AUTOMÓVEIS
BANCOS
CELEBRIDADES
CHAT
COLUNISTAS
COMUNIDADES
CRIANÇAS
CULINÁRIA
ENTRETENIMENTO
EDUCAÇÃO
ESPORTES
ECONOMIA
HORÓSCOPO
GAMES
INTERNET
MÚSICA
MULHERES
NOTÍCIAS
POSTAIS
SAÚDE
SERVIÇOS
SEXUALIDADE
SHOPPING
TEENS
TEMPO
TRÂNSITO
VIAGEM
  BUSCA
digite a palavra
 

  MAIL
nome:

senha

   
REDONDILHAS
Luís de Camões


067.

Cantiga

a este moto seu:
Pus meus olhos nüa funda,
e fiz um tiro com ela
às grades de üa janela.

VOLTAS

üa Dama, de malvada,
tomou seus olhos na mão
e tirou me üa pedrada
com eles ao coração.
Armei minha funda então,
e pus os meus olhos nela:
trape! quebro-lh'a janela.


078.

Cantiga

a três Damas que lhe diziam
que o amavam
MOTO:
Não sei se me engana Helena,
se Maria, se Joana,
não sei qual delas me engana.

VOLTAS

Üa diz que me quer bem,
outra jura que mo quer;
mas, em jura de mulher
quem crerá, se elas não crêm?
Não posso não crer a Helena,
a Maria, nem Joana,
mas não sei qual mais me engana.

Üa faz-me juramentos
que só meu amor estima;
a outra diz que se fina;
Joana, que bebe os ventos.
Se cuido que mente Helena,
também mentirá Joana;
mas quem mente, não me engana.


058.

Glosa

a este moto alheio:
Todo es poco lo posible.

Ved que enganos señorea
nuestro juicio tan loco,
que por mucho que se crea,
todo el bien que se desea,
alcançado, queda poco.
Un bien de cualquiera grado,
si de haberse es imposible,
queda mucho deseado,
mas para mucho, alcanzado,
todo es poco lo posible


104.

Cantiga

a üa mulher que se chamava Grada de Morais
MOTO:
Olhos em que estão mil flores
e com tanta graça olhais,
que parece que os Amores
moram onde vós morais.

VOLTAS

Vêm-se rosas e boninas,
olhos, nesse vosso ver;
vêm-se mil almas arder
no fogo dessas mininas.
E di-lo hão minhas dores,
meus suspiros, e meus ais;
e dirão mais, que os Amores
moram onde vós morais.


037.

Glosa

a este moto:
Sem vós e com meu cuidado
Olha; com quem e sem quem.

Vendo amor que, com vos ver,
mais levemente sofria
os males que me fazia,
não me pode isto sofrer;
conjurou-se com meu fado,
um novo mal me ordenou;
ambos me levam forçado
não sei onde, pois que sou
sem vós e com meu cuidado.

Não sei qual é mais estranho
destes dous males que sigo,
se não vos ver, se comigo
levar imigo tamanho.
O que fica e o que vem,
um me mata, outro desejo.
Com tal mal e sem tal bem,
em tais extremos me vejo:
olhai com quem e sem quem,


074.

Cantiga

a este moto alheio:
De pequena tomei Amor,
porque o não entendi;
agora que o conheci,
mata-me com desfavor.

VOLTAS

Vi-o moço e pequenino,
e a mesma idade ensina
que se incline üa minina,
às mostras de um minino.
Ouvi-lhe chamar Amor,
pelo nome me venci;
nunca tal engano vi,
nem tamanho desamor.

Creceu-me de dia em dia
com a idade a afeição,
porque amor de criação,
n'alma e na vida se cria.
Criou-se em mim este amor,
e senhoreou-se de mi:
agora que o conheci,
mata-me com desfavor.

As flores me torna abrolhos,
a morte me determina
quem eu trouxe de minina
nas mininas dos meus olhos.
Desta mágoa e desta dor
tenho sabido enfim,
por amor me perco a mim,
por quem de mim perde o amor.

Parece ser caso estranho
o que Amor em mim ordena,
que em idade tão pequena
haja tormento tamanho.
milagres de Amor,
hei-os de sofrer assi,
até que haja dó de mi
quem entender esta dor.


111.

Cantiga

a este moto que lhe mandou
o Vizo-Rei, na Índia, para
que Luís de Camões lhe
fizesse üas voltas
MOTO:
Muito sou meu inimigo,
pois que não tiro de mi
cuidados com que nasci,
que põem a vida em perigo.
Oxalá que fora assi!

VOLTAS

Viver eu, sendo mortal,
de cuidados rodeado,
parece meu natural;
que a peçonha não faz mal
a quem foi nela criado.
Tanto sou meu inimigo,
que, por não tirar de mi
cuidados, com que naci,
porei a vida em perigo.
Oxalá que fora assi!

Tanto vim a acrecentar
cuidados, que nunca amansam
enquanto a vida durar,
que canso já de cuidar
como cuidados não cansam.
Se estes cuidados que digo
dessem fim a mi e a si,
fariam pazes comigo;
que pôr a vida em perigo,
o bom fora para mi.


110.

Trovas

que Heitor da Silveira mandou ao
mesmo Conde, invernando em Goa

Vossa Senhoria creia
que não apura o engenho
fome, se é como a que tenho,
mas afraca e corta a veia.
E quem o contrário sente
está farto em toda a hora,
como estou faminto agora.
Mas Marta, se está contente,
dá-lhe pouco de quem chora.

E pois Vossa Senhoria,
em geral, a tudo acode,
acuda a mim, que só
dar-me no engenho valia.
Esperte esta musa minha,
que o tempo traz sonorenta,
valha-me nesta tormenta
com essa doce mezinha
que só dá vida e a contenta.

Acuda com provisão
não de papel, mas provida
de ouro e prata: que esta vida
não sustentam papéis, não.
De feitor a tesoureiro
ser-me hia trabalho grande;
Vossa Senhoria mande
algum remédio primeiro
com que a morte o ferro abrande.

Ajuda de Luís de Camões:

Nos livros doutos se trata,
que o grande Aquiles insano
deu a morte a Heitor troiano;
mas agora a fome mata
o nosso Heitor lusitano.
Só ela o pode acabar,
se essa vossa condição
liberal e singular
não mete entre eles bastão
bastante para o fartar.


96.

Trovas

{Vós} sois üa dama
das feias do mundo;
de toda a má fama
sois cabo profundo.
A vossa figura
não é para ver;
em vosso poder
não há fermosura.

{Vós} fostes dotada
de toda a maldade;
perfeita beldade
de vós é tirada.
Sois muito acabada
de tacha e de glosa:
pois, quanto a fermosa,
em vós não há nada.

De grão merecer
sois bem apartada;
andais alongada
do bem parecer.
Bem claro mostrais
em vós fealdade:
não há i maldade
que não precedais.

De fresco carão
vos vejo ausente;
em vós é presente
a má condição.
De ter perfeição
mui alheia estais;
mui muito alcançais
de pouca razão.


102.

Cantiga

a este vilancete pastoril:
-¿Porqué no miras, Giraldo,
mi zampoña como suena ?
-Porque no me mira Elena.

VOLTAS

-Vuelve acá, no estês pasmado,
¡mira que gentil sonar!
-¿Como te podrá mirar quién
no puede ser mirado?

-{¡Y} que bueno enamorado!
¿No dirás, si es mala o buena?
-No, que me hizo mudo Elena.
-Mira tan dulce armonía,
déjate desos enojes.
-Tengo clavados los ojos
con que mirar te podía.
-Así Dios te de alegría:
¿no vés cuán dulce y serena?
-No, porque no veo Elena.


Sonetos, de Luís de Camões

Texto-base:
CAMÕES, Luís Vaz de. Os Lusíadas de Luís Camões. Direção Literária Dr. Álvaro Júlio da Costa Pimpão.

Texto proveniente de:
A Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro <http://www.bibvirt.futuro.usp.br>
A Escola do Futuro da Universidade de São Paulo
Permitido o uso apenas para fins educacionais.

Texto-base digitalizado por:
FCCN - Fundação para a Computação Científica Nacional (http://www.fccn.pt)
IBL - Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro (http://www.ibl.pt)
Disponível em: http://web.rccn.net/camoes/camoes/index.html

Agradecimentos especiais à Dra. Maria Teresa Perdigão Costa Bettencourt d'Ávila, herdeira do Dr. Álvaro Júlio da Costa Pimpão (responsável pela direção literária da obra-base), que gentilmente autorizou-nos a publicação desta obra.

Este material pode ser redistribuído livremente, desde que não seja alterado, e que as informações acima sejam mantidas. Para maiores informações, escreva para <bibvirt@futuro.usp.br>.

Estamos em busca de patrocinadores e voluntários para nos ajudar a manter este projeto. Se você quer ajudar de alguma forma, mande um e-mail para <bibvirt@futuro.usp.br> e saiba como isso é possível.

1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7
8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13