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Fernando Morais fala sobre "Corações Sujos"

Por Ricardo Besen (ricardobesen@ig.com)

O livro "Corações Sujos", de Fernando Morais(foto), conta a história de uma organização criada pela colônia japonesa no Brasil, a Shindo Renmei, que não acreditava na derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial.

Leia abaixo resumo de entrevista com Fernando Morais.

Na década de 1930 o Brasil já possuía a maior colônia japonesa do mundo, com mais de 200 mil pessoas, a grande maioria no Estado de São Paulo. A grande leva da imigração japonesa ocorreu entre 1908 e 1938 e começou a diminuir por pressão dos brasileiros sobre o governo Vargas, pois temia-se uma superpopulação japonesa enquistada (a palavra usada na época), formando um núcleo fechado no Brasil.

Mesmo com a aproximação de Vargas ao eixo, o namoro foi sempre com os alemães e nunca com os japoneses. Em 1938, havia uma limitação à entrada de estrangeiros em geral no Brasil, mas a restrição maior era aos japoneses, cuja entrada anual foi limitada, já pela Constituição de 1934, a 2% do número que havia entrado nos últimos 50 anos.

Morais encontrou documentos do final da década de 30 que mostram que 85% dos imigrantes japoneses pretendiam voltar ao Japão vitoriosos, econômica e politicamente. O Japão vivia um período expansionista, tendo ocupado a Manchúria (região nordeste da China) e parte da Coréia. A alma da grande maioria dos que imigraram para o Brasil estava ainda no Japão.

Os japoneses eram muito fechados e não falavam português, nem se interessavam em falar. Ao contrário, por exemplo, da colônia italiana, os japoneses nem se deixaram influenciar, nem influenciaram.

Por outro lado, havia preconceitos contra os orientais, por causa de seus costumes muito diferentes dos brasileiros, que causavam espanto nas pessoas do interior. Morais conta a história de um brasileiro que viu uma garota japonesa massagear as costas do pai no quintal de casa. O brasileiro suspeitou de incesto e chamou a polícia.



("Corações Sujos", 352 páginas, R$ 19,80, Companhia das Letras). Compre aqui este livro.

Leia também sobre os soldados japoneses que “lutaram” a Segunda Guerra Mundial até a década de 70. Leia texto sobre "O Crisântemo e a Espada", livro considerado clássico sobre a cultura japonesa, escrito pela professora Eva Maria Migliavacca
Confira a resenha de "Corações Sujos".
Hiroíto governou sob a marca da ambigüidade.
Confira a galeria de fotos do livro e do imperador Hiroíto.
 
  Ouça a voz do general MacArthur, comandante das Forças Aliadas,
anunciando a rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial
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  Leia trechos do livro "Corações Sujos"

“A voz rouca e arrastada parecia vir de outro mundo."

O delegado jogou no chão o retrato do imperador e ordenou que ele..."

“Sem que ninguém pudesse jamais explicar por que fazia aquilo, pacatos..."