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Agustina Bessa-Luís (1922)

Por Ana Lucia Hernandez Di Giorgi* (igler@ig.com)

Nasceu em 1922, em Vila Meã, Amarante, Portugal. Considerada uma das maiores romancistas portuguesas contemporâneas, começou a escrever aos 15 anos de idade, embora seus estudos formais tenham chegado até a escola secundária. A partir de então, sua cultura foi apenas oral e, como ela mesma afirma, como ouvinte atenta nos serões familiares.

Com 19 anos, "já pensava muito na emancipação da mulher".Viveu no Porto e em Lisboa , tendo fixado residência nesta primeira cidade, onde vive desde l950. Com 64 anos, em entrevista conduzida por Artur Portela, instada a responder sobre os movimentos de afirmação e de reivindicação das mulheres na sociedade, ela diz: "Sou muito pouco participante das idéias feministas, desse provincianismo feminista que existe e que se desenvolve por toda a parte, hoje. Considero a mulher um ser muito mais invulnerável que o homem, o homem é muito mais vulnerável. A mulher, até pelo seu grande poder de insignificância, é muito menos vulnerável que o homem. Portanto, sou herdeira dessa linha, mas no aspecto que se traduziu pela literatura que é toda uma aventura, todo um estado de aventura e de contributo à imaginação colectiva".

Mais adiante, na mesma entrevista, afirma: "Quando eu falo da vontade de poder na mulher, é uma vontade de poder que é capaz de penetrar a teia de uma sociedade organizada, mas no fundo a mulher não domina porque não quer dominar, porque há uma espécie de vitalismo desmaterializado. E então vem o problema da mística feminina. Eu considero que há uma vocação mística na mulher que, através dos tempos, foi desviada com habilidade pela condição masculina."

Para se entender esses discursos tão singulares da escritora, oriundos de uma profunda e longa reflexão sobre a condição humana, tanto dos homens quanto das mulheres, basta ler um de seus primeiros romances, precisamente o que a consagra como grande escritora, A Sibila, publicado em l954. O caráter de modernidade do seu romance -- nos últimos anos tem escrito mais e mais romances "históricos" -- reside principalmente no rompimento com a estrutura da tradição romanesca do século XIX. Há histórias dentro de histórias, a noção de tempo é estilhaçada, e o estilo é clamado, por alguns, como barroco.

Seu primeiro romance, "Mundo Fechado", é de 1948. Somam hoje mais de 30, fora os contos, as biografias, viagens e peças de teatro. Além dos dois já citados, os mais famosos são: "A Muralha", "O Sermão do Fogo", "Crónica do Cruzado Osb.", "As Fúrias" (adaptado por ela mesma para a televisão), "Fanny Owen" (adaptado para o cinema como "Francisca", por Manoel de Oliveira), "O Mosteiro", "A Monja de Lisboa" , "Vale Abraão" e "O Concerto dos Flamengos", e "Memórias Laurentinas", publicado em 1996.


Bibliografia selecionada:

A Sibila (Pontes)
A Corte do Norte (Guimarães)
A Monja de Lisba (Guimarães)
Contos Impopulares (Guimarães)
O Concerto dos Flamengos (Guimarães)
Os Incuráveis - Os Irmãos (Guimarães)
Um Bicho da Terra (Guimarães)
Aforismos (Guimarães)
Sebastião José (Nova Fronteira)

Links relacionados:

http://www.coqui.lce.org/jalopes/1922-yy.htm
http://www.editoranucleo.com.br/slaugust.htm

*Bacharel em Letras Inglês-Português pela USP em 1973. Mestre em Estudos Literários pela Unesp de Araraquara com a dissertação "O Projeto Ético e o Projeto Estético n'As Imagens Destruídas: percursos para uma dialética da consciência", defendida em 1994. Atualmente é Coordenadora de Cultura do Município de Catanduva, SP

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