AUTOMÓVEIS
BANCOS
CELEBRIDADES
CHAT
COLUNISTAS
COMUNIDADES
CRIANÇAS
CULINÁRIA
ENTRETENIMENTO
EDUCAÇÃO
ESPORTES
ECONOMIA
HORÓSCOPO
GAMES
INTERNET
MÚSICA
MULHERES
NOTÍCIAS
POSTAIS
SAÚDE
SERVIÇOS
SEXUALIDADE
SHOPPING
TEENS
TEMPO
TRÂNSITO
VIAGEM
  BUSCA
digite a palavra
 

  MAIL
nome:

senha

   


"O Estado de S.Paulo" lança livro com as principais primeiras páginas de sua história

Por Leão Serva, especial para o iG Ler (*) (igler@ig.com)

O Estadão, como é chamado desde o início do século 20 o jornal "O Estado de S. Paulo", acaba de lançar uma antologia de primeiras páginas publicadas ao longo de sua história de 125 anos (120 de vida independente, como ele insiste em definir, referindo-se aos cinco anos em que viveu sob ocupação da ditadura de Getúlio Vargas, entre 1940 e 1945).

Livros de primeiras páginas são um gênero híbrido entre o jornalismo e a história. Nessas antologias, normalmente, se misturam páginas que narram fatos de importância histórica incontestável a outras que constam da edição por uma razão meramente jornalística -- e nesse caso, por vezes, a importância é restrita à história do próprio veículo, como reportagens premiadas e mudanças de logotipo.

Mas como o jornalista é em grande medida a testemunha ocular dos acontecimentos e sua narrativa, um primeiro rascunho da história, o que é importante para ele não raro se confunde com o que é ou virá a ser importante para a História do mundo.

Tradicionalmente, desde o surgimento dos jornais, as primeiras páginas carregam quase sempre muitas notícias, não só aquelas que motivaram a sua escolha pelos editores contemporâneos de antologias de primeiras páginas. Há exceções, mas estas costumam ser aquelas edições de jornal que narram fatos já no primeiro momento identificados como históricos.

No caso desta antologia "Páginas da História", do "Estadão", um exemplo claro de capa monotemática e histórica é a notícia da invasão da Polônia pela Alemanha nazista: nesse dia 1º de setembro de 1939, o jornal trazia em sua capa a manchete "Começou a guerra na Europa" (escrita em maiúsculas nas mesmas letras que da proclamação da República até hoje são usadas no logotipo do jornal), que parece ter sido feita por alguém que sabia estar escrevendo para a História.

No dia anterior, o significado geral da notícia não era tão óbvio: antologias semelhantes, de jornais prestigiosos, como "The New York Times", "Diário de Notícias" (Portugal) e "Folha de S. Paulo" mostram que os editores das primeiras páginas daqueles outros jornais não perceberam que a invasão da Polônia era o estopim da guerra continental (e depois mundial).

No mesmo dia, o "NY Times", em sua manchete de três linhas, noticiou apenas a invasão da Polônia; o jornal português ainda perguntava se "malograram-se as tentativas para salvar a paz?".

Já a antologia da "Folha", omite a capa de 1º de setembro. E mesmo no dia seguinte (a capa de 2/9 consta de seu livro "Primeira Página"), o jornal paulista que só nos anos 80 passaria a concorrer com o "Estadão" pela liderança de circulação em São Paulo, ainda noticiava um "ultimatum" franco-britânico ao Reich alemão, que era em verdade a senha da guerra mundial.

Nas antologias, as primeiras páginas comuns, com notícias variadas, permitem ao leitor um terceiro nível de leitura, também interessantíssimo. Trata-se de uma espécie de "micro-história jornalística" em que fatos sem importância para a história pegam carona na "Grande História".

Em um artigo escrito para o caderno dominical "Mais!", quando do lançamento da terceira edição da antologia de capas da "Folha de S. Paulo" (chamada "Primeira Página"), Renato Janine Ribeiro destacava que "em certos momentos a notícia menor é prenhe de história, até no sentido grandioso do termo".

Em outros casos, essa relação se inverte: no calor da hora, o editor da primeira página muitas vezes não vê a história "no sentido grandioso do termo" passar à sua frente e, se incluiu o fato histórico na capa do jornal, o relegou a segundo plano.

É o que destacava, com aparente ironia, o mesmo artigo de Janine Ribeiro, comentando outra capa da "Folha": "Ainda assim, talvez, a página mais estranha seja a de 11 de novembro de 1989: não consegui entender bem por que foi escolhida (ou concebida). Terá sido o caso Lubeca, ou a ambição presidencial de Silvio Santos, ou o caderno de cem anos da República? Imagino que seja a queda do muro de Berlim, mas esta notícia recebe tão pouco destaque, no conjunto, que não dá para saber..."



Clique ao lado para ler mais sobre o artigo de Renato Janine Ribeiro.

Clique ao lado para ver a galeria de imagens das páginas citadas.

(*) Leão Serva é diretor de jornalismo do iG.


INÍCIO DA 2ª GUERRA MUNDIAL


O Estado de S. Paulo, 1/9/1939

Folha de S.Paulo, 2/9/1939.

New York Times, 1/9/1939

Diário de Notícias, 1/9/1939


QUEDA DO MURO DE BERLIM

O Estado de S. Paulo,11/11/1989
Folha de S.Paulo
, 11/11/1989

MASSACRE NA PRAÇA DA PAZ EM PEQUIM

O Estado de S. Paulo,
6/6/1989

Folha de S.Paulo
, 6/6/1989

TÚMULO DE TUTANCÂMON

New York Times,17/2/1923

VEJA TAMBÉM:

A CONQUISTA DO PÓLO SUL

New York Times, 8/3/1912

O NAUFRÁGIO DO TITANIC


New York Times, 16/4/1912

O FIM DA UNIÃO SOVIÉTICA

Folha de S.Paulo, 26/8/1991
O Estado de S. Paulo, 9/12/1991

Renato Janine Ribeiro e a notícia prenhe de história
 
 
 


Jô Soares lê a primeira página do "New York Times" para escrever "O Homem que Matou Getúlio Vargas"

A censura em "O Estado de S.Paulo" durante a ditadura militar

O editorial de "O Estado de S. Paulo" no dia da decretação do AI-5



Onde comprar os livros de primeira página citados nessa matéria