A Relíquia
Eça de Queirós
No entanto, descalçando as luvas, eu examinava o teto
da sala, todo de cedro, com lavores retocados de
escarlate. O azul liso e lustroso das paredes era como a
continuação daquele céu do Oriente, quente e puro,
que
resplandecia através da janela, onde se destacava, pendido
do muro, na plena luz, um ramo solitário de madressilva.
Sobre uma tripeça, incrustada de nácar, num incensador de
bronze, fumegava uma resina aromática.
Mas Gamaliel aproximara-se, e depois de ter olhado
duramente as minhas botas de montar, disse com lentidão:
- A jornada do Jordão é longa, deveis vir
esfomeados...
Murmurei polidamente uma recusa... E ele, grave como
se recitasse um texto:
- A hora do meio-dia é a mais grata ao Senhor. José
disse a Benjamim: "tu comerás comigo ao meio-dia". Mas
a
alegria do hóspede é também doce ao muito alto, ao
muito
forte... Estais fracos, ides comer, para que a vossa alma
me abençoe.
Bateu as palmas; um servo, com os cabelos apertados
num diadema de metal, entrou trazendo um jarro cheio de
água tépida que cheirava a rosa, onde eu purifiquei as
mãos; outro ofereceu bolos de mel sobre viçosas folhas de
parra; outro verteu, em taças de louça brilhante, um vinho
forte e negro de Emaús. E para que o hóspede não comesse
só, Gamaliel partiu um gomo de romã, e com as pálpebras
cerradas levou à beira dos lábios uma malga, onde boiavam
pedaços de gelo entre flores de laranjeira.
- Pois agora - disse eu lambendo os dedos - tenho
lastro até ao meio-dia...
- Que a tua alma se regozije!
Acendi um cigarro, debrucei-me na janela. A casa de
Gamaliel ficava num alto, decerto por trás do templo,
sobre a colina de Orfel; ali o ar era tão doce e macio,
que só o sentir a sua carícia enchia de paz o coração.
Por
baixo corria a muralha nova erguida por Herodes, o Grande;
e para além floriam jardins e pomares, dando sombra ao
Vale da Fonte, e subindo até à colina, em que branquejava,
calada e fresca, a aldeia de Siloé. Por uma fenda, entre o
Monte do Escândalo e a Colina dos Túmulos, eu via
resplandecer o Mar Morto como uma chapa de prata; as
montanhas de Moabe ondulavam depois, suaves, de um azul
apenas mais denso que o do céu; e uma forma branca, que
parecia tremer na vibração da luz, devia ser a cidadela de
Maqueros sobre o seu rochedo, nos confins da Iduméia. No
terraço relvoso de uma casa, ao pé das muralhas, uma
figura imóvel, abrigada sob um alto guarda-sol franjado de
guizos, olhava como eu para esses longes da Arábia; e ao
lado uma rapariga, ligeira e delgada, com os braços nus e
erguidos, chamava um bando de pombas que esvoaçavam em
redor. A túnica aberta descobria-lhe o seiozinho cheio de
seiva; e era tão linda, morena e dourada pelo sol, que eu
ia, no silêncio do ar, atirar-lhe um beijo... Mas recolhi,
ouvindo Gamaliel que dizia, como o homem do manto cor de
açafrão no Monte das Oliveiras: "Sim esta noite, em
Betânia, Rabi Jeschoua foi preso..."
Depois ajuntou, lento, com os olhos semicerrados,
erguendo por entre os dedos os longos fios da barba:
- Mas Pôncio teve um escrúpulo... Não quis julgar um
homem de Galiléia, que é súdito de Antipas Herodes...
E
como o tetrarca veio à Páscoa a Jerusalém, Pôncio
mandou o
Rabi à sua morada, a Bezeta...
Os doutos óculos de Topsius rebrilharam de espanto.
- Cousa estranha! - exclamou, abrindo os braços
magros. - Pôncio escrupuloso, Pôncio formalista! E desde
quando respeita Pôncio a judicatura do tetrarca? Quantos
pobres galileus não fez ele matar sem licença do tetrarca,
quando foi da revolta do aqueduto, quando espadas romanas,
por ordem de Pôncio, misturaram, nos pátios do templo, o
sangue dos homens de Neftali ao sangue dos bois do
sacrifício!
Gamaliel murmurou sombriamente:
- O romano é cruel, mas escravo da legalidade.
Então Osânias, filho de Beotos, disse com um sorriso
mole e sem dentes, agitando de leve, sobre a púrpura das
almofadas, as mãos resplandecentes de anéis:
- Ou talvez seja que a mulher de Pôncio proteja o
Rabi.
Gamaliel, surdamente, amaldiçoou o impudor da romana.
E como os óculos de Topsius interrogavam o venerando
Osânias, ele admirou-se que o doutor ignorasse cousas tão
conversadas no templo, até pelos pastores que vêm da
Iduméia vender os cordeiros da oferenda. Sempre que o Rabi
pregava no Pórtico de Salomão, do lado da Porta Susa,
Cláudia vinha vê-lo do alto do terraço da Torre Antônia,
só, envolta num véu negro... Menahem, que guardava no mês
de Tebete a escadaria dos Gentis, vira a mulher de Pôncio
acenar com o véu ao Rabi. E talvez Cláudia, saciada de
Cápreas, de todos os cocheiros do circo, de todos os
histriões de Suburra, e dos brinquedos de Atalanta que
fizeram perder a voz ao cantor Ácio, quisesse provar,
vindo à Síria, a que sabiam os beijos de um profeta de
Galiléia...
O homem vestido de linho alvo ergueu bruscamente a
face, sacudindo o capuz de sobre os cabelos revoltos; o
seu largo olhar azul fulgurou por toda a sala, num
relâmpago, e apagou-se logo, sob a humildade grave das
pestanas que se baixaram... Depois murmurou, lento e
severo:
- Osânias, o Rabi é casto!
O velho riu, pesadamente. Casto, o Rabi! E então essa
galiléia de Magdala, que vivera no bairro de Bezeta, e nas
festas do Prurim se misturava com as prostitutas gregas às
portas do teatro de Herodes?... E Joana, a mulher de
Cosna, um dos cozinheiros de Antipas? E outra de Efraim,
Susana, que uma noite, a um gesto do Rabi, a um aceno do
seu desejo, deixara o tear, deixara os filhos, e com o
pecúlio doméstico, escondido na ponta do manto, o seguira
até Cesaréia?...
- Oh Osânias! - gritou, batendo palmas folgazãs, o
homem formoso que tinha uma espada com pedrarias. - Oh
filho de Beotos, como tu conheces, uma a uma, as
incontinências de um Rabi galileu, filho das ervas do chão
e mais miserável que elas!
Nem que se tratasse de Élio Lama, nosso legado
imperial, que o Senhor cubra de males!
Os olhos de Osânias, miudinhos como duas contas de
vidro negro, reluziram de agudeza e malícia.
- Oh Manassés! E para que vós outros, os patriotas,
os puros herdeiros de Judas de Galaunítida, não nos
acuseis sempre, a nós saduceus, de saber só o que se passa
no átrio dos sacerdotes e nos eirados da casa de Hanão...
Uma tosse rouca reteve-o um espaço, sufocando, sob a
ponta do manto em que vivamente se embuçara. Depois, mais
quebrado, com laivos roxos na face farinhenta:
- Que em verdade foi justamente na casa de Hanão que
ouvimos isto a Menahem, passeando todos debaixo da
vinha... E mesmo nos contou ele que esse Rabi de Galiléia
chegava, no seu impudor, a tocar fêmeas pagás, e outras
mais impuras que o porco... Um levita viu-o, na estrada de
Siquém, erguer-se afogueado, detrás da borda de um poço,
com uma mulher de Samaria!
O homem coberto de alvo linho ergueu-se de um salto,
todo direito e trêmulo; e no grito que lhe escapou, havia
o horror de quem surpreendeu a profanação de um altar!
Mas Gamaliel, com uma seca autoridade, cravou nele os
olhos duros:
- Oh Gade, aos trinta anos o Rabi não é casado! Qual
é o seu trabalho? Onde está o campo que lavra? Alguém
jamais conheceu a sua vinha? Vagabundeia pelos caminhos e
vive do que lhe ofertam essas mulheres dissolutas! E que
outra cousa fazem esses moços sem barba de Sibáris e de
Lesbos, que passeiam todo o dia na Via Judiciária, e que
vós outros, essênios, abominais de tal sorte, que correis
a lavar as vestes numa cisterna, se um deles roça por
vós?... Tu ouviste Osânias, filho de Beotos... Só Jeová
é
grande! E em verdade te digo que, quando Rabi Jeschoua,
desprezando a lei, dá à mulher adúltera um perdão
que
tanto cativa os simples, cede à frouxidão da sua moral e
não à abundância da sua misericórdia!
Com a face abrasada, e atirando os braços ao ar, Gade
bradou:
- Mas o Rabi faz milagres!
E foi o famoso Manassés, com um sereno desdém, que
respondeu ao essênio:
- Sossega, Gade, outros têm feito milagres! Simão de
Samaria fez milagres. Fê-los Apolônio, e fê-los Gabieno...
E que são os prodígios do teu galileu comparados aos das
filhas do Grão-Sacerdote Ánio, e aos do sábio Rabi
Quequiná?
E Osânias escarnecia a simpleza de Gade:
- Em verdade, que aprendeis vós outros, essênios, no
vosso oásis de Engada? Milagres! Milagres até os pagãos
os
fazem! Vai a Alexandria, ao porto do Eunotos, para a
direita, onde estão as fábricas de papiros, e vês lá
magos
fazendo milagres por uma dracma, que é o preço de um dia
de trabalho. Se o milagre prova a divindade, então é
divino o peixe Oanes, que tem barbatanas de nácar e prega
nas margens do Eufrates, em noites de lua cheia!
Gade sorria com altivez e doçura. A sua indignação
expirara sob a imensidão do seu desdém. Deu um passo
vagaroso, depois outro, e considerando, apiedadamente,
aqueles homens enfatuados, endurecidos e cheios de
irrisão:
- Vós dizeis, vós dizeis, vãos à maneira de
moscardos
que zumbem! Vós dizeis, e vós não o ouvistes! Em Galiléia,
que é bem fértil, bem verde, quando ele falava era como se
corresse uma fonte de leite em terra de fome e secura: até
a luz parecia um bem maior! As águas, no Lago de
Tiberíade, amansavam para o escutar; e aos olhos das
crianças que o rodeavam, subia a gravidade de uma fé já
madura... Ele falava; e como pombas que desdobram as asas
e voam da porta de um santuário, nós víamos desprender-se
dos seus lábios, irem voar por sobre as nações do mundo,
toda a sorte de cousas nobres e santas, a caridade, a
fraternidade, a justiça, a misericórdia, e as formas
novas, belas, divinamente belas, do amor!
A sua face resplandecia, enlevada para os céus, como
seguindo o vôo dessas novas divinas. Mas já do lado,
Gamaliel, doutor da lei, o rebatia com uma dura
autoridade:
Que há de original e de individual em todas essas
idéias, homem? Pensas que o rabi as tirou da abundância do
seu coração? Está cheia delas a nossa doutrina!...
Queres
ouvir falar de amor, de caridade, de igualdade? Lê o livro
de Jesus, filho de Sidrá... Tudo isso o pregou Hilel; tudo
isso o disse Esquemaia! Cousas tão justas se encontram nos
livros pagãos que são, ao pé dos nossos, como o lodo
ao pé
da água pura de Siloé!... Vós mesmos, os essênios,
tendes
preceitos melhores!... Os rabis de Babilônia, de
Alexandria, ensinaram sempre leis puras de justiça e de
igualdade! E ensinou-as o teu amigo Iocanã, a quem chamais
o Batista, que lá acabou tão miseravelmente num ergástulo
de Maqueros.
- Iocanã! - exclamou Gade, estremecendo, como
rudemente acordado da suavidade de um sonho.
Os seus olhos brilhantes umedeceram. Três vezes,
curvado para o chão, com os braços abertos, repetiu o nome
de Iocanã, como chamando alguém dentre os mortos. Depois,
com duas lágrimas rolando pela barba, murmurou muito
baixo, numa confidência que o enchia de terror e de fé:
- Fui eu que subi a Maqueros a buscar a cabeça do
Batista! E quando descia o caminho, com ela embrulhada no
meu manto, ainda a outra, Herodíade, estirada por sobre a
muralha como a fêmea lasciva do tigre, rugia e me gritava
injúrias!... Três dias e três noites segui pelas estradas
de Galiléia, levando a cabeça do justo pendurada pelos
cabelos... Às vezes, detrás de um rochedo, um anjo surgia
todo coberto de negro, abria as asas e punha-se a caminhar
ao meu lado...
De novo a cabeça lhe pendeu, os seus duros joelhos
ressoaram nas lajes; e ficou prostrado, orando
ansiosamente, com os braços estendidos em cruz.
Então Gamaliel adiantou-se para o sábio Topsius; e,
mais direito que uma coluna do templo, com os cotovelos
colados à cinta, as mãos magras espalmadas para fora:
- Nós temos uma lei; a nossa lei é clara. Ela é a
palavra do Senhor; e o Senhor disse: "Eu sou Jeová, o
eterno, o primeiro e o último; o que não transmite a
outros nem o seu nome, nem a sua glória; antes de mim não
houve deus algum, não existe deus algum ao meu lado, não
haverá deus algum depois de mim..." Esta é a voz do
Senhor. E o Senhor disse ainda: "Se pois entre vós
aparecer um profeta, um visionário que faça milagres e
queira introduzir outro deus e chame os simples ao culto
desse deus, esse profeta e visionário morrerá!" Esta
é a
lei, esta é a voz do Senhor. Ora, o Rabi de Nazaré
proclamou-se deus em Galiléia, nas sinagogas, nas ruas de
Jerusalém, nos pátios santos do templo... O Rabi deve
morrer.
Mas o famoso Manassés, cujo lânguido olhar
entenebrecia como um céu onde vai trovejar, interpôs-se
entre o doutor da Lei e o historiador dos Herodes. E
nobremente repeliu a letra cruel da doutrina:
Não, não! Que importa que a lâmpada de um sepulcro
diga que é o sol? Que importa que um homem abra os braços
e grite que é um deus? As nossas leis são suaves; por tão
pouco não se vai buscar o carrasco ao seu covil a
Garebe...
Eu, caridoso, ia louvar Manassés. Mas já ele bradava,
com violência e fervor.
- Todavia, esse Rabi de Galiléia deve decerto morrer,
porque é um mau cidadão e um mau judeu! Não o ouvimos
nós
aconselhar que se pague o tributo a César? O Rabi estende
a mão a Roma; o romano não é o seu inimigo. Há
três anos
que prega, e ninguém jamais lhe ouviu proclamar a
necessidade santa de expulsar o estrangeiro. Nós esperamos
um messias que traga uma espada e liberte Israel, e este,
néscio e verboso, declara que traz só o pão da verdade!
Quando há um pretor romano em Jerusalém; quando são
lanças
romanas que velam às portas do nosso Deus, a que vem esse
visionário falar do pão do céu e do vinho da verdade?
A
única verdade útil é que não deve haver romanos
em
Jerusalém!...
Osânias, inquieto, olhou a janela cheia de luz, por
onde as ameaças de Manassés se evolavam, vibrantes e
livres. Gamaliel sorria friamente. E o discípulo ardente
de Judas de Gamala clamava, arrebatado na sua paixão:
- Oh! Em verdade vos digo, embalar as almas na
esperança do reino do céu, é fazer-lhes esquecer o
dever
forte para com o reino da terra, para esta terra de Israel
que está em ferros, e chora e não quer ser consolada! O
Rabi é traidor à Pátria! O Rabi deve morrer!
Trêmulo, agarrara a espada; e o seu olhar alargava-
se, com uma fulguração de revolta, como chamando
avidamente os combates e a glória dos suplícios.
Então Osânias ergueu-se apoiado a um bastão que
rematava numa pinha de ouro. Um penoso cuidado parecia
agora anuviar a sua velhice leviana. E começou a dizer,
de manso e tristemente, como quem através do entusiasmo e
da doutrina aponta o mandato iniludível da necessidade:
- Decerto, decerto, pouco importa que um visionário
se diga messias e filho de Deus; ameace destruir a lei e
destruir o templo. O Templo e a Lei podem bem sorrir e
perdoar, certos da sua eternidade... Mas, oh Manassés, as
nossas leis são suaves; e não creio que se deva ir acordar
o carrasco a Garebe, porque um Rabi de Galiléia, que se
lembra dos filhos de Judas de Gamala pregados na cruz,
aconselha prudência e malícia nas relações com
o romano! Ó
Manassés, robustas são as tuas mãos; mas podes tu,
com
elas, desviar a corrente do Jordão, da terra de Canaã para
a terra da Tracaunítida? Não. Nem podes também impedir
que
as legiões de César, que cobriram as cidades da Grécia,
venham cobrir o país de Judá! Sábio e forte era Judas
Macabeu, e fez amizade com Roma... Porque Roma é sobre a
terra como um grande vento da natureza; quando ele vem, o
insensato oferece-lhe o peito e é derrubado; mas o homem
prudente recolhe à sua morgada e está quieto. Indomável
era a Galácia; Filipe e Perseu tinham exércitos na
planície; Antíoco, o Grande comandava cento e vinte
elefantes e carros de guerra inumeráveis... Roma passou;
deles que resta? Escravos, pagando tributos...
Curvara-se, pesadamente, como um boi sob o jugo.
Depois, fixando sobre nós os olhos miúdos que dardejavam
um brilho inexorável e frio, prosseguiu, sempre de manso e
sutil:
- Mas em verdade vos digo, que esse Rabi de Galiléia
deve morrer! Porque é o dever do homem que tem bens na
terra e searas, apagar depressa com a sandália, sobre as
lajes da eira, a fagulha que ameaça inflamar-lhe a meda...
Com o romano em Jerusalém, todo aquele que venha e se
proclame Messias, como o de Galiléia, é nocivo e perigoso
para Israel. O romano não compreende o reino do céu que
ele promete; mas vê que essas prédicas, essas exaltações
divinas, agitam sombriamente o povo dentro dos pórticos do
templo... E então diz: "na verdade este templo, com o seu
ouro, as suas multidões, e tanto zelo, é um perigo para a
autoridade de César na Judéia..." E logo, lentamente,
anula a força do templo diminuindo a riqueza, os
privilégios do seu sacerdócio. Já para nossa humilhação,
as vestes pontificais são guardadas no erário da Torre
Antônia; amanhã será o candelabro de ouro! Já
o pretor
usou, para nos empobrecer, o dinheiro do Corbã! Amanhã os
dízimos da colheita, o dos gados, o dinheiro da oferenda,
o óbolo das trombetas, os tributos rituais, todos os
haveres do sacerdócio, até as viandas dos sacrifícios,
nada será nosso, tudo será do romano! E só nos ficará
o
bordão para irmos mendigar nas estradas de Samaria, à
espera dos mercadores ricos da Decápola... Em verdade vos
digo, se quisermos conservar as e os tesouros, que são
nossos pela antiga lei, e que fazem o esplendor de Israel,
devemos mostrar ao romano, que nos vigia, um templo
quieto, policiado, submisso, contente, sem fervores e sem
Messias!... O Rabi deve morrer!
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