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A Ciência Nova
de Giambattista Vico
Tradução, prefácio e notas de Marco Lucchesi

Por Eva Maria Migliavacca*, especial para o iG Ler (igler@ig.com)

Esta não é uma resenha, mas sim uma notícia sobre uma publicação. Isso porque seria uma temeridade tentar fazer uma resenha de "A Ciência Nova". (Naturalmente, essa opinião pode ser atribuída às muitas limitações desta que escreve).

Giambattista Vico tem sido alvo de estudos de pensadores de porte, como
Isaiah Berlin, que analisa sua obra em "Os limites da utopia", Companhia da Letras, 1991, ou "Vico e Herder", UnB, 1982, (ambos esgotados e o segundo necessitando de urgente revisão).

No século 19 o genial historiador francês Jules Michelet redescobriu Vico após quase cem anos de esquecimento e o reconheceu como seu único e grande mestre, no prefácio de sua obra "História de França".

Some-se a eles o escritor, crítico literário e filósofo italiano Benedetto Croce, que contribuiu enormemente para a divulgação das idéias de Vico a partir de 1911, após novo período de ostracismo do autor.

Podemos ser gratos ao poeta e tradutor Marco Lucchesi por ter generosamente dedicado muitas horas de sua vida à tradução dessa que é a grande obra de Vico.

Lucchesi apresenta-se como um apaixonado pela obra viquiana a qual, segundo ele, freqüenta há muitos anos. Sorte nossa. Vale a pena ler com atenção sua introdução ao livro e também fazer-se acompanhar por Isaiah Berlin para melhor apreender o pensamento desse gênio extraordinário, que vai aos poucos entrando em nossa alma e despertando uma verdadeira sede de conhecê-lo mais e mais profundamente.

Berlin, em "Vico e Herder" declara-se rendido ao fascínio exercido por Vico quando afirma que "Poucas satisfações intelectuais são comparáveis à da descoberta de um pensador da mais alta qualidade como Vico" (pg. 22).

Ou então, atentar para como o poeta Lucchesi, valendo-se de imagens bastante sugestivas, inicia sua apresentação do filósofo: "Seguir as páginas da 'Ciência Nova' sugere a descoberta de um mundo formidável, de horizontes que não terminam, de rios profundos e caudalosos, de grandes paisagens celestes" (pg. 13).

Giambattista Vico viveu entre os séculos 17 e 18: nasceu em 1668 e morreu em 1744. Sustentou mulher e filhos escrevendo por encomenda de ricos e poderosos, além de contar com um salário de professor - que já naquela época era bem pequeno!

Ele viveu na pobreza durante toda sua vida, mas soltou seu espírito e transitou com liberdade pelo mundo das idéias e do pensamento sobre as realizações humanas.

É impressionante como se encontram nele intuições atualíssimas, ainda que numa linguagem pouco fácil em especial para os apressados de nosso mundo moderno; apresentou muitas de suas idéias em conferências inaugurais para as quais era convidado e com elas, aliás, complementava seus rendimentos.

Vico foi um homem conhecedor das vicissitudes de seu tempo, mas como acontece com alguns poucos indivíduos na história da humanidade, seu pensamento se descola da época em que viveu e serve aos homens de todos os tempos.

Leia a seguir sobre a oposição de Vico às idéias de Descartes.



("A Ciência Nova",
de Giambattista Vico, 502 págs., 50 reais, Editora Record)

(*)Eva Maria Migliavacca é professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo

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