O
Jovem Brasileiro e a Tecnologia
Marcos
Prado Troyjo, colunista do iG.com
No
próximo dia 13, terei a honra de mediar, no Rio de Janeiro,
o painel "Tecnologia & Globalização por um Mundo Melhor",
a ser realizado sob o guarda-chuva do Rock in Rio. Joe Firmage
(One Cosmos Network), Cleofas Uchoa (Associação Brasileira
de Telecomunicações), Charles Harrington (AOL), Ella Cisneros
(Together Foundation), Rodrigo Baggio (Comitê para a Democratização
da Informática - CDI) e Tadao Takahashi (Programa Sociedade
da Informação no Brasil) serão os debatedores.
Sob
a ótica dos interesses e necessidades da juventude, discutiremos
como utilizar a tecnologia da informação para a construção
de um mundo melhor, e como a globalização impacta (positiva
ou negativamente) sobre as sociedades contemporâneas.
Mas
afinal de contas, o que será que o jovem, sobretudo o brasileiro,
quer da tecnologia? Desde que fui escolhido como mediador
do painel, tenho recebido uma série de subsídios vindos
dos próprios jovens (utilizo aqui um critério arbitrário
de juventude que vai até os 25 anos de idade) para orientar
as discussões. Esses subsídios resultaram de reuniões preparatórias
e chats on-line A partir das centenas de comunicações recebidas,
agruparia seus desejos e inquietações em três ordens: Novidade,
Acesso e "Justiça Digital".
Já
se disse que o brasileiro - e por extensão o jovem brasileiro
- é muito "novidadeiro". Este é um dos elementos do êxito
da popularização da Internet ou da telefonia celular no
Brasil, muito à frente em termos de usuários (15 milhões
de internautas e 20 milhões de telefones celulares) a todos
os países em desenvolvimento e muitos desenvolvidos. É patente
a vontade de manter-se cabeça a cabeça com novidades tecnológicas
como a Xbox da Microsoft, lançada por Bill Gates no último
sábado em Las Vegas, e que já conta com uma extensa listas
de pedidos antecipados on-line vindos de jovens brasileiros.
Na
mesma linha, o jovem brasileiro experimenta com crescente
a freqüência as tecnologias de fusão entre a Internet e
o celular. Mas aí chegamos à questão das diferenças sócio-econômicas
e de como repercutem nas distâncias digitais no Brasil.
Daí
a importância do tema "Acesso", e de ações estruturadas
que envolvam governo, iniciativa privada e o chamado "terceiro
setor" (ONGs), como se vem desenhando com o Programa Sociedade
da Informação no Brasil (www.socinfo.gov.br). E, no caso
específico do acesso à Internet, a ampliação de espaços
comunitários de consulta à rede, onde se possa em seguida
partilhar as experiências de, digamos, uma pesquisa comum,
como sugere Antoninho Marmo Trevisan em seu livro Empresários
do Futuro: Como os jovens vão conquistar o Mundo dos Negócios
(2000, Editora Infinito).
A
outra grande (e inteligente) preocupação dos jovens é o
tema da justiça social e a debatida questão da exclusão
digital. É aqui que será importante ouvir as lições do brilhante
Rodrigo Baggio e da experiência de seu Comitê para a Democratização
da Informática (www.cdi.org.br),
que cuida da nobre tarefa de aproximação de jovens mais
carentes (muitos residentes em favelas) aos computadores
e à tecnologia de redes.
Quanto
ao tema "globalização", tentarei encaminhar as reflexões
para demonstrar que o fenômeno não é um "produto ideológico",
ou um "ente de razão", mas uma fase da economia mundial
que toca em vários outros campos de atividade humana. Buscarei
argumentar que é melhor se preparar para enfrentá-la competitivamente
e dela tirar o maior proveito possível do que dela se esquivar,
assim absorvendo apenas seus reflexos mais desagregadores.
Acho
que será um debate interessante. Semana que vem conto como
foi. (MPT)
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