O
que é nova economia? (1)
Marcos Prado Troyjo, colunista do iG.com
Nestes tempos
de globalização e alta tecnologia, já teríamos
de fato elementos drasticamente diferentes da visão liberal
da riqueza, como nos ensina a tradição iniciada
por Adam Smith, que nos autorizam a cunhar a nova fase da circulação
de bens como uma nova economia? É a questão
sobre a qual pretendo refletir nas próximas colunas, examinando-a
pela ótica da produção, distribuição
e consumo.
É
claro que quando conjugamos expressões e conceitos como
tecnologias da informação, e-commerce,
NASDAQ, volatilidade financeira etc., estamos lidando
com novos ambientes e modos de viver, operar e fazer negócios.
Falamos, portanto, de uma economia e sociedade, no mínimo,
diferentes. Como articular, porém, esses fenômenos
a traços comuns da economia tradicional a figura
da escassez, ou a trindade dos fatores de produção,
terra, capital e trabalho.
Mesmo com
todo o aparato on-line, dificilmente poderíamos sustentar
que a lei da escassez mudou. As novas tecnologias incrementaram
nosso bem-estar a níveis sem precedentes. Ainda somos,
no entanto, seres humanos altamente imperfeitos, com necessidades
ilimitadas e recursos (embora cada vez mais disponíveis)
bastante restritos. Ante a dimensão de nossos desejos,
a tecnologia contemporânea apenas sofisticou nossa propensão
a sempre querer mais, e este é um traço
indissociável da natureza humana.
Por outro
lado, permanecem os fatores de produção os mesmos
da economia da revolução industrial? Evidente que
não. Pode-se imediatamente argumentar que embora o fator
terra seja por definição imutável,
capital e trabalho passaram por mudanças radicais, que
muito os distanciam da figura do operário fabril e do capitalismo
industrial-financeiro.
O fator conhecimento
alterou de forma definitiva a produtividade dos inputs trabalho
e capital. Mas também alterou sobremaneira o perfil do
trabalhador destituído de meios de produção
e de um capital que necessariamente teria de reduzir a massa salarial
para maximizar lucros.
Como que
por uma certa alquimia, formulada nas Harvards, MITs e INSEADs
da vida, a aplicação sistemática do conhecimento
à atividade econômica levou a uma explosão
do valor. Assim, a velha economia objetiva
é sobre o valor como parâmetro absoluto, ditado pela
mera interação entre trabalho e capital. A nova
economia subjetiva é sobre a agregação
de valor, o montante de conhecimento integrado a um certo produto
ou processo.
Na velha
economia, se a interação entre terra, capital e
trabalho nos levou a pensar o modelo tradicional de setores primário
(agrícola), secundário (industrial) e terciário
(serviços), o conhecimento conforma o setor quaternário,
onde robótica, química fina, software de rede, etc.
são a primeira pele da nova economia.
De certa forma, podemos entender a história econômica
do século XX, do método em série de Ford
até a revolução biotecnológica, como
a trajetória de influência progressiva do conhecimento
sobre os fatores trabalho e capital, ao ponto de hoje constituir
um fator de produção em si.
Antes, o
conhecimento especializava o trabalhador e sofisticava o capital.
Agora, o especialista é substituído pelo trabalhador
que articula vários saberes. Ontem, o capital
determinava o conhecimento. Hoje, o conhecimento determina o capital.
Teremos de
reescrever nossos manuais de economia.
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