O
que é nova economia? (2)
Marcos
Troyjo, colunista do iG.com
No
último quarto de século, a acelerada dinâmica
da tecnologia da informação - infra-estrutura
da nova economia - revolucionou a idéia de espaços
econômicos e, portanto, os próprios fluxos de distribuição
da riqueza. A fase mais adiantada dessa revolução
que hoje vivemos é o be "desterritorialidade",
onde se dissipam progressivamente as distinções
entre mercado "interno" e "externo".
Este
é um processo que se faz por vezes de forma lenta, mas
seguramente irreversível. Talvez a descrição
mais ilustrativa de seu início nos tenha sido oferecida
pelo velho Marx, que indicava que "as mercadorias e seu
preço baixo eram a artilharia pesada com que a revolução
industrial derrubava todas as muralhas chinesas", retratando
a irresistível expansão do capitalismo no século
XIX..
Desde
o capitalismo visto e analisado por Marx, a economia, em fases
sucessivas, mundializou-se, internacionalizou-se, globalizou-se
e, agora, virtualiza-se.
Ainda
assim, com a progressão geométrica dos termos
de comércio internacional, a idéia de "conquista
de mercados" esteve sempre vinculada a noções
geográficas, físicas mesmo. Falamos do "mercado
europeu", do "mercado norte-americano" etc.,
e é claro que tais noções ainda estarão
conosco durante muito tempo. No entanto, como a nova economia
é marcada pela "virtualidade", a tendência
é que cada vez mais se enfraqueça a característica
do mercado como um "lugar".
Na
nova economia, o mercado é menos um espaço e mais
um "momento" - instante em que, no meio virtual, na
internet, se encontram as forças de oferta e demanda,
produtor e consumidor, fornecedores e investidores. Daí
o argumento de que o crescimento do comércio eletrônico,
que molda esta "área virtual de livre comércio"
que - por ora - é a internet, poderá obsolescer
a configuração de mercados cuja delimitação
é baseada em critérios regionais, como a União
Européia, Nafta, Mercosul, etc.
Infelizmente,
no entanto, a "desterritorialização"
da nova economia, isto é, o reforço da sociedade
virtual, da sociedade do conhecimento, não tem conseguido
fazer desaparecer um outro conceito geo-econômico, que
se observa, por exemplo, na agenda econômica da ONU nos
últimos cinqüenta anos: a divisão Norte-Sul.
Mas
mesmo tal conceito mudou e talvez num sentido ainda mais perverso.
Nestas cinco décadas, "Norte e Sul" representaram
a nítida divisão entre um hemisfério rico
e outro pobre; uma metade que, grosso modo, produz e consome
am alta escala e outra ainda às voltas com o imperativo
mais básico da sobrevivência. Acrescentou-se a
este "golfo" a problemática do conhecimento,
e a envergadura Norte-Sul hoje é maior do que nunca.
Povos
e indivíduos não mais se dividem apenas entre
os que "têm" e os que "não têm".
O fosso agora é cada vez mais entre os que "sabem"e
os que "não sabem". Na economia da informação,
a tradicional divisão Norte -Sul ganhou um novo nome:
é o digital divide.
O
mundo se desterritorializa, muitas fronteiras deixam de ter
sentido, ficamos desorientados. Mas um instrumento é
seguro: a bússola da nova economia é o conhecimento.
(MPT)
Artigos
anteriores:
21/08/00 O que é nova
economia? (1)
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