O
Mundo em 2015 (I): as Tecnologias
Marcos
Prado Troyjo, colunista do iG.com
É
perigoso fazer previsões, sobretudo em relação ao futuro.
Esta é uma frase com que os economistas geralmente se divertem,
mas que revela uma tarefa inescapável àqueles que precisam
apontar as tendências que orientam os fluxos de riqueza
e poder. E nesse aspecto um dos estudos mais interessantes
lançados recentemente acerca de "cenários" para o fituro
é o chamado "Global Trends 2015: A Dialogue with NonGovernment
Experts", realizado pelo Conselho Nacional de Inteligência
dos Estados Unidos.
Periodicamente
este trabalho é atualizado, sendo que as últimas previsões,
realizadas em 1997, tinham por base o estado do mundo em
2010. Não tem apenas o tom oficialista de um relatório,
digamos, da CIA, e vale-se da interação com especialistas
de universidades como Georgetown e Harvard.
O
relatório se volta basicamente aos interesses dos EUA num
quadro multitemático, é dizer, onde se conjugam os temas
de paz e segurança internacionais, economia e desenvolvimento,
meio ambiente e a tão comentada "governança global" - engloba
portanto a tudo e a todos. É interessante, comparativamente
com 2010, como o estudo para 2015 reserva um espaço muito
maior à influência que as tecnologias da informação (TIs)
e a economia globalizada exercerão sobre a maneira pela
qual o mundo estará delineado daqui a 15 anos.
A
primeira noção que fica nítida da leitura do relatório diz
respeito à fusão de tecnologias e a sugestão de dois conceitos:
"new world technologies", ou tecnologias de ponta e "sidewise
technologies" - por exemplo, o desenvolvimento de aplicações
inovadoras para chips "antigos' de computador.
Atribui
também uma influência toda especial à biotecnologia. Infere
que as pessoas mais ricas do planeta, como resultado dos
avanços nessa área, poderão viver de forma mais longa e
saudável sem precedentes, o que se promete com o mapeamento
do DNA e a decodificação da base genética das patologias.
Na mesma medida, antecipam-se grandes benefícios para as
populações mais pobres do planeta com uma agricultura intensiva
em biotecnologia, que não apenas reproduz, mas também enriquece
com nutrientes os gêneros alimentícios mais básicos.
Relaciona
como outros vetores dessa revolução os desenvolvimentos
no campo da ciência dos materiais, com o aparecimento de
produtos ambientalmente sadios e mais resistentes à ação
do tempo. Ressalta também a evolução da chamada "nanotecnologia"
- o casamento entre a química e a engenharia, que por meio
de minúsculos robôs revoluciona a estrutura da matéria e
constrói novos dispositivos moleculares "um átomo por vez".
Do
ponto de vista das TIs, o estudo também traz previsões interessantes
para o mundo em desenvolvimento. Aposta na crescente propagação
do acesso celular à Internet mediante aparelhos manuais
e a propagação de satélites de baixa órbita, a baixos custos.
Argumenta
queem razão da crescente classe de trabalhadores e empreendedores
nos setores de alta tecnologia, a Índia liderará o desenvolvimento
de TIs dentre os países emergentes. Já a China, estará na
linha de frente da utilização das TIs, sobretudo nas grandes
áreas urbanas, sendo assim mais difícil que as autoridades
centrais em Pequim possam restringir o acesso à informação
via Internet. Na África subsaariana, apenas a África do
Sul estará em melhor posição para aproveitar os benefícios
da sociedade da informação.
A
projeção para a América Latina é alentadora. O Global Trends
prevê que o mercado para a Internet na região crescerá de
forma exponencial, e que Brasil, México e Argentina usufruirão
as maiores vantagens, em virtude da dimensão das companhias
de telecomunicações, de investimentos internacionais e da
escala de suas economias.
Na
semana que vem consideraremos as previsões para a economia
globalizada em 2015 e seus efeitos sobre as distâncias sociais
(MPT).
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O Natal da Nova Economia
11/12/00 O Grupo dos Oito e as
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