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Nova Economia no Divã
Marcos Prado
Troyjo, colunista do iG.com
Terminou na última sexta-feira em Nova York a chamada 'Fashion
Week", onde os mais importantes designers da atualidade no mundo
inteiro vêm apresentar as últimas novidades de suas coleções.
Mas não é apenas o mundo da alta costura ou do prêt-à-porter que
ganha novos contornos. Também a ciência econômica, e em especial
a maneira pela qual se analisam os fenômenos ligados à nova economia,
passa por uma coqueluche. É a chamada "economia comportamental"
(behavioral economics). Um casamento entre a economia e a psicologia.
A economia comportamental tem por pressuposto básico que muitas
das teses da economia tradicional, como a hipótese microeconômica
de que o consumidor está sempre buscando maximizar seus interesses
de uma perspectiva racional, são verdadeiras, porém não únicas.
Outros fatores também servem para determinar as escolhas que fazemos.
Para os comportamentalistas, ao lado da "maximização das utilidades"
há espaço para forças motivacionais como o altruísmo, a indulgência,
a filantropia, e mesmo a "auto-destruição".
Embora já se conhecam fragmentos de uma escola comportamentalista
na economia desde os anos 60, com o trabalho de George Akerlof
e o aclamado Joseph Steiglitz, apenas agora, no final dos 90,
o movimento ganhou real força nas universidades norte-americanas.
Estima-se que 20 % das teses de pós-graduação na Ivy League (Harvard,
MIT, Princeton, Yale e Stanford) ora desenvolvidas focalizam o
fenômeno psicológico na economia e portanto poderiam ser cunhadas
"comportamentalistas". Suas estrelas são David Laibson (Harvard)
de 34 anos, e Sendhil Mullainathan (MIT), de 27, nomes que ouviremos
com freqüência nos próximos anos.
No entanto, a renovada ênfase na psicologia ainda não abalou
o império da matemática como "método dos métodos" para a validação
científica de uma hipótese. Há muito a ciência deixou de ser uma
"economia política", como era conhecida à época de Adam Smith,
para tornar-se uma "bruxaria de números", na crítica dos saudosistas
da fase em que palavras eram mais importantes que equações.
Uma das perguntas mais interessantes que faz a nova escola é:
qual o grau de sofisticação de raciocínio que aplicamos a nosso
comportamento econômico? Isto é, o que escolhemos enxergar ou
deixar passar desapercebido em nossa análise? Ao contrário do
que prega a economia "mainstream", os comportamentalistas
argumentam em favor da "imperfeição" de nossas avaliações racionais.
Não temos necessariamente em nosso cérebro um sistema de mercado
perfeito, em que a alocação de recursos e as decisões são tomadas
em bases puramente racionais. Como resultado, vivemos uma realidade
"representacional", em que o fator "tempo" é colocado de ponta-cabeça.
Ao invés do futuro ser construído a partir do presente; é o presente
algo intrinsicamente representativo do futuro. Quando essa noção
é aplicada aos ciclos econômicos, temos um curioso fenômeno, e
daí a relevância dessas noções para a nova economia.
Durante períodos de expansão, onde se associam dispêndios pessoais
exagerados a pouca poupança, as pessoas tendem a supor que os
bons tempos continuarão e que o melhor ainda está por vir. "Como
não há recessão à vista, isso nos sinaliza que podemos prolongar
nossa extravagância". Uma variação da clássica supervalorização
de nossos sentidos, ou seja, "aquilo que não vejo não existe".
O complicado dessa história toda é que às vezes também tenderíamos
a estender as agruras de uma recessão com base na projeção de
que o período de vacas magras vai continuar. Para a nova economia,
a atual "frieza" com que investidores e consumidores vêm acompanhando
os ajustes na Nasdaq tenderia apenas a fazer com que os tempos
difíceis alastrem-se para além do necessário.
A imperfeição de nossa psicologia econômica nos arrisca a substituir
a "exuberância irracional" pela "melancolia irracional".
troyjo@ig.com.br
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