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Invenção
e Memória
Por Alessandra Blanco (igler@ig.com)
Uma autobiografia
o novo livro de Lygia Fagundes Telles não é, uma vez
que a própria autora já declarou que prefere ler as
biografias dos outros. Mas ganha um doce quem conseguir separar
de "Invenção e Memória" o que realmente
é invenção daquilo que foi retirado da memória
de infância e da juventude da autora.
Trata-se de
tarefa tão difícil quanto é para a personagem
do conto "Cinema Gato Preto", um dos 15 que formam o livro,
separar o Bem do Mal. "No clube o meu pai ia beber e jogar
com os amigos e minha mãe se queixava dessas noites que sempre
acabavam em brigas feias quando ele voltava de madrugada. Então
o clube era o Mal mas não era esse mesmo clube que os artistas
internacionais vinham cantar e recitar? Festas que a gente não
perdia e isso não era bom?", se pergunta.
Seja memória
ou invenção, não importa. O bom é ainda
reconhecer a autora de "Ciranda de Pedra" e "As Meninas"
no relato divertido e irônico da mocinha de "A Dança
com o Anjo". No final da Segunda Guerra Mundial (época
em que, ressalta a autora, Simone de Beauvoir ainda nem tinha inventado
o Segundo Sexo), a última tentativa da menina para convencer
a mãe (zelosa por sua virgindade) a deixá-la ir a
uma boate no largo de Santa Cecília, no dia da festa do pendura
dos alunos da faculdade de direito, foi provar que só assim
conseguiria um pretendente a casamento, livrando essa mãe
de um punhal no peito.
Ao redor de
70 anos (ela não gosta de revelar a idade), Lygia prefere
manter um certo mistério em torno de suas memórias.
De qualquer forma, são as memórias da São Paulo,
ou mesmo do interior do Estado, dos anos 30 e 40. E só isso
já vale a pena.
("Invenção e Memória", de Lygia
Fagundes Telles. Editora Rocco. 125 págs, R$ 16.50). Compre
aqui este livro.
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