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A Poesia Expressionista Alemã

Por Paula Helena Cernov (igler@ig.com)

Em "Poesia Expressionista Alemã - Uma Antologia", a tradutora e germanista Claudia Cavalcanti dá uma amostra do movimento que marcou o começo do século XX. Como tem ocorrido nas viradas de século, o período é marcado por dúvida, angústia e insegurança frente às mudanças tecnológicas e científicas, sociais, políticas e culturais.

A tragédia marca a arte expressionista, permeando a vida e a morte dos artistas. Dos poetas apresentados neste livro, todos tiveram morte trágica; na guerra, por nos campos de concentração, suicídio, por longa doença. Sua poesia expressa um mundo que se defrontava com limites nunca vistos de tragédia, violência, doença, loucuras ideológicas, governos autoritários, crise econômica e política.

Dois dos poemas contidos no livro levam o título "Fim do Mundo". O movimento tratava de finalmente produzir uma arte que falasse do sofrimento ao invés de manter-se alheio, em um mundo de paisagens amenas e tons pastéis. Não é à toa que a principal crítica do Expressionismo, até no nome, é feita ao Impressionismo.

A reprodução fiel da realidade era substituída por uma representação distorcida, que pudesse expressar com um grito os sentimentos comuns a uma humanidade em desespero.

Na poesia expressionista, o novo entra não só pela temática, mas pelos jogos de palavras, para os quais a língua alemã oferece possibilidades infinitas, pelo próprio processo de formação das palavras. Infelizmente, é preciso conhecer a língua para apreciar devidamente a criatividade do léxico expressionista.

Graças à edição bilíngüe, quem tenha um mínimo conhecimento de alemão pode apreciar ao menos a rica sonoridade dos poemas. Nota-se um único possível equívoco de tradução: no poema Noemi, sobre uma jovem judia, o nome Adonoi é traduzido como Adônis, o belo herói grego. Obviamente, trata-se de Adonai, um dos nomes hebraicos para Deus.

A edição vem acompanhada de reproduções de gravuras dos principais artistas do movimento, uma delas do brasileiro Lasar-Segall, que tornam o livro mais belo e ajudam a entender melhor o que foi o movimento.


("Poesia Expressionista Alemã - Uma Antologia" - Organização e tradução de Claudia Cavalcanti. Com poesias de Johannes R. Becher, Gottfried Benn, Albert Ehrenstein, Iwan Goll, Walter Hasenclever, Georg Heym, Jakob van Hoddis, Wilhelm Klemm, Else Lasker-Schüler, Alfred Lichtenstein, Ludwig Rubiner, René Schickele, Ernst Stadler, August Stramm, Georg Trakl e Franz Werfel. Ilustrações de Max Beckmann, George Grosz, Lyonel Feininger, Ernst Ludwig Kirchner, Max Pechstein, Karl-Schmidt Rottluff, Lasar Segall, entre outros. Editora Estação Liberdade, 232 págs., R$ 28.00)

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