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A Relíquia
Eça de Queirós



Capítulo IV

Ao outro dia, que fora um radioso domingo, levantamos
de Jericó as nossas tendas; e caminhando com o sol para
ocidente, pelo Vale de Querite, começamos a romagem de
Galiléia.
Mas ou fosse que a consoladora fonte da admiração
houvesse secado dentro em mim, ou que a minha alma,
arrebatada um momento aos cimos da história e batida aí
por ásperas rajadas de amoção, não se pudesse já aprazer
nestes quietos e ermos caminhos da Síria - senti sempre
indiferença e cansaço, do país de Efraim ao país de
Zebelon.
Quando nessa noite acampamos em Betel, vinha a lua
cheia saindo por trás dos montes negros de Gileade... O
festivo Pote mostrou-me logo o chão sagrado em que Jacó,
pastor de Bersabé, tendo adormecido sobre uma rocha, vira
uma escada que faiscava, fincada a seus pés e arrimada às
estrelas, por onde ascendiam e baixavam, entre terra e
céu, anjos calados, com as asas fechadas... Eu bocejei
formidavelmente e rosnei: - "Tem seu chic!..."
E assim rosnando e bocejando atravessei a terra dos
prodígios. A graça dos vales foi-me tão fastidiosa como a
santidade das ruínas. No poço de Jacó, sentado nas mesmas
pedras em que Jesus, cansado como eu da calma destas
estradas e como eu bebendo do cântaro de uma samaritana,
ensinara a nova e pura maneira de adorar; nas encostas do
Carmelo, numa cela de mosteiro, ouvindo de noite ramalhar
os cedros que abrigaram Elias, e gemerem embaixo as ondas,
vassalas de Hirão, Rei de Tiro; galopando com o albornoz
ao vento pela planície de Esdrelon; remando docemente no
Lago de Genesaré, coberto de silêncio e de luz - sempre o
tédio marchou a meu lado como companheiro fiel, que a cada
passo me apertava ao seu peito mole, debaixo do seu manto
pardo...
Às vezes, porém, uma saudade fina e gostosa, vinda do
remoto passado, levantava de leve a minha alma, como uma
aragem lenta faz a uma cortina muito pesada... E então,
fumando diante das tendas, trotando pelo leito seco das
torrentes, eu revia, com deleite, pedaços soltos dessa
Antigüidade que me apaixonara: a terma romana, onde uma
criatura maravilhosa de mitra amarela se ofertava, lasciva
e pontifical; o formoso Manassés, levando a mão à espada
cheia de pedrarias; mercadores, no templo, desdobrando os
brocados de Babilônia; a sentença do Rabi com um traço
vermelho, num pilar de pedra, à porta Judiciária; ruas
iluminadas, gregos dançando a calabida... E era logo um
desejo angustioso de remergulhar nesse mundo
irrecuperável. Cousa risível! Eu, Raposo e bacharel, no
farto gozo de todos os confortos da civilização - tinha
saudade dessa bárbara Jerusalém, que habitara num dia do
mês de Nizam sendo Pôncio Pilatos procurador da Judéia!
Depois estas memórias esmoreciam, como fogos a que
falta a lenha. Na minha alma só restavam cinzas - e,
diante das ruínas do Monte Ebal, ou sob os pomares que
perfumam Siquém, a levítica, recomeçava a bocejar.
Quando chegamos a Nazaré, que aparece na desolação da
Palestina como um ramalhete pousado na pedra de uma
sepultura - nem me interessaram as lindas judias, por quem
se banhou de ternura o coração de Santo Antonino. Com a
sua cântara vermelha ao ombro, elas subiam por entre os
sicômoros à fonte onde Maria, mãe de Jesus, ia todas as
tardes, cantando como estas e como estas vestida de
branco... O jucundo Pote, torcendo os bigodes, murmurava-
lhes madrigais; elas sorriam, baixando as pestanas pesadas
e meigas. Era diante desta suave modéstia que Santo
Antonino, apoiado ao seu bordão, sacudindo a sua longa
barba, suspirava: "Oh virtudes claras, herdadas de Maria
cheia de graça!" Eu, por mim, rosnava secamente:
"lambisgóias"!
Através de vielas onde a vinha e a figueira abrigam
casas humildes, como convém à doce aldeia daquele que
ensinou a humildade, trepamos ao cimo de Nazaré, batido
sempre do largo vento que sopra das iduméias. Aí Topsius
tirou o barrete saudando essas planícies, esses longes,
que decerto Jesus vinha contemplar, concebendo diante da
sua luz e da sua graça as incomparáveis belezas do reino
de Deus... O dedo do douto historiador ia-me apontando
todos os lugares religiosos - cujos nomes sonoros caem na
alma com uma solenidade de profecia, ou com um fragor de
batalha: Esdrelon, Endor, Sulém, Tabor... Eu olhava,
enrolando um cigarro. Sobre o Carmelo sorria uma brancura
de neve; as planícies da Pérea fulguravam, rolando uma
poeira de ouro; o Golfo de Caifa era todo azul; uma
tristeza cobria ao longe as montanhas de Samaria; grandes
águias torneavam sobre os vales... Bocejando, rosnei:
- Vistazinha catita!
Uma madrugada, enfim, recomeçamos a descer para
Jerusalém. Desde Samaria a Ramá fomos alagados por esses
vastos e negros chuveiros da Síria, que armam logo
torrentes rugindo entre as rochas, sob os aloendros em
flor; depois, junto à colina de Gibeá onde outrora no seu
jardim, entre o louro e o cipreste, Davi tangia harpa
olhando Sião - tudo se vestiu de serenidade e de azul. E
uma inquietação engolfou-se em minha alma, como um vento
triste numa ruína... Eu ia avistar Jerusalém! Mas - qual?
Seria a mesma que vira um dia, resplandecendo
suntuosamente ao sol de Nizam, com as torres formidáveis,
o templo cor de ouro e cor de neve, Acra cheia de
palácios, Bezeta regada pelas águas de Enrogel?...
- El-Kurds! El-Kurds! - gritou o velho beduíno, com a
lança no ar, anunciando pela sua alcunha muçulmana a
cidade do Senhor.
Galopei, a tremer... E logo a vi, lá embaixo, junto à
ravina do Cédron, sombria, atulhada de conventos e
agachada nas suas muralhas caducas - como uma pobre,
coberta de piolhos, que para morrer se embrulha a um canto
nos farrapos do seu mantéu.
Bem depressa, transpassada a Porta de Damasco, as
patas dos nossos cavalos atroaram o lajedo da Rua Cristã;
rente ao muro um frade gordo, com o breviário e o guarda-
sol de paninho entalados sob o braço, ia sorvendo uma
pitada estrondosa. Apeamos no Hotel do Mediterrâneo; no
esguio pátio, sob um anúncio das "Pílulas Holloway", um
inglês, com um quadrado de vidro colado ao olho claro, os
sapatões atirados para cima do divã de chita, lia o Times;
por trás de uma varanda aberta, onde secavam ceroulas
brancas com nódoas de café, uma goela roufenha vozeava:
C'est le beau Nicolas, holà!... Ah! era esta, era esta, a
Jerusalém católica!... Depois ao penetrar no nosso quarto,
claro e alegrado pelo tabique de ramagens azuis, ainda um
instante me rebrilhou na memória certa sala, com
candelabros de ouro e uma estátua de Augusto, onde um
homem togado estendia o braço e dizia: "César conhece-me
bem!"
Corri logo à janela a sorver o ar vivo da moderna
Sião. Lá estava o convento com as suas persianas verdes
fechadas, e as goteiras agora mudas nesta tarde de sol e
doçura... Entre socalcos de jardins, lá se torciam as
escadinhas, cruzadas por franciscanos de alpercatas, por
judeus magros de sujas melenas... E que repouso na
frescura destas paredes de cela, depois das estradas
abrasadas de Samaria! Fui apalpar a cama fofa. Abri o
guarda-roupa de mogno. Fiz uma carícia leve ao embrulhinho
da camisa de Mary; redondo e gracioso com o seu nastro
vermelho, aninhado entre peúgas.
Neste instante o jucundo Pote entrou a trazer-me o
precioso embrulho da coroa de espinhos, redondo e nítido
com o seu nastro vermelho; e alegremente deu-me as novas
de Jerusalém. Colhera-as do barbeiro da Via-Dolorosa e
eram consideráveis. De Constantinopla viera um firman
exilando o patriarca grego, pobre velho evangélico, com
uma doença de fígado, que socorria os pobres. O senhor
Cônsul Damiani afirmara na loja de relíquias da Rua
Armênia, batendo o pé, que antes do dia de Reis, por causa
da birra do murro entre os franciscanos e a Missão
Protestante, a Itália tomaria armas contra a Alemanha. Em
Betlém, na Igreja da Natividade, um padre latino numa
bulha, ao benzer hóstias, rachara a cabeça de um padre
copta com uma tocha de cera... E enfim, novidade mais
jubilosa, abrira-se para alegria de Sião, ao pé da porta
de Herodes, deitando sobre o Vale de Josafate, um café com
bilhares, chamado o Retiro do Sinai!
Subitamente, saudades dolentes do passado, cinzas que
me cobriam a alma, foram varridas por um fresco vento de
mocidade e de modernidade... Pulei sobre o ladrilho
sonoro:
- Viva o belo Retiro! A ele! Às iscas! À carambola!
Irra! Que estava morto por me refestelar! E depois às
mulherinhas!... Põe aí o embrulho da coroa, belo Pote...
Isso significa muito bago! Jesus, o que aí a Titi se vai
babar!... Planta-o em cima da cômoda, entre os
castiçais... E logo, depois da comidinha, Potezinho, para
o Retiro do Sinai!
Justamente o sábio Topsius entrava esbaforido, com
uma formosa nova histórica! Durante a nossa romagem a
Galiléia a Comissão de Escavações Bíblicas encontrara, sob
lixos seculares, uma das lápides de mármore que, segundo
Josefo e Fílon e os talmudes, se erguiam no templo, junto
à Porta Bela, com uma inscrição proibindo a entrada aos
gentílicos... E ele instava que marchássemos, engolida a
sopa, a pasmar para essa maravilha... Um momento ainda me
rebrilhou na memória uma porta, bela em verdade, preciosa
e triunfal, sobre os seus quatorze degraus de mármore
verde de Numídia...
Mas sacudi desabridamente os braços, numa revolta:
- Não quero! - gritei. - Estou farto!... Irra! E aqui
lho declaro, Topsius, solenemente; de hoje em diante não
torno a ver nem mais um pedregulho, nem mais um sítio de
religião... Irra! Tenho a minha dose; e forte, muito
forte, doutor!
O sábio, enfiado, abalou com a rabona colada às
nádegas!
Nessa semana ocupei-me em documentar e empacotar as
relíquias menores que destinava à tia Patrocínio. Copiosas
e bem preciosas eram elas - e com devotíssimo lustre
brilhariam no tesouro da mais orgulhosa Sé! Além das que
Sião importa de Marselha em caixotes - rosários,
bentinhos, medalhas, escapulários; além das que fornecem
no Santo Sepulcro os vendilhões - frascos de água do
Jordão, pedrinhas da Via-Dolorosa, azeitonas do Monte
Olivete, conchas do Lago de Genesaré - eu levava-lhe
outras raras, peregrinas, inéditas... Era uma tabuinha
aplainada por São José; duas palhinhas do curral onde
nasceu o Senhor; um bocadinho do cântaro com que a Virgem
ia à fonte; uma ferradura do burrinho em que fugiu a Santa
Família para a terra do Egito; e um prego torto e
ferrugento...
Estas preciosidades, embrulhadas em papéis de cor,
atadas com fitinhas de seda, guarnecidas de tocantes
dísticos - foram acondicionadas num forte caixote, que a
minha prudência fez revestir de chapas de ferro. Depois
cuidei da relíquia maior, a coroa de espinhos, fonte de
celestiais mercês para a Titi - e de sonora pecúnia para
mim, seu cavaleiro e seu romeiro.
Para a encaixotar, ambicionei uma madeira preclara e
santa. Topsius aconselhava o cedro do Líbano - tão belo
que, por ele, Salomão fez aliança com Hirão, Rei de Tiro.
O jucundo Pote, porém, menos arqueológico, lembrou o
honesto pinho de Flandres benzido pelo patriarca de
Jerusalém. Eu diria à Titi que os pregos para o pregar
tinham pertencido à Arca de Noé; que um ermitão os achara
miraculosamente no Monte Arará; que a ferrugem que neles
deixara o lodo primitivo, dissolvida em água benta, curava
catarros... Tramamos estas cousas consideráveis,
cervejando no Sinai.
Durante esta atarefada semana, o embrulho da coroa de
espinhos permanecera na cômoda entre os dous castiçais de
vidro; foi só na véspera de deixarmos Jerusalém que o
encaixotei com carinho. Forrei a madeira de chita azul
comprada na Via-Dolorosa; fiz fofo e doce o fundo do
caixote, com uma camada de algodão mais branco que a neve
do Carmelo; e coloquei dentro o adorável embrulho, sem o
remexer, como Topsius o arranjara, no seu papel pardo e no
seu nastro vermelho - porque estas mesmas dobras do papel
vincadas em Jericó, este mesmo nó do nastro atado junto ao
Jordão, teriam para a senhora D. Patrocínio um
insubstituível sabor de devoção... O esguio Topsius
considerava estes piedosos aprestos, fumando o seu
cachimbo de louça.
- Oh Topsius, que chelpa isto me vai render! E diga
lá amiguinho, diga lá! Então acha que eu posso afirmar à
Titi que esta coroa de espinhos foi a mesma que...
O doutíssimo homem, por entre o fumo leve, soltou uma
solidíssima máxima:
- As relíquias, D. Raposo, não valem pela
autenticidade que possuem, mas pela fé que inspiram. Pode
dizer à Titi que foi a mesma!
- Bendito sejas, doutor!
Nessa tarde, o erudito homem acompanhara aos túmulos
dos reis a Comissão de Escavações. Eu parti, só, para o
Horto das Oliveiras - porque não havia, em torno a
Jerusalém, lugar de sombra onde mais gratamente, em tardes
serenas, gozasse um pachorrento cachimbo.
Saí pela porta de Santo Estêvão; trotei pela ponte do
Cédron; galguei o atalho entre piteiras até ao murozinho,
caiado e aldeão, que cerra o jardim de Getsêmani. Empurrei
a portinha verde, pintada de fresco, com a sua aldraba de
cobre; e penetrei no pomar onde Jesus ajoelhou e gemeu sob
a folhagem das oliveiras. Ali vivem ainda essas árvores
santas, que ramalharam embaladoramente sobre a sua cabeça
fatigada do mundo! São oito, negras, carcomidas pela
decrepitude, escoradas com estacas de madeira,
amodorradas, já esquecidas dessa noite de Nizam em que os
anjos, voando sem rumor, espreitavam através dos seus
ramos as desconsolações humanas do filho de Deus... Nos
buracos dos seus troncos estão guardados enxós e podões;
nas pontas dos galhos raras e tênues folhinhas, de um
verde sem seiva, tremem e mal vivem como os sorrisos de um
moribundo.
E em redor que hortazinha caridosamente regada,
estrumada com devoção! Em canteiros, com sebes de alfena,
verdejam frescas alfaces; as ruazinhas areadas não têm uma
folha murcha que lhes macule o asseio de capela; rente aos
muros, onde rebrilham em nichos doze apóstolos de louça,
correm alfobres de cebolinho e cenoura, fechados por
cheirosa alfazema... Por que não floria aqui, em tempos de
Jesus, tão suave quintal? Talvez a plácida ordem destes
úteis legumes calmasse a tormenta do seu coração!
Sentei-me debaixo da mais velha oliveira. O frade
guardião, risonho santo de barbas sem fim, regava com o
hábito arregaçado os seus vasos de rainúnculos. A tarde
caia com melancólico esplendor.
E, enchendo o cachimbo, eu sorria aos meus
pensamentos. Sim! Ao outro dia deixaria essa cinzenta
cidade, que lá embaixo se agachava entre os seus muros
fúnebres, como viúva que não quer ser consolada... Depois
uma manhã, cortando a vaga azul, avistaria a serra fresca
de Sintra; as gaivotas da pátria vinham dar-me o grito de
boa acolhida, esvoaçando em torno aos mastros; Lisboa
pouco a pouco surgia, com as suas brancas caliças, a erva
nos seus telhados, indolente e doce aos meus olhos...
Berrando "oh Titi, oh Titi!", eu trepava as escadas de
pedra da nossa casa em Santana; e a Titi, com fios de baba
no queixo, punha-se a tremer diante da grande relíquia que
eu lhe oferecia, modesto. Então, na presença de teste-
munhas celestes, de São Pedro, de Nossa Senhora do
Patrocínio, de São Casimiro e de São José, ela chamava-me
"seu filho, seu herdeiro!" E ao outro dia começava a
amarelecer, a definhar, a gemer... Oh delícia!
De leve, sobre o muro, entre as madressilvas, um
pássaro cantou; e mais alegre que ele cantou uma esperança
no meu coração! Era a Titi na cama, com o lenço negro
amarrado na cabeça, apalpando angustiosamente as dobras do
lençol suado, arquejando com terror do diabo... Era a Titi
a espichar, retesando as canelas. Num dia macio de maio
metiam-na já fria e cheirando mal, dentro de um caixão bem
pregado e bem seguro. Com tipóias atrás, lá marchava Dona
Patrocínio para a sua cova, para os bichos. Depois
quebrava-se o lacre do testamento na sala dos damascos,
onde eu preparara, para o tabelião Justino, pastéis e
vinho do Porto; carregado de luto, amparado ao mármore da
mesa, eu afogava, num lenço amarfanhado, o escandaloso
brilho da minha face; e dentre as folhas de papel selado
senta, rolando com um tinir de ouro, rolando com um
sussurro de searas, rolando, rolando para mim os contos de
G. Godinho!... Oh êxtase!
O santo frade pousara o regador, e passeava com o
breviário aberto numa ruazinha de murta. Que faria eu, na
minha casa em Santana, apenas levassem a fétida velha,
amortalhada num hábito de Nossa Senhora? Uma alta justiça;
correr ao oratório, apagar as luzes, desfolhar os ramos,
abandonar os santos à escuridão e ao bolor! Sim, todo eu,
Raposo e liberal, necessitava a desforra de me ter
prostrado diante das suas figuras pintadas como um sórdido
sacrista, de me ter recomendado à sua influência de
calendário, como um escravo crédulo! Eu servira os santos
para servir a Titi. Mas agora, inefável deleite, ela na
sua cova apodrecia; naqueles olhos, onde nunca escorrera
uma lágrima caridosa, fervilhavam gulosamente os vermes;
sob aqueles beiços, desfeitos em lodo, surgiam enfim,
sorrindo, os seus velhos dentes furados que jamais tinham
sorrido... Os contos de G. Godinho eram meus; e libertado
da ascorosa senhora, eu já não devia aos seus santos nem
rezas nem rosas! Depois, cumprida esta obra de justiça
filosófica, corria a Paris, às mulherinhas!

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