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Luiz Eduardo
Soares conta em livro sua experiência na Secretaria de Segurança
Pública do Rio de Janeiro e a convivência com Anthony
Garotinho
Fred Ferreira
É difícil
ser mais fiel às experiências vividas pelo antropólogo
e professor Luiz Eduardo Soares em sua passagem pelo front da segurança
pública no Rio de Janeiro, como membro do alto escalão
do governador Anthony Garotinho, do que o fez Marcos Sá Corrêa,
na apresentação do seu livro "Meu Casaco de General".
O relato do
autor sobre "Meu Casaco de General - 500 Dias no Front da Segurança
Pública do Rio de Janeiro" foi lançado na quinta-feira
(07) na Universidade de São Paulo (USP). Em entrevista exclusiva
ao iG, Luiz Eduardo fala sobre o estado de calamidade da polícia
fluminense, as resistências encontradas na estrutura da instituição
e revela ainda bastidores exclusivos de sua convivência com
o governador Garotinho.
Como diz Marcos Sá Correia, o livro é um "atestado
de teimosia". É o segundo livro do autor em dois anos
- o terceiro sobre violência no Rio -, que pretende alertar,
mais uma vez, que, em cidades como o Rio, a segurança pública
é "assunto sério demais para ser abandonado nas
mãos da polícia".
Em sua obra, Luiz Eduardo indica que o problema da segurança
pública jamais seria resolvido à bala. Pelo contrário,
a violência e a intolerância acabam por incitar e aumentar
as alarmantes estatísticas do crime. Quanto mais a sociedade
se fecha, se tranca e se protege, mais evidente fica a "necrose
do tecido urbano".
"Soado
o alarme, a classe média reconquistou os centros históricos,
o poder público aprendeu que consertando vidraças
quebradas remendam as condições de vida em bairros
perigosos e Nova York patenteou o modelo da delegacia risonha e
franca", lembra Marcos Sá Corrêa.
Mas no Brasil
isso ainda não se concretizou. Governos prometem empenho
cívico e, ao mesmo tempo, comprometem-se com o crime. A oposição
não consegue apresentar soluções práticas
e a história parece perpetuar-se. A ambição
política vence a razão social e eterniza os conflitos.

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