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As Memórias de Cleópatra - O Beijo
da Serpente
Por Adriana
Buarque (igler@ig.com)
Os
mistérios do Antigo Egito vêm seduzindo gerações
por intermédio de seus manuscritos e lendas acerca dos faraós
e rainhas que conduziram a saga dessa nação milenar.
Seus cultos, hábitos e artefatos trazem à luz características
singulares de uma cultura que dominou o mundo por séculos,
desafiando o Ocidente e afirmando uma das personalidades mais controversas
da História: Cleópatra.
Conhecida por suas armas de sedução, a Rainha do Nilo
tem sua vida reconstruída pela escritora norte-americana
Margarete George nos três volumes da saga "As Memórias
de Cleópatra". Os dois primeiros livros - "A Filha
de Ísis" e "Sob o Signo de Afrodite" - narram
os romances com Júlio César e Marco Antônio,
suas conquistas e o auge de sua beleza e poder.
Em "O Beijo da Serpente", Cleópatra relembra os
tempos de glória mas não consegue evitar a decadência
de seu reinado, planejando até mesmo seu próprio suicídio,
a fim de não ser levada como prisioneira pelas ruas de Roma.
Com a morte de Cleópatra encerra-se no Egito a dinastia dos
Ptolomeu e o país passa a integrar o Império Romano.
Apaixonada por biografias de grandes nomes da História, Margaret
George já escreveu sobre Henrique VIII e Mary Stuart, a Rainha
da Escócia. Começou seu ofício literário
ainda criança, impulsionada pela falta de títulos
infantis durante sua estada em Israel, na década de 50. Por
ironia ou não, uma das primeiras histórias que criou
foi sobre Cleópatra.
Para 'se envolver' com a soberana do império que ligou o
Oriente e o Ocidente, a autora foi quatro vezes ao Egito, além
de passar por Roma, Israel e Jordânia. O leitor tem a nítida
sensação de entrar em uma máquina do tempo
por intermédio de descrições pormenorizadas
da época:
"Heliópolis, a velha Cidade do Sol, ficava perto
do lugar onde todos os braços do Nilo se unem para formar
o longo caule que vai até a Núbia. É sagrada
desde muito antes de as pirâmides terem sido construídas;
ninguém sabe realmente a sua idade. Quando a minha dinastia,
dos Ptolomeu, veio para o Egito, pediram a Maneto, um sacerdote
de Heliópolis que, - presume-se - tinha acesso aos registros
antigos, para escrever a História do Egito. Ele assim fez,
dando-nos a única lista que temos de todos os Faraós.
O conhecimento sobre o passado estava desaparecendo já
naquela época; suas raízes ainda eram vigorosas nas
antigas cidades sagradas, mas seus ramos nos outros lugares estavam
quase nus. Cada vez menos pessoas sabiam ler as escrituras sagradas;
cada vez menos pessoas se importavam com isso; o Egito antigo já
estava retrocedendo para dentro de uma neblina de fábulas,
de faz-de-conta. O último Faraó nativo tinha entregado
seu trono aos persas havia mais de 300 anos" (p. 20).
Infinitas são as tentativas de recompor cenários e
costumes dessa civilização milenar nos dias de hoje.
Recentemente foram feitas reconstituições do que seria
o provável rosto da rainha egípcia, e o resultado
foi bastante diferente da imagem do épico protagonizado por
Elizabeth Taylor...
Independente de seu carisma ou beleza, o fato é que Cleópatra
aliou poder e sedução para perpetuar sua presença
no rol das personagens históricas mais atraentes que já
existiram. E Margaret George consegue dar vida à soberana
num best seller que narra todos os grandes acontecimentos por ela
desencadeados.
("Memórias
de Cleópatra - O Beijo da Serpente", de Margaret George,
414 págs., R$ 24,90, Geração Editorial). Clique
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