casa de hóspedes do Pita,
à Travessa da Palha.
Assim diminuía a minha prosperidade. O meu quarto
agora era nos altos, no quinto andar, com um catre de
ferro, e uma poltrona vetusta cujo miolo de estopa fétida
rompia entre a chita esgarçada. Como único ornato pendia
sobre a cômoda, num caixilho enfeitado de borlas, uma
litografia de Cristo crucificado, a cores; nuvens negras
de tormenta rolavam-lhe aos pés; e os seus olhos claros,
arregalados, seguiam e miravam todos os meus atos, os mais
ínfimos, mesmo o delicado aparar dos calos.
Havia uma semana que, assim instalado, farejava
Lisboa à busca do pão incerto, com botas a que se começava
a romper a sola, quando uma manhã o André da Pomba de
Ouro
me trouxe uma carta que lá fora deixada na véspera,
com a
marca "urgente". O papel linha tarja preta; o sinete era
de lacre negro. Abri, tremendo. E vi a assinatura do
Justino.
"Meu querido amigo. E meu penoso dever, que cumpro
com lágrimas, participar-lhe que sua respeitável tia
e
minha senhora inesperadamente sucumbiu..."
Caramba! A velha rebentara!
Ansiosamente saltei através das linhas, tropeçando
sobre os detalhes - "congestão dos pulmões... Sacramentos
recebidos... Todos a chorar... O nosso Negrão!..." E
empalidecendo, num suor que me alagava, avistei, ao fim da
lauda, a nova medonha; "do testamento da virtuosa senhora,
consta que deixa a seu sobrinho Teodorico o óculo que se
acha pendurado na sala de jantar..."
Deserdado!
Agarrei o chapéu, corri aos encontrões pelas ruas até
ao cartório do Justino, a São Paulo. Achei-o à
banca, com
uma gravata de luto e a pena atrás da orelha, comendo
fatias de vitela sobre um velho Diário de Notícias.
- Com que, o óculo?... - balbuciei, esfalfado, arrimado à
esquina de uma estante.
- É verdade. O óculo! - murmurou ele, com a boca
atulhada.
Fui tombar, quase desmaiado, sobre o canapé de couro.
Ele ofereceu-me vinho de Bucelas. Bebi um cálice. E
passando a mão trêmula sobre a face lívida:
- Então dize lá, conta lá tudo, Justininho...
O Justino suspirou. A santa senhora, coitadinha,
deixara-lhe duas inscrições de conto... E, de resto,
dispersara no seu testamento as riquezas de G. Godinho, do
modo mais incoerente e mais perverso. O prédio do Campo de
Santana e quarenta contos de inscrições, para o Senhor
dos
Passos da Graça. As ações da Companhia do Gás,
as melhores
pratas, a casa de Linda-a-Pastora para o Casimiro, que já
se não mexia, moribundo. Padre Pinheiro recebia um prédio
na Rua do Arsenal. A deliciosa quinta do Mosteiro, com o
seu pitoresco portão de entrada, onde se viam ainda as
armas dos condes de Lindoso, as inscrições de Crédito
Público, a mobília do Campo de Santana, o Cristo de
ouro -
para o Padre Negrão. Três contos de réis e o relógio,
para
o Margaride. A Vicência tivera as roupas de cama. Eu - o
óculo!
- Para ver o resto de longe! - considerou
filosoficamente o Justino, dando estalinhos nos dedos.
Recolhi à Travessa da Palha. E durante horas, em
chinelas, com os olhos chamejantes, revolvi o desejo
desesperado de ultrajar o cadáver da Titi - cuspindo-lhe
sobre o carão lívido, esfuracando, com uma bengala,
a
podridão do seu ventre. Chamei contra ela todas as cóleras
da natureza. Pedi às árvores que recusassem sombra à
sua
sepultura! Pedi aos ventos que sobre ela soprassem todos
os lixos da terra! Invoquei o demônio: "Dou-te a minha
alma se torturares incansavelmente a velha!" Gritei com os
braços para as alturas: "Deus, se tens um céu,
escorraça-a
de lá!" Planejei quebrar a pedradas o mausoléu
que lhe
erguessem... E decidi escrever comunicados nos jornais,
contando que ela se prostituía a um galego, todas as
tardes, no sótão, de óculos negros e em fralda!
Esfalfado de a odiar - adormeci densamente.
Foi o Pita que me acordou, ao anoitecer, entrando com
um longo embrulho. Era o óculo. Mandava-mo o Justino, com
estas palavras amigas: "Aí vai a modesta herança!"
Acendi uma vela. Com áspera amargura tomei o óculo,
abri a vidraça - e olhei por ele, como da borda de uma nau
que vai perdida nas águas. Sim, muito sagazmente o
afirmara Justino, a asquerosa Patrocínio deixava-me o
óculo com rancoroso sarcasmo - para eu ver através dele
o
resto da herança! E eu via, apesar da escura noite,
nitidamente via o Senhor dos Passos, sumindo os maços de
inscrições dentro da sua túnica roxa, o Casimiro,
tocando
com as mãos moribundas os lavores das pratas, espalhadas
sobre o seu leito; e o vilíssimo Negrão, de casaco de
cotim e galochas, passeando regalado à beira da água,
sob
os olmos do Mosteiro! E eu ali, com o óculo!
Eu ali para sempre, na Travessa da Palha, possuindo
na algibeira de umas calças com fundilhos setecentos e
vinte - para me debater através da cidade e da vida! Com
um urro atirei o óculo, que foi rolando até junto da
chapeleira, onde eu guardava o capacete de cortiça da
minha jornada em Terra Santa. Ali estavam, esse capacete e
esse óculo, emblemas das minhas duas existências - a
de
esplendor e a de penúria! Havia meses, com aquele capacete
na nuca, eu era o triunfante Raposo, herdeiro da senhora
D. Patrocínio das Neves, remexendo ouro nas algibeiras, e
sentindo em torno, perfumadas e à espera de que eu as
colhesse, todas as flores da civilização! E agora, com
o
óculo, eu era o pelintríssimo Raposo de botas cambadas,
sentindo em roda, negros e prontos a ferirem-me, todos os
cardos da vida... E tudo isto, por quê? Porque um dia, na
estalagem de uma cidade da Ásia, se tinham trocado dous
embrulhos de papel pardo!
Não houvera jamais zombaria igual da sorte! A uma tia
beata, que odiava o amor como cousa suja e só esperava,
para me deixar prédios e pratas, que eu, desdenhando
saias, lhe rebuscasse em Jerusalém uma relíquia - trazia
a
camisa de dormir de uma luveira! E num impulso de
caridade, designado a cativar o céu, atirava como pingue
esmola a uma pobre em farrapos, com o filho faminto
chorando ao colo - um galho cheio de espinhos!... Oh Deus,
dize-me tu! Dize-me tu, oh demônio, como se fez, como se
fez esta troca de embrulhos - que é a tragédia da minha
vida?
Eles eram semelhantes no papel, no formato, no
nastro!... O da camisa jazia no fundo escuro do guarda-
fato; o da relíquia campeava sobre a cômoda, glorioso,
entre dous castiçais. E ninguém lhes tocara; nem o jucundo
Pote; nem o erudito Topsius; nem eu! Ninguém com mãos
humanas, mãos mortais, ousara mover os dous embrulhos.
Quem os movera então? Só alguém com mãos
invisíveis!
Sim, havia alguém, incorpóreo, todo-poderoso - que
por ódio trocara miraculosamente os espinhos em rendas,
para que a Titi me deserdasse e eu fosse precipitado para
sempre nas Profundas Sociais!
E quando assim esbravejava, esguedelhado - encontrei
frigidamente cravados em mim e mais abertos, como gozando
a derrota da minha vida, os olhos claros do Cristo
crucificado, dentro do seu caixilho com borlas...
- Foste tu! - gritei, de repente iluminado e
compreendendo o prodígio. - Foste tu! Foste tu!
E, com os punhos fechados para ele, desafoguei
fartamente os queixumes, os agravos do meu coração:
- Sim, foste tu que transformaste ante os olhos
devotos da Titi a coroa de dor da tua lenda - na camisa
suja da Mary!... E por quê? Que te fiz eu? Deus ingrato e
variável! Onde, quando, gozaste tu devoção mais
perfeita?
Não acudia eu todos os domingos, vestido de preto, a ouvir
as missas melhores que te oferta Lisboa? Não me atochava
eu todas as sextas-feiras, para te agradar, de bacalhau e
de azeite? Não gastava eu dias, no oratório da Titi,
com
os joelhos doridos, rosnando os terços da tua predileção?
Em que cartilhas houve rezas que eu não decorasse para ti?
Em que jardins desabrocharam flores com que eu não
enfeitasse os teus altares?
E arrebatado, arrepiando os cabelos, repuxando as
barbas, eu clamava ainda, tão perto da imagem que as
baforadas da minha cólera lhe embaciavam o vidro:
- Olha bem para mim!... Não te recordas de ter visto
este rosto, estes pêlos, há séculos, num átrio
de mármore,
sob um velário, onde julgava um Pretor de Roma? Talvez te
não lembres! Tanto dista de um deus vitorioso sobre o seu
andor a um Rabi de província amarrado com cordas!... Pois
bem! Nesse dia de Nizam, em que não tinhas ainda
confortáveis lugares no céu e na bem-aventurança
a
distribuir aos teus fiéis; nesse dia, em que ainda te não
tornaras para ninguém fonte de riqueza e esteio de poder;
nesse dia, em que a Titi, e todos os que hoje se prostram
a teus pés, te teriam apupado como os vendilhões do
templo, os fariseus e a populaça de Acra; nesse dia, em
que os soldados que hoje te escoltam com charangas, os
magistrados que hoje encarceram quem te desacate ou te
renegue, os proprietários que hoje te prodigalizam ouro e
festas de igreja - se teriam juntado com as suas armas e
os seus códigos e as suas bolsas, para obterem a tua morte
como revolucionário, inimigo da ordem, terror da
propriedade; nesse dia, em que tu eras apenas uma
inteligência criadora e uma bondade ativa, e portanto
considerado pelos homens sérios como um perigo social -
houve em Jerusalém um coração que espontaneamente,
sem
engodo no céu, nem terror do inferno, estremeceu por ti.
Foi o meu!... E agora persegues-me. Por quê?...
Subitamente, oh maravilha, do tosco caixilho com
borlas irradiaram trêmulos raios, cor de neve e cor de
ouro. O vidro abriu-se ao meio com o fragor faiscante de
uma porta do céu. E de dentro o Cristo no seu madeiro, sem
despregar os braços, deslizou para mim serenamente,
crescendo até ao estuque do teto, mais belo em majestade e
brilho que o sol ao sair dos montes.
Com um berro caí sobre os joelhos; bati a fronte
apavorado no soalho. E então senti esparsamente pelo
quarto, com um rumor manso de brisa entre jasmins, uma voz
repousada e suave:
- Quando tu ias ao alto da graça beijar no pé uma
imagem - era para contar servilmente à Titi a piedade com
que deras beijo; porque jamais houve oração nos teus
lábios, humildade no teu olhar - que não fosse para
que a
Titi ficasse agradada no seu fervor de beata. O deus a que
te prostravas era dinheiro de G. Godinho; e o céu para que
teus braços trementes se erguiam - o testamento da Titi...
Para lograres nele o lugar melhor, fingiste-te devoto,
sendo incrédulo; casto, sendo devasso; caridoso, sendo
mesquinho; e simulaste a ternura de filho, tendo só a
rapacidade de herdeiro... Tu foste ilimitadamente o
hipócrita! Tinhas duas existências: uma ostentada diante
dos olhos da Titi, toda de rosários, de jejuns, de
novenas; e longe da Titi, sorrateiramente, outra, toda de
gula, cheia da Adélia e da Benta... Mentiste sempre; e só
eras verdadeiro para o céu, verdadeiro para o mundo,
quando rogavas a Jesus e à Virgem que rebentassem depressa
a Titi. Depois resumiste esse laborioso dolo de uma vida
inteira num embrulho - onde acomodaras um galho, tão falso
como o teu coração; e com ele contavas empolgar
definitivamente as pratas e prédios de D. Patrocínio!
Mas
noutro embrulho parecido trazias pela Palestina, com
rendas e laços, a irrecusável evidência do teu
fingimento... Ora, justiceiramente aconteceu que o
embrulho que ofertaste à Titi e que a Titi abriu - foi
aquele que lhe revelava a tua perversidade! E isto prova-
te, Teodorico, a inutilidade da hipocrisia!
Eu gemia sobre as tábuas. A voz sussurrou, mais
larga, como o vento da tarde entre as ramas:
- Eu não sei quem fez essa troca dos teus embrulhos,
picaresca e terrível; talvez ninguém; talvez tu mesmo!
Os
teus tédios de deserdado não provem dessa mudança
de
espinhos em rendas; mas de víveres duas vidas, uma
verdadeira e de iniqüidade, outra fingida e de santidade.
Desde que contraditoriamente eras do lado direito o devoto
Raposo e do lado esquerdo o obsceno Raposo - não poderias
seguir muito tempo, junto da Titi, mostrando só o lado,
vestido de casimiras de domingo, onde resplandecia a
virtude; um dia fatalmente chegaria em que ela, espantada,
visse o lado despido e natural onde negrejavam as máculas
do vicio... E aí está por que eu aludo, Teodorico, à
inutilidade da hipocrisia.
De rojo eu estendia abjetamente os lábios para os pés
do Cristo, transparentes, suspensos no ar, com pregos que
despediam trêmulas radiâncias de jóia. E a voz
passou
sobre mim, cheia e rumorosa, como a rajada que curva os
ciprestes:
- Tu dizes que eu te persigo! Não. O óculo, isso a
que chamas Profundas Sociais, são obra das tuas mãos
- não
obra minha. Eu não construo os episódios da tua vida;
assisto a eles e julgo-os placidamente... Sem que eu me
mova, nem intervenha influência sobrenatural - tu podes
ainda descer a misérias mais torvas, ou elevar-te aos
rendosos paraísos da terra e ser diretor de um Banco...
Isso depende meramente de ti, e do teu esforço de homem...
Escuta ainda! Perguntavas-me, há pouco, se eu me não
lembrava do teu rosto... Eu pergunto-te agora se não te
lembras da minha voz... Eu não sou Jesus de Nazaré,
nem
outro deus criado pelos homens... Sou anterior aos deuses
transitórios; eles dentro em mim nascem; dentro em mim
duram; dentro em mim se transformam; dentro em mim se
dissolvem; e eternamente permaneço em torno deles e
superior a eles, concebendo-os e desfazendo-os, no
perpétuo esforço de realizar fora de mim o deus absoluto
que em mim sinto. Chamo-me consciência; sou neste instante
a tua própria consciência refletida fora de ti, no ar
e na
luz, e tomando ante teus olhos a forma familiar, sob a
qual, tu, mal-educado e pouco filosófico, estás habituado
a compreender-me... Mas basta que te ergas e me fites,
para que esta imagem resplandecente de todo se desvaneça.
E ainda eu não levantara os olhos - já tudo
desaparecera! Então, transportado como perante uma
evidência do sobrenatural, atirei as mãos ao céu
e bradei:
- Oh meu Senhor Jesus, Deus e filho de Deus, que te
encarnaste e padeceste por nós...
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