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O Primo da Califórnia
Joaquim Manuel de Macedo

 


CENA V

ADRIANO, Que acompanha CELESTINA até à porta, e FELISBERTO

ADRIANO - Oh! Caro e preclaro amigo Felisberto!... (Acompanha Celestina).
FELISBERTO (à parte) - Exatamente... a nova rua, que a Câmara Municipal projeta abrir, deve passar por aqui, e se eu consigo comprar esta casa, hei de vendê-la com um lucro de trezentos por cento, pois que tenho bons padrinhos.
ADRIANO - Às ordens do meu amigo Felisberto!
FELISBERTO - o senhor adivinha sem dúvida os motivos que me trazem aqui...
ADRIANO - Oh! Incomparável alfaiate! Vem seguramente ver se tenho necessidade de alguma roupa; chega bem a propósito... a minha roupa mais nova mostra já os cordões diabolicamente, e exige a todo transe uma reforma.
FELISBERTO - E o senhor pensa...
ADRIANO - Em lhe encomendar roupa nova... pois que duvida?... tenho inteira confiança na sua tesoura magistral; o senhor é o alfaiate de minha confiança; não lhe pose retirar o meu voto.
FELISBERTO - Eu suponho; quando se é o alfaiate do corpo diplomático...
ADRIANO - Ah!... então o senhor é o alfaiate dos diplomatas?... por que não mo disse há mais tempo?
FELISBERTO - Tenho essa honra; porém, voltemos ao que mais importa; o senhor diz que quer roupa nova?... bem; mas a respeito da velha, que lhe fiz...
ADRIANO - Já não presta para nada, meu querido Felisberto!
FELISBERTO - Estou por isso; é, porém, necessário que nos entendamos acerca de...
ADRIANO - Da cor provavelmente?... é verdade; qual é a do último gosto?...
FELISBERTO - Não há cor dominante agora; mas não é isso... o que eu quero é que...
ADRIANO - Já lhe disse que o senhor é o alfaiate da minha confiança; escolha portanto as fazendas, corte, cosa, vista-me! Eu me entrego em suas mãos... Que mais pode desejar?...
FELISBERTO - O que eu desejo é que finalmente falemos sobre...
ADRIANO - Sobre os botões, não é isso?... meu amigo, prefiro os de metal, porque o metal...
FELISBERTO - Exatamente é por causa do metal que eu aqui venho; o meu metal, meu senhor, é muito raro... não aparece nunca... o meu cobrador já cansou de o procurar, e agora venho eu próprio a ver se sou mais feliz: então?... (Canta)

Está perdendo o seu tempo,
Se finge não me entender;
Pague já o que me deve,
Que eu tenho mais que fazer.

Não sou criado do povo;
Quem trabalha, quer comer;
Pague já o que me deve,
Que eu tenho mais que fazer.

ADRIANO - Qué!... será possível que por alguns magros réis o alfaiate do corpo diplomático se abaixasse a subir a um terceiro andar?... o alfaiate do corpo diplomático!... que miséria!... que miséria!...
FELISBERTO - Mas é que o senhor chama magros réis a uma soma de....
ADRIANO - Pare... pare... não pronuncie o total... lembre-se que sou músico, e que o som produzido por um total é capaz de esfolar-me os ouvidos!...
FELISBERTO - Senhor, basta de gracejos; creio que devo ser pago, visto que não seria com o único fim de lhe obsequiar, que há dois anos o tenho vestido dos pés à cabeça; lembre-se que está coberto com os meus panos?
ADRIANO - Alfaiate do corpo diplomático! Sabe música?...
FELISBERTO - Não, senhor.
ADRIANO - Em tal caso lhe farei ouvir uma composição, que deve elevar-me à imortalidade! Compreendo perfeitamente que enquanto não chega a imortalidade é necessário ter de que viver; mas não é tarde... sim, caro, preclaro, e preclaríssimo Felisberto; eu vou estrear na minha arte... o senhor já esteou na sua... a única diferença está nas nossas divisas; o senhor tem a tesoura, e eu vou ter a batuta... o senhor entende isto suficientemente, não é assim?... eu sou rapaz de consciência... O senhor deve ser um homem de paciência... eu... não pretendo enganar a pessoa alguma... oh! Não... nunca!... porém, por ora... falemos sério... (Batendo nos bolsos) Estou a tocar matinas!... por conseqüência, caro e preclaro Felisberto em suma.... em uma palavra... em último resultado... para dizer tudo... agora?... não pode ser; amanhã... veremos, espere sempre; (À parte) é impossível... ninguém satisfaz um credor melhor do que eu!
FELISBERTO - Senhor! Se se acha em más circunstâncias, tanto piro para a sua pessoa, quanto a mim, nada tenho com isso, nem pretendo intrometer-me em negócios alheios.
ADRIANO - Todavia convém que fique sabendo, que me vão imprimir uma magnífica coleção de composições musicais.
FELISBERTO - Faço idéia... algumas valsinhas...
ADRIANO - Nada... nada... coisa mais alta; vou concluir o meu ajuste com o editor, e espero em breve pagar-lhe a insignificante continha, que o senhor teve a baixeza de julgar tão elevada.
FELISBERTO - Porém, quando, senhor? Quando?...
ADRIANO - Mais cedo do que talvez espera.
FELISBERTO - Juro que não será mais cedo do que desejo.
ADRIANO - Oh! Que semelhança em nossos pensamentos, caro e preclaro Felisberto!
FELISBERTO - Adeus, senhor; como não nasci para andar toda a minha vida correndo atrás do seu dinheiro, cá lhe enviarei outra vez o meu cobrador.
ADRIANO - Ele achará a porta da minha casa tão aberta e franca, como para o senhor o está sempre a porta do meu coração
FELISBERTO - Preciso é pagar;
O triste credor
Não pode esperar;
Quem compra fiado,
E quer ser honrado,
De pagar os meios
Calcula e prevê;
Preciso é pagar,
Arranje com quê.

ADRIANO - Preciso é pagar?...
O duro credor
Não pode esperar?...
Eu comprei fiado,
Quero ser honrado;
Mas que os meios faltam
O senhor bem vê;
Preciso é pagar?...
Não tenho com quê.


CENA VI

ADRIANO (só) - Preciso é pagar... boa dúvida! Que é preciso pagar, sei eu; mas como é que um homem sem dinheiro pode pagar suas dívidas? É o segredo que eles me deviam ensinar. Dinheiro... dinheiro... os diabos me levem se eu não o desejo mais do que eles: ora é boa! Tenho eu culpa de não ter nada de meu?... a fortuna é uma rapariga a quem tenho namorado toda minha vida, e a ingrata teimado sempre em dar-me de tábua; mas agora espero ficar às boas com ela. Corramos à casa do meu editor... fica perto... ali defronte; e o bolo inglês?... ah! Chamamos a impagável Beatriz... ei-la que chega a propósito... senhor Beatriz! Senhora Beatriz!...


CENA VII

ADRIANO e BEATRIZ

BEATRIZ - Aqui estou, senhor; mas por quem é, não me mande procurá-lo em parte nenhuma.
ADRIANO - Esta noite reúno aqui os meus amigos; vá ao hotel de França e receba lá um bolo inglês, e algumas garrafas de vinho, que lhe entregarão, e durante a minha ausência disponha tudo o que é necessário para esta solenidade um pouco extraordinária em minha casa.
BEATRIZ - O que é isto pois?... bolo inglês e vinho?... então o senhor tirou a sorte grande no vigésimo, que comprou no outro dia?
ADRIANO - Sim, modelo das criadas!... (Canta)

O diabo atrás da porta
Não devia sempre estar.

BEATRIZ - Mas que fortuna foi essa?...
ADRIANO - Minha sorte vai mudar.

Sinto já por tal ventura
O juízo a me voltar;
E a prova de que estou doido
É que chego a te abraçar!

BEATRIZ (Sem recusar) - Senhor Adriano, não comece com essas graças.
ADRIANO - Não tenha receio... Oh! Certamente deve confiar em si mesma... adeus... não esqueça nada. (Vai-se)


CENA VIII

BEATRIZ, e depois PANTALEÃO

BEATRIZ (Suspirando) - Sempre pensei que tivesse o atrevimento de me abraçar! Também de que me servia o abraço de um musicozinho das dúzias?... se eu não recuo tão depressa... mas deixemos estas asneiras. Uma ceia!... ainda trabalho... e depois deita-se a gente tarde... perde-se a noite... e isto acontece à Beatriz formosa, por causa de um músico de meia cara!... ora enfim vamos a ver o que se arranja. (Abre a gaveta) Bem... copos cinco, exatamente, e cada qual de sua qualidade: pratos... nove, entrando dois rachados: aqui há de tudo, desde a louça da China, até...
PANTALEÃO - Olhem lá em que ela se ocupa... dá de língua como deputado!... Velha rezingueira, é assim que cumpre o nosso contrato?... eu te pago meia moeda por mês, fora os caídos, para observares o procedimento da minha súcia de inquilinos, e entretanto um deles está pondo os trastes da porta para fora sem pagar o que legitimamente me deve, e eu nada sei do que se passa!... olha, que te suspendo o ordenado!
BEATRIZ - E quem é que está fazendo esse desaforo?...
PANTALEÃO - O locatário do terceiro andar, que acaba de fazer descer as escadas a dois enxergões e uma esteira!...
BEATRIZ - já sei o seu destino, senhor; os enxergões vão se encher de novo e a esteira, que já está muito velha, mandaram-na atirar à praia.
PANTALEÃO - Aceito a explicação; mas sustento o que disse: eu quero que não durmas, e que de dia e de noite observes o que se passa na minha propriedade: olha... põe-te alerta principalmente de madrugada: quando eu tinha as minhas duas vendas era de madrugada que eu fazia o melhor negócio com os pretinhos: aquilo, sim! Hoje era um cordão de ouro por meia pataca, amanhã uma colher de prata por quatro vinténs, depois de amanhã um anel de brilhantes por um martelinho de infusão de gengibre, que eu chamava aguardente... oh! Tudo isso sem bulha, sem matinada, e muito honradamente, muito honradamente!...
BEATRIZ - Senhor Pantaleão, eu cumpre como posso as suas ordens; mas Vossa Senhoria bem sabe que eu sou também criada do musicozinho...
PANTALEÃO - Tudo isso mudará, e principiarei hoje por mandar pôr os quartos na rua a esse insuportável arranha-notas...
BEATRIZ - Olhe, não hei de ser eu que me ponha diante dele para lhe impedir a retirada: pois o insolente não quis ainda há pouco dar-me um abraço?... e se eu não recuo tão depressa...
PANTALEÃO - Enfim... devo proceder desse modo; pois o que é esse músico?... um habitante de um terceiro andar: somente farroupilhas moram em tais alturas: dever-se-ia proibir os terceiros andares... eles só servem para alojar inquilinos que nunca pagam ao senhorio.
BEATRIZ - Eis aí o que é falar bem: cá eu sempre fui inimiga de canalha.
PANTALEÃO - Sim... é isso mesmo: essa gente que não tem real de seu é uma verdadeira canalha!... Mas agora deixa-me só, que ouço os passos do meu inquilino farroupilha: anda, vai-te!
BEATRIZ - Eu sou uma criada sempre pronta a obedecer a Vossa Senhoria por cuja felicidade rezo sempre nas minhas bentas contas! (À parte) é um jagodes muito ordinário; mas é preciso fazer-lhe cortesias, porque dizem que tem dinheiro, como farinha! (A Pantaleão) Sou uma criada de Vossa Senhoria Excelentíssima... (Vai-se)


CENA IX

PANTALEÃO e ADRIANO desesperado


PANTALEÃO - Usemos do meu direito de proprietário para tratar a este mequetrefe como convém.
ADRIANO (Atirando com o chapéu, e um rolo de músicas) - Estúpido editor! Falta-me à palavra! Recusa minhas músicas!... é necessário, diz ele, que eu tenha um nome... um nome!... um nome preciso eu para qualificar tão indigno procedimento!... e eu, que calculava com isso. (Sentidamente) obrigado a empenhar o meu relógio... a última lembrança de minha mãe! (põe uma clareza ou papel sobre a mesa) Porém, ele está seguro, e apenas puder tirá-lo do Monte de Socorro...
PANTALEÃO - Penso que, enfim, o senhor se resolverá a prestar-me dois minutos de atenção!
ADRIANO - Ah! É Vossa Senhoria, senhor Pantaleão?... perdoe-me, não o tinha visto... chegou muito a propósito...
PANTALEÃO - A propósito?... então está de maré cheia?...
ADRIANO - Sim; em maré cheia de tristeza... de angústias... de cólera... de...
PANTALEÃO - É moeda que não corre em minhas propriedades.
ADRIANO - Pois vejamos: o que quer o senhor de mim?...
PANTALEÃO - Duas coisas muito simples: primeira, despedi-lo de inquilino de uma das minhas propriedades; segunda, despedi-lo de mestre de música de minha filha Ifigênia Pantalôa.
ADRIANO (À parte) - Como via tudo a melhor! Queda!... em cima de queda, coice... em cima de coice... um dardo, que atravesse a esta súcia toda! Estou bonito! Estou mesmo a ver jurar testemunhas!... ( A Pantaleão) Suponho que tenho o direito de perguntar-lhe os motivos de duas despedidas tão súbitas, como intempestivas.
PANTALEÃO - Pois não! Eu lhe satisfaço: não me convém que o senhor continue a dar lições de música à minha filha, porque vejo que ela nenhum progresso faz; gasto em sua educação seiscentos mil réis por ano, e isto dura já há dez anos, o que perfaz a quantia de seis contos de réis, que com juros compostos, iam muito longe, e minha filha se vai tornando muito cara!
ADRIANO - E tenho eu a culpa de que Dona Ifigênia não tenha disposições para a música?...
PANTALEÃO - Quê! Pois a filha de um homem rico, de um homem que já teve duas vendas e que é hoje senhor de tantas propriedades, deixaria de ter disposições para a música?... ela tem habilidade... mesmo habilidade rara, o que lhe falta é um mestre de capacidade.
ADRIANO (À parte) - E ature-se lá um estúpido destes! (A Pantaleão) Então é este o único motivo por que sou despedido?...
PANTALEÃO - Além disso ela tem coração... esse coração tem suas fraquezas... e eu tenho reparado que minha filha quando olha para o senhor fica sempre vermelha como um camarão.
ADRIANO - Sim?... talvez aperte muito o espartilho.
PANTALEÃO - Em suas lições de desenho ela não faz um nariz, uma orelha, um olho, que eu não encontre o seu mesmo nariz, a sua mesmíssima orelha, e até o seu mesmíssimo olho!... em bom português: desconfio que minha filha está se apaixonando pelo senhor.
ADRIANO - É possível... e realmente isso não me faz mal nenhum.
PANTALEÃO - Mas a mim faz muito: eu, que já tive duas vendas, e que sou hoje senhor de tantas propriedades; eu que tenho uma certa posição, que sou capitão da guarda nacional, não havia de ir entregar minha linda filha a um pobre músico, que nem ao menos paga o aluguel da casa em que mora.
ADRIANO - Não briguemos por isso: pagarei o aluguel desta casa...
PANTALEÃO - Pagarei, pagarei, e pagarei, está o senhor a me dizer há três meses!... e eu devo afirmar-lhe que por este terceiro andar acabam de me oferecer mais quatro mil réis por mês, além do que o senhor me devia pagar, e portanto...
ADRIANO - Pois bem, eu cedo; dê-me um pequeno quarto, uma mansarda qualquer em relação com os meus poucos meios, e amanhã mesmo estarei mudado; pode crer: dou-lhe palavra de honra que em menos de um quarto de hora mudarei toda a minha mobília... a minha louça... os meus trastes de luxo... enfim, tudo... tudo...
PANTALEÃO - Devera?... eis aí um corretivo ao mau procedimento que tem tido comigo: há aqui por cima deste sobrado, um sótão em que o senhor se acomodará perfeitamente.
ADRIANO - Ah! É num buraco que fica aqui por cima?... pois está tratado; serve-me às mil maravilhas... vou transformar-me em rato... Que bom agouro... os ratos quando são grandes, são tão felizes e respeitados!...
PANTALEÃO - Mas insisto sempre no que lhe disse a respeito de minha filha, e quero que me pague o que me deve: preciso de dinheiro, senhor, e de muito dinheiro: vou entrar em negociações importantes; o monopólio da carne fresca e do toucinho é uma mina aberta, e os homens de bem não devem perder a pechincha; vou portanto abrir de novo as minhas vendas, e tornar a viver entre as pipas e os paios, e sobre as mantas de carne seca!
ADRIANO (À parte) - Donde nunca deveríeis ter saído, taberneiro de um figa!
PANTALEÃO - Não se esqueça do que acabo de lhe dizer; ficaremos amigos como dantes, logo que me pagar o que me deve! (À parte) minha filha apaixonada de um farroupilha: que humilhação!... (A Adriano) Jovem músico, locatário insolúvel, dinheiro quanto antes, e adeus... (Canta)

Da carne fresca e toucinho
No monopólio me empenho;
Chore o povo muito embora,
Eu com isso nada tenho;
Quero dinheiro e depressa,
Que o monopólio começa.

ADRIANO - Da carne seca e toucinho
No monopólio se empenha;
Em tais biltres é preciso
Que a polícia os olhos tenha;
Polícia, acode depressa,
Que o monopólio começa.


CENA X

BEATRIZ e ADRIANO logo depois

ADRIANO - "É necessário pagar; eu quero o meu dinheiro!" Tal e qual como aquele indigno alfaiate: "Meu dinheiro!" Que gente estúpida! Só tem na boca uma palavra, não sabe dizer senão isto: "Meu dinheiro!" é fastidioso... maçante... diabólico... vai-te, miserável taberneiro.
BEATRIZ (Trazendo uma cesta e uma bandeja) - Senhor, eis aqui o que me entregaram no hotel... vim carregada como um preto do ganho.
ADRIANO (Examinando) - Muito bem: bolo inglês... champanhe... vinho de Reno... madeira seco... Experimentemos este; afoguemos os pesares em copos de vinho (Bebe); não está mau!...
BEATRIZ - Mas como o vejo triste, senhor: ah! Adivinho, que já lhe deram a notícia...
ADRIANO - Notícia de que, mulher?...
BEATRIZ (Arranjando a mesa) - Eu sou discreta... porém, como não é mais um mistério... o senhor Juca do armarinho o tem publicado por todo o quarteirão.
ADRIANO - O quê?... o quê! Diga de uma vez, ande...
BEATRIZ - Enfim, ele é suficientemente rico para fazer a fortuna de uma moça: olhe, só em consultas gratuitas, tem ganho rios de dinheiro!
ADRIANO - Mas então o que há?... desembucha, velha dos meus pecados.
BEATRIZ (À parte) - Velha! Pois espera, que eu te curo. (A Adriano) Eu me explico: o doutor Oliveira, médico homeopata, que, como todos sabe, está muito rico, e que vende cada vidrinho das suas feitiçarias a cinco mil réis, fez suas proposições à senhora Dona Celestina, que depois de algumas dúvidas acabou por dizer, que sim.
ADRIANO - Celestina?!!! É uma ignóbil mentira!
BEATRIZ - O senhor está no seu direito duvidando; mas a notícia é oficial; falta só aparecer no Jornal do Commercio, e nos fatos diversos do Mercantil.
ADRIANO - Senhora Beatriz, retire-se, deixe-me!...
BEATRIZ - Senhor!
ADRIANO - Retire-se... retire... aliás...
BEATRIZ - Está furioso: tal e qual como o meu defunto Pancrácio quando tinha ciúmes de sua formosa Beatriz! (Vai-se)


Cena I à Cena IV
Cena V à Cena X
Cena XI à Cena XIV


Cena I à Cena VII
Cena VIII à Cena XI
Cena XII à Cena XVI