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Há cem anos, no dia 30 de novembro de 1900, morria
em Paris, em um obscuro hotel do Quartier Latin, humilhado e distante
dos amigos e da família, Oscar Wilde.
A
morte do escritor, depois considerado um gênio na vida e na arte,
só seria conhecida pelo mundo na tarde de 1o de dezembro, graças
a uma nota da agência de notícias Reuters e a um obituário publicado
no jornal "The Times", de Londres.
Tendo iniciado sua carreira escrevendo poesias _ e já se tornado
conhecido por elas _, Wilde veio ganhar notoriedade mesmo com suas
peças de teatro, com seu único romance, "O Retrato de Dorian Gray",
e com suas célebres frases como "Hoje em dia , todo grande homem
já tem os seus discípulos, e é sempre Judas a escrever a biografia
dele".
São
as frases de Wilde que talvez melhor retratem o homem. Ele era extremamente
culto, irônico e ácido. Acreditava que o puritanismo era uma fonte
de corrupção comparável à devassidão. Adorava polêmicas.
Tanto
é que a maior delas, travada com sir John Sholto Douglas, pai do
lorde Alfred Bruce Douglas, com quem mantinha uma relação homossexual,
acabou levando-o para a prisão por dois anos, acusado de sodomia,
arruinando-o financeiramente e moralmente.
Pouco antes de morrer, Wilde afirmou que havia investido todo o
seu gênio na vida e apenas talento na sua obra. Estava enganado.
Sua obra continua a ser reverenciada pelo mundo todo e até "voltou
à moda" recentemente, redescoberta em Londres, onde ganhou uma mostra
de fotos e trabalhos, e em Nova York. Em dezembro, a editora novaiorquina
Henry Holt & Company deverá lançar também a correspondência completa
do autor.
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