A Capital Federal
Artur Azevedo
Quadro VII
(Rico salão de baile profusamente iluminado)
- Cena I -
Rodrigues, Dolores, Mercedes, Blanchette, convidados
(Estão todos vestidos à fantasia)
Coro
Que lindo baile! Que bela festa!
Luzes e flores em profusão!
A nossa Lola não é modesta!
Eu sinto aos pulos o coração!
Mercedes, Dolores
e Blanchette
Senhores e senhoras,
Divirtam-se a fartar!
Alegremente as horas
Vejamos deslizar!
A mocidade é sonho
Esplêndido e risonho
Que rápido
se esvai;
Portanto, a mocidade
Com voluptuosidade
Depressa aproveitai!
Blanchette
Dancemos, que a dança,
Se o corpo nos cansa,
A alma nos lança
Num mundo melhor!
Dolores
Bebamos, que o vinho,
Com doce carinho,
Nos mostra o caminho
Fulgente do amor!
Mercedes
Amemos, embora
Chegada à hora
Da fúlgida aurora,
Deixemos de amar!
Que em nós os amores,
Tal como nas flores
Perfumes e cores,
Não possam durar!
As Três
Dancemos!
Bebamos! Amemos!
Rodrigues (Que está
vestido de Arlequim.) - Então? Que me dizem desta fantasia? Vocês
ainda não me disseram nada!...
Mercedes - Deliciosa!
Blanchette - Épatante!
Rodrigues - Saiu baratinha, porque foi feita em casa pelas meninas. Como
sabem, sou o
homem da família.
Mercedes - Você confessou em casa que vinha ao baile da Lola?
Rodrigues - Não, que isso talvez aborrecesse minha senhora. Eu
disse-lhe que ia a um
baile dado em Petrópolis pelo Ministro Inglês...
Todas - Ah!ah!ah!...
Rodrigues (Continuando.) - ... baile a que não podia faltar por
amor de uns tantos
interesses comerciais...
Blanchette - Ah! Seu patife!
Dolores - De modo que, neste momento, a sua pobre senhora julga-o em Petrópolis.
Rodrigues (Confidencialmente, muito risonho.) - Saí hoje de casa
com a minha bela fantasia dentro de uma mala de mão, e fingi que
ia tomar a barca das quatro horas. Tomei mas foi um quarto do hotel, onde
o austero negociante jantou e onde à noite se transformou no carro
fechado voei a esta deliciosa mansão de encantos e prazeres.Tenho
por mim toda a noite e parte do dia de amanhã, pois só tenciono
voltar à tardinha. Ah! Não imaginam vocês com que
saudade estou da família, e com que satisfação abraçarei
a esposa e os filhos quando vier de Petrópolis!
Mercedes - Você é na realidade um pai de família modelo!
Dolores - Um exemplo de todas as virtudes!
Blanchette - Esse vestuário de Arlequim não lhe fica bem!
Você devia vestir-se de Catão!
Rodrigues - Trocem à vontade, mas creiam que não há
no Rio de Janeiro um chefe de
família mais completo do que eu. (Afastando-se.) Em minha casa
não falta nada. (Afasta-se.)
Mercedes - Nada, absolutamente nada, a não ser o marido.
Dolores - É um grande tipo.
Blanchette - E a graça é que a senhora paga-lhe na mesma
moeda!
Mercedes - É mais escandalosa que qualquer de nós.
Dolores - Não quero ser má língua, mas há
dias encontrei-a num bonde da Vila Isabel
muito agarradinha ao Lima Gama!
Blanchette - Aqueles bondes da Vila Isabel são muito comprometedores.
Rodrigues (Voltando.) - Que estão vocês aí a cochichar?
Mercedes - Falávamos da vida alheia.
Blanchette - Dolores contava que há dias encontrou num bonde da
Vila Isabel uma
senhora casada que mora em Botafogo.
Rodrigues - Isso não tira! Talvez fosse ao Jardim Zoológico.
Dolores - Talvez; mas o leão ia ao lado dela no bonde...
Rodrigues - Há, efetivamente, senhoras casadas que se esquecem
do decoro que devem a
si e à sociedade!
As três (Com convicção.) - Isso há...
Rodrigues - Por esse lado posso levantar as mãos para o céu!
Tenho uma esposa virtuosa!
Mercedes - Deus lha conserve tal qual tem sido até hoje.
Rodrigues - Amém.
Blanchette - E Lola que não aparece?
Dolores - Está se vestindo: não tarda.
Um Convidado - Oh! Que bonito par vem entrando!
Todos - É verdade!
O Convidado - Façamos alas para recebê-lo!
Rodrigues - Propomos que o recebamos com um rataplan!
Todos - Apoiada! Um rataplan... (Formam-se duas alas.)
Coro
Rataplan! Rataplan! Rataplan!
Oh! que elegância! que lindo par!...
Todos os outros vem ofuscar!
- Cena II -
Os mesmos, Figueiredo
e Benvinda
(Entra Figueiredo, vestido de Radamés, trazendo pela mão
Benvinda, vestida de Aída.)
Figueiredo
- I -
Eis Aída,
Conduzida
Pela mão de Radamés
Vem chibante,
Coruscante,
Da cabeça até os pés!...
Que lindeza!
Que beleza!
Meus senhores aqui está
A trigueira
Mais faceira
De São João do Sabará!
Coro
A trigueira, etc...
Figueiredo
- II -
Diz tolices,
Parvoíces,
Se abre a boca pra falar,
Se se cala
Se não fala,
Pode as pedras encantar!
Eu a lanço
Sem descanso!
Na pontíssima estará
A trigueira
Mais faceira
De São João do Sabará!
Coro
A trigueira, etc...
Figueiredo - Minhas senhoras e meus senhores, apresento a Vossas Excelências
e
Senhorias, Dona Fredegonda, que - depois, bem entendido, das damas que
se acham
aqui presentes - é a estrela mais cintilante do demi-monde carioca!
Todos ( Inclinando-se.) - Dona Fredegonda!
Figueiredo (Baixo a Benvinda.) - Cumprimenta.
Benvinda - Ô revoá!
Figueiredo ( Baixo.) - Não Au revoir é quando a gente vai
se embora e não quando chega.
Benvinda - Entonces...
Figueiredo (Baixo.) - Cala-te! Não digas nada! ... (Alto.) - Convidado
pela gentilíssima
Lola para comparecer a este forrobodó elegante, não quis
perder o magnífico ensejo,
que se me oferecia, de iniciar a formosa Fredegonda nos insondáveis
mistérios da
galanteria fluminense! Espero que Vossas Excelências e senhorias
queiram recebê-
la com benevolência, dando o necessário desconto às
clássicas emoções da estréia, e
ao fato de ser Dona Fredegonda uma simples roceira, quase tão selvagem
como a
princesa etíope que o seu vestuário representa.
Todos ( Batendo palmas.) - Bravo! Bravo! Muito bem!
Blanchette ( A Figueiredo.) - Descanse. A iniciação desta
neófita fica por nossa conta. (Às
outras.) Não é assim?
Dolores e Mercedes - Certamente. (As três cercam Benvinda, que se
mostra muito
encafifada.)
Figueiredo (Vendo Rodrigues aproximando-se dele.) - Oh! Que vejo! Você
aqui!... Você,
o homem da família, o moralista retórico e sentimental,
o palmatória do mundo!...
Rodrigues - Sim... é que ... são coisas... estou aqui por
necessidade... por incidente... por
uma série de circunstâncias que...que...
Figueiredo - Deixe-se disso! Não há nada mais feio que a
hipocrisia! Naquela tarde em
que o encontrei no largo da Carioca, a mulata mostrou-me seu cartão
de visitas...
Rodrigues - O meu?... Ah! Sim, dei-lhe o meu cartão... para...
Figueiredo - Para quê?
Rodrigues - Para...
Figueiredo - Olhe, cá entre nós que ninguém nos ouve:
quer você tomar conta dela?
Rodrigues - Quê! Pois já se aborreceu?
Figueiredo - Todo o meu prazer é lançá-las, lançá-las,
e nada mais. Você viu a Mimi
Bilontra?
Rodrigues - Não.
Figueiredo - Mas sabe o que é lançar uma mulher?
Rodrigues - Nesses assuntos sou hóspede... você sabe... sempre
fui um homem de
família... mas quer me parecer que lançar uma mulher é
como quem diz atirá-la na
vida, iniciá-la neste meio...
Figueiredo - Ah! Qui Qui! Infelizmente não creio que desta se possa
fazer alguma coisa
mais que uma boa companheira. É uma mulher que lhe convinha.
Rodrigues - Mas eu não preciso de companheira! Sou casado, e, graças
a Deus, a minha
santa esposa...
Figueiredo ( Atalhando.) - E o cartão?
Rodrigues - Que cartão? Ah! Sim, o cartão do Largo da Carioca...
Mas eu não me
comprometi a coisa nenhuma!
Figueiredo - Bom; então não temos nada feito... mas veja
lá! - se quer...
Rodrigues - Querer, queria... mas não com caráter definitivo!
Figueiredo - Ora vá pentear macacos!
(Às últimas
deixas, Eusébio tem entrado, vestido com uma dessas roupas que
vulgarmente se chamam de princês. Eusébio aperta a mão
aos convidados um por um. Todos se interrogam com os olhos admirados de
tão estranho convidado.)
- Cena III -
Os mesmos, Eusébio
Eusébio (Depois
de apertar a mão a muitos dos circunstantes.) - Tá tudo
oriando uns pros
outro, admirado de me vê aqui! Eu fui convidado pela madama dona
da casa!
Benvinda (À parte.) - Sinhô Eusébio! ...
Figueiredo ( A quem Eusébio aperta a mão, à parte.)
- Oh! Diabo! É o patrão da
Benvinda!...
Blanchette - Donde saiu esta figura?
Dolores - É um homem da roça!
Blanchette - Não será um doido?
Eusébio ( Indo apertar por último a mão de Benvinda,
reconhecendo-) - Benvinda!
Benvinda - Ó revoá!
Figueiredo (À parte.) - E ela a dar-lhe!...
Eusébio - Tu também tá de fantasia, mulata! O mundo
tá perdido!...
Benvinda - Eu vim com seu Figueiredo... mas vancê é que me
admira!
Eusébio - Eu vim falá ca madama pro mode seu Gouveia...
e ela me convidou pra festa... e
eu tive que alugá esta vestimenta, mas vim de tilbo porque hoje
é sabo de aleluia e eu não quero embrulho comigo!
Figueiredo (À parte.) - Oh! Bom! Foi o seu professor de português!
Benvinda - Se sinhá soubesse...
Eusébio - Cala a boca! Nem pensá nisso é bão!
Mas onde tá o tá seu Figueiredo? Eu
sempre quero olá pra cara dele!
Benvinda - É aquele.
Eusébio ( Indo a Figueiredo.) - Pois foi o sinhô que me desencaminhou
a mulata? O sinhô,
um home branco e que já começa a pintá? Agora me
alembro de vê o sinhô lá no hoté só rondando
a porta da gente!...
Figueiredo - Estou pronto a dar-lhe todas as satisfações
em qualquer terreno que mas
peça... mas há de convir que este lugar não é
o mais próprio para...
Eusébio (Atalhando.) - Ora viva! Eu não quero satisfação!
A mulata não é minha fia nem
parenta minha! Mas lá em São João do Sabará
há um home chamado seu Borge, que se souber... um!um!... é
capaz de vi na Capitá Federá!
Figueiredo - Pois que venha!
Mercedes - Aí chega a Lola!
Todos - Oh! A Lola!... viva a Lola!... viva!...
- Cena IV -
Os mesmos, Lola
Coro
Até que enfim Lola aparece!
Até que enfim Lola cá está!
Vem tão bonita que entontece!
Lola vem cá! Lola vem já!...
(Lola entra ricamente
fantasiada à espanhola.)
Lola
Querem todos ver a Lola!
Aqui está ela!
Coro
Aqui está ela!
Lola
Oh, que esplêndida manola
Não há mais bela!
Coro
Não há mais bela!
Lola
Vejam que graça
Tem a manola!
Não é chalaça!
Não é parola!
Como se agita!
Como rebola!
Isso os excita!
Isso os consola!
O olhar brejeiro
De uma espanhola
Do mais matreiro
Transtorna a bola,
E sem pandeiro,
Nem castanhola!
Coro
Vejam que graça, etc... (Dança geral.)
Figueiredo - Gentilíssima
Lola, permite que Radamés te apresenta Aída!
Lola - Folgo muito de conhecê-la. Como se chama?
Benvinda - Benv... (Emendando.) Fredegonda.
Eusébio ( À parte.) - Fredegonda? Uê! Benvinda mudou
de nome!...
Figueiredo - Espero que lhe emprestes um raio da tua luz fulgurante!
Lola - Pode contar com a minha amizade.
Figueiredo - Agradece.
Benvinda - Merci.
Eusébio (À parte.) - Aí, mulata!...
Lola (Vendo Eusébio.) - Bravo! Não imagina como lhe fica
bem essa fatiota!
Eusébio - Diz que é vestuário de conde.
Lola - Está irresistível!
Eusébio - Só a madama podia me metê nestas fundura!
Blanchette (A Lola.) - Onde foste arranjar aquilo?
Lola - Cala-te! É um tesouro, um roceiro rico ... e primitivo!
Blanchette - Tiraste a sorte grande!
Lola - Meus amigos, espera-os na sala de jantar um ponche, um ponche monumental,
que mandei preparar no intuito de animar as pernas para a dança
e os corações para o
amor!
Todos - Bravo! Bravo!...
Figueiredo - Um ponche! Nesse caso, é preciso apagar as luzes!
Lola - Já devem estar apagadas. ( A Eusébio.) - Fica. Preciso
falar-te.
Mercedes - Ao ponche, meus senhores!
Todos - Ao ponche!...
Blanchette (A Lola.) - Não vens?
Lola - Vão indo. Eu já vou. Manda-me aqui algumas taças.
Dolores - Ao ponche!
Coro
Vamos ao ponche flamejante!
Vamos ao ponche sem tardar!
O ponche aquece um peito amante
E as cordas da alma faz vibrar!
(Saem todos, menos
Lola e Eusébio.)
- Cena V -
Eusébio, Lola
Lola - Oh! Finalmente
estamos sós um instante!
Eusébio (Em êxtase.) - Como a madama tá bonita!
Lola - Achas?
Eusébio - Juro por esta luz que nos alumeia que nunca vi uma muié
tão fermosa!...
Lola - Hei de pedir a Deus que me conserve assim por muito tempo para
que eu nunca te
desagrade! (Entra Lourenço com uma bandeja cheia de taças
de ponche chamejante.)
- Cena VI -
Os mesmos, Lourenço
Eusébio - Adeusinho,
seu Lourenço. Como passou de indagorinha pra cá?
Lourenço (Imperturbável e respeitoso.) - Bem; agradecido
a Vossa Excelência.
Lola - Deixe a bandeja sobre esta mesa e pode retirar-se. (Lourenço
obedece e vai a
retirar-se.)
Eusébio - Até logo, seu Lourenço. (Aperta-lhe a mão.)
Lourenço - Oh! Excelentíssimo! (Fiz uma mesura e sai, lançando
um olhar significativo a
Lola.)
Lola (À parte.) - É um bruto!
- Cena VII -
Lola, Eusébio
Eusébio - Este
seu Lourenço é muito delicado. Arruma incelência na
gente que é um
gosto!
Lola (Oferecendo-lhe uma taça de ponche.) - À nossa saúde!
Eusébio - Bebida de fogo? Não! Não é o fio
de meu pai!...
Lola - Prova, que hás de gostar. (Eusébio prova.) Então,
que tal? (Ele bebe toda a taça.)
Eusébio - Home, é muito bão! Cumo chama isto?
Lola - Ponche.
Eusébio - Isto não faz má? Eu não tenho cabeça
forte!
Lola - Podes beber sem receio.
Eusébio - Então, à nossa, pra que Deus nos livre
de alguma coisa! (Bebe.)
Lola - Dize... dize que hás de ser meu... dá-me a esperança
de ser um dia amada por ti!...
Eusébio - Eu já gosto de madama cumo quê!
Lola - Não digas a madama. Trata-me por tu.
Eusébio - Não me ajeito... pode sê que despois...
Lola - Depois do quê?
Eusébio (Com riso tolo e malicioso.) - Ah! ah!
Lola (Dando-lhe outra taça.) - Bebe!
Eusébio - Ainda?
Lola - Esgotemos juntos esta taça! (Bebe um gole e dá a
taça a Eusébio.)
Eusébio - Vou sabê dos teus segredo. (Bebe.)
Lola - E eu dos teus. (Bebe.) - Oh! O teu segredo é delicioso...
tu gostas muito de mim...
da tua Lola... mas receias que eu não seja sincera... tens medo
de que eu te engane...
Eusébio (Indo a dar um passo e cambaleando.) - Minha Nossa Senhora!
Eu tou fora de
mim! Parece que tou sonhando! ... O tá ponche tem feitiço...
mas é bão... é muito bão!... Quero mais!
Dueto
Lola
Dize mais uma vez! Dize que me amas!
Eusébio
Eu já disse e arrepito!
Lola
O coração me inflama!
Vem aos meus braços! Vem!
Assim como eu te amo, ai! Nunca amei ninguém!
Se deste afeto duvidas,
Se me imaginas perjura,
Com essas mãos homicidas
Me cavas a sepultura!
Será o golpe certeiro,
A morte será horrenda!
Tu és o meu fazendeiro!
E eu sou a tua fazenda!
Eusébio
Se é moda a bebedeira, tou na moda,
Pois vejo toda a casa andando à roda!
Lola
Bebe ainda uma taça
Agora pode ser que bem te faça.
Eusébio
(Depois de beber.)
Não posso mais! ( Atira a taça.)
Oh! Lola, eu tou perdido!
Lola
Vem cá, meu bem querido!
Juntos
Lola Eusébio
Vem aos meus braços, Tou nos seus braço!
Eusébio, vem! Aqui me tem!
Os meus abraços Mas os abraço
Te fazem bem! Não me faz bem!
Eusébio - Oh!
Tou cuma fogueira aqui dentro! Mas é tão bão ( Abraçando
Lola.) Lola, eu
sou teu... só teu... faz de mim o que tu quiser, minha negra!
Lola - Meu? Isso é verdade? Tu és meu? Meu?
Eusébio - Sim, sou teu! Tá aí! E agora? Sou teu e
de mais ninguém...
Lola - Então, esta casa é tua! És o meu senhor, o
meu dono, e como tal quero que todos te
reconheçam! (Indo à porta batendo palmas.) Eh! Olá!
Venham todos!... venham todos! (Música na orquestra.)
- Cena VIII -
(Todos os personagens do ato.)
Final
Coro
Lola nos chama!
Que aconteceu?
Que nos quer Lola?
Que sucedeu?
Lola
Meus amigos, desejo neste instante
Apresentar-lhes o meu novo amante!
Ele aqui está! Eu o amo e ele me ama.
Eusébio - Sim!
Aqui está o home da madama!
Todos - Ele!... (Admiração geral.)
Lola
És o meu novo dono!
Pode dizer-me: És minha!
É teu, é teu somente
O meu sincero amor!
Eu dava-te o meu trono
Se fosse uma rainha!
Tu, exclusivamente,
És hoje o meu senhor!
Eusébio
Sou eu o seu novo dono!
Posso dizer: É minha!
É meu unicamente
O meu sincero amô!
Por ela eu me apaixono!
A Lola é bonitinha!
Eu, exclusivamente,
Sou hoje o seu sinhô!
Lola
És o meu novo dono! Etc.
Coro
Eis o seu novo dono!
Pode dizer: É minha!
É dele unicamente
O meu sincero amor!
Gostar assim de um mono
É sorte bem mesquinha!
Ele, exclusivamente,
É hoje o seu senhor!...
Figueiredo
(A Eusébio)
Nossos cumprimentos,
Meu amigo, aos centos
Queira receber!
E como hoje é trunfo,
Levado em triunfo
Agora vai ser!
(Figueiredo e Rodrigues
carregam Eusébio. Organiza-se uma pequena marcha, que faz uma volta
pela cena, levando o fazendeiro em triunfo.)
Coro
Viva! Viva o fazendeiro
Bonachão e prazenteiro
Que de um peito bandoleiro
Os rigores abrandou,
Conquistando a linda Lola,
Essa esplêndida espanhola
Que o país da castanhola
Generoso nos mandou!
(Eusébio é
posto sobre uma mesa ao centro da cena.)
Eusébio
Obrigado!
Obrigado!
Mas eu tô muito chumbado!
Vejo tudo dobrado!
Lola
Dancem! Dancem! Tudo dance!
Ninguém canse
No cancã,
Pois quem se acha aqui presente
Tudo é gente
Folgazã!
Coro
Sim! Dancemos! - tudo dance!
Ninguém canse
No cancã,
Pois quem se acha aqui presente
Tudo é gente
Folgazã!
(Cancã desenfreado
em volta da mesa.)