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Eleições
Municipais na Era Digital
Paul Singer,
colunista do iG.com
Graças ao
emprego de urnas eletrônicas, os resultados das últimas eleições
tornaram-se conhecidos em menos de 24 horas. Na época pré-digital,
votávamos usando cédulas de papel. As apurações eram inevitavelmente
manuais, mesmo quando a totalização dos votos já era feita com
computadores. Cada urna, uma vez encerrada a votação, tinha de
ser lacrada e levada ao local da apuração (aqui em S.Paulo em
geral grandes recintos de clubes). Em centenas de seções separadas,
cada urna era aberta, os envelopes eram despejados em cima da
mesa e contados, antes de serem abertos, para conferir com o número
de eleitores registrado. Tudo isso era feito sob os olhares dos
fiscais dos partidos políticos, que impugnavam a urna se houvesse
qualquer divergência entre os números de votantes e de votos encontrados.
Só depois
disso, os envelopes eram abertos e separados por candidato sufragado.
Neste processo surgiam dúvidas e oportunidades para fraude. Votos
em branco poderiam ser transformados em votos para candidatos
favorecidos pelo fraudador, no caso algum dos apuradores. Votos
para mais de um candidato concorrente, votos assinados supostamente
pelo eleitor e outras irregularidades eram objetos de discussão
entre os apuradores e estes com os fiscais. Era indiscutivelmente
um processo empolgante para os candidatos e suas torcidas mas
demorado.
A totalização
das urnas também dava ensejo a fraudes, como chegou a ocorrer
em 1982, na eleição disputada por Leonel Brizzola ao governo do
Rio. Naquela ocasião a fraude em processo foi descoberta e denunciada
em tempo, graças a um sistema de totalização paralelo ao oficial,
montado pelos partidários de Brizzola e que revelou a divergência
entre os totais que iam sendo anunciados pela TV Globo e os verdadeiros.
Não fosse esse sistema paralelo, que não estava ao alcance dos
candidatos menos dotados de recursos, e o governo do Rio teria
sido entregue ao candidato perdedor.
Na era pré-digital,
foram numerosas as suspeitas de fraudes eleitorais, sobretudo
quando a diferença entre os candidatos era pequena. Havia urnas
em que a proporção de votos a favor de um candidato era muito
maior do que em todas as outras, o que fazia crer que elas foram
substituídas entre o local de votação e o de apuração. E a Justiça
Eleitoral era vagarosa na apuração destas denúncias, pois como
em todo o Judiciário decisões em instância inferior sempre podem
ser objeto de recurso a instância superior.
Tudo isso
foi revogado pela urna eletrônica, que aparentemente é à prova
de fraudes. Talvez, no futuro, descubram formas de interferir
nas memórias dos computadores que registram os resultados eleitorais,
mas ao menos por enquanto estamos livres disso. E a rapidez na
apuração acelera o tempo das decisões políticas, inclusive igualando
a periferia ao centro e as pequenas localidades às grandes. Na
era pré-digital, os resultados do centro e dos grandes centros
eram conhecidos antes, o que levava a antecipações errôneas e
a decisões que poderiam ser equivocadas.
Imagine-se
o que teria acontecido em S.Paulo e no Rio, por exemplo, em que
o nome dos candidatos que disputariam o segundo turno dependeu
dum pequeno número de votos. Provavelmente, só se saberia quem
estaria no segundo turno vários dias depois da eleição, com os
candidatos que saíram à frente (como Geraldo Alkimin em S.Paulo)
tratando de grangear apoios, que se revelariam fúteis quando o
real vencedor (no caso Paulo Maluf) ficava conhecido. Graças à
urna eletrônica, o período de incerteza foi reduzido ao mínimo
e sobrou mais tempo para a formação das alianças para o segundo
turno. E os candidatos eleitos ganharam um tempo a mais antes
da posse para formar suas equipes de governo e consolidar as coligações
que lhes darão apoio.
Não há dúvida
que a revolução micro-eletrônica ajuda a aperfeiçoar a democracia.
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