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Desilusão
Digital (2): Onde anda a Nova Economia?
Marcos Prado
Troyjo, colunista do iG.com
Davos e Porto Alegre concluíram seus trabalhos. Que lições ficam
destes debates para o futuro da nova economia? Como vimos na semana
passada, os fóruns foram pródigos na discussão maior da globalização.
Poucas análises, no entanto, concentraram-se na questão específica
da nova economia. É curioso que às vezes os dois termos são utilizados
quase como sinônimos, esquecendo-se que a nova economia é uma
manifestação específica da globalização, sobretudo no casamento
entre alta tecnologia e mercado; entre pesquisa & desenvolvimento
e sua transformação em mercadoria. A nova economia, como termo
a significar a atual fase do desenvolvimento capitalista, andou
meio em desuso nos fóruns das últimas semanas.
Ainda assim, para aqueles que não estiveram presentes às conferências,
é possível ter uma boa medida do que ocorreu por meio da Internet.
No caso do Fórum de Davos, basta acessar o site www.worldlink.com.
"Worldlink" é a revista do Fórum Econômico Mundial, e em sua última
edição destaca o texto "Subtract the Divide", de Jefrey Sachs,
economista de Harvard e uma das maiores autoridades mundias na
"exclusão digital", e Geoffrey Kirkman, do Laboratório de Mídia
do MIT. Apontam o barateamento das telecomunicações, o investimento
maciço em educação e a transparência governamental como a chave
para que os países em desenvolvimento aproveitem a onda das oportunidades
digitais. Nada de novo sob o sol, ou melhor dizendo, neve de Davos.
Vale também conferir os argumentos de Moisés Naim, editor da
prestigiosa revista "Foreign Policy", no artigo "Digital Diplomacy",
também na Worldlink. Naim sustenta que os jovens empreeendedores
da nova economia não contavam encontrar tantas barreiras geográficas
e governamentais para a expansão de seus negócios. É a velha história
da importância das legislações domésticas de comércio eletrônico
e da dificuldade do estabelecimento de regras consensuais sobre
o tema da propriedade intelectual no ciberespaço. Não é necessário
dizer que, como um todo, os "davosianos" continuam com sua profissão
de fé nos benefícios da globalização e na expansão da nova economia.
Aqui também nenhuma novidade.
Já das discussões de Porto Alegre, temos à disposição uma interessante
compilação. É a chamada "Biblioteca das Alternativas" (www.forumsocialmundial.org.br/portugues/biblioteca).
À primeira vista, a relação de textos parece um índice do periódico
francês "Le Monde Diplomatique", com sua retórica militante de
denúncia da globalização e homogeneização cultural a partir da
matriz norte-americana.
No entanto, há uma série de textos mais abrangentes sobre a globalização
de grande respeitabilidade acadêmica e profundidade de análise,
como os "papers" do economista da UNICAMP Luiz Gonzaga Belluzo,
um dos pais do plano cruzado e dos mais significativos economistas
heterodoxos do país. Também é importante desfrutar da erudição
e do alcance dos argumentos de Noam Chomsky, também presente no
site do Fórum de Porto Alegre.
A "Biblioteca", contudo, traz poucos elementos que privilegiem
a reflexão sobre os rumos da nova economia. Disponibiliza apenas
artigo requentado (de abril de 2000) do economista francês Maxime
Duran, "Crescimento e 'Nova Economia'". Para Duran, nova economia
é um fenômeno basicamente norte-americano, e é uma ilusão imaginar
que seus benefícios possam alastrar-se para além do universo nasdaquiano.
Para os debatedores de Porto Alegre, nova economia tem mais que
ver com os critérios para a apropriação mercadológica do conhecimento
e a dimensão ética das novas tecnologias, como o futuro das pesquisas
sobre o genôma. Mas nenhuma grande luz alternativa foi lançada
sobre a nova economia.
Davos e Porto Alegre parecem coincidir numa coisa. Desde que
Paul Krugman utilizou o termo pela primeira vez há cerca de três
anos, nunca a "nova economia" envolveu-se em névoa tão espessa
de incerteza. E os dois fóruns pouco contribuíram para dissipá-la.
troyjo@ig.com.br
Artigos
anteriores:
29/01/01
Desilusão Digital: Onde anda a Nova Economia? (1)
22/01/01
Projeções para o Comércio Eletrônico
15/01/01
Pontes Digitais por um Mundo Melhor
08/01/01 O Jovem Brasileiro e a Tecnologia
02/01/01 O Mundo em 2015 (2): A Economia
Global
25/12/00 O Mundo em 2015 (I): as Tecnologias
18/12/00 O Natal da Nova Economia
11/12/00 O Grupo dos Oito e as TIs
04/12/00 As Terças de Greenspan
27/11/00 A Lei Internacional sobre o
Cibercrime
20/11/00 Debatendo o Digital Divide
(2)
13/11/00 Debatendo o Digital Divide
(1)
06/11/00 O Ceticismo de Gates
30/10/00 A Bolha que Não Estoura
(2)
23/10/00 A Bolha que Não Estoura (1)
16/10/00 Ler a Globalização: Cibernéticos,
Cibercéticos e Ciberéticos (2)
09/10/00 Ler a Globalização: Cibernéticos, Cibercéticos e Ciberéticos
(1)
02/10/00 Harvard: Usina da Pré-competitividade
25/09/00 A Cidade na Nova Economia:
do Silicon Valley ao Silicon Alley
18/09/00 Regulamentando o E-commerce
Internacional
11/09/00 O Dilema da Infra-Estrutura
Tecnológica
04/09/00 A (i)lógica do novo
mercado de ações
28/08/00 O que é nova economia? (2)
21/08/00 O que é nova economia? (1)
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