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Ruy
Castro leva Olavo Bilac ao Parnaso
O iGLer conversou com o escritor e jornalista Ruy
Castro sobre seu novo livro, "Bilac vê Estrelas".
Por Ricardo
Besen (ricardobesen@ig.com)
Em "Bilac
vê Estrelas", sua primeira obra de ficção
- e que veio após "12 anos de biografias" - o escritor
e jornalista Ruy Castro conta as impagáveis peripécias
de Olavo Bilac no Rio de Janeiro do início do século
XX.
Ruy Castro recebeu
a encomenda para sua primeira obra de ficção quando
ainda estava escrevendo "Ela é carioca". O formato
estava definido, como parte da coleção "Literatura
ou Morte", da Companhia das Letras: um romance curto, de mistério,
em que o personagem principal é um escritor.
Ruy assegurou-se
de que o escritor poderia ser brasileiro. Sua idéia era ambientar
a história no Rio de Janeiro, mas fugindo daquele espaço-tempo
que ele domina como poucos: o Rio dos anos 50 e 60. Ele resolveu
se "esconder" no Rio de 1900.
Ruy pensou primeiro
em João do Rio, mas desistiu por que João já
é um personagem razoavelmente conhecido. Pensou depois em
Lima Barreto, de genialidade indiscutível, mas com pouco
potencial para a composição de um personagem, por
ser dramático demais para um romance que se pretendia leve.
Surgiu então
a figura do poeta Olavo Bilac, pouco conhecido de Ruy, do repórter
e provavelmente também do leitor. Bilac é até
hoje lembrado sobretudo por sua campanha pelo alistamento militar
obrigatório em 1915.
O próprio
Ruy tinha Bilac em má conta por causa disso. Na época
de seu alistamento ele conta que teve que namorar a filha de um
coronel para poder escapar da caserna.
O modernismo,
com sua atitude antiparnasiana, também contribuiu para a
transmissão de uma imagem pouco positiva do poeta. Em suas
pesquisas, no entanto, Ruy Castro descobriu que essa imagem engessada
de Bilac escondia uma figura pública bastante popular, que
freqüentava as ruas e confeitarias do Rio e tinha grande participação
na vida intelectual.
Mesmo sua campanha
pelo alistamento obrigatório deve ser contextualizada. Vivia-se
em 1915 a Primeira Guerra Mundial. Além disso, o que Bilac
realmente queria era a alfabetização da população
que, nos rincões do Brasil da época, era uma tarefa
mais adequada ao exército.
"O que
se lê nas crônicas da época é que ele
era um homem bastante preocupado com questões sociais",
conta Ruy.
Definido o personagem,
Ruy transporta-o para o miolo do Rio de Janeiro de 1900, a Rua do
Ouvidor, centro da vida social e cultural da época, que o
Bilac real conhecia tão bem e que poucos anos depois perderia
sua preponderância para a Avenida Central, construída
na reforma urbana do prefeito Pereira Passos.
("Bilac
vê Estrelas", Companhia das Letras, 150 págs.,
R$ 15,20)
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