A Relíquia
Eça de Queirós
Assim diante de mim falou Osânias, filho de Beotos, e
membro de Sanedrim.
Então o magro historiador dos Herodes, cruzando com
reverência as mãos sobre o peito, saudou três vezes
aqueles homens facundos. Gade, imóvel, orava. No azul da
janela uma abelha cor de ouro zumbia, em tomo da flor de
madressilva. E Topsius dizia com pompa:
- Homens que me haveis acolhido! A verdade abunda nos
vossos espíritos, como a uva abunda nas videiras! Vós sois
três torres que guardais Israel entre as nações; uma
defende a unidade da religião; outra mantém o entusiasmo
da pátria; e a terceira, que és tu, venerando filho de
Beotos, cauto e ondeante como a serpente que amava
Salomão, protege uma cousa mais preciosa, que é a
ordem!... Vós sois três torres; e contra cada uma o Rabi
de Galiléia ergue o braço e lança a primeira pedrada!
Mas
vós guardais Israel e o seu Deus e os seus bens, e não vos
deveis deixar derrocar!... Em verdade, agora o reconheço,
Jesus e o judaísmo nunca poderiam viver juntos.
E Gamaliel, com o gesto de quem quebra uma vara
frágil, disse, mostrando os dentes brancos:
- Por isso o crucificamos!
Foi como uma faca acerada que, lampejando e salvando,
se viesse cravar no meu peito! Arrebatei, sufocado, a
manga do douto historiador:
- Topsius! Topsius! Quem é esse Rabi que pregava em
Galiléia e faz milagres e vai ser crucificado?
O sábio doutor arregalou os olhos com tanto pasmo,
como se eu lhe perguntasse qual era o astro que, dalém d9s
montes, traz a luz da manhã. Depois, secamente:
- Rabi Jeschoua bar Joseph, que veio de Nazaré em
Galiléia, a quem alguns chamam Jesus e outros também
chamam o Cristo.
- O nosso! - gritei, vacilando, como um homem
atordoado. E os meus joelhos católicos quase bateram as
lajes, num impulso de ficar ali caído, enrodilhado no meu
pavor, rezando desesperadamente e para sempre. Mas logo
como uma labareda chamejou por todo o meu ser o desejo de
correr ao seu encontro e pôr os meus olhos mortais no
corpo do meu Senhor, no seu corpo humano e real, vestido
do linho de que os homens se vestem, coberto com o pó que
levantam os caminhos humanos!... E ao mesmo tempo, mais do
que treme a folha num áspero vento, tremia a minha alma
num terror sombrio, o terror do servo negligente diante do
amo justo! Estava eu bastante purificado, com jejuns e
terços, para afrontar a face fulgurante do meu Deus? Não!
Oh mesquinha e amarga deficiência da minha devoção!
Eu não
beijara jamais, com suficiente amor, o seu pé dorido e
roxo na sua Igreja da Graça! Ai de mim! Quantos domingos,
nesses tempos carnais em que a Adélia, sol da minha vida,
me esperava na Travessa dos Caídas, fumando e em camisa,
não maldissera eu a lentidão das missas e a monotonia dos
septenários! E sendo assim, do crânio à sola dos pés
uma
crosta de pecado, como poderia meu corpo não tombar, já
réprobo, já tisnado, quando os dous globos dos olhos do
Senhor, como duas metades do céu, se voltassem
vagarosamente para mim?
Mas ver Jesus! Ver como eram os seus cabelos, que
pregas fazia a sua túnica, e o que acontecia na terra
quando os seus lábios se abriam!... Para além desses
eirados onde as mulheres atiravam grãos às pombas; numa
dessas ruas de onde me chegava claro e cantado o pregão
dos vendedores de pães ázimos, ia passando talvez, nesse
temeroso instante, entre barbudos, graves soldados
romanos, Jesus, meu Salvador, com uma corda amarrada nas
mãos. A lenta aragem que balançava na janela o ramo de
madressilva, e lhe avivava o aroma, acabava talvez de
roçar a fronte do meu Deus, já ensangüentada de espinhos!
Era só empurrar aquela porta de cedro, atravessar o pátio
onde gemia a mó do moinho doméstico, e logo, na rua, eu
poderia ver, presente e corpóreo, o meu Senhor Jesus tão
realmente e tão bem como o viram São João e São
Mateus.
Seguiria a sua sacra sombra no muro branco - onde cairia
também a minha sombra. Na mesma poeira que as minhas solas
pisassem - beijaria a pegada ainda quente dos seus pés! E
abafando com ambas as mãos o barulho do meu coração,
eu
poderia surpreender, saído da sua boca inefável, um ai, um
soluço, um queixume, uma promessa! Eu saberia então uma
palavra nova do Cristo, não escrita no Evangelho; e só eu
teria o direito pontifical de a repelir às multidões
prostradas. A minha autoridade surgia, na Igreja, como a
de um testamento novíssimo. Eu era uma testemunha inédita
da paixão. Tomava-me S. Teodorico Evangelista!
Então, com uma desesperada ansiedade, que espantou
aqueles orientais de maneiras mesuradas, eu gritei:
- Onde o posso ver? Onde está Jesus de Nazaré, meu
Senhor?
Nesse momento um escravo, correndo na ponta leve das
sandálias, veio cair de bruços nas lajes, diante de
Gamaliel; beijava-lhe as franjas da túnica; as suas
costelas magras arquejavam; por fim murmurou, exausto:
- Amo, o Rabi está no Pretório!
Gade emergiu da sua oração com um salto de fera,
apertou em torno dos rins a corda de nós, e correu
arrebatadamente, com o capuz solto, espalhando em redor o
sulco louro dos seus cabelos revoltos. Topsius traçara a
sua capa branca, com essas pregas de toga latina que lhe
davam a solenidade de um mármore; e tendo comparado a
hospitalidade de Gamaliel à de Abraão, bradou-me
triunfantemente:
- Ao Pretório!
Muito tempo segui Topsius através da antiga
Jerusalém, numa caminhada ofegante, todo perdido no
tumulto dos meus pensamentos. Passamos junto a um jardim
de rosas, do tempo dos profetas, esplêndido e silencioso
que dous levitas guardavam com lanças douradas. Depois foi
uma rua fresca, toda aromatizada pelas lojas dos
perfumistas, ornadas de tabuletas em forma de flores e de
almofarizes; um toldo de esteiras finas assombreava as
portas; o chão estava regado e juncado de erva-doce e de
folhas de anêmonas; e pela sombra preguiçavam moços
lânguidos, de cabelos frisados em cachos, de olheiras
pintadas, mal podendo erguer, nas mãos pesadas de anéis,
as sedas roçagantes das túnicas cor de cereja e cor de
ouro. Além dessa rua indolente abria-se uma praça, que
escaldava ao sol, com uma poeira grossa e branca, onde os
pés se enterravam; solitária, no meio, uma vetusta
palmeira arqueava o seu penacho, imóvel e como de bronze;
e ao fundo, negrejavam na luz as colunatas de granito do
velho palácio de Herodes. Aí era o Pretório.
Defronte do arco de entrada, onde rondavam, com
plumas pretas no elmo reluzente, dous legionários da Síria
- um bando de raparigas, tendo detrás da orelha, uma rosa
e no regaço coifas de esparto, apregoavam os pães ázimos.
Sob um enorme guarda-sol de penas, cravado no chão, homens
de mitra de feltro, com tábuas sobre os joelhos e
balanças, trocavam a moeda romana. E os vendedores de
água, com os seus odres felpudos, lançavam um grito
trêmulo. Entramos: e logo um terror me envolveu.
Era um claro pátio, aberto sob o azul, lajeado de
mármore, tendo de cada lado uma arcada, elevada em
terraço, com parapeito, fresca e sonora como um claustro
de mosteiro. Da arcaria ao fundo, encimada pela frontaria
austera do palácio, estendia-se um velário, de um estofo
escarlate franjado de ouro, fazendo uma sombra quadrada e
dura; dous mastros de pau de sicômoro sustentavam-no,
rematados por uma flor de lótus.
Aí apertava-se um magote de gente - onde se
confundiam as túnicas dos fariseus orladas de azul, o rude
saião de estamenha dos obreiros apertado com um cinto de
couro, os vastos albornozes listrados de cinzento e branco
dos homens de Galiléia, e a capa carmesim de grande capuz
dos mercadores de Tiberíade; algumas mulheres, já fora do
abrigo do velário, alçavam-se na ponta das chinelas
amarelas, estendendo por cima do rosto contra o sol uma
dobra do manto ligeiro; e daquela multidão saía um cheiro
morno de suor e de mirra. Para além, por cima dos
turbantes alvos apinhados, brilhavam pontas de lança. E ao
fundo, sobre um sólio, um homem, um magistrado, envolto
nas pregas nobres de uma toga pretexta, e mais imóvel que
um mármore, apoiava sobre o punho forte a barba densa e
grisalha; os seus olhos encovados pareciam indolentemente
adormecidos; uma fita escarlate prendia-lhe os cabelos; e
por trás, sobre um pedestal que fazia espaldar à sua
cadeira curul, a figura de bronze da loba romana abria de
través a goela voraz. Perguntei a Topsius quem era aquele
magistrado melancólico.
- Um certo Pôncio, chamado Pilatos, que foi prefeito
em Batávia.
Lentamente caminhei pelo pátio, procurando, como num
templo, fazer mais sutil e respeitoso o ruído das minhas
solas. Um grave silêncio caía do céu rutilante; só,
por
vezes, rompia do lado dos jardins, áspero e triste, o
gritar dos pavões. Estendidos no chão, junto à balaustrada
do claustro, negros dormitavam com a barriga ao sol. Uma
velha contava moedas de cobre, acocorada diante do seu
gigo de fruta. Em andaimes, postos contra uma coluna,
havia trabalhadores compondo o telhado. E crianças, a um
canto, jogavam com discos de ferro que tiniam de leve nas
lajes.
Subitamente, alguém familiar tocou no ombro do
historiador dos Herodes. Era o formoso Manassés; e com ele
vinha um velho magnífico, de uma nobreza de pontífice, a
quem Topsius beijou filialmente a manga da samarra branca,
bordada de verdes folhas de parra. Uma barba de neve,
lustrosa de óleo, caía-lhe até à faixa que o
cingia; e os
ombros largos desapareciam sob a esparsa abundância dos
cabelos alvos, saindo do turbante como uma pura romeira de
arminhos reais. Uma das mãos, cheia de anéis, apoiava-se a
um forte bastão de marfim; e a outra conduzia uma criança
pálida, que tinha os olhos mais belos que estrelas, e
semelhava, junto ao ancião, um lírio à sombra de um
cedro.
- Subi à galeria - disse-nos Manassés. - Tereis lá
repouso e frescura...
Seguimos o patriota; e eu perguntei cautelosamente a
Topsius quem era o outro tão velho, tão augusto.
- Rabi Robã - murmurou com veneração o meu douto
amigo. - Uma luz do Sanedrim, facundo e sutil entre todos,
e confidente de Caifás...
Reverente, saudei três vezes Rabi Robã - que se
sentara num banco de mármore, pensativo, aconchegando,
sobre o seu vasto peito ancestral, a cabeça da criança
mais loura que os milhos de Jopé. Depois continuamos
devagar pela galeria sonora e clara na sua extremidade
brilhava uma porta suntuosa de cedro com chapas de prata
lavradas; um pretoriano de Cesaréia guardava-a, sonolento,
encostado ao seu alto escudo de vime. Aí, comovido,
caminhei para o parapeito; e logo os meus olhos mortais
encontraram lá embaixo a forma encarnada do meu Deus!
Mas, oh rara surpresa da alma variável; não senti
êxtase nem terror! Era como se de repente me tivessem
fugido da memória longos, laboriosos séculos de história
e
de religião. Nem pensei que aquele homem seco e moreno
fosse o remidor da humanidade... Achei-me
inexplicavelmente anterior nos tempos. Eu já não era
Teodorico Raposo, cristão e bacharel; a minha
individualidade como que a perdera, à maneira de um manto
que escorrega, nessa carreira ansiosa desde a casa de
Gamaliel. Toda a antigüidade das cousas ambientes me
penetrara, me refizera um ser; eu era também um antigo.
Era Teodoricus, um lusitano, que viera numa galera das
praias ressoantes do Promontório Magno, e viajava, sendo
Tibério imperador, em terras tributárias de Roma. E aquele
homem não era Jesus, nem Cristo, nem Messias - mas apenas
um moço de Galiléia que, cheio de um grande sonho, desce
da sua verde aldeia para transfigurar todo um mundo e
renovar todo um céu e encontra a uma esquina um netenim do
templo que o amarra e o traz ao pretor, numa manhã de
audiência, entre um ladrão que roubara na estrada de
Siquém e outro que atirara facadas numa rixa em Emá!
Num espaço ladrilhado de mosaico, em face do sólio
onde se erguia o assento curul do pretor, sob a loba
romana - Jesus estava de pé, com as mãos cruzadas e
frouxamente ligadas por uma corda que rojava no chão. Um
largo albornoz de lã grossa, em riscas pardas, orlado de
franjas azuis, cobria-o até aos pés, calçados de sandálias
já gastas pelos caminhos do deserto e atadas com correias.
Não lhe ensanguentava a cabeça essa coroa inumana de
espinhos, de que eu lera nos Evangelhos; tinha um turbante
branco, feito de uma longa faixa de linho enrolada, cujas
pontas lhe pendiam de cada lado sobre os ombros; um cordel
amarrava-lho por baixo da barba encaracolada e aguda. Os
cabelos secos, passados por trás das orelhas, caíam-lhe em
anéis pelas costas; e no rosto magro, requeimado, sobre
sobrancelhas densas, unidas num só traço, negrejava com
uma profundidade infinita o resplendor dos seus olhos. Não
se movia, forte e sereno diante do pretor. Só algum
estremecimento das mãos presas, traía o tumulto do seu
coração; e às vezes respirava longamente, como se o
seu
peito, acostumado aos livres e claros ares dos montes e
dos lagos de Galiléia, sufocasse entre aqueles mármores,
sob o pesado velório romano, na estreiteza formalista da
lei.
A um lado, Sareias, o vogal do Sanedrim, tendo
deposto no chão o seu manto e o seu báculo dourado, ia
desenrolando e lendo uma tira escura de pergaminho, num
murmúrio cantado e dormente. Sentado num escabelo, o
assessor romano, sufocado pelo calor já áspero do mês
de
Nizam, refrescava com um leque de folhas de heras secas, a
face rapada e branca como um gesso; um escriba, velho e
nédio, numa mesa de pedra cheia de tabulários e de regras
de chumbo, aguçava miudamente os seus cálamos; e entre
ambos o intérprete, um fenício imberbe, sorria com a face
no ar, com as mãos na cinta, arqueando o peito onde trazia
pintado, sobre a jaqueta de linho, um papagaio vermelho.
Em torno ao velário, constantemente voavam pombas. E foi
assim que eu vi Jesus de Galiléia preso, diante do Pretor
de Roma...
No entanto Sareias, tendo enrolado em torno à haste
de ferro o pergaminho escuro, saudou Pilatos, beijou um
sinete sobre o dedo, para marcar nos seus lábios o selo da
verdade, e imediatamente encetou uma arenga em grego, com
textos, verbosa e aduladora. Falava do tetrarca de
Galiléia, o nobre Antipas; louvava a sua prudência;
celebrava seu pai Herodes, o Grande, restaurador do
templo... A glória de Herodes enchia a terra; fora
terrível, sempre fiel aos césares; seu filho Antipas era
engenhoso e forte!... Mas reconhecendo a sua sabedoria,
ele estranhava que o tetrarca se recusasse a confirmar a
sentença do Sanedrim, que condenava Jesus à morte... Não
fora essa sentença fundada nas leis que dera o Senhor? O
justo Hanão interrogara o Rabi, que emudecera, num
silêncio ultrajante. Era essa a maneira de responder ao
sábio, ao puro, ao piedoso Hanão? Por isso um zeloso, sem
se conter, atirara a mão violenta à face do Rabi... Onde
estava o respeito dos antigos tempos, e a veneração do
pontificado?
A sua voz cava e larga, rolava infindavelmente. Eu,
cansado, bocejava. Por baixo de nós, dous homens
encruzados nas lajes comiam tâmaras de Betabara, que
traziam no saião, bebendo de uma cabaça. Pilatos, com o
punho sob a barba, olhava sonolentamente os seus
borzeguins escarlates, picados de estrelas de ouro.
E Sareias agora proclamava os direitos do templo. Ele
era o orgulho da nação, a morada eleita do Senhor! César
Augusto ofertara-lhe escudos e vasos de ouro... E esse
templo, como o respeitara o Rabi? Ameaçando destruí-lo!
"Eu derrocarei o templo de Jeová e edificá-lo-ei em três
dias!" Testemunhas puras, ouvindo esta rude impiedade,
tinham coberto a cabeça de cinza, para afastar a cólera do
Senhor... Ora, a blasfêmia atirada ao santuário,
ressaltava até ao seio de Deus!...
Sob o velário, os fariseus, os escribas, os netenins
do templo, escravos sórdidos, sussurravam como arbustos
agrestes que um vento começa a agitar. E Jesus permanecia
imóvel, abstraidamente indiferente, com os olhos cerrados,
como para isolar melhor o seu sonho contínuo e formoso,
longe das cousas duras e vás que o maculavam. Então o
assessor romano ergueu-se, depôs no escabelo o seu leque
de folhas, traçou com arte o manto forense, orlado de
azul, saudou três vezes o Pretor, e a sua mão delicada
começou a ondear no ar, fazendo cintilar uma jóia.
- Que diz ele?...
- Cousas infinitamente hábeis - murmurou Topsius. - E
um pedante, mas tem razão. Diz que o Pretor não é um
judeu; que nada sabe de Jeová, nem lhe importam os
profetas que se erguem contra Jeová; e que a espada de
César não vinga deuses que não protegem César!...
O romano
é engenhoso!
Ofegando, o assessor recaiu languidamente no
escabelo. E logo Sareias volveu a arengar, sacudindo os
braços para a multidão dos fariseus, como a evocar os seus
protestos, e refugiando-se na sua força. Agora, mais
retumbante, acusava Jesus, não da sua revolta contra Jeová
e o templo, mas das suas pretensões como príncipe da casa
de Davi! Toda a gente em Jerusalém o tinha visto, havia
quatro dias, entrar pela Porta de Ouro, num falso triunfo,
entre palmas verdes, cercado de uma multidão de galileus,
que gritavam -"Hosana ao filho de Davi, hosana ao rei de
Israel!..."
- Ele é o filho de Davi, que vem para nos tornar
melhores! gritou ao longe a voz de Gade, cheia de
persuasão e de amor.
Mas de repente Sareias colou ao corpo as mangas
franjadas, mudo e mais teso que um conto de lança; o
escriba romano, de pé, com os punhos fincados na mesa,
vergava o cachaço reverente e nédio; o assessor sorria,
atento. Era o Pretor que ia interrogar o Rabi; e eu,
tremendo, vi um legionário empurrar Jesus, que ergueu a
face...
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