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Metrópole
da Morte Necrópole da Vida
Por Paulo Terron
(igler@ig.com)
Que
tal passar uma tarde de domingo colhendo amoras? Ou correr atrás
de um balão, à noite, em um campo aberto? Tudo isso
não seria tão inusitado, se não ocorresse dentro
de um cemitério.
Eduardo Rezende
(na foto) freqüenta o cemitério da Vila Formosa (também
na foto), em São Paulo, desde seus tempos de criança,
quando costumava brincar e correr atrás de balões
no local.
A partir
dessa convivência com o "parque", ele começou
a reunir experiências e histórias a respeito do Vila
Formosa, o que resultou em "Metrópole da Morte Necrópole
da Vida".
O livro é resultado de trabalho de graduação
do autor no Departamento de Geografia, da Faculdade de Filosofia,
Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.
O cemitério
de Vila Formosa é o maior da América Latina (uma área
de quase 800 mil metros quadrados, metade do tamanho do Parque Ibirapuera,
em São Paulo), com uma média de 1.500 sepultamentos
por mês (dados de 1997).
O local é
cheio de árvores - algumas frutíferas, principalmente
amoreiras - e espaço livre para caminhadas e ciclismo. Rezende
conta que muitas pessoas aprendem a dirigir nas ruas de terra do
cemitério. "Eu mesmo aprendi a dirigir aqui", lembra.
Eduardo Rezende
mostra que o cemitério da Vila Formosa não é
apenas a "pousada final" das pessoas. Ele conta várias
histórias, como a dos catadores de velas, de crianças
que fazem milagres, das pessoas que assistem a jogos de futebol
da parte mais alta do lugar e dos locais peculiares dentro do cemitério.
O livro trata
também de alguns usos exóticos do cemitério,
seja por grupos góticos e de adoradores da morte, seja por
praticantes de cooper ou de sexo.
A obra está dividida em três capítulos. O primeiro,
" O Cemitério de Vila Formosa" , aborda a história
, a organização espacial do cemitério, a ocupação
e o desenvolvimento da região.
No segundo capítulo, "As atividades socioespaciais desenvolvidas
no Cemitério de Vila Formosa", o autor fala tanto das
práticas religiosas quanto dos outros usos do espaço,
alguns já citados acima.
No último capítulo,"O Dia de Finados", o
autor enfoca as atividades realizadas no cemitério no dia
consagrado aos mortos, quando a homenagem aos mortos se mistura
às necessidades dos vendedores ambulantes.
Uma das histórias
contadas é a de Antônio, catador de velas que vive
em uma das quadras do cemitério com sua companheira, recolhendo
e revendendo velas. Ele chega a lucrar 25 reais por dia.
A comida não é problema, já que muitos frangos
e outros pratos são deixados no local pelos praticantes de
umbanda. Às vezes Antônio chega a pegar oito frangos
por dia.
Depois de dois anos morando no cemitério, o catador ainda
não perdeu o medo. "Medo dá. Eu queria ter um
amigo que me pagasse a passagem para Alagoas, aí eu ia embora
daqui!", diz.
Mas os perigos do Vila Formosa não vêm do sobrenatural.
Antônio já levou duas facadas, de outros moradores.
Além disso, já teve seu barraco derrubado pela polícia.
"Aqui tem muito ladrão; eles roubam e a polícia
acha que foi a gente!"
("Metrópole
da Morte Necrópole da Vida", de Eduardo Rezende, 108
págs., preço: 15 reais nas livrarias,10 reais com
o autor, editora Carthago)
Para comprar
o livro com o autor, telefone para (0XX11) 3151 4087 ou escreva
para edunecropole@ig.com.br
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