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Havana
Por Adriana
Moda (igler@ig.com)
"Havana",
do escritor americano Martin Cruz Smith, é um daqueles livros
que prendem a atenção do começo ao fim. Seu
cenário (o título não mente) é Havana,
capital de Cuba, uma das últimas nações socialistas
sobreviventes.
O período
é o do pós-guerra fria. A cidade, que um dia foi um
centro de glamour, cassinos luxuosos e ostentação,
revela as duras conseqüências do bloqueio imposto pelo
capitalismo hegemônico.
O leitor percorre
ruas e edifícios em ruínas e vê passar as jineteras,
que fazem do próprio corpo uma atração à
parte para turistas do mundo inteiro, aventureiros do sexo. Todos
imersos na beleza de uma Havana decadente, mas que ainda mantém
um certo brilho e sedução.
O protagonista
desde excelente romance policial é o investigador russo Arkady
Renko, que vai para Cuba com o objetivo de ajudar um antigo amigo
e coronel da KGB (órgão de segurança da extinta
União Soviética), encontrado morto, boiando na baía
de Havana.
Com o desenrolar
da trama, o livro torna-se um verdadeiro tabuleiro de xadrez, onde
cada personagem representa uma peça fundamental de um jogo
que envolve conspiração, desvio de dinheiro, assassinatos
misteriosos, religião, rumba e salsa, sexo e prostituição,
misticismo, e o rancor do povo cubano em relação aos
ex-camaradas russos, resquício do fracasso e decadência
de um sistema político.
Tudo isso ao
lado de uma descrição deliciosamente detalhada e envolvente
sobre o ritmo, a paixão das danças, as lindas mulheres
cubanas e a magia que ainda paira sobre a cidade que um dia foi
e continua sendo a fonte de inspiração de escritores,
poetas e sonhadores.
Martin Cruz
Smith escreveu também "Parque Gorki" e "Praça
Vermelha".
("Havana",
de Martin Cruz Smith, com tradução de Lourdes Menegale,
416 págs., 38 reais, Ed.Record)
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