AUTOMÓVEIS
BANCOS
CELEBRIDADES
CHAT
COLUNISTAS
COMUNIDADES
CRIANÇAS
CULINÁRIA
ENTRETENIMENTO
EDUCAÇÃO
ESPORTES
ECONOMIA
HORÓSCOPO
GAMES
INTERNET
MÚSICA
MULHERES
NOTÍCIAS
POSTAIS
SAÚDE
SERVIÇOS
SEXUALIDADE
SHOPPING
TEENS
TEMPO
TRÂNSITO
VIAGEM
  BUSCA
digite a palavra
 

  MAIL
nome:

senha

   
A Relíquia
Eça de Queirós



Ocupamos as nossas cadeiras. E na sala resplan-
decente, branca e com tons de ouro, eu pensava
saudosamente na alcova sombria da Adélia, e no desalinho
das suas saias - quando reparei que de uma frisa ao lado
uma senhora loura e madura, uma ceres outonal vestida de
seda cor de palha, voltava para mim, a cada doce arcada
das rebecas, os seus olhos claros e sérios.
Perguntei logo ao Doutor Margaride se conhecia aquela
dama "que eu costumava encontrar às sextas na Igreja da
Graça, visitando o Senhor dos Passos com uma devoção, um
fervor..."
- O sujeito que está por trás, a abrir a boca, é o
Visconde Souto Santos. E ela ou é a mulher, a Viscondessa
de Souto Santos, ou a cunhada, a Viscondessa de Vilar-o-
Velho...
À saída, a viscondessa (de Souto Santos ou de Vilar-
o-Velho) ficou um momento à porta esperando a sua
carruagem, embrulhada numa capa branca que uma penugem
orlava, delicadamente; a sua cabeça pareceu-me mais
altiva, incapaz de rolar, tonta e pálida, num travesseiro
de amor; a cauda cor de palha alastrava-se sobre as lajes;
era esplêndida, era viscondessa; e outra vez me
procuraram, me trespassaram os seus olhos claros e sérios.
A noite estava estrelada. E, descendo o Chiado em
silêncio ao lado do Doutor Margaride, eu pensava que,
quando todo o ouro da Titi fosse meu e dourasse a minha
pessoa, eu poderia então conhecer uma viscondessa de Souto
Santos ou de Vilar-o-Velho, não na sua frisa, mas na minha
alcova, já caída a grande capa branca, despidas já as
sedas cor de palha, alva só do brilho da sua nudez, e
fazendo-se pequenina entre os meus braços... Ai, quando
chegaria a hora, doce entre todas, de morrer a Titi?
- Quer você vir tomar o seu chá ao Martinho? -
perguntou-me o Doutor Margaride ao desembocarmos no
Rossio. - Não sei se você conhece a torrada do Martinho...
E a melhor torrada de Lisboa.
No Martinho, já silencioso, o gás ia adormecendo
entre os espelhos baços; e havia apenas numa mesa do fundo
um moço triste, com a cabeça enterrada entre os punhos,
diante de um capilé.
O Margaride encomendou o chá, e vendo-me olhar com
inquietação os ponteiros do relógio, afirmou-me que eu
chegaria à casa ainda a horas de fazer a minha tocante
devoção com a Titi.
- A Titi agora - disse eu - não se importa que eu
esteja até mais tarde... A Titi agora, louvado seja Deus,
tem mais confiança em mim.
- E você merece-o... Faz-lhe a vontade, é sisudo...
Ela pouco a pouco tem-lhe ganho amizade, segundo me diz o
Casimiro...
Então lembrei-me da velha afeição que ligava o Doutor
Margaride ao Padre Casimiro, procurador da tia Patrocínio
e seu zeloso confessor. E, arrebatando a oportunidade, dei
um leve suspiro, abri o meu coração ao magistrado,
largamente, como a um pai.
- E verdade, a Titi tem-me amizade... Mas acredite
Vossa Excelência, Doutor Margaride, que o meu futuro
inquieta-me às vezes... Olhe que tenho pensado mesmo em ir
a um concurso para delegado. Até já indaguei se seria
difícil entrar como despachante na alfândega. Porque enfim
a Titi é rica, é muito rica; eu sou seu sobrinho, único
parente, único herdeiro; mas...
E olhei ansiosamente para o Doutor Margaride, que,
pelo loquaz Padre Casimiro, conhecia talvez o testamento
da Titi... O silêncio grave em que ele ficou, com as mãos
cruzadas sobre a mesa, pareceu-me sinistro; e nesse
instante o criado trouxe a bandeja do chá, sorrindo, e
felicitando o magistrado por o ver melhor do seu catarro.
- Deliciosa torrada! - murmurou o doutor.
- Excelente torrada! - suspirei eu cortesmente.
De vez em quando o Doutor Margaride esfuracava um
queixal; depois limpava a face, os dedos; e recomeçava a
mastigar devagar, com delicadeza e com religião.
Eu arrisquei outra palavra tímida.
- A Titi, é verdade, tem-me amizade...
- A Titi tem-lhe amizade - atalhou com a boca cheia o
magistrado - e você é o seu único parente... Mas a questão
é outra, Teodorico. E que você tem um rival.
- Rebento-o! - gritei eu, irresistivelmente, com os
olhos em chamas, esmurrando o mármore da mesa.
O moço triste, lá ao fundo, ergueu a face de cima do
seu capilé. E o Doutor Margaride reprovou com severidade a
minha violência.
- Essa expressão é imprópria de um cavalheiro, e de
um moço comedido. Em geral não se rebenta ninguém... E
além disso o seu rival não é outro, Teodorico, senão Nosso
Senhor Jesus Cristo!
Nosso Senhor Jesus Cristo? E só compreendi, quando o
esclarecido jurisconsulto, já mais calmo, me revelou que a
Titi, ainda no último ano da minha formatura, tencionava
deixar a sua fortuna, terras e prédios, a irmandades da
sua simpatia e a padres da sua devoção.
- Estou perdido! - murmurei.
Os meus olhos, casualmente, encontraram, lá ao fundo,
o moço triste diante do seu capilé. E pareceu-me que ele
se assemelhava a mim como um irmão, que era eu próprio,
Teodorico, já deserdado, sórdido, com as botas cambadas,
vindo ali ruminar as dores da minha vida, à noite, diante
de um capilé.
Mas o Doutor Margaride acabara a torrada. E
estendendo regaladamente as pernas, consolou-me, de palito
na boca, afável e perspicaz.
- Nem tudo está perdido, Teodorico. Não me parece que
esteja tudo perdido... E possível que a senhora sua tia
tenha mudado de idéia... Você é bem comportado, amima-a,
lê-lhe o jornal, reza o terço com ela... Tudo isto influi.
Que é necessário dizê-lo, o rival é forte!
Eu gemi:
- E de arromba!
- E forte. E devo acrescentar, digno de todo o
respeito... Jesus Cristo padeceu por nós, é religião do
Estado, não há senão curvar a cabeça... Olhe, quer você a
minha opinião? Pois aí a tem, franca e sem rebuço, para
lhe servir de guia... Você vem a herdar tudo, se
D.Patrocínio, sua tia e minha senhora, se convencer que
deixar-lhe a fortuna a você é como deixá-la à Santa Madre
Igreja...
O magistrado pagou o chá, nobremente. Depois, na rua,
ia abafado no seu paletó, ainda me disse baixinho:
- Com franqueza, que tal a torrada?
- Não há melhor torrada em Lisboa, Doutor Margaride.
Ele apertou-me a mão com afeto, e separamo-nos,
quando estava dando a meia-noite no velho relógio do
Carmo.
Estugando o passo pela Rua Nova-da-Palma, eu sentia
agora bem claramente, bem amargamente, o erro da minha
vida... Sim, o erro! Porque até aí, essa minha devoção
complicada, com que eu procurara agradar à Titi e ao seu
ouro, fora sempre regular, mas nunca fora fervente. Que
importava murmurar com correção o terço diante de Nossa
Senhora do Rosário? Diante de Nossa Senhora em todas as
suas encarnações, e bem em evidência para comover a Titi,
eu devia mostrar habilmente uma alma ardendo em labaredas
de amor beato, e um corpo pisado, penitente, ferido pelos
picos dos cilícios... Até ai a Titi podia dizer com
aprovação: "É exemplar". Era-me preciso, para herdar, que
ela exclamasse um dia, babada, de mãos postas: "E santo!"
Sim! Eu devia identificar-me tanto com as cousas
eclesiásticas e submergir-me nelas de tal sorte, que a
Titi, pouco a pouco, não pudesse distinguir-me claramente
desse conjunto rançoso de cruzes, imagens, ripanços, opas,
tochas, bentinhos, palmitos, andores, que era para ela a
religião e o céu; e tomasse a minha voz pelo santo ciciar
dos latins de missa; e a minha sobrecasaca preta lhe
parecesse já salpicada de estrelas, e diáfana como a
túnica de bem-aventurança. Então, evidentemente, ela
testaria em meu favor - certa que testava em favor de
Cristo e da sua doce Madre Igreja!
Porque agora, eu estava bem decidido a não deixar ir
para Jesus, filho de Maria, a aprazível fortuna do
Comendador G. Godinho. Pois quê! Não bastavam ao Senhor os
seus tesouros incontáveis; as sombrias catedrais de
mármore, que atulham a terra e a entristecem; as
inscrições, os papéis de crédito que a piedade humana
constantemente averba em seu nome; as pás de ouro que os
Estados, reverentes, lhe depositam aos pés trespassados de
pregos; as alfaias, os cálices, e os botões de punho de
diamantes que ele usa na camisa, na sua Igreja da Graça? E
ainda voltava, do alto do madeiro, os olhos vorazes para
um bule de prata, e uns insípidos prédios da Baixa! Pois
bem! disputaremos esses mesquinhos, fugitivos haveres, tu,
ó filho do carpinteiro, mostrando à Titi a chaga que por
ela recebeste, uma tarde, numa cidade bárbara da Ásia, e
eu adorando essa chaga, com tanto ruído e tanto fausto,
que a Titi não possa saber onde está o mérito, se em ti
que morreste por nos amar de mais, se em mim que quero
morrer por não te saber amar bastante!... Assim pensava,
olhando de través o céu, no silêncio da Rua de São Lázaro.
Quando cheguei à casa, senti que a Titi estava no
oratório, sozinha, a rezar. Enfiei para o meu quarto,
sorrateiramente; descalcei-me; despi a casaca; esguedelhei
o cabelo; atirei-me de joelhos para o soalho, e fui assim,
de rastos, pelo corredor, gemendo, carpindo, esmurrando o
peito, clamando desoladamente por Jesus, meu Senhor...
Ao ouvir, no silêncio da casa, estas lúgubres
lamentações de arrastada penitência, a Titi veio à porta
do oratório, espavorida.
- Que é isso, Teodorico, filho, que tens tu?...
Abati-me sobre o soalho, aos soluços, desfalecido de
paixão divina.
- Desculpe, Titi... Estava no teatro com o Doutor
Margaride estivemos ambos a tomar chá, a conversar da
Titi... E vai de repente, ao voltar para casa, ali na Rua
Nova-da-Palma, começo a pensar que havia de morrer, e na
salvação da minha alma, e em tudo o que Nosso Senhor
padeceu por nós, e dá-me uma vontade de chorar... Enfim, a
Titi faz favor, deixa-me aqui um bocadinho só, no
oratório, para aliviar...
Muda, impressionada, ela acendeu reverentemente, uma
a uma, todas as velas do altar. Chegou mais para a borda
uma imagem de São José, favorito da sua alma, para que
fosse ele o primeiro a receber a ardente rajada de preces
que ia escapar-se, em tumulto, do meu coração cheio e
ansioso. Deixou-me entrar, de rastos. Depois, em silêncio,
desapareceu, cerrando o reposteiro com recato. E eu ali
fiquei, sentado na almofada da Titi, coçando os joelhos,
suspirando alto, e pensando na Viscondessa de Souto Santos
ou de Vilar-o-Velho, e nos beijos vorazes que lhe atiraria
por aqueles ombros maduros e suculentos, se a pudesse ter
só um instante, ali mesmo que fosse, no oratório, aos pés
de ouro de Jesus, meu Salvador!
Corrigi então a minha devoção e tornei-a perfeita.
Pensando que o bacalhau das sextas-feiras não fosse uma
suficiente mortificação, nesses dias, diante da Titi,
bebia asceticamente um copo de água e trincava uma côdea
de pão; o bacalhau comia-o à noite, de cebolada, com bifes
à inglesa, em casa da minha Adélia. No meu guarda-roupa,
nesse duro inverno, houve apenas um paletó velho, tão
renunciado me quis mostrar aos culpados regalos da carne;
mas orgulhava-me de ter lá, purificando os cheviotes
profanos, a minha opa roxa de irmão do Senhor dos Passos,
e o devoto hábito cinzento da Ordem Terceira de São
Francisco. Sobre a cômoda ardia uma lamparina perenal,
diante da litografia colorida de Nossa Senhora do
Patrocínio; eu punha todos os dias rosas dentro de um
copo, para lhe perfumar o ar em redor; e a Titi, quando
vinha remexer nas minhas gavetas, ficava a olhar a sua
padroeira, desvanecida, sem saber se era à Virgem, ou se
era a ela, indiretamente, que eu dedicava aquele preito da
luz e o louvor dos aromas. Nas paredes dependurei as
imagens dos santos mais excelsos, como galeria de
antepassados espirituais, de quem tirava o constante
exemplo nas difíceis virtudes; mas não houve de resto no
céu, santo, por mais obscuro, a quem eu não ofertasse um
cheiroso ramalhete de Padre-Nossos em flor. Fui eu que fiz
conhecer à Titi São Telésforo, Santa Secundina, o beato
Antônio Estroncônio, Santa Restituta, Santa Umbelina, irmã
do grão São Bernardo, e a nossa dileta e suavíssima
patrícia Santa Basilisca, que é solenizada juntamente com
São Hipácio, nesse festivo dia de agosto em que embarcam
os círios para a Atalaia.
Prodigiosa foi então a minha atividade devota! Ia a
matinas, ia a vésperas. Jamais falhei a igreja ou ermida,
onde se fizesse a adoração ao Sagrado Coração de Jesus. Em
todas as exposições do Santíssimo eu lá estava, de rojos.
Partilhava sofregamente de todos os desagravos ao
Sacramento. Novenas em que eu rezei, contam-se pelos lumes
do céu. E o Setenário das Dores era um dos meus doces
cuidados.
Havia dias em que, sem repousar, correndo pelas ruas,
esbaforido, eu ia à missa das sete a Santana, e à missa
das nove da Igreja de São José, e à missa do meio-dia na
ermida da Oliveirinha. Descansava um instante a uma
esquina, de ripanço debaixo do braço, chupando à pressa o
cigarro; depois voava ao Santíssimo exposto na paroquial
de Santa Engrácia, à devoção do terço no convento de Santa
Joana, à bênção do Sacramento na capela de Nossa Senhora,
às Picoas, à novena das Chagas de Cristo, na sua igreja,
com música. Tomava então a tipóia do Pingalho, e ainda vi-
sitava, ao acaso, de fugida, os Mártires e São Domingos, a
igreja do convento do Desagravo e a Igreja da Visitação
das Salésias, a capela de Monserrate, às Amoreiras e a
Glória ao Cardal da Graça, as Flamengas e as Albertas, a
Pena, o Rato, a Sé!
À noite, em casa da Adélia, estava tão derreado, mono
e mole ao canto do sofá, que ela atirava-me murros pelos
ombros, e gritava, furiosa:
- Esperta, morcão!
Ai de mim! Um dia veio, porém, em que a Adélia, em
vez de me chamar morcão, quando, esfalfado no serviço do
Senhor, eu mal podia ajudá-la a desatacar o colete,
passou, sempre que os meus lábios insaciáveis se colavam
demais ao seu colo, a empurrar-me, a chamar-me carraça...
Foi isto pelas alegres vésperas de Santo Antônio, ao
aparecerem os primeiros manjericões, no quinto mês da
minha devoção perfeita.
A Adélia começara a andar pensativa e distraída.
Tinha às vezes, quando eu lhe falava, uni modo de dizer
"hem?", com o olhar incerto e disperso, que era um
tormento para o meu coração. Depois um dia deixou de me
fazer a carícia melhor, que eu mais apetecia, a penetrante
e a regaladora beijoca na orelha.
Sim, decerto permanecia terna... Ainda dobrava
maternalmente o meu paletó; ainda me chamava riquinho;
ainda me acompanhava ao patamar em camisa, dando, ao
descolar do nosso abraço, esse lento suspiro que era para
mim a mais preciosa evidência da sua paixão; mas já me não
favorecia com a beijoquinha na orelha.
Quando eu entrava abrasado, encontrava-a por vestir,
por pentear, mole, estremunhada e com olheiras. Estendia-
me a mãozinha desamorável, bocejava, colhia
preguiçosamente a viola; enquanto eu, a um canto, chupando
cigarros mudos, esperava que se abrisse a portinha
envidraçada da alcova que dava para o céu, a desumana
Adélia, estirada no sofá, de chinelas caídas, beliscava os
bordões, murmurando, por entre longos ais, cantigas de
estranha saudade...
Num arranco de ternura, eu ia ajoelhar-me à beira do
seu peito. E lá vinha logo a dura, a regelada palavra:
- Está quieto, carraça!
E recusava-me sempre o seu carinho. Dizia-me: "não
posso, estou com azia . Dizia-me: "adeus, tenho a dor na
ilharga".
Eu sacudia os joelhos, recolhia ao Campo de Santana -
espoliado, misérrimo, chorando na escuridão da minha alma
pelos tempos inefáveis em que ela me chamava morcão!
Uma noite de julho, macia como um veludo preto e
pespontada de estrelas, chegando mais cedo à casa dela,
encontrei a portinha aberta. O candeeiro de petrolina,
pousado no soalho do patamar, enchia a escada de luz; e
dei com a Adélia, em saia branca, falando a um rapaz de
bigodinho louro, embrulhado pelintramente numa capa à
espanhola. Ela empalideceu, ele encolheu, quando eu surgi,
grande e barbudo, com a minha bengala na mão. Depois a
Adélia, sorrindo, sem perturbação, vera e límpida,
apresentou-me "seu sobrinho Adelino". Era filho da mana
Ricardina, a que vivia em Viseu, e irmão do
Teodoriquinho... Tirando o chapéu, apertei na palma larga
e leal os dedos fugidios do Senhor Adelino:
- Estimo muito conhecê-lo, cavalheiro. Sua mamã, seu
mano, bons?

1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7

1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6

1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6
7 | 8 | 9 | 10

1 | 2

1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6