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Uma menina
chamada Maria Clara Machado
Por
Michel Fernandes*, especial para o iG Ler, com redação
(igler@ig.com)
No
dia 30 de abril morreu a principal autora de teatro infantil brasileiro,
Maria Clara Machado, poucos dias após completar 80 anos.
Cinqüenta anos de sua vida foram dedicados ao teatro.
O destino da mineira (de Belo Horizonte), que migrou para o Rio
de Janeiro aos quatro anos, estava traçado para a dedicação
às artes e às crianças.
Maria Clara Machado foi bandeirante quando menina e dividia-se entre
as viagens e os trabalhos voluntários com crianças.
Além disso, viveu
desde cedo num ambiente criativo:
seu pai, Aníbal Machado, era escritor.
Entre
o final da década de 40 e início da década
de 50, viajou ao exterior. Ligada às artes, seu
desejo era tornar-se bailarina, contra a vontade do pai, que não
queria uma filha vivendo das sapatilhas.
Conseguiu
uma bolsa para estudar teatro e resolveu
seguir para Paris, aos 19 anos de idade.
De volta ao país fundou o grupo amador de teatro Tablado
(1951) e, alguns anos depois, decidiu partir para o teatro dirigido
às crianças, consagrando-se como a melhor e mais importante
autora do gênero.
Maria
Clara escreveu 23 peças, entre
as quais clássicos como "Maroquinhas Fru-Fru",
"O Rapto das Cebolinhas", "A Bruxinha Que Era Boa",
"Maria Minhoca", "Pluft, o Fantasminha", "O
Cavalinho Azul", "A Menina e o Vento", "O Boi
e o Burro", "A Princesa e o Dragão", "A
Volta do Camaleão Alface", entre outros.
A peça mais famosa, " Pluft,
o Fantasminha", é a história de um fantasma criança, que tem
medo de crescer. Seus
textos foram traduzidos para dez línguas e são até hoje montados
em vários países. Neste
ano o Tablado comemora meio século de existência, provando
o amor maior da autora pela arte.
"A Clara (Maria Clara Machado) continua morando de aluguel
(em Ipanema) e vivendo dos direitos autorais das peças. Ela
faz teatro porque ama. O Tablado fará 50 anos e nunca teve
subvenção (apenas dois espetáculos de lá
tiveram pequenos patrocínios). O importante para o Tablado
não é o capital. Aqui é um espaço para
pesquisa, para fazer arte e não dinheiro", explica Cacá
Mourthé, sobrinha de Maria Clara e diretora do Tablado.
A Agir Editora
(www.agireditora.com.br),
que editou boa parte da obra de Maria Clara, publicará no
segundo semestre de 2001 o livro "Os melhores anos de muitas
vidas - Tablado, 50 anos", de Marta Rossman, que conta a história
do grupo e traz depoimentos de Fernanda Montenegro e Sérgio
Brito, entre outros.
Clique aqui
para ler entrevista com Cacá Mourthé sobre vida e
obra da tia.
(*) MIchel Fernandes
é repórter de Teatro do Último Segundo
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